INICIAR SESIÓNEu não sabia se velava o corpo do meu pai ou ia até a Zona K tentar saber o que estava acontecendo com Kevin e o motivo de ele estar preso. Eu sabia que Kevin não se preocuparia com a morte de meu pai. Não tinha certeza se ele quereria ir ao enterro... Mas eu precisava encontrá-lo e ajudá-lo. Ele era meu irmão.
Olhei para Dereck:
- Alteza, será que eu posso usar seu carro novamente? – perguntei. – Não querendo abusar da sua generosidade.
- Para onde você vai, Kat? Zona K? – perguntou Kim.
- Sim.
- Eu vou com você. – disse Dereck.
- Não... Você não vai. – falou Kim seriamente. – Não posso deixar você fazer isso.
Os dois se olharam e pareciam que se entendiam daquela forma. Acho que eu não sabia exatamente tudo que estava se passando entre os dois.
- Eu fico com Laura Lee. – disse Dereck. – Cuido de tudo aqui enquanto vocês tentam encontrá-lo.
- Então você pode me dar sorvete de morango? – pediu Leon.
- Tanto quanto você conseguir comer. – disse Dereck indo para a geladeira e providenciando o sorvete para Leon.
Eu e Kim saímos e entramos no carro. Eu disse:
- Como eu queria que tudo passasse com sorvete de morango. – falei tristemente.
- Vai passar, princesa. Eu prometo que não sentirá esse vazio para sempre.
O carro deu partida e eu disse:
- Para a Zona K.
- Tem certeza, senhorita Lee?
- Sim... – eu confirmei.
Aquele carro de Dereck não tinha brasão real. Era o carro que ele usava para se divertir e fingir ser outra pessoa pelo reino de Noriah.
- Desde quando Dereck obedece você? – perguntei.
- Ele não me obedece... – negou Kim.
- Bastou você falar uma vez para ele não vir.
- Kat, você imagina nós chegando com o príncipe Dereck na Zona K? Ele seria esfolado vivo.
- Eu sei... Mas o que exatamente há entre vocês?
- Eu... Não sei.
- Você sabe que isso será um problema, não é mesmo?
- Claro que eu sei. Mas eu vou arriscar. – disse ele.
- Kim, eu não quero que você sofra.
- Eu lhe digo o mesmo... E sei que não adianta.
Eu olhei para ele e sorri. Eu sabia exatamente do que ele falava. Deitei minha cabeça no ombro dele e disse:
- Viva intensamente este amor. Dereck é um dos homens mais gentis e especiais que eu já conheci. Vocês são perfeitos um para o outro.
- Eu sei... – falou ele fazendo carinho no meu cabelo.
Demoramos quase uma hora para chegar na Zona K. Fiquei preocupada porque já estava no final da tarde. Não queria anoitecer naquele lugar.
- Senhorita Lee... Para onde vamos?
- Existe uma prisão aqui? – perguntei.
- Eu... Não faço ideia. – disse o motorista de Dereck.
- Precisamos perguntar.
- Tentou ligar para Kevin? – perguntou Kim.
- Claro que sim... O telefone dele não está sequer chamando.
O motorista foi perguntando em cada lugar que passávamos onde ficava a prisão da Zona K. Os olhares eram desconfiados e por vezes não ganhávamos nenhuma resposta. A Zona K era diferente do que eu imaginava. Era muito pior. As ruas eram pequenas e sem espaço para mais de um carro. Pessoas andavam por todos os lugares, inclusive pelo meio da rua. Prostitutas se aglomeravam em todas as esquinas e a venda de drogas não parecia ilegal por ali. Naquele lugar estavam as pessoas esquecidas de Noriah, que não tinham tido oportunidades e que foram banidas de suas Zonas. E meu irmão estava ali. Kevin não era uma pessoa abandonada pela família. Pelo contrário, ele era o amor da vida da minha mãe. Ele sempre teve tudo... E ainda assim nunca esteve satisfeito. Sempre me pareceu que ele gostava daquela vida que vivia: desonesta, perigosa e ilegal.
Quando estacionamos em frente ao lugar horrível que chamavam de prisão, pensei no quanto meu pai ficaria triste se soubesse que seu filho estava naquele lugar. Ou no quanto ele se culparia por aquilo.
- Senhorita Lee... A senhora tem certeza de que vai descer aqui? – perguntou o motorista.
- Tenho. – eu disse saindo do carro.
Eu e Kim entramos na delegacia e prisão da Zona K. Havia alguns bancos para sentar e uma mesa grande com um policial sentado. Atrás dele uma porta com grade, guardada por dois policiais.
- Eu... Gostaria de saber se meu irmão está preso aqui. – falei.
- Quem é seu irmão? – ele perguntou sem olhar para mim.
- Kevin Lee. – eu disse.
Ele olhou alguns papéis e disse, ainda sem me olhar:
- Não há ninguém com este homem aqui.
- Há como você saber onde ele está?
- Não. – ele disse.
Virei-me e olhei para Kim:
- Ele não está aqui. O que vamos fazer?
- Acho que o policial poderia dizer onde ele está... Deve haver um sistema único com nomes nas prisões do Noriah, não? – falou Kim alto para ser ouvido.
- Não... Não há, senhor... Ou seria senhorita? – ele disse olhando para Kim ironicamente.
Kim deu um passo em direção a ele e eu disse:
- Não! Não precisamos de mais problemas. Vamos embora.
Enquanto saíamos fomos seguidos por uma mulher. Fiquei com medo dela.
- Kim, acho que estamos sendo seguidos.
- Também acho. – ele disse em voz baixa, segurando minha mão com força.
Estávamos entrando no carro quando ela disse:
- Você procura Kevin?
- Sim... – eu disse olhando para a garota magra e pálida na minha frente. – Você o conhece?
- Sim... Kevin foi enviado para a Zona J.
- Como você sabe?
- Eu... Trabalho com ele. – confessou ela.
- Estou falando de Kevin Lee. – eu disse.
- Eu sei... Você deve ser a irmã dele. Vocês têm os olhos da mesma cor. – observou ela.
- Obrigada... Sabe me dizer por que Kevin foi preso?
- Ele roubou do nosso chefe.
- E... Foi preso por isso?
- Claro que não... Armaram para ele.
- Mas... A polícia não investigou? Como puderam prendê-lo se ele não havia feito nada?
- Aqui não existem inocentes, moça... Muito menos culpados.
Eu não entendi. Queria fazer mais perguntas, mas Kim disse:
- Obrigada... Vamos procurar Kevin.
Ele me puxou para dentro do carro e disse ao motorista:
- Vamos, por favor.
- Mas... Ela sabia mais.
- Kat, está anoitecendo. Não podemos ficar aqui.
Realmente. Indo em direção à prisão da Zona J nos perdemos e a noite chegou. Kim decidiu:
- Não vamos procurar Kevin. Precisamos ir para sua casa, Kat. Seu pai será velado e enterrado e você precisa estar lá.
Eu detestava admitir que Kim estava certo, mas ele estava. Entre ficar os últimos minutos com o corpo de meu pai ou procurar Kevin por algum lugar de Noriah, eu preferia a primeira opção.
Quando chegamos em casa a noite já havia chegado. Ela era escura, abafada e triste. O caixão com o corpo de Adolfo Lee estava na sala, onde várias pessoas já se apertavam para se despedir do velho Lee, que encheu salas de jogos de todas as zonas com todo dinheiro que tinha. Apesar de tudo, meu pai era um homem popular, muito conhecido na Zona E e em outras zonas também. Por isso muitas pessoas haviam ido dar adeus.
- Eu... Vou trocar de roupa. – avisei minha mãe.
- Kat... – minha mãe chamou, mas eu não dei ouvidos.
Quando abri a porta do meu quarto, Magnus estava lá. Eu fiquei surpresa e confusa e fechei-a imediatamente.
- O... O que você está fazendo aqui?
- Por que não me avisaram? – ele perguntou.
- Porque você estava muito ocupado, Alteza.
- Eu nunca estou ocupado para você, Katrina.
- Não é o que parece. – falei ironicamente. – Pelo que sei você estava numa missão muito nobre: compras com sua noiva.
- Katrina, não é hora para você me punir. Eu quero estar ao seu lado.
- Eu não preciso do que sobra de você, Magnus.
- Você está sendo muito rude comigo.
- Eu estou sendo rude? – falei deixando as lágrimas escorrerem pelos meus olhos.
Ele tentou me abraçar, mas eu me afastei:
- Não quero que me toque. Você é comprometido. E estará oficialmente noivo de Vitória Grimaldo em alguns dias.
- Acha mesmo que é hora de conversarmos sobre isso?
Ele veio até mim novamente e eu me afastei, me recostando na porta. Não havia espaço suficiente para eu ficar longe dele no meu minúsculo quarto. Ele me abraçou, mesmo eu tentando impedir ele de me tocar. Por fim, desisti e aceitei o abraço dele, afundando minha cabeça no seu peito e chorando sem parar.
- Eu estou aqui... – ele disse. – Eu sempre vou estar com você.
- Não minta para mim, Magnus.
Ele levantou minha cabeça e fez-me olhar nos olhos dele:
- Eu não estou mentindo. – ele disse em tom baixo e meigo.
Ficamos ali, por um longo tempo, até que desisti de resistir e o abracei. Eu só queria sentir que estava protegida de alguma forma, mesmo sabendo que não estava tudo bem. Não sei se estaria tudo bem novamente. Meu pai não existia mais e meu coração estava quebrado.
- Preciso me trocar. – eu disse.
- Eu não vou sair daqui. Não posso ir para outro cômodo.
- Como... Você entrou aqui?
- Logo depois que você saiu. Quando as pessoas começaram a chegar sua mãe me mandou vir para cá. Não quero que me vejam aqui. Isso seria...
- Impossível de explicar. – eu admiti. – Onde está Dereck?
- Me esperando no carro. Vamos buscar seu irmão.
- Mas... Não sabemos ao certo onde ele está.
- Você não deveria sair daqui para a Zona K. Dereck foi imprudente. Eu já sei onde Kevin Lee está.
- Magnus, você vai trazer meu irmão?
- Sim... Eu prometo que ele estará aqui, como você tanto quer.
- Obrigada.
Eu me despi e coloquei um vestido preto para o velório. Seria uma noite longa. Coloquei um sapato e prendi meus cabelos num coque.
- Você... Está linda.
- Magnus... Não...
Ele me abraçou e disse:
- Em breve volto com seu irmão.
Eu saí e fui para perto de minha mãe e Leon. Eu não conhecia quase nenhuma daquelas pessoas. Leon precisava mesmo passar por aquilo tudo? Não sei se ele sabia exatamente o que estava acontecendo. Como que adivinhando meus pensamentos, Kim pegou Leon e saiu com ele dali. Enquanto eu e minha mãe recepcionávamos as pessoas, fiquei pensando no quanto aquilo tudo era horrível. Eu não veria meu pai novamente. Não sentiria sua pele na minha, seu afago carinhoso, sua risada gostosa, seu sorriso tímido... Adolfo Lee não existia mais. A partir daquele momento, ele era só lembrança.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







