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Capítulo 80 - Você não presta, Dereck Chevalier

last update Fecha de publicación: 2021-06-28 06:26:34

- Como saímos daqui? – perguntei.

- Não precisamos sair se você não quiser. – ele deu de ombros.

- Onde estamos?

- No meu quarto.

Só então fui prestar atenção no enorme quarto em que estávamos.

- Por que não fomos até a cama então? – perguntei.

- Não daria tempo de chegar até lá. – ele brincou, ainda me olhando cheio de desejo. – Mas podemos usar agora se você quiser.

- Não... Precisamos voltar. – eu disse firme.

- Por que saiu de lá daquele jeito?

- Achei... Que você ficaria bravo.

Magnus me pegou nos braços e me colocou gentilmente sobre a sua cama. Deitou ao meu lado e me olhou nos olhos, dizendo:

- Por que achou que eu poderia ficar bravo com você?

- Pelo que eu fiz na frente de Vitória.

- Você me deu os melhores presentes de toda minha vida e ainda acha que eu poderia ficar bravo com você? Creio que não me conhece, senhorita Lee. – ele disse beijando a ponta do meu nariz.

- Às vezes também acho que não. – confessei.

- E eu também não a conheço tanto quanto pensava... Uma tatuagem para mim? Duvido que você possa me surpreender ainda mais que nestes últimos dias.

- Não me desafie, Magnus Chevalier.

Ele sorriu e me beijou novamente, passeando as mãos sobre o meu corpo. Eu o afastei e disse:

- Precisamos voltar, Magnus.

- Por que a pressa?

- Vitória... – Eu o lembrei.

- Ok, vamos voltar. – ele disse a contragosto. – Mas eu gostaria de agradecer pelo presente. Jamais imaginei que você pudesse fazer isso.

- Queria lhe dar algo especial.

- Eu já ganhei o que existe de mais especial, que é você, Katrina Lee.

Eu poderia dizer que o amava e o amaria para sempre naquele momento. Mas não consegui. Não queria jogar todos os meus sentimentos de amor sobre ele sem saber o que ele sentia por mim. De alguma forma eu sentia que ele gostava de mim... Mas não tinha certeza se ele sentia o mesmo que eu: amor... Um sentimento que eu nunca tinha visto igual.

Nos encaminhávamos para a porta e lembrei do que fizemos escorados nela e senti meu corpo arder de desejo novamente. Antes que ele tocasse na porta para abri-la, eu parei na frente dele e disse, sentindo meu coração bater descompassadamente:

- Não assuma o compromisso com ela... Por favor.

Ele me envolveu com força em seus braços e disse, olhando nos meus olhos:

- Por quê?

- Por... Mim... Por nós.

- Eu não teria coragem de me envolver com qualquer outra mulher a não ser você, Katrina Lee. – ele disse me beijando novamente.

Eu sabia que tinha que sair daquele quarto imediatamente. Corríamos perigo ali, podendo ser pegos a qualquer momento. Mas minha vontade era de ficar ali para sempre, sem fazer mais nada a minha vida toda. Magnus era tudo que eu queria... Para todo o sempre. E por isso eu havia decidido que ele seria a minha primeira tatuagem. Eu esperava que aquela resposta significasse que ele não ficaria noivo dela no sábado.

Magnus colocou a cabeça para fora da porta e disse:

- Não tem ninguém no corredor. Pode sair. Eu vou depois.

Eu saí e andei vagarosamente pelo corredor, como se nada tivesse acontecido. Encaminhei-me ao escritório. Vitória não estava lá. Quando sentei, Dereck falou sorrindo ironicamente.

- Aposto que você foi punida por sua leviandade.

- Seria feliz em sua aposta, Alteza. – falei piscando o olho.

- Eu nunca conheci alguém mais louca que você, Katrina Lee.

- Eu gostaria de entender o que está acontecendo. – disse Sofia.

- Bem, a tatuagem foi para Magnus. – eu expliquei. – Mais que isso não posso contar.

- Você fez uma tatuagem para dar de aniversário ao príncipe Magnus? – perguntou ela confusa e tentando montar o quebra-cabeça.

- Sim... Ela fez uma tatuagem para Magnus. – disse Dereck divertidamente. – E o pior, ela mostrou na frente da noiva dele. Acho que oficialmente você será anunciada como a nova namorada do príncipe Magnus Chevalier, senhorita Katrina Lee, da Zona E. E isso será muito em breve.

- Assim espero, Alteza... – admiti. – E que seja para sempre.

- Como você tatuou.

- Como eu tatuei. – concordei. – Feliz com o resultado?

- Muito... – admitiu ele. – Tudo exatamente como o planejado. Mas muito mais intenso do que eu pensei.

Eu ri:

- Você não presta, Dereck Chevalier.

- Vou aceitar como um elogio. – ele disse piscando o olho.

Magnus logo entrou na sala e sentou em seu lugar.

- Onde foi parar sua noiva, Alteza? – perguntei curiosa.

- Eu... Não sei. – ele disse dando de ombros e voltando sua atenção aos papéis de sua mesa.

Tentei ficar atenta ao meu trabalho, mas duvido que eu conseguiria. Minha mente e meu corpo só conseguiam pensar e sentir Magnus Chevalier. Eu sentia o cheiro dele impregnado em mim e aquilo me deixava extremamente excitada. Peguei um papel em branco e escrevi, tentando desenhar minha letra tão perfeita quanto a dele:

“Alteza, exijo sua presença no meu quarto esta noite. Creio que eu possa ter esquecido de mais uns detalhes do seu presente real.

Para sempre sua”

K.L

Dobrei, coloquei sobre uma pilha de papéis e entreguei na mesa dele:

 - Alteza, defina como serão encaminhados estes memorandos, por favor.

Ele levantou os olhos confuso para mim e começou a mexer nos papéis. Vi quando ele achou o bilhete e me olhou. Ele sorriu e piscou o olho, entendendo exatamente do que eu falava.

- Sofia, acho que esqueci de algumas coisas na sala de Lana. Poderia me acompanhar até lá e me ajudar a trazer? – disse Dereck de repente, levantando.

Olhamos para ele, que certamente sabia muito bem o que estava fazendo.

- Sei exatamente o que é sobrar num lugar. – ele disse.

Mas antes que Dereck e Sofia se encaminhassem para a porta e eu e Magnus começássemos nosso momento particular de sensualidade e luxúria, com o fetiche na sala do chefe, Lana abriu a porta trazendo a rainha Anne Marie Chevalier e Vitória Grimaldo com ela.

Eu e Sofia levantamos, nos curvando diante da rainha que nem olhou para nós.

- Querido, vim ver o presente que Vitória lhe deu.

Magnus mostrou a gargantilha, que a rainha analisou cuidadosamente:

- Lindo e digno do futuro rei de Noriah, Vitória. E eu não esperava menos de você, querida.

- Que bom não a decepcionei, Majestade. – disse Vitória.

- Nunca, querida Vitória. Você nunca me decepciona. Você nasceu para fazer parte da nossa família.

Vitória sorriu satisfeita ao arrancar elogios da rainha.

- Iria a algum lugar, Dereck? – perguntou ela olhando para o filho e Sofia.

- Não mais. – disse Dereck sentando-se novamente e fazendo sinal para Sofia fazer o mesmo.

- Bem, estamos todos ansiosos pela festa. – disse Anne. – E conversei muito com Vitória sobre isso. – ela olhou para mim e falou: - E eu gostaria de parabenizá-la, senhorita Lee, pelo belo trabalho que você realizou. Ainda estou colhendo elogios pelos alimentos arrecadados que acabei permitindo.

- Obrigada, Majestade. – eu disse ainda sem sentar-me.

- E como forma de agradecimento ao seu trabalho, junto de Sofia, eu e Vitória decidimos agraciá-las com o posto de recepcionistas no dia do evento.

- Nada poderia me deixar mais feliz, Majestade. – eu disse me curvando ironicamente. – Fico muito agradecida.

- Eu também. Agradeço o reconhecimento, Majestade. – disse Sofia gentilmente, com os olhos iluminados de alegria e satisfação.

- Katrina Lee participará da festa como convidada. – disse Magnus.

A rainha o olhou com ar de reprovação e depois de um tempo pensativa, disse:

- Desde quando empregados participam de festas neste castelo a não ser no lugar que realmente lhes é de função?

- Desde que a senhorita Lee passou a trabalhar conosco cresceu imensamente nossa aproximação com o povo. Ela teve a ideia dos donativos e todos ficaram satisfeitos por hora, diminuindo as rebeliões dos insatisfeitos, bem como notícias ruins sobre a forma de governar da rainha. O mínimo que podemos fazer é chamá-la para participar da festa como convidada.

- Isso está fora de cogitação.

- Concordo com sua mãe, querido. Isso não seria nada bom perante os outros empregados. O que falariam?

- Quem se importa com o que os outros vão falar? – disse Dereck. – Katrina organizou toda a festa.

- E desde quando os organizadores de nossas festas reais participaram das mesmas até hoje? A não ser que haja algum motivo especial que eu não esteja sabendo... Seria isso? Querem me dizer qual seria?

- Majestade, está tudo bem. Sinto-me lisonjeada com a função na recepção. Agradeço a preocupação de vossas Altezas e o reconhecimento pelo meu trabalho, mas sinceramente, não me sentiria nenhum pouco à vontade participando da festa.

- Enfim, alguém sensato nesta sala. – disse Vitória revirando os olhos em sinal de tédio. – Conversa encerrada. A senhorita Lee já disse que não quer participar da festa e eu a entendo muito bem. Ela é só uma criada. E sabe seu lugar.

- Ela não é só uma criada. – disse Magnus.

- Não? O que ela é então? – perguntou a rainha desafiadoramente.

Olhei para Magnus implorando que ele não continuasse aquela conversa. Eu sabia que aquele não era o momento daquela discussão. Não estávamos preparados para a ira da rainha ainda. Eu nem tenho certeza se algum dia estaria. Eu tremia de medo com a presença dela no mesmo lugar que eu.

- Estimamos muito Katrina Lee, minha mãe. – disse Dereck tentando consertar. – Ela é como uma... Irmã para nós.

A rainha ficou estranhamente distante com as palavras de Dereck e demorou um tempo para responder:

- Ok, Katrina Lee e Sofia na recepção no sábado. Durante toda a festa. Usar os trajes diários.

- Sim, Alteza. – eu concordei.

- Sim... – disse Sofia quase sem voz.

A rainha Anne saiu. Vitória permaneceu ali um tempo, tentando puxar conversa, mas acabou desistindo com as respostas monossílabas de Magnus. Quando ela saiu, parece que um vendaval havia ido embora da nossa sala.

Eu não estava muito abalada. Realmente eu não esperava participar da festa, desde o início. Eu só queria que ela não acontecesse. Participar do noivado de Magnus seria uma das coisas mais doloridas que poderia acontecer na minha vida.

- Vamos pegar os papéis? – disse Sofia levantando.

- Que papéis? – disse Dereck.

- Na sala de Lana Davis?

- Do que você está falando? – perguntou Dereck confuso.

- Não precisamos mais dos papéis, Sofia. – eu expliquei. – Exceto um pequeno papel que continua de pé. – eu disse piscando o olho e sorrindo.

Que pegasse fogo no castelo na hora da festa. Eu estaria do lado de fora... E garantiria para que Magnus e Dereck também estivessem.

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