4 Antworten2025-12-28 13:25:33
Capitu é uma das figuras mais enigmáticas da literatura brasileira, e eu adoro mergulhar nas camadas desse personagem. Em 'Dom Casmurro', ela é retratada através dos olhos de Bentinho, o que já coloca uma névoa de subjetividade sobre suas ações. A maneira como ela manipula situações, como quando convence a família dele a deixá-lo estudar no seminário, mostra uma inteligência afiada e uma certa dose de estratégia.
Mas será que ela é realmente a vilã que Bentinho pinta? Ou é apenas vítima de uma narrativa enviesada? A ambiguidade é o que torna Capitu fascinante. Eu me pego relendo trechos tentando decifrar se há inocência ou culpa no seu olhar 'de cigana oblíqua e dissimulada'. Machado de Assis nos deixa uma obra-prima de interpretação aberta, e Capitu é o centro dessa provocação literária.
5 Antworten2026-01-01 13:25:41
Capitu é uma das personagens mais fascinantes e enigmáticas da literatura brasileira. Em 'Dom Casmurro', ela é retratada como a esposa de Bentinho e mãe de Ezequiel, mas sua verdadeira natureza é alvo de debate. Machado de Assis constrói Capitu com nuances que desafiam a interpretação: ela pode ser vista como uma mulher astuta e manipuladora ou como uma vítima injustiçada pela paranoia do marido. A ambiguidade em torno dela é intencional, deixando o leitor questionando se houve traição ou se tudo foi fruto da mente perturbada de Bentinho.
A beleza da narrativa está justamente nessa incerteza. Capitu é inteligente, charmosa e sabe navegar nas convenções sociais da época, mas será que isso a torna culpada? A forma como ela olha 'de cigana oblíqua e dissimulada' virou símbolo dessa dúvida. Eu adoro discutir essa obra porque cada releitura me faz pensar diferente sobre ela.
5 Antworten2026-01-01 02:05:35
Machado de Assis deixou uma das maiores ambiguidades literárias em 'Dom Casmurro', e Capitu trair ou não Bentinho é um debate que nunca esfria. A narrativa é toda filtrada pela perspectiva do protagonista, um homem amargurado que reconstrói memórias com suspeitas. Há passagens onde Capitu é descrita com olhos 'de cigana oblíqua e dissimulada', mas será que isso é prova ou projeção da insegurança dele? A genialidade está justamente na falta de respostas: o texto permite ler Capitu como vítima de ciúmes doentios ou como mulher astuta que burlou as expectativas da época. Releio o livro a cada década e mudo de opinião — agora, acho que a dúvida é o verdadeiro tema, não a traição.
A ironia machadiana amplifica tudo. Bentinho narra com 'certa' neutralidade, mas suas palavras escorregam em contradições. Quando fala do 'crime' de Capitu, parece mais preocupado em convencer o leitor do que em relatar fatos. E o filho Ezequiel? O suposto parecido com Escobar pode ser tanto evidência quanto coincidência — afinal, quem nunca viu semelhanças onde quer enxergá-las? Prefiro pensar que Machado brinca com nossa necessidade de certezas, deixando a culpa ou inocência pairando como fumaça de cigarro na sala da Belle Époque.
5 Antworten2026-01-01 08:46:44
Dom Casmurro é uma daquelas obras que sempre me pego revisitando, seja no livro ou em adaptações. A história de Capitu e Bentinho tem algo que transcende o tempo, e encontrar boas versões audiovisuais pode ser um desafio. A minissérie da TV Globo, lançada em 2008, é uma das mais acessíveis hoje, disponível no Globoplay. Ela captura bem a atmosfera melancólica e as nuances psicológicas do romance.
Outra opção é o filme 'Capitu', de 1968, dirigido por Paulo César Saraceni, que você pode achar em plataformas de streaming especializadas em cinema brasileiro, como a Amazon Prime ou o Now. A interpretação da atriz Ítala Nandi como Capitu é algo que me marcou profundamente, com um tom mais intimista que a versão da TV. Se você curte teatro, há montagens contemporâneas que circulam por festivais culturais—vale ficar de olho no YouTube, onde às vezes postam trechos.
5 Antworten2026-01-01 15:05:56
Capitu é um nome que carrega mistério e ambiguidade, assim como a personagem de 'Dom Casmurro'. A sonoridade do nome me remete a algo delicado, quase musical, mas também sugere uma certa firmeza. Machado de Assis tinha essa habilidade de criar nomes que refletissem a complexidade dos seus personagens. Capitu pode ser uma abreviação de 'Capitulina', que tem raízes latinas e remete a algo grandioso, quase imperial, o que contrasta com a imagem frágil que Bentinho tenta pintar dela.
Essa dualidade entre o que é dito e o que é sugerido é o que torna Capitu tão fascinante. Será ela realmente traidora ou vítima da paranoia de Bentinho? O nome, assim como a personagem, deixa espaço para interpretações. Acho que Machado brinca com essa ambiguidade desde o primeiro momento, fazendo do nome um símbolo da narrativa dúbia que se desenrola.
1 Antworten2026-01-01 17:56:50
Capitu, de 'Dom Casmurro', sempre me fascina pela complexidade que Machado de Assis tece em torno dela. Enquanto outras mulheres da literatura brasileira, como Iracema ou Lucíola, são idealizadas — a primeira como símbolo da natureza virgem e a segunda como a cortesã redimida pelo amor —, Capitu é humana, cheia de nuances. Ela não se encaixa no arquétipo da 'mulher perfeita' ou da 'pecadora arrependida'. Sua ambiguidade (é traidora ou vítima de ciúmes doentios de Bentinho?) a torna mais real, mais próxima das contradições que todas nós carregamos. Machado a construiu para ser interrogada, não admirada ou condenada sem reflexão.
Já comparando com personagens como Gabriela, de 'Gabriela, Cravo e Canela', a diferença salta aos olhos. Gabriela é a sensualidade livre, quase um mito, enquanto Capitu luta dentro dos limites da sociedade patriarcal do século XIX. Nem mesmo Helena, de 'Helena', outra obra de Machado, tem a mesma densidade psicológica. Capitu é como uma fotografia borrada: você nunca sabe se o defeito está no retrato ou no olho de quem vê. E é essa qualidade que a mantém viva, discutida, reinterpretada. Ela não é uma figura literária; é uma pessoa que pulou das páginas e continua nos desafiando a decifrá-la.