Home / Romance / A Alice Errada / Dez minutos

Share

Dez minutos

Author: Leti DB
last update publish date: 2026-09-25 06:16:56

POV: ALICE

Adrian chegou na segunda-feira às três e dois.

Eu já estava esperando.

Não por ele.

Pelo chá.

Quando entrou carregando a mesma caixa, apontei.

— Isso está ficando ridículo.

Ele olhou para a caixa.

— O chá?

— Você.

— Isso parece mais amplo.

— É.

Sentou.

Eu permaneci no sofá.

Nesses dois dias desde que vi Eva sair do quarto de Konstantin com a expressão suficientemente tranquila para me fazer entender que adultos sexualmente funcionais faziam coisas que eu só conhecia por teoria, eu ti
Continue to read this book for free
Scan code to download App
Locked Chapter

Latest chapter

  • A Alice Errada   O primeiro beijo

    POV: KONSTANTINMikhail me encontrou no caminho entre a mansão e o anexo.Não disse boa-noite.— Alice.Uma palavra.Foi suficiente.— O quê?— As mãos.Acelerei.— O que aconteceu?— Bateu no vidro.— Uma vez?Mikhail não respondeu.A porta biométrica abriu antes que eu chegasse.Vi o sangue primeiro.Não era muito.Isso não ajudou.Marcas avermelhadas estavam espalhadas na parte inferior do vidro externo. Uma linha mais escura descia pela superfície até quase o piso.Alice estava adormecida junto à parede.Ou desacordada.A distinção desapareceu por alguns segundos.Ajoelhei.— Alice.Nenhuma resposta.Toquei o pescoço.Pulso normal.Respiração regular.Marta apareceu atrás de mim.— Ela adormeceu.Olhei para ela.— Tem certeza?— Eu estava aqui até quinze minutos atrás. Chorou, ficou exausta e dormiu.As mãos estavam no colo.Inchadas.Os nós dos dedos abertos.A palma direita tinha dois cortes superficiais onde provavelmente escorregara contra a junção do vidro.— Médico.— Já est

  • A Alice Errada   Mãos vermelhas

    POV: ALICENa quarta-feira à tarde, apareceram flores suficientes na propriedade para organizar um casamento.Não o meu, felizmente.Marta entrou na redoma carregando uma caixa de louça e encontrou meu rosto praticamente colado ao vidro do jardim.— Quem morreu?— Ninguém.— Então por que tem gente montando mesa lá fora?Ela pousou a caixa.— Jantar.— Eu consigo ver.O jardim, normalmente silencioso, havia mudado completamente. Homens carregavam mesas altas, luminárias e arranjos discretos. Uma equipe passava pelo caminho de pedra com bandejas cobertas. Perto da mansão, dois carros pretos pararam em sequência.— Jantar com quarenta pessoas?— Reunião com comida.— Ah. Crime organizado com canapé.Marta me lançou um olhar.— Não fala isso perto de ninguém.— Por quê? Eles preferem “networking”?Ela abriu uma gaveta.— Vai me ajudar ou pretende ficar assistindo?— Eu não fui convidada.— Isso responde minha pergunta?Virei.— Quem vem?— Gente que trabalha com Konstantin.— Que tipo de

  • A Alice Errada   Sem resposta

    POV: KONSTANTINAdrian precisou de doze minutos para me dizer que não tinha uma resposta.Considerei um desperdício de onze.Ele estava sentado diante da minha mesa com uma xícara de café que não tinha pedido e o mesmo nível de tranquilidade que mantinha quando Alice o insultava. Luca ocupava a poltrona ao lado, lendo pela segunda vez o relatório que recebera naquela manhã. Mikhail estava perto da janela, falando baixo ao telefone sobre o armazém incendiado dois dias antes.Eu deveria estar concentrado no incêndio.Dois homens feridos. Uma carga perdida. Três contratos temporariamente suspensos. Material ligado a Bellandi encontrado dentro de um veículo abandonado a seis quilômetros do local.Problemas concretos.Em vez disso, eu estava ouvindo um psiquiatra explicar por que uma garota de vinte anos talvez não estivesse mentindo para mim.— Não disse que ela não sabe — Adrian corrigiu.— Acabou de passar dez minutos dizendo exatamente isso.— Não. Passei dez minutos dizendo que, até a

  • A Alice Errada   A poltrona

    POV: ALICENa terça-feira, Marta me mandou limpar o quarto de Konstantin.Pensei que fosse piada.— Não.Ela colocou uma pilha de toalhas nos meus braços.— Sim.— Eu prefiro limpar os banheiros.— Mentira.— Prefiro lavar o chão com escova de dentes.— Também mentira.— Prefiro ser sequestrada por outra pessoa.Marta finalmente me olhou.— Essa talvez seja verdade.— Não vou entrar no quarto dele.— Já passou três dias tentando descobrir como chegar ao núcleo privado.Fiquei em silêncio.Ela ergueu uma sobrancelha.— Eu estava estudando a arquitetura.— Claro.Seguimos pelo corredor.Desde o incêndio no armazém, a casa estava mais tensa. Mikhail dormira, aparentemente, três horas. Tomás tinha sido substituído duas vezes durante a noite. Konstantin desaparecera boa parte do dia anterior e só voltara perto das duas da manhã.Eu sabia porque ainda estava acordada.Não porque esperasse.Porque não conseguia dormir.Essa era a versão oficial.Marta passou a mão pelo leitor.A porta do núc

  • A Alice Errada   Dez minutos

    POV: ALICEAdrian chegou na segunda-feira às três e dois.Eu já estava esperando.Não por ele.Pelo chá.Quando entrou carregando a mesma caixa, apontei.— Isso está ficando ridículo.Ele olhou para a caixa.— O chá?— Você.— Isso parece mais amplo.— É.Sentou.Eu permaneci no sofá.Nesses dois dias desde que vi Eva sair do quarto de Konstantin com a expressão suficientemente tranquila para me fazer entender que adultos sexualmente funcionais faziam coisas que eu só conhecia por teoria, eu tinha desenvolvido uma nova atividade favorita.Negar que me importava.Não estava funcionando.— Hoje não vou passar uma hora aqui — avisei.Adrian colocou a caixa sobre a mesa.— Tudo bem.Eu esperava resistência.— Tudo bem?— Você imaginou que eu chamaria os seguranças?— É uma idéia.Ele escolheu chá preto.— Quanto tempo pretende ficar?— Dez minutos.Adrian olhou para o relógio.— Certo.— Só isso?— Nove minutos e cinquenta e três segundos.Eu quase ri.— Você e Mikhail seriam muito felize

  • A Alice Errada   Atrás do vidro

    POV: KONSTANTINEva Conti chegou às dezenove e dez.Eu havia esquecido que viria.Isso, sozinho, já era um problema.Eu não esquecia compromissos.Ela entrou pela sala lateral usando um vestido preto simples, casaco claro e a tranquilidade de quem já tinha atravessado aquela casa vezes suficientes para não olhar para seguranças, câmeras ou portas biométricas.Eva tinha trinta e quatro anos, administrava uma empresa de consultoria que não dependia de mim e nunca fingira interesse em transformar nossa relação em outra coisa.Era exatamente por isso que funcionava.— Você esqueceu — disse quando me viu.— Não.Ela tirou o casaco.— Vocêestá me recebendo aqui no anexo... Você está sem paletó, o jantar ainda não chegou e Mikhail me recebeu dizendo “boa sorte”. Você esqueceu.— Tive uma semana complicada.— Eu ouvi versões.Meu olhar endureceu.Eva percebeu.— Não perguntei.Essa era outra razão.Ela sabia onde não entrar.Marta apareceu na porta.— Jantar em quinze minutos.— Obrigada.Ent

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status