Alyssa J
Eu era a única herdeira do Rei Alfa do Território do Norte.
Mas me apaixonei por Caine, o Alfa da Alcateia Lua Prateada, no Leste.
Nossos territórios eram inimigos jurados.
Por isso, escondi minha verdadeira identidade e permaneci ao lado dele nas sombras.
Durante dez anos, fui sua secretária.
Sua arma.
E sua única mulher.
Ajudei Caine a transformar a Alcateia Lua Prateada em uma das forças mais poderosas do Leste.
Durante todo esse tempo, acreditei que um dia ele me pediria em casamento.
Afinal, todas as noites, quando me possuía na cama, ele me tomava com intensidade, enquanto sua voz rouca ecoava junto ao meu ouvido, repetindo inúmeras vezes que eu pertencia a ele.
Então, certo dia, depois de fazermos amor, ele disse casualmente:
— A partir de amanhã, você ficará responsável pela organização do noivado.
Eu ainda estava deitada, o corpo tremendo pelos efeitos do prazer.
— Caine…
Sentei-me lentamente na cama, com a voz trêmula.
— Você… está me pedindo em casamento?
Ele virou o rosto para me olhar, como se minha pergunta fosse inesperada.
Como se jamais tivesse imaginado que eu pudesse pensar algo tão ingênuo.
— Casar com você?
Seu tom era preguiçoso.
— O noivado é com Celina.
Celina.
A filha do Alfa da Alcateia do Rio, o território vizinho.
Senti algo apertar meu coração antes de despencar para um vazio sem fim.
— Você vai se casar com ela…
Minha mente ficou completamente em branco.
— Então… o que eu sou para você?
— Sophia.
Ele pronunciou meu nome com naturalidade.
— Você é uma Ômega. Durante dez anos, eu lhe ofereci o melhor de tudo.
— Proteção.
— Status.
— Meu tempo.
O polegar dele deslizou lentamente pela minha mandíbula.
— Mas você sempre soube que jamais poderia se tornar minha Luna.
Seus olhos permaneceram indiferentes.
— Não invente contos de fadas para si mesma.
Foi naquele instante que finalmente compreendi.
Ele nunca havia me considerado sua companheira.
Por ambição.
Por aquela princesa.
Ele escolheu me sacrificar.
Então…
eu escolhi destruir tudo aquilo que passei dez anos ajudando-o a construir.
Disquei um número para o qual não ligava havia dez anos.
— Pai.
Do outro lado da linha, a voz grave respondeu imediatamente:
— Sophia… minha princesinha.
Houve uma breve pausa.
— Finalmente voltou a si?
No instante em que ouvi sua voz, minha garganta se fechou.
Respirei fundo para conter a emoção.
— O senhor tinha razão, pai.
Fechei os olhos.
— Quero voltar para casa.
Engoli o nó preso na garganta antes de continuar:
— Venha me buscar daqui a cinco dias.