Meu coração sempre acelera quando descubro poemas que cabem naquele tempinho roubado do dia. Um que me marcou muito foi 'No Meio do Caminho', do Drummond. A simplicidade dele é enganosa – aquela pedra no caminho vira uma metáfora gigante sobre obstáculos da vida. E o melhor? Dá pra reler três vezes em 5 minutos e sair com novas camadas de significado.
Outro que carrego no bolso é 'Poema de Sete Faces', também do Drummond. Tem um ritmo quase musical, perfeito pra ler em voz alta enquanto espero o café esfriar. A última estrofe ('Mundo mundo vasto mundo...') fica ecoando na cabeça o dia todo. Pra quem quer algo mais visual, 'Quadrilha', do João Cabral de Melo Neto, é pura cinematografia em versos – dá pra ver cada personagem dançando naquele desencontro amoroso.
Poemas curtos são como post-its da alma – colam em qualquer intervalo. Recomendo 'A Máquina do Mundo', do Drummond (a versão reduzida que circula online), porque transforma filosofia em versos digestivos. 'Vou-me Embora pra Pasárgada', do Bandeira, é meu escape mental quando o ônibus atrasa – pura fantasia em ritmo de cantiga. E não dá pra falar de poemas breves sem mencionar os haicais da Olga Savary, especialmente 'Haicai do Café', que captura um instante com precisão fotográfica.
Adoro presentear amigos com poemas curtos como quem oferece um chocolate – pequenos mas intensos. 'Motivo', da Cecília Meireles, é meu favorito pra isso. Em poucas linhas, ela fala sobre ausência de um jeito que dói bonito. Já 'O Bicho', do Manuel Bandeira, é um soco no estômago em versos mínimos, ótimo pra quem gosta de literatura que não tem medo do grotesco.
Pra momentos mais leves, recorro ao 'Poeminha do Contra', também do Drummond. Aquela brincadeira com 'Todos esses que aí estão...' me faz sorrir mesmo nos dias cinzas. E se sobrar um minuto extra, 'Retrato', da Cecília, tem essa joia: 'Eu não tinha este rosto de hoje...' – perfeito pra refletir sobre identidade entre um compromisso e outro.
2026-07-11 06:21:57
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Susana Costa amou Nathan Ribeiro em silêncio por cinco longos anos. Por ele, escolheu permanecer em uma cidade que ficava a milhares de quilômetros de sua terra natal, longe de tudo o que conhecia. Quando a noiva de Nathan fugiu, abandonando-o no cerimônia do noivado, foi Susana quem, sem hesitar, deu um passo à frente e aceitou o anel, consciente de que aquele gesto selava um destino doloroso, o de que Nathan jamais a amaria.
No dia do casamento, bastou Bianca Santos sussurrar que estava com "dores no coração" para que Nathan abandonasse sua esposa recém-casada, virando as costas e correndo desesperado para os braços de outra mulher. Todos riam de Susana. Riam e diziam que ela era como uma trepadeira parasita, incapaz de sobreviver sem a árvore robusta que era Nathan; zombavam de sua humildade excessiva e de sua insistência cega.
Até mesmo Susana, por muito tempo, acreditou nessa mentira. No entanto, qualquer amor, por mais profundo que seja, tem um limite. Ser ignorada, negligenciada e colocada repetidamente em segundo plano drena a alma, gota a gota, até secar. E quando Nathan finalmente decidiu olhar para trás, a garota que um dia usou todo o seu amor para permanecer ao seu lado já havia partido, dissolvendo-se no vento, para nunca mais voltar.
Desde o dia em que descobri que Henrique Martins estava me traindo, todos os dias, assim que ele entrava em casa, eu o imobilizava no hall de entrada, arrancava suas calças e borrifava álcool de alta concentração em suas partes íntimas para desinfetá-las.
Consumido pela culpa, Henrique sempre se submetia em silêncio, com os olhos avermelhados, tentando me acalmar pacientemente e pedindo que eu parasse com aquilo.
Mas, hoje, ele chegou duas horas mais tarde do que de costume.
Assim que senti o perfume que vinha do corpo dele, perdi completamente o controle e comecei a puxar seu cinto com toda a força.
— Da última vez que você chegou meia hora atrasado, foi porque dormiu com outra mulher! Hoje você atrasou duas horas inteiras. Fala! Quantas foram desta vez? Quatro?
Depois de me pedir desculpas pela vigésima nona vez e ser empurrado para longe mais uma vez, ele finalmente ergueu a mão ainda marcada pela agulha da injeção intravenosa, por onde o sangue havia refluído pelo cateter, e explodiu, gritando comigo em completo desespero.
— Chega! Eu estou com uma febre altíssima, quase morrendo, e você nem sequer perguntou como eu estou! Todos os dias é a mesma crise. Isso nunca vai acabar? Eu só dormi com outra pessoa uma única vez porque estava bêbado! E você? Acha mesmo que é tão inocente assim? Não foi por acaso que, aos dezesseis anos, arrastaram você para um beco e a despiram para humilhá-la! Amanda Rocha, uma mulher paranoica e desequilibrada como você merece exatamente isso!
O borrifador caiu no chão e se despedaçou aos meus pés. O cheiro forte do álcool queimou minha garganta, impedindo que eu conseguisse dizer qualquer palavra.
Ao encarar o olhar carregado de impaciência e desprezo dele, senti apenas um cansaço profundo.
Talvez fosse melhor assim. Eu já não queria mais insistir em um relacionamento que há muito tempo estava completamente destruído.
Em Vale Central, Felipe Fagundes e eu éramos o casal mais comentado, e mais hostil da cidade.
Ele me desprezava, dizia que eu não tinha pudor e que usei todos os meios para forçar um casamento com ele.
Eu o odiava. Noite após noite, ele se continha por Mônica Pimentel, reservando toda a frieza possível para mim.
Durante oito anos de casamento, a frase que ele mais repetiu foi para eu sumir da vida dele.
Quando a enchente chegou, Felipe, sempre tão cruel nas palavras, abriu mão do último lugar no bote salva-vidas e o deixou para mim.
Ele gritou para mim:
— Não olhe para trás, vá logo!
— Natália Júnior, eu não te devo mais nada. Na próxima vida, só quero ficar com a Mônica.
Eu quis voltar para salvar ele, mas fui impedida.
No fim, só pude ver ele ser engolido pela enchente.
A equipe de resgate chegou tarde demais.
O corpo dele, já em decomposição, ainda segurava com força o medalhão de jade da Mônica, impossível de tirar das mãos dele.
Depois disso, vendi todos os meus bens, doei tudo para a região atingida pelo desastre e me joguei do alto de um prédio para seguir ele na morte.
Quando abri os olhos novamente, tinha voltado para a noite em que Felipe foi drogado.
Dez anos atrás, fiquei cega para salvar Caetano.
Dez anos depois, Caetano fez a amante morar na mesma mansão que eu.
Todas as noites, na primeira metade da madrugada, ele me embalava até eu dormir. Na segunda metade, se enfiava na cama da outra.
Até o meu próprio filho passou a chamá-la de mãe às escondidas.
Eles não sabem.
Eu já voltei a enxergar.
E estou planejando ir embora.
Na manhã do meu décimo oitavo aniversário, eu desmaiei na clínica da alcateia após minha nonagésima nona doação de sangue para minha irmã gêmea, Maeve.
Ela havia sido amaldiçoada desde o nascimento uma maldição que só podia ser contida pelo meu sangue. O vínculo que compartilhávamos desde o ventre era a única coisa mantendo a magia sombria sob controle.
Quando acordei, a curandeira me disse que eu havia desenvolvido anemia aplástica uma condição rara em que a medula óssea começa a falhar. Anos de doações constantes finalmente haviam destruído meu corpo, e minha loba, Aurora, estava fraca demais para lutar contra aquilo.
Corri para contar à minha família, esperando que, desta vez, fosse diferente, apenas para encontrá-los na confeitaria encomendando um bolo de aniversário personalizado com apenas o nome de Maeve.
Eles tinham esquecido completamente do meu aniversário, mesmo sendo gêmeas e tendo nascido com apenas cinco minutos de diferença.
No começo, meu sacrifício era recebido com amor e elogios. Agora, não passava de uma obrigação que todos esperavam de mim.
Minha família havia escolhido Maeve em vez de mim inúmeras vezes antes.
Desta vez, eu decidi escolher a mim mesma.
Eu tinha duas semanas antes de desaparecer daquela casa da alcateia e da vida deles. Duas semanas para preparar tudo em silêncio enquanto permaneciam completamente alheios.
Eles pensariam que eu finalmente havia aprendido meu lugar como a fonte de sangue de Maeve.
Mas nunca perceberiam que eu estava contando os dias até desaparecer da vida deles para sempre.
Quando descobrissem, já seria tarde demais.
Quando eu estava com sete meses de gravidez, eu morri. O mandante por trás de tudo era meu marido. Quando ele soube que o sangue de um bebê prematuro podia salvar a minha irmã, ele se aliou a uma clínica clandestina e mandou me abrir à força, tirando o meu filho.
Depois de drenarem o sangue do bebê, ele virou as costas e foi embora, deixando a criança prematura tão fraca que não conseguiu sobreviver.
Depois disso, o meu pai e minha mãe disseram:
— Isso é o que você devia para a Kayra. Já estava na hora de pagar.
O meu marido disse:
— No futuro, a gente pode ter outro filho. Desde quando uma criança é mais importante que a vida da Kayra?
Meu sangue ferveu, minha indignação era tão grande que tive uma hemorragia fatal e morri.
Minha alma ficou pairando sobre a cena, olhando enquanto eles corriam para iniciar a cirurgia da minha irmã. Eles estavam com tanta pressa que nem sequer tiveram tempo de trocar minhas roupas e colocar uma mortalha limpa.
Ninguém chorou por mim. Ninguém perdeu o controle.
Empurraram meu corpo para o necrotério sem demonstrar nenhuma emoção, e a família inteira comemorou a recuperação de Kayra Marinho.
Quando abri os olhos novamente, eu tinha voltado três meses no tempo, justamente no dia em que toda a minha família me pressionava a pedir o divórcio.
Meu coração sempre derrete com poesia romântica, e há alguns versos que carrego comigo como segredos preciosos. Um que adoro é o de Vinícius de Moraes: 'Eu seja, eu morra, eu queira / Perder-me em ti, esquecer-me / E assim, sem mais nem menos / Me encontrar em ti, viver'. É como um suspiro em palavras, perfeito para momentos íntimos.
Outro que me arrepia é o de Florbela Espanca: 'Eu sou a que na vida não passou / E que, passando, ficou pra sempre'. A brevidade e a intensidade são de tirar o fôlego. Esses poemas têm o poder de transformar um simples momento em algo mágico.