FAZER LOGINDom continuou:
- Temos hoje a presença de pequenos grupos que se juntaram a nós. Esperamos que possam contribuir de alguma forma. Também gostaria de apresentar um novo membro, assim como agradecer a presença de Black. – ele apontou para o rapaz alto e misterioso que estava sozinho escorado. Black levantou a mão e balançou a cabeça, parecendo não se sentir muito à vontade com a manifestação pública de agradecimento. Dom continuou: - Black veio indicado por nosso querido amigo e financiador do grupo, King.
Além das máscaras, os nomes eram falsos. Era tudo realmente secreto, para que ninguém se reconhecesse e nem pudesse denunciar nenhum dos presentes caso fosse pego. Senti-me segura, mesmo no meio de todas aquelas pessoas que eu não conhecia. Meu coração estava batendo mais forte, emocionado com tantas palavras fortes que eram ditas naquele momento.
- Black, por mais pessoas como você e King, que acreditam num mundo melhor para todos nós e investem o que tem nele. Esperança... Esta é a palavra da noite de hoje.
Depois ele sugeriu que os novos membros se apresentassem. Eu me senti feliz e orgulhosa por estar ali naquele momento, disposta a mudar o meu reino para um lugar melhor.
Prestei atenção enquanto as pessoas iam se apresentando. Percebi que precisava rapidamente encontra um nome fictício. Quando chegou minha vez, falei seguramente:
- Meu nome é Katee. – rapidamente juntei meu primeiro nome com meu sobrenome. – Sou da Zona E. – dizer a zona à que pertencia era opcional, mas eu não tinha problemas com o lugar onde morava. – Se eu gosto da rainha Anne? Não gosto. Se eu gosto da monarquia? Não gosto. Mas temo também a queda dela, pois sabemos que em Noriah Norte não foi exatamente como esperavam o fim da monarquia e o início da República. Bem sabemos que para algumas pessoas ficou ainda pior do que era antes. Eu tenho esperança nos príncipes, na verdade. Não acho que eles tenham o mesmo pensamento da rainha.
- Este é um grupo anti monarquia, Katee. – falou Dom me desafiando.
- Eu sei disto... Por isso mesmo acredito que seja um debate e um lugar onde posso dizer o que penso sem medo do que pode me acontecer. Estou certa?
- Sim. Está certa. – disse Black claramente do outro lado do bar. – Continue, por favor.
Quando percebi todos os olhares estavam sobre mim, curiosos pelo que eu falaria. Eu entendia os ideais do grupo e imaginava que fosse o melhor para o povo o objetivo de todos ali. Achar que o fim da monarquia não resolveria todos os problemas era realmente o que eu pensava. Continuei:
- É como eu penso... Não acho que derrubar a monarquia seja a solução de todos os nossos problemas. Mas tenho certeza de que precisamos tirar a rainha do poder. Isso é o que devemos pensar de imediato. Mas conversar sobre o que queremos após a queda dela. Sabemos sobre a república? Temos como mantê-la depois que tirarmos a rainha Anne? Teremos como manter nosso povo com comida na mesa? Ou nosso ato deixará tudo ainda pior?
Todos começaram a falar ao mesmo tempo. Percebi que minhas dúvidas também eram dúvidas de muitos outros ali presentes. Não era minha intenção bagunçar a reunião, mas realmente refletirmos sobre o que queríamos.
- Para tirar a rainha do poder, precisamos de alguém dentro do castelo. – falou um homem.
- E vocês não tem alguém dentro do castelo? – perguntou Léo. – Como assim?
Dom fez um gesto com as mãos, pedindo silêncio. Aos poucos todos foram se calando.
- Não temos ninguém deste grupo dentro do castelo. Mas outros grupos podem ter. – explicou Dom. – Mas não temos contato com todos os grupos anti monarquia. É complicado aumentar o número de pessoas para uma reunião maior e confiar num líder de outro grupo também não é seguro. Demoramos muito para chegar aonde chegamos hoje: poder nos reunir sem medo.
- Eu estive a um passo de estar dentro do castelo. – falei, levantando da minha cadeira, para ser ouvida.
- Como assim? – perguntou Dom.
- Eu estive na seleção para vaga de dama de companhia. – expliquei.
- Então você no máximo entrou dentro do castelo. – disse ele ironicamente.
- Eu fiquei entre as dez finalistas. – disse olhando nos olhos dele.
Vi que o que eu disse chamou a atenção de todos. Black perguntou:
- Você não foi a escolhida, então?
- Não. – confessei. – Mas estive a um passo de chegar lá. O que quero dizer é que não é tão difícil. Novas seleções podem existir para dentro do castelo, para diferentes cargos.
- Não é fácil. – disse Dom. – São processos longos e muito bem organizados. Nunca conseguimos inserir alguém dentro do castelo.
- Alguém pode tentar outra vaga. – sugeri. – Guarda, por exemplo.
- Você esteve entre as dez? – perguntou um homem.
- Sim. – confirmei.
- Podemos m****r matar a escolhida. Katee ganha outra chance.
Aquela frase me deixou nervosa e preocupada. Como assim m****r matar? Eu não sabia que eles faziam aquilo. Olhei para Kim e percebi que ele também estava assustado.
- Vocês fazem isso? – perguntou Diana. – Quando fui convidada para o grupo me foi dito que não havia violência de nenhum tipo.
- Não há. – confirmou Dom. – Mas todos podem falar o que pensam, assim como Katee.
De alguma forma eu sentia que ele não ficou confortável por eu falar o que pensava. Mas eu não estava arrependida. Depois perguntaria para ele o motivo. Não foi proposital. Minha intenção não era passar por cima da liderança dele ou mudar os planos do grupo... Era realmente poder dizer o que eu tinha vontade sem temer represálias. No fim, de alguma forma, eu acho que havia represálias em qualquer lugar. A discussão continuou, mas eu procurei não falar novamente. Terminei meu segundo copo de uísque e percebi que talvez a ele eu havia falado tudo que queria. O álcool de alguma forma às vezes me deixava mais corajosa. Não tinha certeza se falaria o que falei se não tivesse tomado duas doses. Olhei na direção de Black ele não estava mais ali. Procurei-o com o olhar, mas ele havia sumido. Levantei para andar um pouco pelo bar. Não sabia exatamente porque eu estava procurando aquele homem. Mas se o encontrasse gostaria de conversar com ele sobre o que ele pensava sobre o fim da monarquia. Ele pediu que Dom me deixasse falar. De alguma forma acho que ele poderia concordar comigo. Pelo menos quis me ouvir.
Sentei na cadeira do bar para observar tudo melhor. Meus amigos não deram minha falta. Estavam bem empolgados na conversa com um grupo próximo.
- Posso te pagar uma bebida?
Olhei para o lado e vi Dom sentado.
- Acho melhor não. – falei. – Já bebi demais por hoje.
- Por isso também falou demais?
- Acha mesmo que falei demais? – perguntei ironicamente.
- Um pouco... Mas isso não quer dizer que ideias como a sua não sejam bem vindas.
- Devo aceitar como um elogio?
Ele sorriu, mostrando os dentes bem alinhados. Logo chegou a cerveja, que ele bebeu no bico. Mesmo na penumbra, eu percebi os olhos claros. Ele era um homem bonito e atraente. Usava uma jaqueta de couro preta.
- Há quanto tempo vocês se encontram? – perguntei.
- Pouco mais de um ano. – ele disse. – E vocês?
- Quase dois, embora um grupo pequeno.
- É assim mesmo. Também fiz parte de um grupo menor até conseguir montar este.
- Você é corajoso.
- Não... Eu tenho sede por justiça. Eu quero o melhor para todos.
- Eu também. – confirmei. – O fato de pensar um pouco diferente não quer dizer que eu não tenha os mesmos objetivos que você.
- Querer que o príncipe se torne rei não é o meu objetivo.
- Foi só uma sugestão. – reiterei. – De quem falou com os príncipes pessoalmente.
Parece conseguir a atenção dele, que se virou para mim curioso:
- Falou com os dois? Sendo só uma aspirante à dama de companhia?
- Você costuma ser sempre irônico? – perguntei.
- Não... E você gosta sempre de chamar a atenção aonde chega?
- Você é um prepotente, arrogante...
Um estrondo na porta deixou todos calados imediatamente. Logo o segurança caiu ferido e todos começaram a correr. Eu fiquei ali, imóvel, sem conseguir dar um passo. Dom me pegou pelo braço e me puxou com força, me obrigando a segui-lo. Tentei procurar Kim, Léo e Diana, mas não os vi na escuridão. Fomos para uma porta no fundo do corredor, que Dom quebrou chutando com força. Em pouco tempo estávamos na ruela escura, com alguns poucos mascarados correndo. Eu estava trêmula e minhas pernas um pouco vagarosas por causa da bebida. Amaldiçoei-me por ter bebido. Falei o que queria, mas ao mesmo tempo estava com meus movimentos lentos.
Alguns guardas nos viram e correram atrás de nós. Mesmo eu não conseguindo acompanhá-lo, Dom não desistiu de mim. Entramos numa rua escura e depois em outra. Ele me encostou numa porta numa rua sem saída e colocou todo o corpo sobre mim. Eu não conseguia ver nada, mas ouvia passos rápidos e alguns tiros ao longe. Meu coração batia descompassadamente e eu sentia o dele também. Senti nele uma fragrância de perfume masculino caro, misturado com bebida. De alguma forma aquele cheiro e o corpo dele me protegendo me deixaram extremamente atraída. Os passos dos guardas seguiram e ficamos ali, quietos sem dizer nada, ouvindo apenas nossos corações batendo assustados e nervosos. Eu achei que eles haviam ido embora. Mas não sabia se era seguro sair naquele momento. Na verdade, eu não queria sair dali. Ele levantou o rosto e olhos nos meus olhos.
- Tudo bem? – ele perguntou.
- Sim... – falei me sentindo um pouco tonta e vendo parte do rosto dele iluminado pela claridade da noite.
Não sei se foi o efeito do uísque, ou mesmo uma vontade incontrolável que fez com que eu o beijasse ardentemente. Parecendo esperar por aquilo, Dom correspondeu ao meu beijo, sem tocar em mim, continuando com as mãos na porta, tentando me proteger de alguma forma. Depois de um tempo nos soltamos e eu fiquei um pouco envergonhada com minha atitude. Eu não costumava fazer aquilo, mas aquele homem despertou algo em mim desde que o vi pela primeira vez.
- Obrigada por me salvar. – falei.
- Então isso foi um agradecimento?
Eu me desvencilhei dele e fui para o meio da rua.
- Onde... Estamos? – perguntei.
- Acho que seguros por enquanto.
- Preciso encontrar meus amigos.
- Estes ataques não costumam durar muito tempo. Eles correm e tentam pegar alguém. Depois vão embora.
- Isso já aconteceu antes?
- Costuma acontecer. Geralmente temos lugares por onde fugir. Mas como o bar desta noite é usado somente quando chegam novos membros, não é tão seguro.
- Como sabiam que estávamos lá?
- Um traidor. – falou ele tranquilamente.
- Mas... Não era para ter traidores ali.
- Sempre tem.
Olhei para ele confusa. Dom parecia achar tudo normal. Mas eu senti o coração dele batendo nervosamente, no mesmo compasso do meu. Fui andando em direção à rua principal, sem a mínima noção de onde ir. Ele foi até mim, pegou meu rosto entre suas mãos e disse:
- Você será a dama de companhia da rainha, Katee.
Olhei nos olhos dele tentando entender o que ele estava querendo dizer. Ele me beijou novamente e saiu pela rua andando em passos largos. Gritou antes de entrar numa ruela deserta:
- Sei que nos encontraremos novamente.
Encontrar Dom novamente era o que eu mais queria.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







