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 A Destinada do Rei Alfa Faz Dele Seu Refém
A Destinada do Rei Alfa Faz Dele Seu Refém
Author: Hera Valente

Capítulo 1 — A Escolha da Luna

Author: Hera Valente
last update publish date: 2026-10-04 09:38:52

[Ponto de Vista de Valerius]

O salão em que estou parece uma prisão disfarçada. É aqui que são feitos os rituais de acasalamento dos membros da corte. A noite de hoje não é de esperança, é só a antecipação da tragédia que me foi imposta. O silêncio no ambiente está pesado, como se até a própria Deusa estivesse esperando para ver se me atrevo a desafiar o destino.

A maldição da Lua Negra... Nenhum líder da minha linhagem conseguiu encontrar a loba que a Deusa lhe destinou. Meus antepassados formaram laços com parceiras escolhidas por interesse político e conveniência, governando ao lado delas sem jamais conhecer o vínculo sagrado que todos desejam. Com meu pai não foi diferente. Agora, quando eu assumir seu lugar, temo repetir o mesmo destino.

Meu pai continua sendo o rei. Porém, por estar enfrentando diversos problemas de saúde, delegou à minha tia Lydia a tarefa de procurar uma loba digna do reino para ser minha parceira e prepará-la para governar ao meu lado quando eu assumir o trono.

E ela estava bastante dedicada a essa missão.

Minha tia se aproximou. Seu vestido negro caía em linhas retas e impecáveis, tecido de seda que capturava a luz com discrição. Os cabelos estavam presos em um coque baixo, severo, e seus olhos reluziam com uma ambição que ela não escondia de ninguém

— Alfa Valerius — a voz dela era como um fio de seda envenenada. — As pretendentes de hoje já chegaram.

Ela fez um gesto, chamando a primeira.

— Lady Isadora, da Matilha do Vale Escuro.

Isadora entrou no salão como quem já sabia que todos os olhos se voltariam para ela — e não havia um único gesto ali que fosse acidental. O vestido de seda prateada reluzia sob as tochas, colado ao corpo como uma provocação calculada, desenhando cada curva com precisão quase insolente.

Os cabelos negros escorriam em ondas sobre os ombros nus. O decote profundo expunha a pele pálida e o colar de garras de lobo em ouro — uma joia colocada ali com um único propósito: prender meu olhar. Isadora sabia exatamente o que estava fazendo. E não fazia questão de esconder. Pelo contrário: parecia se deliciar em deixar claro que sabia que eu também sabia.

Isadora parou a um passo de mim. Perto o suficiente para eu sentir o perfume dela — jasmim e algo selvagem, como terra molhada — misturado ao calor que emanava de sua pele.

— Alfa — murmurou, a voz rouca, os lábios entreabertos como um convite que eu não precisava decifrar. — Seria um privilégio compartilhar seu trono... e sua cama.

Os olhos verdes subiram lentamente pelo meu corpo. Demoraram-se no meu peito, na minha boca, como se ela já pudesse sentir minha pele sob as unhas. Um sorriso lento surgiu em seus lábios quando percebeu que eu notara. E que meu corpo já respondia, traindo qualquer tentativa de indiferença.

— Você cheira a poder — sussurrou, inclinando-se ainda mais perto, até que seu corpo quase tocasse o meu. — E eu adoro homens que sabem usar o que têm.

O hálito quente dela roçou meu pescoço. Senti um arrepio percorrer a espinha, descendo até onde eu preferia que ela não percebesse.

Ela passou a ponta dos dedos levemente sobre meu braço. Subiu até o ombro, demorando-se ali como quem reivindica território.

Então, num movimento lento, se afastou.

Deixando o rastro do perfume. E a certeza do que queria.

Pouco depois, a segunda candidata entrou assim que foi anunciada.

— Lady Celeste, da Matilha das Montanhas Gélidas.

Celeste era o oposto de Isadora. Não em beleza, mas em intensidade.

Os cabelos loiros. A pele delicada banhada pela luz suave das tochas. Os olhos azuis pareciam me desvendar sem sequer me tocar — como se já soubesse exatamente o que queria fazer comigo e apenas esperasse o momento certo.

O vestido era branco e modelava seu corpo de tal forma que revelava mais do que escondia. Usava algumas joias discretas, como se não precisasse de mais nada para atrair olhares.

Uma delicada cicatriz cortava sua bochecha esquerda, e ela sustentou meu olhar como se já soubesse que eu a notara. Senti o ímpeto de perguntar sobre a origem daquela marca, mas não o fiz. Seria indelicado. Ainda assim, o leve sorriso dela parecia me convidar a perguntar. E a fazer muito mais do que perguntar.

— Ouvi dizer que a maldição da Lua Negra impede a formação de vínculos verdadeiros — sussurrou Celeste, a voz baixa como um segredo no silêncio da noite. Cada palavra parecia escolhida para me seduzir. Para me puxar para mais perto, um passo de cada vez.

— Mas há tantas histórias... — respondi, tentando esconder a tensão que me invadia. — Para mim é apenas mais uma lenda atribuída à Deusa da Lua.

Celeste deu um passo à frente e se aproximou até seu corpo quase tocar o meu. O calor dela me causou arrepios, e o perfume de flores noturnas, doce e hipnótico, tomou meu olfato.

A batida do meu coração acelerou. Foi então que percebi: ela também compartilhava do mesmo desejo que começava a incendiar meu corpo.

— Talvez a Deusa... — ela prosseguiu, a mão se erguendo com uma serenidade que contrastava com o brilho intenso de seus olhos. — ...esteja apenas esperando alguém que ouse desafiá-la.

Os dedos de Celeste tocaram minha mandíbula.

A leveza do toque escondia um convite claro. Um calor desceu pelo meu ventre e se espalhou entre as minhas pernas e por mim inteiro. Nos olhos dela havia um desejo perigoso — e eu sentia que ele começava a me contaminar.

— Sei que você também sente... — sussurrou, aproximando os lábios dos meus sem completar o gesto. Estava tão perto que um mero suspiro poderia nos unir. Por um instante, achei que ela fosse me beijar.

Mas ela apenas murmurou junto ao meu ouvido:

— Essa fome... essa necessidade...

As palavras saíram com um gemido contido. Não falava apenas de desejo. Falava de urgência.

Antes que eu pudesse responder, ela se afastou.

O vazio que deixou fez meu corpo vibrar. Eu queria manter aquele toque.

O sorriso dela dizia que sabia exatamente o efeito que causara. Como se dissesse: eu quero, você quer, e não há motivo para fingir o contrário.

A terceira candidata foi a que mais demorou para entrar.

Minha tia franziu a testa, chamando-a pela segunda vez.

— Lady Ammara, da Matilha do Rio Sereno.

Essa era diferente. Não usava joia alguma. Nada em sua postura tentava chamar atenção. O que, por si só, já era uma forma de chamar atenção.

O vestido de linho cru caía de forma simples sobre seu corpo. Uma simplicidade que contrastava com tanta seda e pele exposta. Os cabelos estavam presos em uma trança única, deixando escapar alguns fios rebeldes que emolduravam seu rosto.

Seus olhos castanhos, profundos, pareciam transbordar sinceridade.

Ammara parou diante de mim com as mãos entrelaçadas à frente do corpo. Tremiam de leve — pouco o bastante para parecer nervosismo, não medo.

Quando falou, sua voz foi baixa. Tão baixa que pedi silêncio ao salão inteiro para ouvi-la.

— Alfa... Não foi minha escolha vir aqui hoje. Minha matilha me enviou. Disseram que era minha responsabilidade.

As palavras soaram simples, quase constrangidas. Ainda assim, depois eu perceberia que ela escolhera cada uma com cuidado: não culpava a matilha, não exigia minha compaixão e não pedia que eu a salvasse. Apenas parecia presa à mesma obrigação que eu.

— E você sente que tem essa responsabilidade? — perguntei.

Ela manteve os olhos baixos por um instante. Então os ergueu de uma vez, encontrando os meus com uma firmeza que não combinava com a timidez anterior.

— Não — respondeu. — Mas estou aqui para cumprir meu dever, se for eu a escolhida.

Não havia súplica em sua voz. Nem a fome evidente de Isadora, nem a provocação calculada de Celeste. Só uma aceitação serena que me desarmou mais do que qualquer tentativa de sedução.

Ammara deu um passo à frente e estendeu a mão. O gesto parecia hesitante, como se me oferecesse a possibilidade de recusar. Mas os dedos dela tocaram os meus no exato momento em que eu hesitava — leves, precisos, impossíveis de ignorar.

Um arrepio percorreu meu braço. Não era desejo. Era reconhecimento. Ou talvez apenas o alívio perigoso de encontrar alguém que parecia entender o peso da prisão em que eu vivia.

Ammara não pediu nada de mim.

E foi exatamente por isso que comecei a imaginar o que seria capaz de lhe dar.

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