INICIAR SESIÓN- Senhorita Lee. Como deve saber, a dama de companhia escolhida por minha mãe foi assassinada ontem.
- Sim... Eu vi na televisão. Mas eu não tenho nada a ver com isso. – falei imediatamente, me defendendo.
- Não estou acusando-a de nada. – ele disse gentilmente. – Viemos avisar pessoalmente que você é a próxima na lista.
Olhei-o confusa e surpresa. Como assim a próxima na lista? Senti um arrepio percorrendo meu corpo, como se eu não devesse aceitar. No entanto, eu precisava de um emprego literalmente para sobreviver. E aquele, especialmente, era tudo que eu sonhei em termos financeiros para minha família. Mas senti medo de ser a próxima a morrer por algum motivo ou até mesmo o que levou alguém a assassinar Joana.
- Sabemos tudo que deve estar passando pela sua cabeça neste momento e o medo que deve ter de assumir este cargo depois do que aconteceu. – disse Magnus como que adivinhando meus pensamentos. – Por isso mesmo viemos pessoalmente. Para que esteja segura ao vir conosco. E assim será o tempo inteiro.
- Olhem para mim. – falei tristemente. – Eu preciso deste emprego mais que tudo... Mas sim, tenho medo. Quem imaginou que a dama de companhia da rainha seria assassinada tão logo assumisse o cargo?
- Ela nem chegou a assumir. – disse Dereck. – Seria hoje, oficialmente.
- Eu sinto muito por ela... – eu falei. – Mas fico feliz por mim, apesar de temer imensamente aceitar. Não me resta outra escolha. Ou assumo o lugar como dama de companhia da rainha ou minha família morre de fome.
- Obrigada por sua sinceridade, como sempre, senhorita Lee.
Olhei para Magnus achando que realmente ele estava sendo sincero em suas palavras. Eu tentava às vezes não falar tanto nem expor o que eu realmente sentia, mas geralmente não conseguia.
- Agora é a parte que vocês chamam a fada madrinha para me transformar? – perguntei.
Eles riram, parecendo entender o que eu sentia naquele momento. Para os príncipes poderia não ser nada demais ou incomum, afinal, deviam ver criadas trabalhando no castelo o tempo todo. Mas para mim aquela cena era a pior coisa que poderia ter acontecido na minha vida. Nem tanto por Dereck, mas Magnus me ver daquele jeito foi o fim da minha dignidade enquanto mulher.
- Uma fada madrinha não temos no momento, mas podemos passar na sua casa ou em algum lugar para você comprar uma roupa. – disse Dereck.
- Agora? Vocês estão insinuando que eu devo ir para o castelo neste momento?
- Sim. – disse Magnus.
Neste momento a porta se abriu e Kim apareceu. Quando viu quem estava no salão ele ficou me encarando confuso, querendo uma explicação com os olhos, mas sem conseguir pronunciar nenhuma palavra. Eu fiquei aliviada ao vê-lo. Eis minha fada madrinha, pensei.
- Tenho roupa aqui. Vou me trocar e quem sabe vocês poderiam sentar e aguardar? – sugeri sem saber ao certo o que fazer naquele momento. Eu não era íntima dos príncipes, embora tivesse um certo contato frequente com Dereck, mas que ele não deixava transparecer de forma alguma.
Talvez devesse oferecer um café? Ou sugerir que dessem uma volta para conhecer a Zona E, e verem a realidade do reino enquanto aguardavam eu trocar de roupa?
- Altezas. – disse Kim fazendo reverência. – Providenciarei um café. – ele ajeitou as almofadas nos sofás e pediu que eles sentassem.
- Não se preocupe conosco. – disse Dereck. – Estamos bem.
- Eu aceito um café. – disse Magnus contrariando o irmão e sentando-se na poltrona oferecida por Kim.
Dereck ficou visivelmente surpreso com a atitude do irmão, mas logo fez o mesmo. Eu me dirigi à pequena antessala do salão, onde estavam minhas roupas. Kim entrou junto comigo, fechando a porta atrás de nós.
Eu o abracei com força.
- O que é isso? – perguntou ele retribuindo o abraço.
- Eu vou para o castelo. Serei a dama da companhia da rainha. – falei baixo para não ser escutada.
- Mas... Os príncipes de Noriah Sul estão no meu salão. Tem noção do que está acontecendo aqui, Kat?
- Eu acho que perdi a noção de tudo, Kim. – confessei. – E nem quero entender o que está acontecendo. Eu preciso tanto deste emprego. E você sabe disto.
- Querida, você precisa me soltar, pois vou fazer o melhor café da minha vida para os príncipes de Noriah. – disse ele se desvencilhando de mim.
Enquanto ele foi preparar o café, eu lavei minhas mãos e troquei a roupa suja e molhada por outra limpa. Era um simples jeans com camiseta e um sapato de salto. Mas já fazia uma boa diferença.
- A Gata Borralheira virando Cinderela. – eu disse ironicamente.
- Baby, não duvido de mais nada nesta vida. Acho que um dia ainda vou escrever sobre o seu conto de fadas, acredite.
- Do que você está falando? Eu só quero o emprego. – falei.
- E eu os príncipes. – disse ele. – É pedir demais? Podemos dividir, não?
Eu ri:
- Já sei da sua preferência.
- E eu da sua. – ele disse arqueando uma sobrancelha divertidamente.
- Kim, você está me deixando mais nervosa. Isso é estritamente profissional.
- Sério? – ironizou ele. – Quer que eu pergunte se eles foram pessoalmente dar a notícia à Joana Pallucci?
- Claro que eu não quero que você pergunte isso.
- Ainda me intriga esta história dos príncipes com você. Ou você tem muita sorte na vida ou algo está soando muito estranho.
- Eu espero que seja minha sorte.
- Eu também, baby... Eu também.
Respirei fundo e disse:
- Não sei como vai funcionar tudo de agora em diante. Só sei que devo ir com eles. Vou avisar minha mãe no caminho. E... Eu preciso ver Dom. – falei quase cochichando.
- Dom? Como assim você precisa ver Dom?
- Descubra tudo sobre o próximo encontro secreto.
- O que você quer com Dom agora? Você vai para dentro do castelo. É mais arriscado do que nunca.
- O que eu quero com Dom? Eu poderia dizer nada... Mas eu estaria mentindo... Porque eu quero tudo dele.
Dizendo isso eu abri a porta e saí com a cabeça erguida. O complexo de Gata Borralheira havia passado e eu era novamente Katrina Lee. Logo Kim saiu também e levou as xícaras de café recém-passado para os príncipes. Ele também ofereceu para os guardas, que gentilmente não aceitaram.
- Mas... Já sabem algo sobre a morte da outra dama de companhia? – perguntou Kim curioso.
- Não. – respondeu Dereck. – Mas as investigações serão minuciosas.
- Acreditamos que pode vir da parte de rebeldes anti monarquistas. – disse Magnus me olhando atentamente.
Eu gelei por dentro. Saberia ele sobre as reuniões secretas? E... Que eu fazia parte de um grupo? Por que ele olhou para mim quando falou sobre aquilo?
- Por que os anti monarquistas teriam matado a garota? – perguntou Kim fingindo total desentendimento sobre o assunto.
- Para causar alvoroço entre todos. – completou Magnus. – Afinal, descobriu-se que ela não era da Zona D, como foi anunciado.
- E por que foi anunciado que ela era da D se não era? – perguntei.
- Um mal entendido. – disse Magnus. – Só isso.
- Mas... A pergunta que não quer calar: vocês dois foram pessoalmente dar a notícia à Joana Pallucci quando ela foi escolhida?
Eu poderia matar Kim quando ele fez aquela pergunta. Percebi que os dois príncipes se entreolharam e Dereck respondeu primeiro:
- Não. Não fizemos isso.
- Mas... – disse Magnus completando. – Agora é diferente. Pelo visto a dama de companhia da rainha é um alvo fácil para os rebeldes.
- E vocês ainda assim acham que minha amiga deveria ir? – ele perguntou. – Sei que para vocês a vida dela pode não valer nada... – ele se aproximou de mim e me olhou. – Mas ela é tudo para mim e para a família dela.
Kim tinha razão. Era arriscado naquele momento aceitar o cargo. Não sabíamos o que estava por trás da morte de Joana. Poderia sim ser os rebeldes, de qualquer zona. Poderia ser o próprio Dom o mandante ou o próprio assassino, depois dos comentários do sábado que havia passado. Mas poderia ser outra situação muito pior que desconhecíamos. Novamente senti medo. Então eu disse:
- Sou a responsável pelo sustento da minha família. Toda a parte financeira depende de mim. Meu pai perdeu até nossa casa no jogo. – eu baixei os olhos um pouco envergonhada. – Então... Aceito por não ter outra opção. Procuro emprego há dias e não tem nada disponível. A Zona E está o caos com relação a isso. E também ocorre nas outras zonas, como vocês devem estar a par. Não tem nada na minha geladeira. Meu pai está acamado. Meu irmão no hospital e minha mãe praticamente está vivendo lá com ele. Este emprego é uma chance de mudar tudo na minha vida. – confessei.
- Então dê graças a sua sorte. – disse Dereck.
- E nós viemos pessoalmente para garantir a sua segurança... A sua vida. – disse Magnus.
Olhei atentamente para ele novamente. Magnus era muito alto e eu sempre precisava olhar para cima quando queria lhe dizer algo. Ele tinha sempre a voz firme e segura. Não transparecia nenhum temor ou indecisão. Eu conheci pouco de Dereck e não poderia dizer que não gostava dele. No entanto ele não me passava confiança alguma. Mas com Magnus era diferente. Eu confiava nas palavras dele. Quando ouvi dos lábios dele que garantia a minha segurança e a minha vida eu não tive medo. Eu me sentia lisonjeada em poder ter ele dizendo aquilo para mim. Eu não entendia como aquele homem conseguia despertar sentimentos em mim que eram inexplicáveis. Não era como o que eu sentia com Dom... Era diferente. Mas ainda assim eu tinha medo das armadilhas que minha mente e meu coração estavam me pregando nos últimos dias. Pensar em Dom novamente me fez sair um pouco de onde eu estava e relembrar o beijo. Eu precisava revê-lo. Queria entender o que havia acontecido com Joana e ter certeza de que ele não foi o responsável. Eu tinha o dever de dizer que eu seria a dama de companhia e que estávamos dentro do jogo novamente: um rebelde dentro do castelo. Eu seria os olhos do grupo secreto anti monarquia. Eu não tinha dúvidas disso. E além de tudo queria sentir o corpo dele junto ao meu... Nem que fosse uma última vez.
- Katrina? – ouvi Kim me chamando, tirando-me dos meus pensamentos mundanos.
- Sim? – perguntei sem entender nada, pois não estava prestando atenção.
- Em que mundo você estava? – perguntou ele.
Olhei para todos os olhos sobre mim, aguardando minha resposta. Então eu disse:
- Como vou fazer com meu pai?
Despedi-me de meu amigo e voltei no carro real para casa. Os príncipes foram num carro com um dos guardas e o motorista e eu em outro acompanhada do segundo guarda. Sorri ao pensar na situação de ir no carro com Dereck e Magnus. Seria um tanto quanto interessante. Eu não ficaria chateada em sentar no meio dos dois. Katrina Lee, como consegue pensar isso neste momento tão importante? Ora bolas, eu só tinha dezenove anos. Flertar com os príncipes não era tão errado assim. Nunca passaria daquilo mesmo, afinal, Magnus em breve se casaria com a horrível Vitória Grimaldo, que já não gostava de mim sem ao menos me conhecer. Mas meu lugar era de simples empregada, então talvez eu nem a visse mais.
Quando cheguei na minha casa, um guarda me acompanhou até a porta, ficando ali esperando por mim. Antes de entrar, eu pensei melhor. Precisava de ajuda. Eu não conseguiria sozinha. Fui correndo até o carro onde estavam os príncipes e bati fraco na janela escura. Logo a janela abaixou e eu olhei para os dois. O guarda correu até mim, abrindo o guarda chuva para evitar que eu me molhasse ainda mais. Mas eu já estava com os cabelos úmidos e a roupa cheia de pingos, pois chovia bastante. Perguntei:
- Será que eu poderia receber adiantado?
Os dois me olharam confusos. Eu continuei:
- Meu pai não pode ficar sozinho. Ele requer cuidados. Não há comida na minha casa. Minha mãe não pode voltar, pois meu irmão está no hospital. Eu poderia pedir para Léo, meu namorado, mas já devo muito a ele e se pedir mais um favor deste tipo, serei obrigada a casar com ele, o que não é de meu desejo.
Eles continuaram me olhando ainda mais atônitos.
- Querem que eu explique melhor? – perguntei.
- Não há necessidade. Eu entendi perfeitamente. – disse Magnus. – Providenciarei tudo que precisa. – ele abriu a carteira e mostrou-a vazia.
- Também não tenho nada comigo. – disse Dereck.
Os guardas e o motorista abriram as carteiras e os bolsos e me deram tudo que tinham. Era o suficiente que eu precisava para o momento:
- Prometo lhes pagar tudo. – eu garanti.
- Nos encarregaremos disso. – disse Magnus. – Receberá adiantado, como solicitou e pagaremos todos os seus credores. – ele disse sorrindo divertidamente.
Rapidamente expliquei para meu pai o que havia acontecido. As palavras dele foram:
- Não confie em ninguém dentro do castelo... Nunca.
- Tudo bem.
- Me prometa. – ele pediu.
- Eu prometo.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







