CAPÍTULO 80 - PONTO DE VISTA SELENE Quando a mão de Kael escorregou do meu rosto e tombou pesada, sem vida, contra o lodo empastado de sangue da planície, o mundo não perdeu apenas o som. Perdeu a cor, a gravidade e o próprio sentido de existir. O vínculo no centro do meu peito, que até aquele segundo pulsava com o fogo vivo e quente do meu companheiro, não se rompeu com um estalo; ele implodiu como uma estrela moribunda. Uma fenda gélida, infinita e vazia abriu-se no âmago da minha alma mortal, arrancando de mim todo o ar, toda a ilusão de serenidade e cada vestígio de fragilidade que eu ainda carregava desde os tempos em que rastejava como rejeitada no Norte. Fiquei de joelhos sobre a terra encharcada. A ponta dos meus dedos pálidos ainda sustentava a mandíbula de Kael. O rosto dele, agora imóvel sob a fuligem cinzenta, parecia esculpido em granito puro, com a serenidade brutal de quem partira invicto, tendo cumprido a sua missão final como escudo da minha existência. — Kael...?
Última actualización : 2026-10-06 Leer más