Início / Romance / A Dama de Companhia / Capítulo 76 - Preciso de dinheiro, Alteza

Compartilhar

Capítulo 76 - Preciso de dinheiro, Alteza

last update Data de publicação: 2021-06-28 06:23:48

Fiquei alternando em um tempo de pé, outro sentada ao lado de minha mãe, que não derramou uma lágrima sequer. Perguntei-me por que eu queria que ela chorasse? Todos ali sabiam que ela não sentia muito a perda do marido. Adolfo Lee fora um bom pai na minha opinião, mas ele havia sido alcoólatra no passado e um jogador viciado. Tinha perdido dinheiro e tudo que tínhamos e chegou ao fundo do poço quando perdeu a última coisa que tinha: a casa. Minha mãe sempre teve que cuidar dos filhos, da casa e arrumar um jeito de fazermos levar a vida sem ficarmos traumatizados com tudo que passamos e a escassez de recursos financeiros que tivemos. Por fim, descobri que ela havia sido traída da pior forma possível: meu pai teve um relacionamento fora do casamento com a esposa de seu melhor amigo, neste caso, a perversa rainha de Noriah, Anne Marie Chevalier. Eu senti nojo ao pensar no meu pai tendo relações com aquela mulher cruel. Como ele pôde? Laura Lee era uma mulher linda, forte, decidida, conduzia tudo sozinha naquela família. E eu esperava lágrimas dela no funeral? Não... Minha mãe estava sendo como ela sempre foi: realista e forte. Kevin também pouco se preocuparia com tudo. Ele talvez soubesse bem mais do que eu sobre todo o sofrimento que minha mãe passou ao longo dos anos. Cada pessoa sentiria de uma forma... Eu não podia cobrar que sentissem tanto a morte de Adolfo Lee quanto eu.

Levou algumas horas para minha casa receber inúmeros guardas de Noriah juntamente com os príncipes Magnus e Dereck Chevalier, trazendo junto deles meu irmão, Kevin.

- Boa noite, família Lee. Viemos em nome do nosso pai, rei Alfred Chevalier trazer nossas mais sinceras condolências a vocês. – disse Magnus gentilmente, me olhando.

No fim, ele havia achado uma forma de ficar comigo no momento que eu mais precisava dele. Claro que por um momento houve um burburinho das pessoas, surpresas pela presença da realeza no velório do simples Adolfo Lee. Mas no fim, quando perceberam que os príncipes realmente ficariam ali, acabaram se acostumando. Até porque ninguém ficou tanto tempo para perceber que eles passaram a noite inteira conosco. E os guardas passaram a organizar tudo para que ninguém ficasse mais tempo que o necessário.

Kevin me pegou pelo braço e disse:

- Venha comigo, Kat.

Eu o acompanhei até meu quarto. Era o único lugar que poderíamos conversar sozinhos.

- Kat, o que está acontecendo? Nossa casa está cheia de guardas do castelo por toda parte... Eu fui tirado da cadeia pelo príncipe Magnus.

- Você ouviu o que eles disseram... Estão em nome do rei.

Ele riu alto, cinicamente:

- E desde quando o rei faria tudo isso pelo homem que o traiu?

Kevin sabia a verdade. Ele esperou que eu perguntasse, mas eu não o fiz.

- Você já sabe? – ele perguntou.

- Sim... Não sei se tudo, mas um pouco. – confessei. – Por que nunca me contou?

- Por que tirá-la do seu mundo de conto de fadas, onde Adolfo Lee era o pai perfeito?

- Eu nunca disse que ele era perfeito... Só que eu o perdoava e o entendia.

- Demorou para ele fazer isso... Deveria ter dado um tiro na cabeça há muito tempo atrás.

- Não fale isso. – eu gritei, sem me importar com que os outros ouvissem. Meu pai estava morto e eu não deixaria Kevin dizer aquilo.

Ele me olhou surpreso com minha atitude. Pensou um pouco e disse:

- Aposto que ele usou a arma que ganhou do rei.

- Como assim?

- Então você não sabe que ele ganhou uma arma de prata feita especialmente para ele do rei Alfred? Isso quando salvou a vida dele, claro. Porque se o rei soubesse o que ele faria depois, jamais teria perdido seu tempo presenteando quem nunca mereceu.

Ouvimos uma batida na porta e Kevin abriu. Era Magnus.

- Está tudo bem aí? – ele perguntou me olhando.

- Sim, Alteza. – disse Kevin dando espaço para que o príncipe entrasse.

Magnus entrou e disse:

- Acho que você não deve importunar sua irmã... Ela já está sofrendo bastante.

Kevin riu:

- Eu sabia que não era condolências do rei... Vocês estão tendo um caso? – perguntou ele ironicamente.

- Não... Kevin, pare, por favor. – eu pedi.

- Não temos que lhe dar satisfações, Kevin. – disse Magnus. – Você não está em posição de exigir nada de Katrina.

- De Katrina não... Mas de vossa Alteza, sim.

Olhamos para ele confusos. Kevin continuou:

- Preciso de dinheiro, Alteza. Não posso mais viver nesta vida miserável que vivo.

- Do que você está falando? – perguntei.

- Eu quero dinheiro... Ou vou contar a todo mundo que o príncipe Magnus e minha irmãzinha vivem um amor proibido. Ou acha mesmo que eu não percebi isso no momento que o vi na prisão, destinado a me libertar?

Eu fiquei sem palavras. Magnus não pareceu muito impressionado com as coisas horríveis que Kevin dizia.

- Quem acreditaria em você? – ele perguntou. – Não me parece uma pessoa verossímil.

- Vossa Alteza pode pagar para ver. – desafiou ele.

- Kevin, você não tem o direito de fazer isso comigo... No dia da morte do nosso pai. O príncipe Magnus tirou você da cadeia há horas atrás... E agora você tenta chantageá-lo? – eu senti as lágrimas aflorarem novamente. – O que está acontecendo com você?

- A vida me deixou assim... Para pessoas como nós, nada é fácil, Kat. E você sabe disso. Precisamos aproveitar as oportunidades. No seu caso, como nunca casará com o príncipe, receberá uma boa fortuna ao ser sua amante.

- Quanto você quer para sair daqui agora mesmo? – perguntou Magnus.

- Não... Você não pode pagá-lo por isso... – eu pedi.

- Quanto? – falou Magnus sem me dar atenção.

- O suficiente para eu viver bem sem precisar recorrer à minha irmã ou a você quando precisar.

Magnus foi até a porta e chamou Dereck. O espaço no meu quarto era muito pequeno para todos nós, especialmente com aquele clima horrível que estava. Era como se uma nuvem negra estivesse ali dentro, jogando raios sobre mim, incessantemente.

- Dereck, providencie o maior valor que conseguir diretamente na conta de Kevin Lee. – disse Magnus.

- Você não precisa fazer isso... – eu disse num fio de voz.

- Por que eu faria isso? – perguntou Dereck. – O que está acontecendo aqui?

- Estamos pagando pelo silêncio de Kevin. – explicou Magnus. – E para que tenha uma vida digna, se é que ele consegue.

Dereck não contestou. Antes que Kevin saísse pela porta, disse:

- Irônico, não? Poderíamos até ser irmãos... Afinal, sua mãe dormiu com meu pai. Isso também vale um bom dinheiro. Mas é assunto para outra hora. – ele disse piscando e saindo com Dereck.

Magnus olhou para mim e disse:

- Do que ele está falando?

- Você... Não sabia disto? – perguntei surpresa.

- Você... Sabia?

- Sim...

- Como você sabia?

- Dereck me contou.

- Dereck sabia que nossa mãe teve um caso com seu pai e nunca me contou?

- Magnus... Eu não pensei que você não soubesse. Eu mesma fiquei sabendo há pouco tempo atrás.

- Mas Dereck tinha que ter me contado. Isso pode... Ser mentira.

- Não é mentira. Sua mãe me confirmou.

Quando ele me olhou eu percebi que passavam mil coisas na cabeça dele, assim como na minha quando eu soube da verdade.

- Magnus, eu não sei muito... Só isso também. Você terá que ver com Dereck como ele soube.

Dizendo isso eu saí. Eu não queria mais falar sobre nada. Eu estava cansada, confusa e minha cabeça começava a doer. Quando cheguei na sala, todos os olhares estavam atentos sobre mim. E eu sabia o motivo. O que Katrina Lee estava fazendo trancada no quarto com Kevin e o príncipe Magnus? Eu dei de ombros. Abracei minha mãe e fiquei ali, deitada no ombro dela, com meus olhos fechados.

Amanheceu e o corpo foi levado para ser enterrado. Neste momento, íntimo da família, estava somente eu, minha mãe, Leon, Kim, Magnus e Dereck. Eles permaneceram ao nosso lado o tempo todo, não nos deixando faltar nada, principalmente apoio emocional.

A despedida foi breve e em pouco tempo meu pai estava embaixo da terra. E eu nunca mais o veria. Minha mãe me deu um abraço e se foi, levando Leon. Kim alisou minhas costas e disse:

- Você vai superar, princesa... Como sempre. – disse ele saindo também.

- Vai ficar tudo bem. – disse Dereck me dando um abraço carinhoso.

Magnus ficou ao meu lado, quando todos se foram. Senti a mão dele tocar de leve na minha. Não podíamos nos tocar ali, mas eu sentia a presença dele junto de mim, assim como o calor do seu dedo na minha pele.

- Obrigada... – eu disse. – Por tudo.

- Eu sempre vou estar com você, Katrina.

Saímos dali, lado a lado. Não precisávamos nos tocar. Eu sentia o coração dele batendo no mesmo ritmo do meu. Magnus era o amor da minha vida. E ele prometia que estaria sempre comigo. Eu acreditava nele... Afinal, ele era o meu príncipe.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Dama de Companhia   EPÍLOGO (Katnus)

    Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,

  • A Dama de Companhia   Para sempre realeza

    Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N

  • A Dama de Companhia   Capítulo 114 - Dois príncipes

    O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-

  • A Dama de Companhia   Capítulo 113 - Por que não atirou em mim?

    - Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p

  • A Dama de Companhia   Capítulo 112 - Invasão ao castelo

    Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati

  • A Dama de Companhia   Capítulo 111 - Black e Katee

    As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status