INICIAR SESIÓNQuando saí do castelo, o carro do príncipe estava esperando por mim. Abri a porta e entrei, dando de cara com Dereck.
- Dereck?
- Boa noite, Kat.
Eu fiquei feliz em vê-lo. Estava tão confusa, com tantas dúvidas...
- Eu precisava ver você... Parece que adivinhou.
- Eu sei. – falou ele piscando ironicamente. – Sou mesmo irresistível.
- Como você consegue ser assim? – perguntei.
- Acredite, não é nada fácil.
- Dereck, eu conheci sua mãe... E elas tinham em mãos tudo sobre a minha vida... Isso é surreal.
- Isso é o castelo de Noriah, Kat.
- Mas... A vida de ninguém é privada?
- Creio que não. Tudo que quisermos saber sobre qualquer pessoa é possível.
- Eu... Acho isso horrível.
- Tem seus benefícios, acredite.
- Eu temo não ser escolhida. – confessei.
- Você chegou entre as 10 finalistas.
- E onde você se encaixa nisto? Falou com seu irmão sobre mim para eu estar na lista?
- Não. – ele disse. – Mas tive que explicar nosso encontro no corredor.
- Mas... Por quê?
- Porque minha futura cunhada tentou plantar uma sementinha do mal na cabeça dele.
- Mas... Eu não entendo o motivo... Ela nem me conhece.
- Eu lhe avisei que Vitória poderia ser pior que minha mãe.
- Que perigo eu posso oferecer a ela?
- É mulher, jovem. Isto basta para ela.
- Dereck, eu sempre me considerei uma mulher forte. Mas não sei se estou capacitada para tudo que exigirão de mim dentro do castelo.
- Não é fácil... Por isso Lana se transformou em quem é. Ela não era assim quando começou. Até parecia uma pessoa normal e com coração.
- Eu verei minha família duas vezes no mês... Sem celular, exclusão de redes sociais... Será como se eu nem existisse.
Ele pegou minha mão e apertou, tentando me dar confiança e disse:
- Katrina, eu não conheço você muito bem... Mas sei sim que você é uma garota forte e decidida. Eu acredito que você é capaz de passar por tudo isso.
- O que eu ganho? – perguntei confusa. – Só vejo perdas...
- Além do dinheiro que é muito mais do que você podia imaginar?
- Sim... Confesso que quase não acreditei quando ela disse o salário. Mas Dereck, eu nem teria como gastar isso, pois só trabalharia.
- Katrina, este emprego não é para toda a sua vida. Ficará o tempo que for necessário.
- E qual é o tempo necessário? - Perguntei, tirando minhas mãos da dele e olhando no fundo dos seus olhos escuros.
- O tempo para desmascararmos a rainha Anne Marie perante todo o reino.
Respirei fundo e continuei:
- Depois eu vou embora do castelo e tento encontrar um emprego numa Noriah ainda pior do que quando aceitei o emprego? Você sabe tudo que um escândalo envolvendo a rainha acarretaria na sociedade? Acha que o povo não pagaria por isso?
- Kat, não é possível planejarmos tudo... Pessoas vão sofrer. Sempre foi assim.
- Dereck, qual seu plano, de verdade? Vingança contra sua própria mãe? O que ela lhe fez de tão ruim?
- Eu... Não vou falar sobre isso. Como eu disse, tudo tem seu tempo e você saberá a verdadeira história da rainha Anne.
- Você realmente tem intenção de ajudar o povo ou só quer acabar com sua mãe?
- As duas coisas.
- E por que acha que eu não trairia você? Eu preciso de dinheiro... Você sequer me conhece...
- Katrina, eu confio em você.
Eu estava confusa e indecisa. O dinheiro era algo que não se poderia explicar. Era um salário exorbitante e muito mais do que eu precisava. Mas teria que abrir mão de quase toda minha vida, ficando praticamente trancada no palácio. Teria somente Dereck... E eu nem o considerava um amigo. Embora gostasse dele, eu sabia que tinha muitas coisas por trás do que ele realmente me falava.
Quando cheguei em frente a minha casa, perguntei:
- Quando sai o resultado?
- Amanhã pela manhã, ao vivo na televisão.
- Ok... Vamos aguardar.
- Não está pensando em desistir, não é kat?
- Eu... Não sei. – confessei.
Abri a porta e estava saindo quando retornei e pedi:
- Quero seu número.
- Me dê seu celular.
Entreguei meu celular e ele perguntou ironicamente:
- Quer me dizer a senha?
Peguei das mãos dele e digitei: LEE. Ele salvou o número e eu entrei em minha casa.
- Como você veio? – perguntou minha mãe quando eu cheguei. Eu sabia que ela estava espiando quando desci do carro.
Eu tinha que explicar... Mas eu estava tão cansada. Eu nem tinha certeza se tinha como dizer a forma como eu havia chegado em casa.
- Peguei... Carona. – menti.
- Com quem?
- Um... Amigo.
- Que amigo? Você não tem amigos com aquele carro.
- Mãe... Está tudo bem. Eu juro.
- Katrina Lee... A verdade.
Olhei para ela. Sabia que quando Laura Lee ficava brava, nada a acalmava. Ou eu falava a verdade ou ela acabaria comigo, falando até eu me cansar.
- O príncipe Dereck me trouxe. – confessei.
Ela me olhou demoradamente. Depois disse:
- Kat, você acha que tenho quantos anos? – perguntou brava.
- Mãe, você me pediu a verdade.
- E você me deu a mentira.
- Eu juro que estou falando a verdade.
- Quer que eu acredite que o príncipe Dereck trouxe você em casa num carro comum com motorista? Não subestime minha inteligência.
- E nem você minha sinceridade, mamãe. Como eu posso provar que não estou mentindo? – olhei para o celular na minha mão. – Ok, eu tenho o número dele. Quer ligar para confirmar?
- E o que ele diria no outro lado da linha? Príncipe Dereck falando? – ela ironizou.
- Mãe, eu posso comer algo e depois conversamos. Acho que minha hipoglicemia está caindo.
Ela tentou se manter dura, mas logo baixou a guarda e disse:
- Você tem 30 minutos para voltar aqui e me dar explicações.
Corri para o chuveiro e tomei um banho rápido. Depois tomei um copo de leite quente com açúcar para ficar mais calma. Procurei pela letra D no celular, mas não achei o nome dele. Fui para o P e também não achei. Como ele havia salvado o próprio número no meu celular? Abri minha lista e encontrei um nome que eu não conhecia: Chevalier. Ele havia se intitulado desta forma nos meus contatos. Fiz uma chamada para ele. Demorou até que ele atendesse:
- Não pensei que fosse ligar tão rápido. – ele observou ironicamente.
- Dereck, estou com problemas. Minha mãe viu eu descendo do carro e queria saber quem era.
- E você não disse a verdade, não é mesmo?
- Você não conhece minha mãe... É difícil mentir para ela.
- Você não disse que eu levei você em casa... Disse?
- Sim... E agora ela não acredita em mim.
- Eu também não acreditaria.
- Você precisa me ajudar. O que eu faço?
- Kat, você não pode falar a verdade.
- Mas... Ela não contaria.
- Não. – ele disse firmemente.
- Ok... Vou pensar no que dizer.
- Qualquer coisa... Menos a verdade.
- Eu sei...
- Boa noite.
- Boa noite!
Respirei fundo e tentei pensar em algo rápido para enganar Laura Lee, a rainha de descobrir verdades.
- E então? – ela perguntou.
- Eu... Estou apaixonada por outro homem. – inventei.
- Como assim? E Léo?
- Eu... Gosto de Léo, mas acho vou terminar com ele.
A história era absurda, mas era exatamente isso que a faria acreditar em mim. Se Dereck não confirmasse que era mesmo ele, ela jamais acreditaria. E ela saber que eu falava com o príncipe realmente traria muita dúvida e confusão na cabeça dela. Jamais Laura Lee entenderia que eu era uma anti monarquista e estava entrando no castelo com ajuda do filho da rainha para desmascará-la perante o povo. Minha mãe ficaria com medo e assustada por mim, assim como eu mesma estava. No entanto eu precisava daquele emprego, ainda mais daquele salário que pagavam. Todos dependiam de mim naquela casa. Então, inventar a mentira de uma suposta traição a Léo era a menor das mentiras que eu poderia lhe contar. E assim já a preparava também para o término do nosso namoro, que era uma questão de tempo.
Acordei com minha mãe me chamando. Eu ainda estava com sono.
- Que horas são? – perguntei ainda de olhos fechados.
- Hora de levantar. Em cinco minutos a rainha Anne anunciará o nome da sua nova dama de companhia.
Foi como se ela jogasse água gelada em mim.
Sentei rapidamente na cama. Era sábado... O grande dia: anúncio de quem havia sido escolhida para a vaga e reunião do grupo anti monarquista.Tomei um rápido banho no chuveiro consertado por mim mesma, orgulhosa do que eu poderia fazer e nem me dava conta. Depois sentei com minha mãe e Leon em frente à televisão. A campainha tocou e Kevin entrou, sentando conosco.
- Veio ver o resultado? – perguntei.
- Claro... Você chegou às 10 finalistas... Está a um passo de ser o braço esquerdo da rainha Anne.
Todos rimos. Sabíamos que o braço direito continuava sendo de Lana Davis.
Exatamente no horário anunciado a rainha entrou ao vivo. Ela falava de uma grande cadeira, preparada especialmente para ela. Só não era um trono porque estava muito fora de moda, lembrando monarquias antigas. No entanto ela estava lá, imponente, usando sua coroa cheia de ouro e pedras preciosas, que ela fazia questão cada vez que aparecia em público.
- A rainha que ama ser quem é. – falei ironicamente.
- E você a viu pessoalmente, Kat? – perguntou Leon com os olhinhos brilhantes.
- Sim, meu bem.
- Talvez Kat veja a rainha todos os dias. – falou minha mãe.
- Uma pedra da coroa perdida e estaríamos salvos por toda eternidade, ao menos financeiramente. – falou Kevin.
- Sim... E sua irmã presa. – criticou minha mãe.
Mamãe sabia que Kevin era envolvido com pessoas ruins, mas não tinha ideia que ele havia me proposto trabalhar com ele. Nem eu havia contado nada, tentando poupá-la de mais tristeza. Embora ela tentasse defendê-lo de todas as formas, ela sabia quem Kevin era de verdade. Ainda assim acho que sempre o protegeria e lhe daria abrigo, independente do que acontecesse. Às vezes me parecia que ela me achava mais forte que ele, tamanha atenção que dispensava a Kevin. E justo por isso eu não conseguia entender o que o levara a desviar do seu caminho, a falta de oportunidade, vingança contra meu pai ou simplesmente porque ele gostava daquela vida arriscada.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







