INICIAR SESIÓN- Mãe, quero vocês comigo.
- Eu... Não sei se estou preparada para isso, querida.
- Eu sei que você está, mamãe. Nós estamos.
- Kat, esta mulher fez tudo que fez e eu vou morar no mesmo lugar que ela? Você entende como isso é... Horrível?
- Mãe, o castelo é enorme. Talvez você a encontre nas refeições. Mas se não quiser, nem precisa.
- Acho melhor não, querida.
Eu não conseguia acreditar que minha mãe não aceitaria.
- Mãe, pense em Leon. Será bom para ele.
- No que isso será bom para seu irmão? – ela perguntou. – Leon está fazendo amigos aqui. Ele está feliz. Você está casada com o príncipe Magnus. É feliz, pois o ama. Ainda temo por você e sua segurança, devido a tudo que está acontecendo com o reino em função da rainha. Kevin tem tentado mudar. Eu acredito que ele consiga. Seu irmão só se revoltou por saber tudo que sabia sobre seu pai. Foi difícil para ele. Mas... – ela encheu os olhos de lágrimas. – Acredita que ele vem me ver quase todos os dias?
Eu a abracei e perguntei:
- Você está feliz?
- Sim. – ela respondeu olhando nos meus olhos. – Porque meus filhos estão felizes e por que... Não preciso mais viver ao lado de seu pai.
Eu entendia minha mãe agora. Por mais que eu amasse meu pai e tivesse tido pena dele e tentado entender e justificar tudo que ele fez na vida, agora eu entendia que só ela merecia meu carinho. E eu não fiz isso... Preferi ficar do lado dele. Eu escolhi o lado errado.
- Desculpa. – eu disse.
- Por quê? – perguntou minha mãe confusa.
- Por eu ter julgado você o tempo todo. Você foi tão forte, mamãe. E eu sou a pessoa que sou hoje por sua causa. Obrigada por tudo que fez por mim... Por Leon e por sempre acreditar em Kevin.
Ela me abraçou novamente e foi na cozinha. Logo ela trouxe um leite doce quente.
- Agora? No meio da tarde? – perguntei sorrindo, mas já bebendo.
- Por que não? Eu adoro mimar você... Vou ligar para o príncipe e m****r que não falte seu leite pela manhã, para não baixar sua hipoglicemia durante o dia.
- Ninguém pode fazer leite quente adoçado como você... Acredite.
Ela riu:
- Espero que sim.
- Eu amo você. E gostaria muito que vocês fossem. Mas quero que fiquem onde estiverem se sentindo melhor. E acho que precisamos providenciar umas mudanças nesta casa, para que fiquem mais confortáveis e seguros.
- Esta casa é perfeita, querida. Não preciso de mais. Mas aceito tudo que puder fazer por seu irmão. Leon é uma criança... Ele é sensível e ao mesmo tempo um menino encantador.
- Eu sei disto. Farei tudo que puder por Leon... E o que não puder também.
- Já fez muito, não é mesmo? Lembro-me do acidente...
- Sim... Tivemos muitas tristezas, mamãe. Mas superamos tudo.
- Kat... E Domênico?
Eu suspirei e disse:
- Eu não o vejo há um tempo...
- Ele sabia do plano do casamento?
- Não. – eu confessei envergonhada.
- Kat, como você pôde fazer isso com ele?
- Eu... Sinto-me culpada agora... Mas confesso que até então eu nem havia pensado em Dom, mamãe. Eu vivi momentos maravilhosos ao lado de Magnus nos últimos dias.
- Lembre-se de tudo que Domênico fez por você e por nossa família. Sei que o príncipe Magnus também foi muito bom conosco, mas ele já está casado com você. Sabemos o quanto Domênico gosta de você... E o que ele deve estar sentindo com tudo que aconteceu.
- Ele deve ter sabido pelos jornais. – eu falei mais para mim do que para ela.
Sim, eu era uma péssima pessoa. Realmente havia esquecido de Dom. Os dias com Magnus me ocuparam de corpo e alma que não tive tempo para pensar em nada além de nós dois.
- Eu vou resolver tudo e me desculpar com ele. – falei.
Fiquei a tarde ali com minha mãe. Leon chegou depois e também ficou feliz com minha visita. Eu prometi naquela semana levá-lo para comprar algumas coisas e decidi trocá-lo de escola, optando por uma que oferecesse maior segurança.
Quando entrei no carro o motorista girou a chave e eu disse:
- Quero passar num lugar antes.
- Pode falar, Alteza.
Eu dei o endereço da casa de Dom e em pouco tempo estávamos lá. Quando desci fiquei apreensiva se deveria ou não fazer aquilo longe de Magnus. Que eu precisava conversar com Dom realmente precisava. Mas Magnus ficaria furioso quando soubesse que fui a casa de Dom sozinha.
Apertei a campainha. Estava tudo fechado e eu não tinha certeza se ele estava em casa ou não. Depois de algumas tentativas achei que a casa realmente estava vazia. Então fui em direção ao carro. A porta se abriu. Eu senti meu coração bater mais forte, pois não havia ninguém ali. Então eu entrei. Dom fechou a porta. Ele estava usando somente uma toalha branca amarrada na cintura.
- Devo me curvar, Alteza? – perguntou ele não conseguindo esconder a ironia através de um meio sorriso sarcástico.
- Pode colocar uma roupa? – eu pedi.
- Estou na minha casa pelo que lembro.
- E... Você anda assim pela sua casa? Ou quando viu que era eu decidiu se despir?
Ele me olhou bravo e ao mesmo tempo sarcástico:
- Acha mesmo que eu tiraria minha roupa para esperar você? Ah, esqueci, você é a princesa agora. Não pode ver corpos nus... Nem dos homens que há pouco tempo atrás você mesma tirava a roupa.
Ele foi para o quarto e eu fiquei ali, sozinha. Em pouco tempo ele voltou vestindo uma calça. Mas não colocou uma camisa. Secou os cabelos com a toalha e jogou-a no sofá. Percebi que ele estava no banho e saiu para me atender. Senti-me mal por ter pensado que ele havia feito de propósito. Sequer reparei seus cabelos molhados quando o vi quase sem roupa.
- Posso sentar? – perguntei.
- Não. – ele disse secamente.
- Dom...
- O que quer que você tenha vindo falar, eu não quero saber Kat.
- Me deixe ao menos me desculpar.
- Por que mesmo você quer se desculpar? Por ter feito um plano com Dereck de casar com Magnus sem me avisar? Por ter me dado esperanças e ter simplesmente desaparecido da minha vida sem dar satisfação? Ou por eu ter sabido do seu casamento através do jornal? Se eu pensar mais deve haver outras coisas pelas quais você queira se desculpar.
Olhei para ele e não disse nada.
- Acho que sua visita acabou, Alteza. Então, sugiro que saia pela mesma porta que entrou.
- Dom, não faça isso comigo...
- Vai m****r me prender injustamente? Não duvido, agora você mora sob o mesmo teto da rainha Anne. Tem como aprender com ela a prender pessoas inocentes. Aliás, vocês já ficaram amigas?
- Você está me ofendendo...
- E você nunca me ofendeu não é mesmo?
- Eu peço desculpas... Dom, eu não queria que você ficasse magoado comigo.
- Por isso você me contou, não é mesmo? Por isso você foi honesta e me disse que amava Magnus e que eu não devia continuar investindo em você porque eu não tinha chance. Por isso você nunca me beijou enquanto esteve longe dele nestes últimos meses... E não me fez pensar que estávamos inclusive namorando.
- Chega... Não foi assim. Você insistiu, mesmo sabendo que eu amava ele.
Ele riu cinicamente:
- Claro que ele seria o escolhido. Afinal, ele é o príncipe. Seu objetivo estava traçado desde o início, não é mesmo? Eu deveria ter tirado sua virgindade no porão, como você queria...
Eu o esbofeteei com toda minha força. Dom levou à mão à face que ficou imediatamente vermelha e olhou para mim. Mas eu não senti raiva nos olhos dele. Então eu saí pela porta e pedi para o motorista que me levasse embora. Mas no carro, não consegui evitar as lágrimas. Dom era importante para mim. Saber que ele podia me odiar para sempre me deixava atordoada. E ele tinha razões para isso. Sim, eu lhe dei esperanças. Mas ele também insistiu ao ponto de eu não ter outra opção. Dom se aproveitou do fato de eu estar achando que Magnus não me amava mais ou tinha me esquecido para insistir na nossa relação. Mas eu nunca menti para ele. Eu disse que amava Magnus. E ainda assim ela não me deixou. Eu não queria ser amiga dele... Nem poderia. Sabia que ele e Magnus não se gostavam e eu não queria mais brigas entre os dois, especialmente por minha causa. Mas também não queria que tudo que vivi com ele terminasse daquela forma: com ele não querendo olhar na minha cara nunca mais.
Quando cheguei ao castelo subi para meu quarto. Eu estava me sentindo péssima. Minha mãe não havia aceitado vir morar no castelo e eu havia dado uma bofetada em Dom. Tomei um banho quente e deitei na cama. Nosso quarto era maior que toda a minha casa. Se eu quisesse poderia passar a minha vida ali que não sentiria falta de nada. Quando Magnus chegou deitou ao meu lado e começou a me beijar o pescoço. Mas eu não fui capaz de me excitar com aquilo.
- Está... Tudo bem? – ele perguntou.
- Não... – eu confessei.
Ele sentou-se enquanto eu permaneci deitada.
- Posso ajudá-la?
- Minha mãe não quis vir.
- E você ficou tão magoada assim, querida? Talvez ela aceite em outro momento. Depois de tudo que houve entre minha mãe e seu pai eu achei que Laura não aceitaria viver sob o mesmo teto que minha mãe. Mas há um anexo no castelo. Uma casa perfeita onde ela poderia morar com Leon sem cruzar com a rainha nunca.
- Realmente ela está satisfeita onde está. – eu disse. – E acho que eu no lugar dela também estaria.
- Então está tudo bem, Katrina. Você pode visitá-la todos os dias... Ela pode vir sempre que quiser. Não é tão longe de carro...
- Eu sei.
- E ainda assim está magoada?
- Eu preciso lhe contar uma coisa.
Sentei na cama, ficando frente a frente com ele.
- O que houve? – ele perguntou preocupado.
- Magnus... Eu... Fui ver Dom.
Ele ficou me encarando por um tempo antes de dizer algo:
- Por que você foi vê-lo?
- Para pedir desculpas.
- Pedir desculpas?
- Sim.
- Por que você deve desculpas a Domênico?
- Minha mãe me lembrou que eu simplesmente sumi e não avisei a ele o que estava acontecendo. Antes do plano com Dereck para eu casar com você no lugar de Vitória, Dom estava todos os dias conosco. Ele me ajudou a encontrar Eva. Ele foi comigo no convento. Ele me ajudou a fugir da sua mãe. Mirabolou o plano da minha morte para salvar minha vida... E eu casei com você... E esqueci tudo que Dom fez por mim. Sequer lhe dei uma explicação.
- Ele é seu ex... Assim como Vitória.
- Dom é diferente de Vitória. Dom é um homem bom...
Magnus riu ironicamente:
- Eu não acho isso.
- Enfim, ele não me perdoou e nunca vai me perdoar.
- Por você ter me escolhido?
- Não... Por eu não ter dito a ele o que eu faria. Ele já sabia que eu amava você... E não era de agora. Eu contei a ele... No dia que você levou o tiro.
Magnus me abraçou com carinho:
- Me desculpe...
- Por quê? – perguntei confusa.
- Pelo meu ciúme.
Eu ri:
- Magnus pedindo desculpa por seu ciúme? Não é todo dia que alguém assume isso...
- Eu amo você... E sou loucamente possessivo e ciumento quando se trata de minha esposa... Eu sentia isso antes mesmo de você casar comigo.
- Eu sei.
- Domênico lhe perdoará um dia... Eu sei disto.
- Obrigada, Magnus. É importante para mim ouvir isso de você.
- Mas não pense que um dia eu possa ficar amigo dele.
- Eu sei. – falei sorrindo.
- E a partir de agora você não vai mais sair do castelo sem seguranças. Vou providenciar isso imediatamente. É muito arriscado. Você é a princesa, Katrina. Podem usá-la até mesmo como forma de retaliação contra minha mãe.
- Tudo bem.
- Vamos tomar banho? – ele convidou maliciosamente.
- Eu já tomei.
- Pode tomar novamente... – ele arriscou.
- Vai indo... Depois eu vou.
- Estarei esperando por você.
Ele foi para o banheiro. Eu senti vontade de me jogar na banheira com ele. Mas estava tão cansada. O quarto estava com luz fraca. Olhei pela janela e vi que estava escuro na rua. Fechei os olhos e adormeci.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







