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Capítulo 86 - Katrina Lee está morta

Penulis: Roseanaautora
last update Tanggal publikasi: 2021-06-28 06:31:21

- Eu estou falando sério. – disse Dom. – Já tracei o plano todo. Vou simular a morte de Katrina. Ela terá inclusive um atestado de óbito, emitido legalmente. Então ninguém mais procurará por ela.

- E eu estarei literalmente morta, me escondendo por toda a minha vida dentro do meu próprio reino. Para que eu viveria assim? – perguntei.

- Kat, isso será por um tempo. Até a mídia e a rainha esquecerem você. Enquanto isso você traça sua vingança.

- Minha vingança... – eu ri. – Lenta e dolorosa... É assim que eu quero que seja a morte da rainha Anne.

- Então por que está treinando tiro? – perguntou Kim.

Dom riu:

- Acho que ela planeja dar um tiro por vez... Vários, por último no coração.

- Na cabeça. – eu corrigi.

- Você me assusta quando fala assim. – disse minha mãe.

- Kat, você vai matar a rainha com um tiro na cabeça? – perguntou Leon.

- Acho que vou ter que tirar Leon da presença de vocês. O que vão fazer com meu bebê? – disse minha mãe.

- Desculpe, senhora Lee. – falou Dom.

- Leon, era brincadeira. – disse Kim.

- Acha mesmo que eu seria capaz de matar alguém, Leon? – perguntei a ele sorrindo gentilmente.

- Eu vi você com uma arma, Kat. – ele disse comendo sem dar muita importância.

Eu respirei fundo. Minha mãe tinha razão. Logo Leon terminou a comida e ela o mandou jogar na sala.

- Eu sou famosa em Noriah. – eu disse me recostando na cadeira.

- Os rebeldes não a entregarão. – garantiu Dom.

- Por que não fariam isso? É muito dinheiro. Até eu estou pensando em entregar Kat para a rainha. – disse Kim rindo nervosamente.

- Faça isso e eu uso a arma de Adolfo Lee primeiro em você, Kim. – disse minha mãe.

- Nossa, Laura, você não sabe brincar. – ele reclamou.

- É a cabeça da minha filha. – Laura disse seriamente.

- Não se brinca com uma Lee. – eu garanti. – Seja você quem for. Até mesmo a rainha.

Eu levantei. Estava um pouco nervosa com a notícia de haver recompensa por mim. O que Magnus achava disto tudo?

- Eu... Aceito o plano da morte. Mas com uma condição...

Todos me olharam.

- Magnus precisa saber da verdade.

- Não... Isso é arriscado. – disse Dom.

- Por quê? Ele precisa saber que eu não estou morta. Eu jamais deixaria Magnus chorar minha morte estando viva.

- E se neste tempo ele achasse que ficou viúvo antes do casamento e a rainha procurasse outra esposa para ele? – perguntou Kim.

- Então ele provaria que nunca foi digno de Katrina. – rebateu Dom seriamente.

- Teoricamente ela estaria morta. – argumentou Kim.

- Tudo bem... Se vocês acham que para Magnus não se casar com outra mulher, precisa ter certeza de que Katrina está viva... Eu posso avisá-lo do plano. Só para garantir que o futuro rei de Noriah não desposará outra mulher. – disse Dom ironicamente.

- Não é sobre ele casar com outra mulher... É sobre eu estar mentindo para ele... – falei.

- É um bom plano, Dom. – disse minha mãe tentando evitar a discussão acalorada que se iniciava. – Mas precisa ser bem elaborado. Não pode haver falhas, assim como o da rainha.

- E quando Kat poderá viver novamente? – perguntou Kim. – Algum dia saberão que ela não matou o rei?

Olhei para Dom tentando descobrir se ele havia planejado isso.

- Acho que jamais saberão quem realmente foi. – disse Dom.

- Também acho. Ou fujo para sempre... Ou simulo minha própria morte e vivo na escuridão, como uma morta-viva.

Todos me olharam. Sabíamos que não havia solução. Jamais a rainha admitiria que matou o próprio marido para me incriminar. Minhas digitais estavam na arma do crime, minhas iniciais gravadas nela. Ela havia feito tudo isso para me tirar do castelo e deixar Magnus livre de mim. Então o próximo passo seria reaproximá-lo de Vitória Grimaldo, já que ela havia planejado o casamento deles desde que nasceram. Certo que ela não deixaria Vitória escapar dos seus planos. Eu já estava fora do caminho dela. De alguma forma eu sabia que ela seguiria seu plano maligno e faria o casamento acontecer. E eu não tinha o que fazer para impedir. Se voltasse, mesmo com a proteção de Magnus, seria julgada e condenada pela morte do rei, pois por mais que eu tivesse o príncipe como álibi, era minha arma e minha digitais que estavam lá. Talvez Dom tivesse razão. Eu deveria simular minha própria morte e esperar o meu nome não ser mais o centro das atenções de Noriah. Quando todos esquecessem a morte do rei Albert e o nome de Katrina Lee, eu poderia voltar e me vingar. Mas eu precisava de tempo. Ou tudo estaria perdido. Era minha vida que estava em jogo.

- Dom, como faremos tudo? – perguntei.

Dom começou a nos falar o que tinha planejado. Aos poucos fomos inserindo novas ideias ao plano dele e ao fim de tarde, talvez a mais longa da minha vida, tínhamos a minha morte traçada e tudo que aconteceria depois dela organizado.

- Eu... Acho que não podemos contar a verdade a ninguém. – disse minha mãe. – Nem a Magnus.

Eu a olhei confusa. Não era isso que havíamos combinado.

- Quanto menos pessoas souberem a verdade, melhor. – disse ela.

Dom e Kim me olharam, aguardando a minha resposta.

- Tudo bem. – eu disse sentindo meu coração apertado. Eu temia pela dor de Magnus e tinha medo de ele não me perdoar quando soubesse da verdade.

- Tudo vai dar certo. – disse Kim botando sua mão em cima da minha.

- Se ele te ama de verdade, não acreditará que você pode ter morrido e tudo ter acabado deste jeito. – falou Dom colocando a mão em cima da minha também.

- Sempre estarei com você, Kat. – disse minha mãe.

- E nós também. – garantiu Kim.

Eu senti lágrimas nos meus olhos, mas antes que caíssem eu as sequei com força. Fiquei emocionada por eles estarem ali comigo e tentando me ajudar. Sabia o quanto Dom e Kim corriam risco sem precisarem, somente por mim. Eu devia a minha vida a eles. Mas no fundo meu medo não era da morte, muito menos de viver secretamente por quanto tempo fosse necessário. Meu único medo era de Magnus me esquecer... Ou ceder ao desejo de sua mãe e casar com outra mulher. Mas eu tinha que arriscar.

Quando a noite chegou, Dom foi embora. Novamente a casa ficou somente conosco. As noites me deixavam mais triste e saudosa. Como eu queria poder saber o que estava acontecendo com Magnus e Dereck e como eles estavam lidando com tudo que estava acontecendo. Mas eu não tinha como. Tudo que eu tinha era as notícias que Dom trazia.

Uma semana depois todos os jornais (oficiais e não oficiais) noticiavam que foi encontrado o corpo de Katrina Lee, que provavelmente estaria escondida num beco da rua J. Eu tinha até mesmo um atestado de óbito que provava que eu estava morta. Então não havia dúvidas: eu não existia mais em Noriah Sul. A jovem anti monarquista, que se infiltrou no castelo como dama de companhia da rainha Anne Marie Chevalier, premeditou o assassinato do rei Albert Chevalier e havia fugido. Cogitava-se que a morte tinha sido por alguém que tentava aprisioná-la para entregar à rainha, exigindo a recompensa, que ao final, ninguém levou. A rainha naquela mesma noite usou do canal de televisão real para lamentar a morte do marido e a forma como a rebelde usou para entrar no castelo, traindo sua confiança, bem como dos príncipes. Ela dizia que o que aconteceu com Katrina Lee, que perdeu a vida aos 20 anos, deveria servir de lição para todos os jovens que ainda pensavam em acabar com a monarquia. Que todos perdiam: ela perdera seu amado e fiel companheiro de décadas enquanto o povo perdeu a garota que achava que podia acabar com a monarquia. E assim, no dia seguinte, se falou um pouco menos sobre Katrina Lee. No outro, quase nada. Depois, só se via o meu nome nos jornais antigos. Dois meses depois se perguntassem, mal sabiam quem era Katrina Lee. As noticias voltavam a ser a tirania da rainha, a falta de emprego, o difícil acesso à educação e a escassez de comida, visto que a rainha Anne havia desfeito vários acordos com reinos e países vizinhos, que não participavam mais de exportação e importação com Noriah Sul. Os alimentos oferecidos ao povo eram somente os produzidos no próprio reino, então o valor passou a ficar absurdamente caro.

Enquanto minha morte estava sendo esquecida por todos, nossa casa estava vendida. Dom nos trouxe o dinheiro naquela noite e disse:

- Creio que agora estejam seguros para sair. Menos Katrina.

Olhei para ele confusa:

- Quer que eu fique aqui... Sozinha?

- Você não pode voltar com sua família, Kat. Precisamos de mais tempo. Laura e Leon devem ser vistos sozinhos por um tempo. Kim também. Parece muito tempo, mas é recente.

- Ele tem razão. – disse minha mãe. – O plano deu certo até agora. Não podemos fazer nada que o coloque em risco.

Tudo que eu queria era sair daquela casa e daquele lugar. Não que eu não gostasse da casa ou da tranquilidade de tudo ali. Mas a minha vontade de ver Magnus estava me deixando doente. Dom não havia tentado me beijar ou fazer nada que eu não quisesse, conforme havia prometido. Isso me deixava grata por ele ter ouvido meu pedido e eu imaginava que era difícil para ele também: o ir e vir da Zona E até ali.

Dom mandou que Kim levasse minha mãe e Leon para a casa dele. Ficariam lá até comprarem outra casa. Ele não queria ser visto com minha família nem com Kim. Kim, por sua vez, finalmente voltaria para casa. E jamais, em hipótese alguma, qualquer pessoa poderia desconfiar que eu estava viva. Antes que Kim embarcasse no carro e partisse, eu o chamei num canto.

- Será que vai dar tudo certo? – perguntou ele. – Acha que Deck vai me procurar?

- Eu não sei... Não tenho certeza de mais nada, Kim. Quanto tempo se passou... E eu agi como uma culpada. Fugi...

- Magnus e Deck sabem que não foi você.

- Então por que... Eles não tentaram me encontrar?

- Porque você não queria ser encontrada. Você se escondeu... Para sua segurança e de todos nós.

- Dereck sempre me disse que eles podiam saber sobre qualquer pessoa... E encontrar qualquer um. E ninguém me procurou.

- Kat, não coloque isso em pauta, meu bem. Não duvide do amor do príncipe por você.

Eu retirei o anel que Magnus me deu e olhei dentro dele. A caligrafia dele perfeita escrita no ouro: “para sempre”. Eu tive tanto medo... E se Magnus me esquecesse? Respirei fundo, tentando não chorar e pensei no quanto eu o amava e que jamais o esqueceria. Eu tinha que confiar que o nosso amor era eterno e que nunca nos esqueceríamos. Dei o anel a Kim.

- Por que você está me dando este anel? – ele perguntou.

- Entregue a Magnus. Eu sei que ele irá atrás de você. Se eu morri, o anel deve voltar à família dele.

- Tem certeza?

- Tenho... Tanto quanto tenho de que ele irá procurar por você, quanto da entrega do anel.

- E se... Ele realmente achar que você está morta?

- Não é esse o plano? – eu perguntei sorrindo amargamente. – Vou arriscar a sorte e torcer para que o pouco tempo que ficarei longe dele não apague minha lembrança em seu coração e sua mente.

- Entregarei o anel de compromisso ao príncipe. – ele garantiu. – Me prometa que vai ficar bem aqui sozinha.

Olhei para Dom que estava ajudando minha mãe a colocar as coisas no carro e disse:

- Espero mesmo ficar sozinha. Que a intenção dele não seja ficar aqui comigo.

Kim riu:

- Duvido que ele deixe você sozinha. E pensar que há pouco tempo atrás você dava qualquer coisa para estar com ele.

- Gosto de estar com ele. – confessei. – Mas tenho medo do que me torno quando estamos juntos.

- Respira fundo e tenta virar um bloco de gelo. – disse ele me dando um beijo e entrando no carro.

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