INICIAR SESIÓNA rainha usava um lindo vestido azul Royal de cetim. Não era nada tradicional ou comum. Ela sempre estava bem vestida. Diziam que ela mandava fazer todas as suas roupas exclusivas com um estilista famoso do País Del Mar. Se eu achava bonito? Sim. Se eu concordava com o luxo e a ostentação? Não. Provavelmente o que ela gastava com aquela vestimenta poderiam alimentar várias famílias na Zona K.
Ela fez um discurso breve, comunicando que a escolha foi feita de forma meticulosa, que nenhuma garota foi privilegiada, etc. Eu nunca conseguia acreditar em nada do que ela dizia e sempre acreditava que as palavras que ela proferia não vinham de um discurso previamente feito e sim falado por ela mesma, naquele momento. Ainda assim ela era boa no que fazia e convincente.
Depois de mostrar as fotos e entrevistas do jantar oferecido às participantes e seus acompanhantes, que tomou quase uma hora do tempo, ela foi ao que interessava: que dali havia saído 10 finalistas.
- Falou muito bem, querida. Planejou seu discurso antes? – perguntou minha mãe.
- Claro que não, mamãe. Eu nem sabia que a imprensa estaria lá.
- Você está tão segura de si... Tenho orgulho de você.
- Pose de realeza. – observou Kevin.
- Você poderia casar com o príncipe e ser a princesa. – disse Leon rindo feliz.
- Não é uma má ideia, Leon... Podemos bolar um plano. – disse Kevin.
- Seus bobos... Claro que Kat é uma princesa... A nossa princesa. – disse minha mãe.
- Ok, vamos para de falar que eu quero escutar.
Enquanto ia se aproximando do momento do anúncio, embora eu tivesse quase certeza de que ela falaria meu nome, não pude evitar o nervosismo. Enlacei minhas próprias mãos atrás da cabeça para que ninguém percebesse o quanto eu tremia.
-... Então escolho, para ser minha dama de companhia, juntamente com a senhorita Lana Davis, a senhorita...
Meu coração parecia que sairia pela minha boca. Eu não lembro a última vez que havia sentido aquilo na minha vida.
-... Joana Pallucci.
O quê? Como assim Joana Pallucci? Quem era essa pessoa? Eu nunca ouvi falar... Todos os olhares da casa estavam sobre mim e eu não sabia o que falar. Então eu chorei, sem medo, sem vergonha... Só deixei as lágrimas escorrerem grossamente sobre minha face quente e vermelha. No mesmo instante todos estavam envolta de mim. Leon veio para meu colo e percebi que até mesmo Kevin estava triste com o resultado. Ele também acreditava em mim. Meu pai havia indicado o meu nome ao rei. O próprio príncipe estava me ajudando... E ainda assim eu estava fora. Mas nunca imaginei o quanto eu ficaria triste ao saber que eu não trabalharia no castelo.
- O que eu vou fazer agora? – perguntei para minha mãe.
- Vai levantar a cabeça e procurar emprego em outro lugar. O castelo não é único a oferecer um emprego.
- Mamãe... Eram 100 mil norians... Sabe o que é isto?
- Eu ainda sei quanto vale nosso dinheiro, Kat. Também sei o quanto precisamos dele. Mas você é inteligente... Vai conseguir outro emprego.
O telefone tocou. Achei que pudesse ser Dereck, mas era Kim.
- Princesa, o que foi isso? – ele disse.
- Kim...
- Kat... Você está bem?
- Sim. – menti.
- Você está... Chorando?
Não respondi nada. Ele conseguia saber qualquer coisa sobre mim mesmo não me olhando. Se havia uma pessoa que eu não poderia mentir, era Kim.
- Kat, está tudo bem, baby. Só quem perde é o castelo em não ter você lá dentro. E Dereck? Aquele safado não ia ajudar você? Nem isso ele consegue? Achei que estava tudo certo.
- Eu também. – falei não podendo me estender muito, pois minha família estava ali.
- Quer vir aqui hoje à tarde, antes de irmos para o encontro?
- Sim... Eu vou. Preciso de um ombro amigo. – confessei.
- Estarei esperando por você, princesa. Amo você.
- Também amo você.
Quando desliguei, minha mãe perguntou ironicamente:
- Léo? Ou seria outra pessoa?
- Outra pessoa. – eu respondi. – Kim.
- Ah... – ela falou aliviada. – Ele também deve estar chateado.
- Quem não está? – falou Kevin levantando e andando nervosamente. – Por que não foi você? Estava entre as dez...
Eu também não entendia. E eles nem sabiam que eu tinha o príncipe ao meu lado. Ou será que havia sido tudo invenção de Dereck? Seria ele o responsável por eu estar fora? E se fosse um teste para ver quem era a favor da rainha e não? E eu havia sido tão burra... Só podia ser isso: Dereck era o teste oculto para saber até onde as meninas iriam pelo cargo.
Vi Leon chorando porque me viu triste. Eu não podia aceitar aquilo. Limpei minhas lágrimas e disse:
- Se vista que vamos tomar um sorvete. Eu não quero que você chore.
- Não temos dinheiro para sorvete. – disse minha mãe.
- Eu pago para eles. – disse Kevin. – Estamos esperando por você, Leon.
Eu olhei para Kevin ternamente, agradecendo-o com o olhar. Ainda havia amor e bondade no coração dele. Logo Leon havia esquecido o que houve e já estava sorrindo esperando para sair conosco. Minha mãe, embora tentasse parecer forte e me deixar tranquila, estava despedaçada por dentro. Eu sabia o quanto ela apostava naquilo e acreditava que eu era capaz. Eu própria havia acreditado depois de ter chegado tão longe. Mas tudo estava acabado. Eu nunca mais veria o castelo... Nem Dereck... Muito menos Magnus. Era o fim da realeza na minha vida.
Quando saímos em direção à sorveteria, Kevin disse:
- Se tudo der errado, eu ainda ofereço aquele emprego que eu lhe disse anteriormente.
- Kevin, você está mesmo me falando isso?
- Kat, pessoas como nós às vezes não tem outra alternativa.
- Eu posso lavar chão... Posso limpar casas...
- Ou nem isso... Não é fácil e você vai perceber.
- Eu sei...
Sim, eu havia gastado a sola de meu sapato caro percorrendo ruas da Zona E largando currículos e nenhum me chamou ou sequer deu esperanças. Era uma época ruim, de desemprego geral e pouca movimentação financeira do comércio local. As indústrias ficavam na Zona F em diante e costumavam ser locais bem empregatícios. O problema era a carga horária de trabalho que beirava muitas vezes mais de 12 horas e péssimas condições sanitárias dos locais. Se não bastasse, os salários eram péssimos. Então eu preferia arrumar uma casa na Zona D ou C do que ir para a indústria. Mas preferia trabalhar na indústria consumindo metade do meu dia de vida a me prostituir na Zona K como meu irmão já havia sugerido. Eu sabia que tudo eram escolhas que eu teria que fazer... Mas uma coisa era certa: eu precisava trabalhar.
- Como está o dinheiro dos Lee? – Kevin perguntou.
- Zerado. Precisamos pagar o aluguel da nossa própria casa no final do mês. – expliquei.
Kevin demorou um pouco a falar:
- E você não acha que ele é culpado?
- Kevin, eu sei que ele é o culpado... Mas é o nosso pai. Isso é uma doença. Ele não fez isso de propósito. Acha que ele nos queria na rua? Ou que eu tivesse que arrumar um emprego a qualquer custo, em qualquer lugar?
- Como você pode perdoá-lo assim?
- Porque ele é o nosso pai.
- Ele nos deixou na ruína... A vida toda. Não precisávamos passar por tudo que passamos.
- Kevin, eu não quero falar sobre isso com Leon por perto... Por favor.
- Tudo bem...
Fiquei feliz de ele ter concordado e também por ele estar conversando comigo de forma amigável e séria. Ele não costumava fazer aquilo. Geralmente era só culpar nosso pai e não importava o que estava acontecendo, pois ele não se preocupava. No fundo eu sabia que Kevin ainda tinha os ensinamentos de nossa mãe dentro dele.
Quando chegamos na sorveteria, Leon escolheu o seu sabor e ele disse:
- Morango ainda é o seu preferido?
- Sempre. – eu disse sorrindo.
Nos sentamos na calçada e saboreamos nosso sorvete naquela manhã de sol e tristeza para mim. Mas estar ali, com meus irmãos, de alguma forma, fazia eu me sentir melhor. Eu sabia que eles sempre me apoiariam de alguma forma, pois eles eram a minha família. A realeza não sabia o que significava aquilo. Então eu me senti privilegiada... Por não ter dinheiro, mas ser cercada de coisas que ele não podia comprar.
Olhamos para Leon todo lambuzado de sorvete derretido e começamos a rir. Eu respirei fundo. Eu estava viva... Eu era saudável. Eu conseguiria um emprego. Ser recusada pelo castelo não era o fim.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







