LOGIN- Alteza... – disse Domênico cumprimentando o príncipe.
Magnus, por sua vez, gentilmente ofertou sua mão ao médico, apertando-a educadamente:
- Doutor Domênico.
Eu fiquei observando-os um pouco tensa. Sabia que não havia nenhuma possibilidade de saber quem realmente era quem naquele lugar. Mas ainda assim meu coração insistia em bater descompassadamente.
- Como está, senhorita Lee? – perguntou Magnus.
- Muito melhor, Alteza. – respondi.
- A senhorita Lee insistiu na sua presença, doutor. Confesso que não entendemos muito bem, pois como deve saber temos um ótimo médico no castelo, de nossa extrema confiança. Ainda assim ela fez questão de ser examinada por você.
- Eu... Atendi o irmão na senhorita Lee há algum tempo atrás, no Hospital da E, quando ele foi atropelado. – explicou Dom. – A partir daí criamos uma certa proximidade e confiança no meu trabalho, em função do garoto.
- Que ficou bem e está se recuperando num hospital na B, com toda assistência dada pelo castelo, solicitada pessoalmente por meu irmão.
- Eu fiz a cirurgia no garoto. – disse Domênico firmemente. – Não fiz na E porque não é autorizado o uso de procedimento cirúrgico naquele hospital.
- Então temos aqui um cirurgião. – falou Magnus quase ironicamente.
- Sim, Alteza.
- Se não se importa em responder, gostaria de saber quantos anos tem, doutor Domênico.
- Alteza, realmente me importo em responder esta pergunta. É pessoal.
Olhei para os dois confusa. O que realmente estava acontecendo ali? O que a idade de Domênico tinha a ver com o fato de Magnus ter me dado um tiro? Eu queria intervir, mas realmente não sabia como. O príncipe pensou um pouco e respondeu:
- Tem todo direito, doutor. Mas deve saber que perguntei porque o acho bastante jovem para um cirurgião. Não que esteja duvidando do seu trabalho, mas temos um cirurgião bastante experiente dentro do castelo e...
- Acho que a senhorita Lee só quis ter um rosto amigo em meio a tantos desconhecidos aqui dentro. Não estou certo, senhorita Lee? – perguntou Dom me olhando interrogativamente.
- Sim? – minha resposta pareceu mais uma pergunta que uma afirmação e aquilo me deixou furiosa.
- Bem, e o doutor já a examinou? – perguntou Magnus.
- Não. – disse Dom. – Estava aguardando ela acordar. Isso aconteceu há poucos minutos antes de vossa alteza entrar no quarto.
Magnus sentou no sofá confortavelmente, cruzou as pernas e disse:
- Pois bem, pode examiná-la, doutor.
- Como quiser, Alteza.
Domenico abriu sua maleta e pegou alguns objetos de dentro. Perguntou:
- Senhorita Lee, me conte o que realmente houve. Como levou um tiro? Isso foi dentro ou fora do castelo? Como veio parar aqui na enfermaria e não num hospital?
Percebi que Magnus ficou desconfortável com o comentário. Antes que eu respondesse, ele disse:
- Eu atirei nela.
Domênico o encarou, fingindo surpresa:
- Como assim, Alteza? Atirou na dama de companhia da sua mãe? O que a senhorita Lee fez exatamente para que lhe desse um tiro? – perguntou ele ironicamente.
- Como deve saber, doutor, e enfatizo isso: não foi proposital. Katrina Lee estava na mata numa noite chuvosa. Eu estava caçando.
- Confundiu Katrina Lee com um animal? – perguntou Dom.
- Domênico Alexander Bohl... O senhor é médico ou investigador da polícia? – questionou Magnus.
Meu Deus... Eu estava muito nervosa. Domênico estava desafiando o príncipe sem nenhum medo. E Magnus simplesmente parecia querer destruir Domênico cada vez que falava.
- Eu sou somente o médico. – disse Domênico. – Mas sinceramente, espero que a senhorita Lee também receba a visita de um investigador da polícia.
Magnus levantou-se visivelmente furioso. Neste momento Dereck e Kim entraram na sala. Todos se olharam com expressões que não podiam ser identificadas nem que eu entrasse dentro da mente de cada um.
- Alteza... Doutor. – cumprimentou Kim visivelmente confuso, me olhando amedrontado.
Dereck sentou-se em uma das poltronas e Magnus sentou-se novamente, parecendo um pouco mais tranquilo com a chegada do irmão.
Kim veio rapidamente até mim e me abraçou com força, mesmo que eu estivesse deitada na cama.
- Princesa... Você está bem? Diga-me que sim...
- Estou.
Ele olhou para os príncipes e disse:
- Me desculpem, mas eu a chamo de princesa desde que ela tinha 10 anos. – explicou ele. – É só uma brincadeira.
- Sem problemas... Ela tem tudo para ser uma princesa. Afinal, não se sabe o dia de amanhã. – disse Dereck fingindo não se importar muito.
- Pois então... Ninguém sabe o futuro, não é mesmo, senhorita Lee? – disse Magnus.
Não tenho dúvidas que meu rosto ficou completamente vermelho. O que aqueles homens estavam tentando? Eu estava numa enfermaria, havia levado um tiro e brincavam como se eu não estivesse ali. O clima estava tenso. Eu não queria aquilo.
- Altezas... Kim... – eu disse gentilmente. – Eu não gostaria que o doutor me examinasse na presença de todos. Se não for pedir demais, poderiam se retirar enquanto ele faz isso? Depois não me importo que voltem e discutam meu futuro como se eu não estivesse aqui. – ironizei.
Kim ficou sem entender nada. Sabia que jamais eu lhe pediria para se retirar se não fosse extremamente importante, afinal, ele havia acabado de chegar. Magnus logo levantou-se, acompanhado de Dereck. Percebi no olhar do herdeiro do trono que ele não havia ficado nada contente com meu pedido, no entanto não contestou. Logo eles foram saindo e a porta foi fechada. Eu respirei novamente, livre de toda aquela situação.
- O que realmente está acontecendo aqui, Katrina? – perguntou Dom.
- Eu acho que não sei mais nada. Será que ele sabe que você é um líder rebelde? – questionei.
- Claro que ele não sabe. Embora tenha investigado toda minha vida antes de me chamar. Por qual motivo ele se importa com quantos anos eu tenho? Sou um bom médico e isso não faz diferença alguma. Quem ele pensa que é?
- O futuro rei de Noriah? – perguntei.
- Ele trata você como propriedade dele. Você é a dama de companhia da rainha.
- Não mais...
- Como assim?
- Vou trabalhar com os príncipes. Serei secretária deles.
- Isso em tão pouco tempo? Isso foi uma promoção, por acaso? Claro que não... O cargo mais alto é o da dama de companhia.
- Domênico, você não entende... Eu não exercia as funções do cargo. A rainha é uma pessoa horrível e...
- A rainha é horrível? – ele disse ironicamente. – O príncipe que lhe deu um tiro não é?
Eu fiquei olhando-o confusa. Depois sorri e disse:
- Você está com ciúme.
- Claro que não.
- Por que não poderia ter ciúme de mim?
- Eu não disse que não poderia ter ciúme de você. Só garanti que não estou com ciúme neste momento.
- Sim... Porque Magnus nunca se interessaria por mim. – falei cinicamente.
- Retiro o que eu disse: ou Magnus desconfia de você e sua relação com os rebeldes... Ou sim, ele está interessado em você.
- Domênico, não temos tempo para isso agora. A rainha sabe que participo do grupo anti monarquia. Magnus é uma vítima também... Desta mulher perversa.
- Magnus é uma vítima? Ele deu um tiro em você. Você é uma vítima, Katrina... Dele.
- Foi sem querer...
- Sem querer? Quem confunde uma mulher com um animal? Ele não é um bom caçador? Ao menos deveria ser... Ele tem um lugar reservado para isso.
- Domênico, eu o conheço um pouco... Magnus não atiraria em mim de propósito. Com qual objetivo ele faria isso?
- Manter você aqui, presa ao lado dele.
Eu ri:
- Você está realmente pensando isso? Eu não acredito... Você é muito inteligente para isso, doutor Domênico Alexander. Precisei levar um tiro para saber seu nome completo.
- Katrina, isso não é mais uma brincadeira. Você está em perigo aqui dentro...
- Quer que eu faça o que, Domênico? Eu preciso deste emprego... Eu preciso conhecer este lugar, estas pessoas. Meu objetivo vai muito além. Precisamos nos munir como os que tentaram atacar a rainha. Eles deram o pontapé inicial. Nós precisamos continuar.
- Como você pode pensar nisso estando numa cama depois de levar um tiro do príncipe?
- Acredite... O tiro me ajudou.
Ele balançou a cabeça incrédulo:
- Eu não estou ouvindo isso de você, Katrina.
Peguei a mão dele e apertei-a:
- Dom, me escute: eu chantageei a rainha Anne. Ameacei-a com o fato do filho ter atirado em mim.
- Meu Deus, Katrina... Diga-me que você não fez isso.
- Eu fiz. – falei orgulhosa.
- Vou levar você daqui imediatamente. – disse ele guardando tudo em sua mala preocupadamente.
Neste momento ouviu-se uma batida na porta e Dereck perguntou:
- Podemos entrar, doutor?
- Sim. – eu disse.
Dereck entrou acompanhado de Kim e Magnus.
- E então, doutor? – perguntou Magnus.
- Vou transferi-la para o hospital. – disse Domênico firmemente.
- Como assim? – perguntou Dereck. – Ela está no castelo. Tem toda assistência que precisa aqui.
- Eu não autorizo a remoção. – falou Magnus.
- Você não manda nela. – disse Domênico furioso.
- Como assim transferir? Katrina vai morrer? – perguntou Kim.
- Sim... Corre risco de morte.
- Mentira. – disse Magnus.
- Acalmem-se, senhores. – pediu Dereck. – Eu sugiro uma coisa.
Todos olharam para Dereck, que disse:
- A senhorita Lee decide se vai ou fica.
Fiquei ali olhando pasma para eles e o que estava acontecendo. Dom realmente estava disposto a me tirar dali por achar que eu corria perigo. Mas eu sabia que Magnus não havia atirado em mim de propósito. Além do mais, eu tinha a rainha nas mãos. Sair dali, naquele momento, seria uma burrice.
- Eu... Gostaria de ficar. – eu disse.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







