Início / Romance / A Dama de Companhia / Estou voltando ao castelo!

Compartilhar

Estou voltando ao castelo!

last update Data de publicação: 2021-06-24 04:09:41

Magnus me pegou nos braços e me levou dali. Eu sentia muita dor, mas não conseguia entender o que estava acontecendo. Em alguns minutos ele abriu uma porta e entramos numa pequena cabana iluminada com a luz de um lampião. Ele me colocou sobre uma cama confortável, embora pequena.

- O que aconteceu? – eu perguntei.

- Eu preciso ver o que realmente aconteceu. – ele disse.

Magnus rapidamente tirou meu casaco e em seguida a blusa, deixando-me somente de sutiã.

- Foi mesmo um tiro... – ele disse passando a mão nervosamente pelos cabelos.

- Você me deu um tiro? – perguntei. – Por que você fez isso?

Ele olhou nos meus olhos e disse:

- Foi sem querer... Eu caço aqui.

- Você tem... Uma floresta de caça?

- Sim... O que você faz aqui?

- Eu... Eu...

- Esqueça. Não precisa dizer mais nada. Tente ficar calada. Está doendo muito?

- Dói tanto que nem sinto mais meu braço... Acha que vou morrer?

Ele pegou minha cabeça e me analisou com cuidado:

- Não... Você não vai morrer... Vai ficar tudo bem. Desculpe-me... Eu vou ficar aqui com você... Procure acalmar-se.

- Calma? Sabendo que levei um tiro?

- Eu achei que fosse um animal...

- Belo caçador você é... – ironizei.

- Você não consegue parar de falar nem mesmo ferida?

- O animal sente a mesma dor que eu... Então você vai me ouvir por todos que matou.

- Eles não falam...

- Por isso eu falarei por eles... Como você consegue... Matar animais indefesos?

- Eu... Nunca vi desta forma.

- Espero que repense seus hobbies depois disto.

- Katrina, pode ficar quieta?

- Alteza... Está doendo.

Ele riu:

- Alteza? Você ainda me chama de Alteza mesmo eu tendo dado um tiro em você? Eu nunca vou me perdoar. – ele disse levantando e andando de um lado para o outro.

- Você... Vai me curar aqui, na sua cabana? – perguntei confusa.

- Não... Precisamos voltar para o castelo. Mas está chovendo muito. Não posso levá-la assim...

- Eu... Posso andar.

- De forma alguma. Precisamos esperar.

Ele voltou com uma caixa e colocou-a ao meu lado:

- Primeiros socorros. – ele disse.

Vi quando ele passou um líquido na gaze macia e passou sobre meu ferimento. Gritei de dor e ele parou.

- Katrina... Eu... Não posso acreditar que fiz isso. Prometo nunca mais dar um tiro sequer.

- Relaxa, Magnus... Acho... Que vai ficar tudo bem.

- Como... Você veio parar aqui?

- Sua mãe...

- Não precisa terminar. – ele disse. – Eu já imagino o que aconteceu.

- Não... Você não imagina. Mas também não quero... Falar sobre isso.

- Ela costuma ir longe demais... Mas eu não vou deixar ela fazer isso com você. – ele garantiu.

- Se eu tivesse obedecido você e não pisasse na grama proibida nada disso teria acontecido. – observei.

- A grama não é proibida. Eu... Só queria ferir você... De alguma forma.

- Mas... Por quê? O que eu fiz a você, Alteza?

- Me chame de Magnus, por favor. Eu fui o homem que acabou de dar um tiro em você... Eu quase a matei.

- Eu... Não posso. Você é o príncipe. Sem regalias... Lembra?

Ele sorriu e passou a mão sobre o meu rosto, em forma de carinho. Senti meu coração bater mais forte do que já batia. Se não morresse do tiro talvez morresse de taquicardia naquela noite.

- Será que você pode esquecer isso... Pelo menos por um momento?

- Não. – confessei e depois sorri.

- Você sabe que tem regalias. Eu escolhi você para o cargo.

- Você... Que me escolheu? Mas... E Joana?

- Ela foi a escolha de minha mãe.

Eu fiquei confusa com as palavras dele.

- Por que você escolheria a dama... Da sua mãe?

- Ela pediu minha ajuda.

Pensei que talvez a rainha tivesse pedido a ajuda dele exatamente para não escolher a preferência do filho, afinal, ela não queria nenhum tipo de aproximação entre os príncipes e a criada. No entanto Joana havia sido assassinada. Então ela não havia me colocado no castelo porque queria e sim... Pela morte da outra. Teria ela descoberto depois sobre minha participação no encontro anti monarquia e então mandado matar Joana para que eu ficasse sob seus olhos? Não... Eu não era tão importante assim. Mas segundo ela, um peixe pequeno que poderia levá-la aos grandes... Deus, ela teria sido capaz de matar a própria dama de companhia? Mas ela não tinha motivos para aquilo.

- Tudo bem? – perguntou Magnus.

- Acho que... Sim. – falei tentando me levantar.

- Não... Fique assim.

- Eu... Estou com frio. – falei.

Eu estava completamente encharcada. E meu corpo tremia. De frio e dor. Ele tirou minha saia imediatamente.

- Acho melhor não... – eu disse temendo o que ele faria. – Eu não sou uma mulher que faz isso assim...

- Nem eu sou um homem que faz isso assim. – ele disse levantando e pegando uma manta quente dentro de um pequeno móvel e colocando sobre mim. – Acha mesmo que eu me aproveitaria de você desta forma?

Eu senti-me envergonhada por ter externado meus pensamentos.

Ele abriu a porta e depois fechou novamente:

- Acho que está acalmando a chuva. – observou.

Depois ele sentou ao meu lado e colocou a mão sobre a minha testa:

- Sem febre. Tirei suas roupas para ficar aquecida sem a umidade da roupa.

- Ainda sinto muito frio...

Ele deitou-se ao meu lado e colocou o corpo junto do meu, abraçando-me.

- Vou tentar aquecê-la... Mas também estou molhado.

Sentir Magnus com o corpo junto do meu foi como acender uma chama dentro de mim até então despertada somente por Dom. Pensei nele naquele momento e no quanto eu sabia pouco sobre ele. Estaria meu médico preferido trabalhando? Ou no aconchego de sua casa? Teria Dom uma família? Eu não sabia sequer de que Zona ele era. E nunca trocamos telefone. Mas Magnus estava ali, com seu corpo quente, tentando me salvar... Depois de ter me dado um tiro. O que Dom faria se soubesse que o príncipe me deu um tiro?

Olhei para Magnus. A dor estava ficando insuportável.

- Acho que está sangrando ainda. – eu disse.

- Tentei estancar o sangue. – ele disse. – Assim que parar a chuva eu irei imediatamente buscar ajuda no castelo. Acho que a bala passou de raspão.

- Obrigada...

- Por ter... Atirado em você?

Eu ri em meio a dor horrível que eu sentia:

- Você não tem jeito, alteza. Percebi desde o início que não gostava de mim. – brinquei. – Acho que isso foi planejado. Disse que queria me ferir, lembra?

Ele olhou nos meus olhos e colocou a mão sobre a minha face:

- Não desta forma... Eu nunca quis ferir você assim... Acredite em mim.

- Eu... Acredito. – falei sentindo o hálito dele quase junto do meu.

- Eu gostei muito de você... Desde que a conheci, desmaiada nos meus braços por falta de açúcar e comida. – ele riu.

- Então foi procurar no G****e.

- A primeira garota real que apareceu na minha vida.

- Como assim?

- Sem título, sem intenção de querer ser a futura princesa de Noriah... Que desmaiou de fome.

- Quem disse que eu não quero um título?

Ele novamente olhou profundamente nos meus olhos, como se querendo decifrar tudo dentro de mim e disse:

- Eu tenho certeza que você não se satisfaria com um simples título. Você quer mais que isso, Katrina Lee. Quer amor, não se importando se isso lhe trará segurança ou não. Você quer ser feliz... E mudar tudo que você acha que está errado à sua volta.

Nossos olhares tentavam desvendar tudo que tinha dentro de nós. Eu não podia negar que Magnus me abalava muito e não sabia explicar como. Eu queria saber o que ele pensava, o que ele realmente sentia, quem era aquele homem que me segurou com tanta força quando desmaiei e depois se preocupou comigo. Que dizia que eu era uma serviçal, que queria me ferir e depois se preocupava se eu estava comendo ou não para não ter uma crise de hipoglicemia quando ele tinha todo um reino para se preocupar. Eu não esperava pelo momento quando os lábios dele tocaram os meus levemente. Eu senti os lábios macios e quentes do príncipe nos meus e embora minha vontade fosse corresponder àquele beijo, eu tive medo pela primeira vez na minha vida. Não sei se foi pela dor que eu sentia, por causa de Dom que ainda estava presente nos meus pensamentos ou por medo do que eu poderia sentir. Afastei-me devagar e disse:

- Eu... Sou noiva. – Foi o que me veio à cabeça.

- Me desculpe. Eu... Também sou comprometido. Não deveria...

Ele levantou e disse:

- Vou enfrentar a chuva... Você precisa de ajuda.

- Mas...

 - Não saia daí em hipótese alguma, Katrina.

Antes que eu pudesse responder, ele saiu na chuva. Eu fiquei ali, sem saber exatamente o que pensar naquele momento. Tudo havia iniciado com minha humilhação pela rainha Anne. E terminara com um beijo no príncipe de Noriah, futuro rei. Eu não havia beijado ele de verdade por quê? O que eu realmente sentia por Dom? Por que não fora por causa de Léo. Ainda assim Magnus mexia comigo. Sentir o príncipe de forma mais íntima poderia mexer ainda mais com meus sentimentos. Eu já tinha dois homens na minha vida... Um terceiro seria definitivamente meu fim. Alegar um noivo que eu já traía era a coisa mais boba que eu já havia inventado. E havia sido assim desde o primeiro momento que meus olhos cruzaram com Magnus naquele corredor e eu achei que ele era o anjo que me levaria para o céu depois da morte. Agora eu estava ali, numa cabana de caça, tendo levado um tiro do meu antigo salvador. Magnus estava longe de ser um anjo. Ele poderia mais facilmente ser o diabo, pois me envolver com ele me traria somente problemas e bem maiores do que os que eu estava tendo naquele momento. Eu ri e pensei: e daí? Eu adoro problemas! Eu levei um tiro do príncipe, mas eu não estava triste. Pelo contrário. Eu poderia gargalhar por dentro, embora cheia de dor.  Rainha Anne Marie Chevalier, me aguarde. Estou voltando ao castelo.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Dama de Companhia   EPÍLOGO (Katnus)

    Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,

  • A Dama de Companhia   Para sempre realeza

    Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N

  • A Dama de Companhia   Capítulo 114 - Dois príncipes

    O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-

  • A Dama de Companhia   Capítulo 113 - Por que não atirou em mim?

    - Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p

  • A Dama de Companhia   Capítulo 112 - Invasão ao castelo

    Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati

  • A Dama de Companhia   Capítulo 111 - Black e Katee

    As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status