CAPÍTULO 63 - PONTO DE VISTA RAGNAR O cheiro de ervas medicinais amargas e gordura de urso queimada já fazia parte da minha rotina diária na tenda dos curandeiros, mas a sensação de impotência física era, de longe, o fardo mais difícil de carregar para um homem que passou a vida inteira ditando o ritmo da própria força. Sentado na borda do catre de madeira rústica, passei a mão esquerda — a única inteiramente livre de ataduras grossas — pelo cabelo sujo e emaranhado, sentindo o relevo das cicatrizes antigas misturado ao corte recente na testa. O ferimento profundo no peito e no ombro direito, aberto pela lâmina de energia de Acnae no momento em que saltei para interceptar o ritual da bruxa, latejava com um calor abafado e constante. A cura divina que Selene me impusera no desfiladeiro havia evitado que a minha alma cruzasse a fronteira definitiva, mas a reconstrução dos tecidos e dos ossos estilhaçados exigia tempo, repouso e uma paciência que eu nunca tive. Fora da tenda, o som ab
Última atualização : 2026-10-03 Ler mais