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Capítulo 38 - Eu sou Virgem

last update Fecha de publicación: 2021-06-24 04:04:34

Com ajuda de Dereck consegui sair no final da tarde de sábado. Lana não gostou nenhum pouco de me liberar e infringir as regras. Mas o príncipe insistiu que a situação de meu irmão era bastante delicada ainda e que ele se sensibilizava com isso. Antes de eu sair da sala, Lana disse:

- Tome sua chave da sala. Passará a ser a responsável por abri-la e fechá-la diariamente.

- Obrigada. – eu disse.

Eu estava saindo pela porta quando ela disse:

- Lee...

Olhei-a atentamente:

- Uma das cláusulas era não manter qualquer tipo de intimidade com o príncipe. Parece que você infringiu-a bem rápido.

- Quem sabe você discute isso diretamente com ele? – sugeri sorrindo ironicamente. – Afinal, acho que também ser mau educada ou fingir que o príncipe não existe também seria errado não é mesmo?

- Sorte que Dereck não trará problemas para você. Como eu sou boazinha, vou fingir que nada aconteceu e não contar nada à rainha. Isso porque sou uma pessoa piedosa e penso muito nos outros.

- Por que ele não me traria problemas?

- O jovem príncipe quer qualquer garota nova que surge no seu caminho. – ela riu. – Todos estão acostumados por aqui. Ele as usa e depois descarta. Terá sorte se continuar no castelo. Mas a rainha finge não saber, afinal, que mal tem o filho usar o que quer? Ele é o príncipe... Tem este direito.

- Ele não me usou para nada. – expliquei. – Usou você?

Ela me fuzilou com o olhar e eu saí sem querer ouvir o que mais ela me diria. Lana era realmente maldosa. E se fosse intenção dela me deixar com mais dúvida com relação a Dereck, ela havia conseguido. Em momento algum ele tivera qualquer atitude que insinuasse interesse sexual por mim. Ou eu estava sendo tão ingênua e não percebi isso?

Troquei minha roupa e saí do castelo pelo portão dos empregados. A noite estava agradável e tinha um vento quente e fraco trazendo cheiro de flores das árvores. Era como eu me sentia saindo daquele lugar: livre, florida e quente. Fui diretamente ao hospital e minha mãe me garantiu que em pouco tempo Leon estaria em casa. Estava iniciando as fisioterapias e logo poderia andar normalmente. Ele ficou muito feliz quando me viu. Levei alguns carrinhos que comprei no caminho para ele, que ficou completamente entretido. Aproveitei para explicar para Laura Lee que eu só retornaria para casa dentro de duas semanas novamente. E lhe dei o número de Dereck caso ela precisasse entrar em contado comigo urgente. Eu não disse que o número pertencia ao príncipe, mas frisei que era para usar somente em caso de vida ou morte.

Combinamos que Léo pegaria Kim e Diana e passaria em minha casa para irmos ao encontro anti monarquia, que seria desta vez na Zona G. Eu ficava insegura quando sabia o local, pois nós já não morávamos num lugar seguro e passar por outras zonas piores poderia nos trazer qualquer tipo de problema.

Contei ao meu pai como estava sendo tudo no castelo. Expliquei sobre as péssimas condições dos quartos dos empregados, mas ele não pareceu ficar muito surpreso. Tentei fazer com que ele me contasse algo mais sobre a realeza, mas ele fingiu sono. E novamente conseguiu se esquivar de me dar qualquer explicação.

Ouvi a buzina e antes de entrar no carro olhei para todos os lados para me certificar de que nenhum guarda havia me seguido com o pretexto de manter minha segurança. A rua estava vazia.

- Boa noite, amigos. – eu disse com um sorriso largo quando entrei no carro. Senti meu coração quente quando os vi ali comigo.

Kim saiu de seu lugar atrás e me deu um abraço forte ali mesmo, sem qualquer comodidade. Diana também. Léo apertou minha mão com força e começou a dirigir.

- Pareceu desconfiada antes de entrar no carro. – observou Diana.

- Sim... Me certificando de que ninguém da guarda real estava por perto. Da última vez que vim fiquei com um guarda o tempo inteiro. Alegaram que era para minha segurança, mas não tenho certeza.

- Kat, você está dentro do castelo. Dom precisa saber disso. – falou Diana excitada e confiante.

- Sim... E vocês... Trouxeram suas máscaras?

- Claro. Mas desta vez não usamos fantasias. – disse Kim de forma séria.

Realmente todos só tinham máscaras que encobriam o rosto misteriosamente. Eu estava com o coração batendo mais forte, ansiosa por rever Dom e por estar no encontro secreto.

- Eu ainda temo tudo isso. – confessou Léo.

- Por quê? – perguntei.

- Por você, querida. – ele alegou. – Imagina se invadem novamente nosso lugar?

- Léo... Está tudo bem. Não vai acontecer. Se acontecer, fugiremos e tudo ficará bem. Eu não vou desistir nunca. – garanti. – Descobri que eu amo estar neste lugar: enfrentando a rainha.

- Não esqueça que somos anti monarquistas. – observou ele. – Portanto, não leve novamente sua ideia sobre manter o príncipe no poder. Pode não ser tão bem vista pelas pessoas novas, assim como não foi por Dom.

- Ele tem razão. – disse Kim. – Pense antes de falar. Lembre-se que não sabemos realmente quem está lá. São mascarados... Pode ser qualquer pessoa.

- Eu sei. Tentarei me conter.

- Não tente... Se contenha. – disse Diana.

Quando chegamos ao endereço combinado, ficamos um pouco preocupados. Não havia placa nem nada que pudesse indicar que realmente era ali. Pelo visto um bar com letras neon não era comum. Saímos do carro, não encontrando nenhum próximo. Léo me pegou pela cintura, colocando meu corpo colado ao dele. Aquilo não me agradou, mas também não conseguiria me desvencilhar sem ser rude com ele. Então fingi que estava tudo bem, como eu sempre fazia quando estava ao lado dele. Enquanto andávamos pela rua escura, sem usar nossas máscaras para não chamar a atenção, vimos um bêbado jogado na calçada. Quando passamos por ele, ouvimos:

- Vinho?

Seguimos e não falamos nada. Vocês tem senha? – ele gritou.

Paramos e em seguida retornamos. Nenhum de nós sabia a senha.

- Máscaras? – perguntei.

Ele riu:

- De onde vocês são?

- Do mesmo lugar que você... Um lugar que sonha com mudanças e um mundo melhor para todos. – falei.

- Por que não tem a senha?

- Uma longa história. – disse Kim.

- Eu esperava um grupo de quatro... Dois casais. – ele disse. – Dom me avisou que não havia passado a senha a nenhum de vocês.

Só de ouvir o nome de Dom meu coração bateu mais forte. Eu estava com tanta vontade de vê-lo que nada mais importava.

- Segunda porta à direita. – ele disse. – Três batidas. Senha: Vinho.

Fomos até o local indicado e batemos. Assim que a porta se abriu, colocamos nossas máscaras. Andamos por um corredor pequeno e pouco iluminado e logo estávamos em um lugar um pouco mais amplo, com alguns sofás espalhados e poltronas. As paredes eram vermelhas e as luzes fracas, o que dava um aspecto incômodo e desconfortável.

Em pouco tempo eram servidos copos de vinho em canecas para nós. Eu peguei uma enquanto procurava Dom com meu olhar.

- Vai beber? – perguntou Léo. – Não bastou o uísque da última vez? Se os guardas invadirem e capturarem você bêbada pode falar o que não deve. – advertiu Léo.

Olhei para todos que conversavam furtivamente sobre a causa por todos os lugares animadamente bebendo. Eu havia vindo de saia curta e botas, meramente planejado para meu encontro com Dom. Levantei de onde estava, olhei para Léo e disse:

- Você é meu namorado. Não é meu dono. E nunca será.

Dizendo isso eu saí para procurar alguém no meio daquelas dezenas de pessoas. Eu pouco me importava com Léo. Mas jamais deixaria ele tentar me impedir de fazer qualquer coisa. Encontrei uma pequena mesa onde havia vários garrafões de vinho tinto. Junto dela Black, vestido do mesmo jeito, sem beber. Levantei meu copo para ele, como forma de cumprimento. Ele simplesmente acenou com a cabeça. Que homem era aquele que estava sempre ali, mas praticamente não fazia nada do que fazíamos?

Enquanto explorava o lugar, um homem disse no meu ouvido:

- Katee, poderia descer por esta porta até a adega e pedir para Dom trazer mais vinhos?

Eu senti o cheiro de cigarro e vinho vindo dele. Olhei-o confusa e ele piscou sob sua máscara, mostrando os grandes olhos escuros. Observei que a mesa estava ainda cheia com garrafões não abertos. Ainda assim abri a porta que me era oferecida e a fechei, descendo as escadas acimentadas, me escorando na parede de pedras geladas. Senti frio. O ambiente era pouco iluminado, com minúsculas luzes e algumas pipas pequenas artesanais. Dom estava com sua máscara, em cima de uma mesa de madeira. Parecia estar me esperando. Quando o vi não consegui mais segurar o que eu sentia dentro de mim. Corri até ele e o beijei intensamente, sentindo a língua dele na minha, forçando meu corpo de encontro ao dele, sendo correspondida como eu havia sonhado nos últimos dias. Eu poderia beijá-lo por toda a minha vida que nunca enjoaria. Tê-lo em meus braços era alento para tudo que eu havia passado nos últimos dias.

- Estava esperando por você. – ele disse.

- Eu sei. – falei não tirando meu corpo do dele. – Também esperei por você.

- Acho que vamos ter que fazer encontros mais frequentes. – ele disse mostrando um sorriso sedutor.

- Eu não posso... Foi difícil sair hoje. Mas eu precisava ver você.

- Como conseguiu?

- O príncipe Dereck interveio em meu favor.

- Isso me preocupa.

- Não se preocupe. Eu sei me cuidar. Está tudo bem.

Beijei-o novamente. Eu não queria conversar. Eu só queria explorar a boca dele e seu corpo quente junto do meu. Ele passou a mão pelas minhas pernas, chegando pela parte de dentro da minha coxa. Eu senti meu corpo tremer de desejo e vontade de me entregar a ele ali mesmo.

De repente ele me afastou e respirou fundo, dizendo:

- Precisamos tomar cuidado.

- Eu não quero tomar cuidado. – falei tentando me aproximar novamente.

Ele saiu da mesa, tentando me manter afastada.

- Dom, qual o problema?

- Não me controlo quando estou perto de você. – ele admitiu.

- Eu também não me controlo, Dom... Por isso eu não me importo com nada. Eu quero você. Eu sonho com você todas as noites e em tudo que podemos fazer juntos.

Ele me pegou com força e me empurrou até a parede, me beijando selvagemente, como se nossas bocas precisassem uma da outra para sempre. Puxei a camisa dele para cima, sentindo suas costas nuas sobre minhas mãos.

- Dom... eu preciso lhe contar uma coisa. – falei quando ele levantou minha perna, sabendo o que estava para acontecer.

Ele continuou beijando meu pescoço e disse ofegante:

- Pode falar. – sem parar de me beijar.

- Eu... Sou virgem.

Neste momento a porta se abriu e vimos Black nos olhando atentamente. Ficamos os três sem dizer nenhuma palavra, nem nos movermos. Minha perna continuava erguida, e Dom a segurando. Até que Black falou em tom firme e irônico:

- E eu que pensei que os encontros secretos anti monarquia tinham realmente um viés político... – ele riu. – Como pude ser tão ingênuo? Fico pensando quantas outras pessoas foram enganadas. Vocês não passam de adolescentes brincando de gente grande. Seus encontros secretos regados à bebidas, drogas e sexo em nada ajudarão na mudança do reino de Noriah. Vocês são rebeldes da pior espécie possível. Podem tirar suas máscaras, pois vocês as usam mesmo quando estão sem elas.

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