Doremifa
Na véspera do meu casamento, Vitória Cardoso, melhor amiga do meu noivo, me enviou uma série de fotos.
Nas imagens, ela vestia o meu vestido de noiva de alta-costura, feito sob medida, e se aninhava nos braços de Alexandre Fonseca. A legenda era uma provocação explícita: [Vou pegar seu noivo e seu vestido emprestados. Afinal, Alexandre disse que esta peça fica mais bonita em mim do que em você.]
Pouco depois, o Instagram foi inundado por fotos dos dois vestidos como noivos. Em uma delas, os dois fingiam se beijar, vinha acompanhada da legenda: [Mais que amigos, menos que amantes. Se tivéssemos nos conhecido dez anos antes, não teria sobrado espaço para mais ninguém entre nós.]
Com as fotos em mãos, confrontei Alexandre. Sem demonstrar a menor preocupação, ele continuou jogando e, pouco depois, largou o celular de lado, com o rosto tomado pela impaciência.
— Já falei que fizemos isso por brincadeira, para guardar uma lembrança da nossa juventude. Você não consegue parar de agir como uma histérica? Ela acabou de ser diagnosticada com depressão. Qual é o problema em eu tentar animá-la?
Diante daquela insolência, eu ri.
— Está bem. Já que o vínculo de vocês é tão inabalável, não serei eu a bancar a vilã. O casamento está cancelado. E nem pense que continuarei cobrindo os rombos da sua empresa falida, muito menos que salvarei a sua mãe. Sua juventude custa caro. Espero que você consiga pagar o preço.
Naquela mesma noite, redigi o acordo para retirar o meu investimento da empresa e cancelei o contato com a renomada equipe médica internacional que eu estava providenciando para a mãe dele.