FAZER LOGINNão demorou muito para o carro de Léo parou ao meu lado enquanto eu andava amedrontada pela rua. Kim e Diana estavam com ele.
- Kat, você está bem? – perguntou Léo preocupado quando sentei ao lado dele.
- Sim. – confessei. – Mas tive medo.
- Para onde você foi? – perguntou Diana.
- Eu... – fiquei incerta do que deveria dizer.
- Não precisa contar o que aconteceu, baby. O que importa é que você está bem. – disse Kim percebendo minha confusão.
Léo voltou para casa em alta velocidade. Dava para perceber o quanto ele estava nervoso.
- Estivemos em perigo. – disse ele. – Eu tive medo por você, Kat.
- Por mim? – perguntei.
- Sim... Você poderia ter morrido.
- Mas... Isso faz parte. Sabemos que os encontros são secretos e que sempre é perigoso. Mesmo na faculdade era arriscado.
- Mas lá estávamos seguros. Éramos somente um grupo pequeno de amigos. Podíamos confiar uns nos outros.
- Nosso objetivo sempre foi fazer algo contra a monarquia. E se não encontrássemos um grupo maior, nunca poderíamos contribuir com nada. – disse Diana.
- Concordo com Diana. Sabíamos que não seria seguro. Nunca é. Também tive medo, mas estarei mais bem preparada para a próxima vez.
- Próxima vez? – perguntou Léo.
- Sim. – confirmei. – Próxima vez.
- Você pretende voltar?
- Por que não voltaria?
- Estamos chegando perto, Léo. Não podemos desistir agora. – falou Diana.
- As invasões dos guardas são comuns... Assim como ter um traidor entre o grupo. – falei.
- Como... Você sabe disso? – perguntou Léo me olhando confuso, tirando os olhos do caminho.
- Dom me disse.
- Dom? Quando você falou com ele?
- Eu... Falei com ele no bar.
- Mas aquele homem deixou você desconfortável com seu discurso. Você não deveria ter falado com ele.
- E deveria ter deixado ele me tratar como idiota? Eu não faria isso.
- Dom é um verdadeiro Dom Juan. – disse Kim.
- Você só pensa nisso? – falou Léo alterado olhando para trás.
- Léo, acho melhor você prestar atenção no caminho. – disse Diana.
- Pelo visto eu só sirvo para ser o motorista, não é mesmo? Será que vocês não percebem que isso é uma loucura. Kat correu perigo.
Ninguém falou nada. Eu fiquei com raiva dele. Não queria que Léo tentasse me proteger daquela forma doentia. Nem terminar com ele eu havia conseguido porque ele não aceitou e ainda duvidou do que eu dizia. Eu tinha mais medo dele do que havia acontecido naquela noite. Recostei minha cabeça no banco e fechei os olhos. Oficialmente era domingo. O sábado horrível havia passado. Ainda ecoava na minha cabeça as palavras de Dom de que eu seria a dama de companhia da rainha. O que ele faria para aquilo acontecer? Eu tive um pouco de medo. Mas ao mesmo tempo pensei no beijo que trocamos e o quanto eu havia gostado daquele momento, mesmo em meio ao perigo. Sim, ele me atraía. Eu não podia negar. No entanto era Léo que estava ao meu lado naquele momento, me cobrando, me importunando e tentando me manter sob os olhos dele. Casar com Léo seria como uma prisão. Ele poderia ficar ainda mais ciumento. Eu precisava dar um basta definitivo naquele relacionamento confuso e sem química.
Em pouco tempo eu estava em casa. Todos estavam dormindo e eu fiquei mais tranquila por não precisar dar explicações. Fui para cama e só conseguia repetir na minha mente o beijo trocado com Dom. Mas quando adormeci, foi com Black que eu sonhei.
Acordei confusa no escuro. Eu suava muito. Olhei no relógio e ainda eram 3 horas. Só lembrava de sonhar com o misterioso Black. O que estava acontecendo comigo? Com tantos problemas que eu tinha na vida, perdia parte do meu tempo sonhando com um simples desconhecido. Fiquei sem sono. Peguei meu celular. Haviam várias chamadas não atendidas de Dereck novamente. O que ele ainda queria comigo?
Liguei para Kim. Ele demorou a atender, com voz sonolenta:
- Kat, você está mesmo me ligando esta hora? O que aconteceu? Está tudo bem.
- Na verdade não... Eu preciso te contar uma coisa.
- Céus, o que houve?
- Eu preciso terminar com Léo.
- E você já não fez isso ainda por quê?
- Ele não aceita...
- E você precisava me ligar esta hora para me contar isso?
- Na verdade eu tenho outra coisa para contar.
Houve um silêncio do outro lado. Ele não perguntou nada. Então eu continuei:
- Eu beijei Dom.
Novamente ele não respondeu.
- Kim, você dormiu?
- Não. – ele disse.
- Você não vai me dizer nada?
- Só tenho uma palavra, baby: problema.
- Problema?
- Sim... É isso que você está procurando? Não conhecemos este homem. Você nem sabe o verdadeiro nome dele.
- E o que isso importa?
- Gostou dele, da forma horrível como ele a tratou na frente de todos ou da liderança que ele exerce sobre o grupo?
- Das três coisas. – confessei. – Embora ele tenha tentado me diminuir em frente aos outros, sei que no fundo ele é como eu: fala o que pensa, entende?
- Quanto você bebeu?
- Eu já estou bem...
- Princesa, eu não sei se você é mais louca quando diz que sente algo por Magnus, quando sai por todo lado com Dereck e depois o dispensa sem sequer lhe dar a chance de se explicar... Ou quando beija o líder rebelde da anti monarquia, sendo que já está extremamente envolvida com a realeza.
- Kim... Você é maquiavélico algumas vezes. – observei.
- Será que eu sou maquiavélico? – ele perguntou. – Até amanhã à noite você vai conversar com Léo e acabar tudo. Ele é nosso amigo e sempre foi. Ele não merece passar por nada disto. Ele realmente gosta de você.
- Seu sei. Juro que vou fazer isso amanhã.
- Agora eu preciso dormir.
Ele desligou o telefone sem se despedir. Parecia realmente chateado por eu não ter terminado com Léo. Eu havia tentado várias vezes. Nem sabendo que havia outro homem ele havia aceitado. Seria difícil, mas eu sabia que meu amigo tinha razão: precisava ser sincera, como Léo era comigo. Se eu pudesse escolher por quem me apaixonar, certamente o escolheria. Mas eu sabia que meu coração jamais teria espaço para um homem como Léo. Eu não queria ficar presa a uma vida segura e cheia de monotonia. Eu queria mais do que isto. Chegar na idade da minha mãe ao lado de um homem que eu pudesse sequer ter respeito não fazia parte dos meus planos. Eu queria amor, eu queria aventura, eu queria aproveitar tudo que a vida podia me proporcionar.
Acordei cedo no domingo. Preparei alguns currículos para levar no dia seguinte em vários lugares. Quando minha mãe viu o que eu estava fazendo, disse:
- Vai ficar tudo bem, querida. Você vai conseguir.
- Mãe, me desculpe por ontem. – eu falei arrependida.
- Kat, tudo que eu faço é para o seu bem, acredite.
- Eu sei.
- Eu preciso lhe dizer uma coisa.
- Fale, mamãe. – eu disse atentamente.
- O vício é uma coisa horrível. Seu pai iniciou com a bebida, depois parou e foi para o jogo. Eu não sei dizer qual foi o pior. Ele passou por muitas coisas antes de me conhecer e eu sempre tentei justificar os erros dele.
Olhei para ela confusa. Será que ele me falaria sobre o passado misterioso do meu pai?
- Eu não vou lhe falar sobre isso. – disse ela adivinhando meus pensamentos. – Ele precisa lhe contar quando achar que é a hora.
- Então por que começou a falar sobre isso?
- Porque não quero que você siga o caminho dele.
- Como assim?
- Eu sei que as coisas não estão fáceis para nós, especialmente para você, que está com toda a responsabilidade desta família.
- Eu... Não estou entendendo.
- Eu não quero que você beba, Kat.
- Mas...
- Sim, foi ontem à tarde... E depois à noite.
- Mas... Foi só um dia difícil. – expliquei.
- Daí você resolveu comemorar?
- Não... Não foi isso.
- Eu sempre apostei em você. Não quero que você termine como Adolfo Lee, um homem que foi tão importante e acabou jogado numa cama, por causa da bebida e do jogo.
- Mãe... Desculpe-me.
- Não precisa se desculpar... Só quero que pense nisto antes de beber novamente. Não quero que você magoe Léo. Ele é um bom homem e gosta de verdade de você.
- Eu sei. Vou terminar tudo com ele hoje.
- Não acho que seja a melhor decisão a tomar, mas não posso intervir. A vida é sua.
- Eu não gosto dele.
- Isso não significa nada.
- Mãe... Eu não posso casar por interesse. Que vida vou levar depois?
- Uma vida com comida na mesa, conforto, filhos saudáveis, hospital quando precisar...
Olhei para ela incrédula. Minha mãe só pensava nisso. Amor para ela não significava nada.
- Onde está Leon? – perguntei.
- Brincando na rua.
- Eu... Vou sair com ele. Assim já vejo se encontro algum emprego.
Eu precisava desesperadamente sair daquela casa. Eu estava me sufocando. Ela foi atrás de mim:
- Acha que eu estou falando besteiras? A vida que eu levo não serve como exemplo?
Quando saímos na porta, ouvimos uma freada brusca e um barulho horrível. Várias pessoas correndo e gritando. Saí desesperada, amedrontada e fiquei em pânico quando vi Leon no chão, desacordado e com sangue por toda parte.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







