FAZER LOGINEu não acordei na manhã seguinte, pois sequer dormi. Magnus deixou meu quarto quando o dia já estava amanhecendo. E eu tinha esperanças, do fundo do meu coração, de que fosse assim todas as noites. Tomei o café da manhã e fui para o escritório dos príncipes. Fui a primeira a chegar.
Não demorou muito para Dereck e Sofia chegarem. Magnus chegou por último, deixando um pequeno bilhete na minha mesa, que guardei para abrir depois. Não queríamos levantar suspeitas, embora eu tivesse quase certeza de que Dereck sabia tudo que se passava sempre.
Eu não havia preservado minha virgindade por nenhum motivo especial e sim porque não havia surgido nenhum homem que me merecesse até então. É claro que eu planejava amá-lo, mas não necessariamente tinha que ser assim. Inicialmente, quando conheci Dom, eu imaginei que ele fosse a pessoa que me levaria a perder a virgindade. A química que tínhamos era simplesmente perfeita. E eu estaria mentindo se dissesse que ainda não o desejava. Mas ironicamente Magnus (ou seria Black?) conseguiu impedir todos os momentos que se aproximavam da consumação do ato com Dom. Eu não havia planejado que seria com o príncipe de Noriah. Mas quando eu o vi pela primeira vez, eu senti algo que me tocou. Ele era lindo e o sonho de qualquer mulher... Mas a maneira como ele flertava comigo, os beijos roubados, os bilhetes fofos, tudo foi me conquistando até o ponto de eu querer ficar junto dele a minha vida inteira. Então passou de ser físico para também emocional. Eu precisava de Magnus de todas as formas que uma mulher precisava de um homem. A noite que passei com ele foi perfeita. E eu me entreguei de corpo e alma. E não estava arrependida. E sinceramente, duvido que Dom pudesse me proporcionar as sensações que Magnus me fez sentir. E eu tive a certeza de que ele merecia o presente que eu lhe daria de aniversário: único e sem igual.
Por sorte precisei sair para resolver algumas coisas fora do castelo. Assim que entrei no carro, abri o bilhete:
“Foi a noite perfeita, com a mulher perfeita. E quero repeti-la muitas e muitas vezes. Foi o melhor presente que eu poderia ter ganhado.” M.C.
Eu ri. Mal sabia ele que aquele não era o presente. Eu estava providenciando o presente naquele momento, enquanto saía para resolver algumas coisas na zona A, relativo à festa.
Depois de tudo resolvido retornei para o castelo. A festa estava toda organizada e seria no próximo sábado. Eu torcia de alguma forma para que ela não acontecesse da forma tão perfeita como eu planejei. Que Vitória se acidentasse, eu nem queria que ela morresse, pois eu não era uma pessoa tão má. Ou o castelo poderia ser invadido por rebeldes no dia da festa. Quem sabe o castelo poderia pegar fogo? Ou... Do fundo do meu coração, eu esperava que Magnus dissesse “não” ao noivado.
Quando voltei os príncipes não estavam mais lá. Segundo Sofia, haviam ido reunir-se com a rainha.
Naquela noite, esperei Magnus, mas ele não apareceu. Eu não sabia como seria de agora em diante. Ele havia escrito que gostou e queria repetir então eu achava que o veria todas as noites. Mas não...
Na manhã seguinte cheguei ao escritório de mau humor. Talvez devido à isso me atrasei um pouco, pois todos já estavam lá.
- Bom dia. – cumprimentei sem olhar para meus colegas-chefes.
- Poucos dias para a festa. – observou Sofia. – E vai ser tudo perfeito.
Ela parecia orgulhosa do nosso trabalho.
- A própria rainha me disse que vai ser espetacular.
- A rainha falou com você? – perguntei. – Quando?
- Ontem à tarde... Quando você saiu.
Guardei os papéis sobre a mesa, empilhando-os num canto, com força, na certeza de estar sendo observada pelos dois príncipes.
- Iremos ficar na recepção, Kat. – disse Sofia feliz.
Eu ri ironicamente. Claro que eu não esperava participar da festa. Mas ficar na recepção eu também não queria. Além do mais, era minha semana de folga.
- Como faremos? É minha folga quinzenal. – contestei, olhando para Dereck.
- Se resolva com ele. – disse Dereck olhando para Magnus.
Nossos olhos se encontraram. Observei que ele estava ainda mais lindo naquele dia.
- Prometo lhe dar os dias dobrados na próxima semana. Mas quero você na festa.
- Na recepção, você quer dizer. – falei cinicamente.
- Na festa. – ele repetiu.
Antes que eu pudesse falar, Vitória adentrou novamente no escritório. Receberíamos a visita diária dela agora? Eu suspirei, resignada.
- Magnus, meu amor... Eu disse que viria junto com seu presente...
Hoje ela vestia um conjunto branco de calça e top. Os cabelos estavam soltos e o batom vibrante. Ele sequer havia tirado os óculos escuros. Olhou para nós com ar de superioridade e escorou-se sobre a mesa dele, lhe entregando uma sacola pequena com um enorme laço vermelho.
- Vitória, eu disse que não precisava se incomodar com isso.
- Querido... Não seja assim. Em breve seremos marido e mulher e claro que eu daria um presente caríssimo para você. Afinal, são seus 27 anos. Espere presentes do mesmo nível nos seus aniversários... Para sempre.
Para sempre... Ironicamente a palavra que eu havia usado para me entregar à ele... Eu não pude evitar de sorrir tristemente e balançar minha cabeça. Como eu era tola...
Magnus tirou da sacola a caixa de veludo que provavelmente envolvia uma joia cara, sob os olhares de todos nós. Vi que os olhos de Sofia brilhavam de curiosidade.
- Vamos, abra logo. – ela mandou, nos olhando com desdém.
Ele abriu e tirou de dentro da caixa uma gargantilha com um pingente em forma de coroa com algumas pedras, que provavelmente eram preciosas e com a letra inicial M gravada.
- É... Bonito. – ele disse sem jeito. – Mas não precisa se preocupar com isso.
- Ouro e rubis. Pedi o que havia de mais lindo e caro. Duvido que seu presente supere o meu, Dereck. – ela desafiou.
- Acho que ninguém supera você, Vitória. – ele disse balançando a cabeça e voltando os olhos para seus papéis, desinteressado.
- Falta dois dias, garotas. Já compraram o presente de Magnus?
Perguntei-me por que ela estava nos pressionando tanto com relação ao presente. Unicamente para nos humilhar?
- Eu... Vou comprar assim que puder sair do castelo. – disse Sofia acuada.
- E você, Lee? – ela perguntou me olhando altivamente.
- Eu... Já providenciei... – confessei. – Mas gostaria de dar ao príncipe num momento em que não tivesse tantas pessoas junto... Eu me sentiria um pouco... Envergonhada.
Agora sim todos os olhares estavam sobre mim. E Dereck inclusive largou sua caneta, cruzando os braços, parece que percebendo que eu não deixaria barato hoje.
- Ora... Quem se importa? Eu acho que todos aqui estão curiosos... Não era essa sua intenção? – disse ela.
- Eu... Só mostro se vossa Alteza permitir. – falei olhando para Magnus, fingindo inocência.
- Eu... Estou curioso, senhorita Lee. – ele disse sorrindo de forma estranha.
Eu levantei minha blusa, baixei parte da saia e mostrei a tatuagem recém-feita poucos centímetros acima da vagina, na parte pélvica, escrito: “Black para sempre”.
Dereck começou a gargalhar. Sofia ficou olhando sem entender nada. Magnus ficou sem dizer uma palavra, mas espero que tenha gostado. Quanto à Vitória, olhou sem entender nada.
Sem nenhuma reação, levantei minha saia novamente, baixei minha blusa e me dirigi à porta, na certeza de que eu teria grandes problemas.
- O que é Black? – falou Vitória. – O namorado dela? O que isso tem a ver com seu presente? – ela se perguntou confusa.
Eu saí e fechei a porta e estava indo para meu quarto quando fui empurrada para dentro de outra porta. Eu não precisava ver... Eu sentia Magnus com seu corpo junto do meu, me empurrando contra a porta fechada, já do lado de dentro.
- Como... Você está aqui? – perguntei confusa.
- Eu vou estar aqui para sempre. – ele disse me beijando ardentemente.
Eu correspondi ao beijo. Eu esperei a noite inteira por ele e suas carícias. E ele havia deixado Vitória e estava ali, comigo. Eu não sabia como ele havia feito aquilo, mas levou alguns minutos para estarmos juntos como um só. Ele levantou minha blusa e baixou minha saia, olhando para a tatuagem e em seguida beijando em volta dela, chegando no meu sexo que já estava úmido antes mesmo de encontrar sua língua quente e sedenta. Eu senti um desejo intenso se apossando do meu corpo. Eu não sabia onde estávamos e sequer tinha condições de abrir meus olhos naquele momento para saber. Eu não sabia onde estava a noiva dele... E nem queria saber. Eu só queria e tinha que aproveitar aquele momento ao lado do homem que eu amava. Magnus estava comigo e nada mais no mundo importava. Ele voltou para meus lábios e eu senti meu gosto nele e aquilo me excitava profundamente. Então ele me pegou pela bunda e enfiou em mim o que eu queria, tentando sanar o fogo que nos consumia. Eu segurava seu pescoço enquanto ele me empurrava contra a porta, fazendo um som que nós conhecíamos muito bem... O nosso som, louco, envolvente e pervertido.
- Alteza, pode ir mais rápido e forte, por favor? – eu pedi gemendo e rindo ao mesmo tempo.
- Você é louca... – ele disse beijando meu pescoço, rouco de desejo. – E insaciável.
- Sim, sou louca por você, Magnus Chevalier... Ou se preferir, Black. Hoje quero fazer amor com Black. – eu exigi.
- Me chame como quiser, desde que me chame... Eu nunca vou cansar de fazer amor com você, Katrina Lee.
- Onde... Está sua noiva?
- Dane-se Vitória. – ele disse me beijando e me penetrando com toda a força que ele tinha.
E quem passasse pelo lado de fora da porta, ouviria gemidos e batidas fortes na porta. Mas nós não estávamos preocupados nenhum pouco com isso.
Dereck decidiu, por pressão do povo, concorrer à presidência do novo país. Ele nunca seria rei, foi rejeitado a vida toda por sua própria mãe, a rainha. Contudo, o povo sempre preferiu ele para liderar Noriah. O príncipe politicamente correto teria chances legais e iguais de concorrer junto de outros candidatos. Ele quis Dom para vice. Esta foi a parte difícil. Dom, líder rebelde e anti monarquista a vida inteira, jamais quis um cargo. Alegava ser sempre a oposição, a quem quer que estivesse no comando de Noriah. Mas depois de muita (eu digo muita mesmo) insistência por parte de todos nós, ele acabou dando uma chance a seu amigo King.Kim, por sua vez, certamente seria a primeira dama do novo país. Ele não continuou trabalhando no salão, mas passou a fazer uns vídeos sobre makes e cabelos perfeitos e logo viralizou nas redes sociais. Claro que ele ficou famoso,
Foi dado início à cerimônia de coroação do Príncipe Magnus Chevalier. Durou em torno de 30 minutos. Assim que Magnus foi coroado pelas mãos do líder do Conselho, ele me chamou antes de seu primeiro pronunciamento enquanto rei. Nos encaramos com todo amor que tínhamos em nossos corações e ele disse no meu ouvido:- Eu amo você.- Também amo você. – falei sem emitir som, mas deixando que ele entendesse o que meus lábios diziam.- Povo de Noriah... Por toda uma vida os Chevalier reinaram aqui. Eu fico imensamente grato por poder estar aqui hoje, recebendo a coroa que foi de minha mãe, de meu avô, bisavô e de outros tantos ascendentes meus que já viveram aqui. Mas não posso dizer que estou emocionado, pois seria mentira. Por isso, neste momento, enquanto rei de Noriah, eu declaro este lugar livre da monarquia para sempre. Que N
O castelo finalmente estava quase em ordem. Depois de tantos mortos e feridos, finalmente o reino de Noriah estava livre da rainha Anne Marie Chevalier. A maioria havia aprovado a invasão ao castelo. Nunca se soube quem atirou na rainha e nunca se saberia. Era um segredo muito bem guardado por mim, Magnus, Dom, Dereck e Kim. Claro que ainda haviam manifestações contrárias à coroação de Magnus, mesmo ela ainda não tendo acontecido oficialmente. Estávamos na mesa do café da manhã quando foi anunciado que Eva Lee Chevalier estava no castelo. Imediatamente pedimos que ela fosse recebida e se juntasse a nós.Fui até minha irmã e a abracei com carinho:- Venha, junte-se à nós para o café da manhã. – convidei.Ela aceitou. Todos começaram a rir e eu olhei-os confusa:- O que está havendo que eu não sei?-
- Por que não atirou em mim? – perguntei.- Existe algo melhor que ver sua cara de sofrimento e dor, Katrina Lee? Eu não quero você morta... Quero ver você sofrer tudo que eu sofri por você ter vindo ao mundo.Eu mirei no coração dela e disse, em lágrimas:- Eu não acabei... Ficou o mais importante: o tiro vingando meu bebê. – dizendo isso eu atirei no coração dela.Joguei-me sobre Dom aos prantos. Anne Marie Chevalier estava morta, mas antes de ir partiu meu coração mais uma vez. Magnus e Dereck entraram no quarto, me tirando de cima de Dom. Eu tinha sangue por todo meu corpo. Magnus me abraçou com força e Dereck foi verificar como Dom estava.- Ele... Está vivo. – disse Dereck. – Precisamos levá-lo a um hospital.Ainda se ouvia tiros pelo castelo.- Como vamos tirar ele daqui? – eu p
Assim que saímos do quarto, minha mãe disse:- Estarei rezando por vocês.- Mãe, tudo vai dar certo. Quando esta noite acabar, Magnus Chevalier será o novo rei de Noriah Sul.Laura Lee me abraçou com força e fez o mesmo em Magnus. Estávamos preste a sair quando a campainha tocou.- Está esperando alguém, mamãe? – perguntei.- Não. – ela falou confusa indo abrir a porta.Quando vimos Kevin ficamos surpresos. Eu fui até ele e lhe dei um abraço. Ele me apertou com força.- Veio... Visitar nossa mãe? – perguntei.- Na verdade não. – ele disse. – Vim participar da invasão ao castelo. Junto do grupo de vocês.- Como... Você sabe? – perguntou Magnus confuso.- Eu estou participando de um grupo... Longe do de Domênico... E de vocês. Ent&ati
As rebeliões foram aumentando conforme os dias iam passando. E a rainha ficando mais dura do que já era. A confusão no reino já estava feita e nada mais poderia mudar. As minorias que queriam que a rainha Anne ficasse no poder. A maior parte da população, mesmo preferindo o fim da monarquia, acabou se unindo aos grupos que queriam Magnus no poder e assim as alianças iam ganhando forças em todo o reino de Noriah Sul.Os encontros anti monarquia daquela semana foram marcados em zonas diferentes e em dias alternados a fim de confundir os delatores dos grupos, bem como os ataques dos grupos favoráveis à monarquia.Vesti-me com uma calça preta e uma jaqueta de couro, com botas de cano curto da mesma cor. Magnus vestiu-se de Black e partimos para o encontro na Zona B, pela primeira vez juntos. Quando o carro nos deixou no ponto de encontro, Magnus solicitou ao motorista que não ficasse ali. O







