INICIAR SESIÓN- Kat, seu pai foi capitão da guarda.
- Capitão da guarda do castelo de Noriah? – perguntei incrédula.
- Sim...
- Mas... Por que ele nunca contou absolutamente nada sobre isso?
- Mais que o capitão da guarda, ele foi amigo pessoal do meu pai, Alfred Chevalier.
Eu fiquei olhando para ele sem saber exatamente o que dizer. Que os dois tinham alguma ligação eu já sabia, pois o próprio rei havia feito a intervenção em meu favor no cargo de dama de companhia.
- Seu pai teve a perna ferida quando salvou meu pai.
Eu... Não podia acreditar. Meu pai havia salvado a vida do rei de Noriah. E por que ninguém sabia aquilo? Havia sido divulgado em algum lugar? Teria que sair no mínimo na capa do jornal na Zona E. Eu tive tanto orgulho dele. E queria que meu irmão também pudesse ouvir aquilo para poder ter orgulho do nosso pai.
- Continue, Dereck, por favor.
- Bem, depois de ferido ele passou a ter dificuldade para andar, então não poderia mais fazer parte da guarda real.
Então tantas coisas estavam sendo explicadas naquele momento. Ele havia dito que o rei já lhe dera dinheiro outras vezes. O rei Alfred tinha uma dívida com meu pai... De vida.
- Meu pai então conseguiu segurá-lo dentro do castelo lhe dando outro cargo menos importante, mas com igual remuneração.
- Então... O que deu errado? Por que ele acabou saindo do castelo e parando numa vida de vício, depressão e tristeza?
- Ele saiu do castelo logo depois que você nasceu. Não sei exatamente quanto tempo depois.
- E... O motivo?
- Ele... Teve um caso com minha mãe.
- Como assim?
Dereck não respondeu. Eu andei até a janela, atordoada, tentando assimilar tudo que estava sendo dito. Adolfo Lee tendo um caso com a rainha? Ele já era casado? Minha mãe sabia daquilo? Provavelmente sim. Laura Lee podia ser qualquer coisa, menos burra. Minha mãe era inteligente e perspicaz.
- Eu... Sou filha da rainha? – perguntei.
Dereck foi até mim e disse:
- Não, você não é filha da rainha. Mas eu pensei que pudesse ser filho do seu pai. – ele confessou. – E por isso eu fui atrás dele e acabei encontrando você pouco tempo depois no castelo, por coincidência. Quando vi você na cama da enfermaria e vi seu nome, sabia exatamente quem era você. Foi sorte você ter desmaiado em Magnus, ele ter me mandado cuidar de você porque ele não conseguia e eu lembrar exatamente tudo que eu havia mandado buscar sobre a sua família.
- Por que você achou que fosse filho de meu pai?
- Pela forma como minha mãe me trata. Pensei que eu pudesse não ser filho de meu pai.
- Por que... Ela ama seu pai?
Ele riu amargamente:
- Claro que não. Minha mãe só é capaz de amar ela mesma, acredite.
- E Magnus.
- Ela não ama Magnus. Ela só quer manipulá-lo para de alguma forma sempre estar no poder, mesmo o dia que ele assumir.
- Dereck... Eu estou tão confusa. Eles tiveram um caso de amor?
- Não sei se pelo seu pai foi um caso de amor. Mas da parte da minha mãe tenho certeza de que não foi. Adolfo Lee não foi o único homem a dormir com a rainha debaixo dos olhos de meu pai.
- Mas... Você disse que eles eram amigos.
- E exatamente por isso ele deixou o castelo.
- Seu pai...
- Sim. Meu pai o mandou embora. Ele havia traído sua confiança, especialmente como amigo.
- Ainda assim seu pai o ajudou depois, quando ele precisou.
- Sim... Se você falar com meu pai, o que eu acho que ainda acontecerá um dia, perceberá que Alfred Chevalier lembra de Adolfo Lee como o seu melhor amigo.
- Meu pai foi um cretino. – falei tristemente. No fim, eu entendia um pouco Kevin. Meu pai traiu o melhor amigo da forma mais horrível possível: dormindo com sua esposa.
- Kat, não acredito que eu saiba toda esta história exatamente como ela aconteceu. E acho que para nossos pais ela está enterrada também. Creio que eles já tenham acertado suas diferenças. Tanto que meu pai ajudou o seu quando ele pediu o favor de colocar você na seleção para o cargo.
- Eu... Me sinto tão mal por tudo isso...
- Você não tem culpa... Eu não tenho culpa. Apesar de tudo, eu torci para ser filho do seu pai.
- E... O que você faria se fosse?
Ele riu:
- Noticiaria em toda a mídia. Depois iria morar com vocês.
- Não caberia você na nossa casa. Dereck, você não sabe o que é a vida fora deste castelo.
- No fim, Kat, eu me afeiçoei a você. Poderíamos sim ser irmãos.
Eu o abracei:
- Dereck, obrigada por tudo. Eu estou triste por saber a forma como meu pai agiu, mas ao mesmo tempo feliz por você poder ter contado um pouco sobre o passado que ele insiste em me esconder. E agora também entendo o motivo de tanto segredo em torno deste passado. Ele é sujo, triste...
Neste momento a porta se abriu e a rainha Anne, acompanhada de sua dama de companhia, não parecendo muito surpresa com a cena, disse:
- Fora, Dereck.
Nos desvencilhamos de nosso abraço de quase irmãos, na certeza de que ela não via desta forma.
- Não aconteceu nada, minha mãe. – garantiu Dereck. – Eu estava conversando com Katrina sobre...
- Eu disse fora. – gritou ela.
- Ela não tem culpa.
- Quer que eu chame os guardas para tirarem você daqui? – ela ameaçou.
Dereck saiu me olhando temeroso.
- Lana, fora também. – ela ordenou.
A porta se fechou lentamente, mas o meu desejo era poder também desaparecer por ela. Era inevitável o tremor que eu sentia de medo dela.
- Quem você pensa que é, garota?
Olhei nos olhos dela e disse:
- Katrina Lee, filha do homem que salvou o seu marido?
Ela riu ironicamente:
- Você acha mesmo que eu não sei exatamente quem eu coloco dentro do meu castelo? Acha mesmo que se eu não quisesse você não estaria aqui?
Eu fiquei olhando-a, sem entender. Ela pegou meu braço e disse:
- Acha que seu pai fez grande coisa salvando a vida do meu marido? Ele não fez foi nada. Deveria ter deixado o idiota morrer. Ficou aleijado sem necessidade. Quem mandou meter-se onde não era chamado? Quem salva a vida de outra pessoa colocando a sua própria em risco?
- Amigos? – eu disse deixando as lágrimas aflorarem por meus olhos enquanto ela apertava cada vez mais meu braço.
Ouvimos um trovão ao longe, fazendo com que parássemos por um breve momento.
- Só um trovão... Não uma bomba nem um rojão no meu castelo. Sabe por quê? Por que isso nunca vai acontecer, entendeu? Por isso você está aqui dentro. Para evitar seus encontros anti monarquia nas salas escuras e fedorentas de onde você vem. Ou acha mesmo que eu não sei sobre você e tudo mais.
Olhei-a incrédula. Ela poderia me prender naquele momento.
- Mas não vou fazer nada contra você. – ela disse. – Você pensou que iria me usar. Mas eu vou usar você. Fará exatamente o que eu m****r nos seus encontros secretos. Ou sua família sofrerá graves consequências por seus atos. Eu já mandei cortar o tratamento real do seu irmão no hospital da Zona B. Dereck não me consultou quando fez isso.
- Mas... Ele não tem culpa. É só uma criança.
Ela riu:
- Você também, querida. Ainda assim acha que pode lutar contra mim e tudo que eu construí ao longo de toda minha vida. Quero você longe dos meus filhos... Especialmente de Magnus. Quero você longe do terceiro andar. Mas não voltará para o lixo de onde veio, pois você é só um pequeno peixinho no meu mar. Mas vai me levar aos grandes peixes... Querendo ou não. Agora suma daqui. Não quero vê-la na minha frente pelos próximos dias.
Eu sai correndo. Lágrimas escorriam fartas e quentes por meu rosto e eu não conseguia evitar. Mecanicamente eu andava e tentava identificar por onde ia. Mas cada vez eu me confundia mais e mais. Até que finalmente encontrei a porta dos empregados. Parei e respirei fundo. Estava noite e quente e um vento soprava forte. O trovão anunciava uma tempestade. Tudo que eu queria era ir embora daquele lugar... Para sempre. Eu estava colocando em risco a vida da minha família, dos meus amigos, de Dom. Deparei-me com o enorme gramado que segundo o príncipe eu não estava autorizada a pisar. Mas adiante, no muro que cercava o castelo, havia ela... A porta que me tirava dali, a poucos metros. Começou a cair uma chuva fraca. Os guardas saíram para fechar algumas flâmulas. Eu aproveitei a distração deles e corri até lá. Para minha sorte, ela não estava trancada. Então eu saí do castelo, por um caminho que eu não conhecia. Fiquei ali, parada um pouco, recostada pelo lado de fora do muro, sentindo meu coração querendo deixar meu peito. Eu nunca havia sido tão humilhada em toda minha vida. Agora eu entendia Dereck e sua motivação contra a própria mãe. No entanto eu não conseguia entender meu pai. Por quê? O que o levou a trair o rei, seu amigo e dormir com a rainha Anne?
Andei pelo caminho com mato alto, na altura dos meus joelhos, em alguns pontos até mais alto. Havia muitas árvores ao redor. Eu não sabia exatamente se aquilo fazia parte do castelo ou não. Mas também não havia notícias de uma enorme floresta em Noriah, próxima do castelo, então se eu andasse por algum tempo, sairia em algum lugar urbano ou encontraria alguém. Eu não sabia exatamente se devia voltar para casa. Precisava avisar minha mãe que Leon não teria mais atendimento no hospital. Tinha que m****r alguém avisar Dom que a rainha sabia sobre nós. Eu precisava olhar nos olhos do meu pai e dizer o quanto eu estava decepcionada com ele.
A chuva começou a cair forte e eu estava completamente encharcada. Eu detestava chuva, mas à noite, sem ver nada na minha frente e sentindo frio, era a pior coisa que podia acontecer. Comecei a correr a fim de encontrar um lugar para me abrigar. Mas não havia nada que pudesse me proteger daquela tempestade. Alguns relâmpagos iluminavam meu caminho. Segui até encontrar uma clareira no meio da floresta, com a mata um pouco mais baixa. Além dela parecia haver uma cabana. Eu precisava chegar até lá. Havia buracos no chão que eu não conseguia perceber. Ouvi um uivo de animal que me fez morrer de medo. Então me desequilibrei e cai. Tentei levantar, mas ouvi um ruído estrondoso e senti uma dor sem explicação no meu ombro. Fiquei ali, imóvel, sem entender o que havia acontecido. Talvez tivesse sido ferida por algum animal selvagem e nem percebi. Mas algo quente começou a escorrer pelas minhas costas e eu tive certeza que era sangue. A dor era de uma mordida talvez. E era grave. Ouvi passos e fechei meus olhos. Percebi uma luz.
- Droga, eu atirei em você, Katrina. – ouvi a voz nervosa de Magnus.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







