로그인Dois anos depois Rose Meu pai começou a reclamar antes mesmo de entrar no consultório. — Esse estacionamento é um roubo. Minha mãe fechou a porta do carro. — Hoje você não vai reclamar do estacionamento. — Estou reclamando do preço. — É a mesma coisa. — Não é. Fui atrás dos dois tentando não rir. Havia dias em que olhar para meus pais discutindo por coisas completamente inúteis ainda me emocionava mais do que deveria. Talvez porque, durante muito tempo, eu tivesse imaginado que perderia aquilo. Meu pai reclamando do estacionamento, minha mãe dizendo que ele era impossível, os dois andando à minha frente como se o mundo nunca tivesse parado por causa de um diagnóstico. O tratamento tinha sido longo. Longo de uma maneira que nenhum calendário conseguia explicar. Meses pareciam anos quando os exames pioravam e semanas desapareciam quando surgia qualquer pequena melhora. Houve internações, tratamentos que o deixavam sem força até para conversar e dias em que eu entrava no quart
Jhon Saí da agência com a maleta presa à mão e a sensação incômoda de que qualquer minuto desperdiçado podia virar uma pista de decolagem vazia. Eu tinha enviado cópias dos arquivos de Jorge antes mesmo de terminar de mostrá-los a Daniel e Rose. Não todo o material bruto, porque ninguém conseguiria digerir horas de gravação no meio de uma emergência, mas o suficiente: Mendonça planejando a infiltração de Nathan, falando da lavagem de dinheiro, explicando como pretendia usar Suzany para incriminar Daniel e, principalmente, ordenando que Jorge não chegasse vivo a Albany. Quando o contato da promotoria me retornou, eu já estava entrando no carro. — Eu vi os trechos. — Então você sabe por que estou ligando. — Sei. E já estamos movimentando uma equipe. — Ele está saindo da cidade. — Tem certeza? Liguei o motor. — O homem que foi atrás do material perdeu Toni. Menos de meia hora depois Mendonça deixou o escritório, passou em casa por sete minutos e o piloto particular de
Rose O vídeo seguinte mostrava Jorge em casa com M.R. Ele andava de um lado para o outro enquanto M.R. permanecia sentado no sofá. — Eu preciso sair de Nova York. — Então vamos. — Não é tão simples. — A gente pega nossas coisas e vai. — Eles sabem quem você é. M.R. demorou a responder. Jorge sentou diante dele. — Eu fiz merda. — Eu sei. — Não, você não sabe tudo. E contou. Não tentou parecer inocente. Admitiu o dinheiro, as informações e a ajuda na preparação de Nathan. Disse que sabia que Mendonça lavava dinheiro havia anos e que provavelmente seria usado para alguma fraude contra os Rossi. Aceitara porque precisava do dinheiro e porque, enquanto tudo fosse número e papel, conseguia fingir que ninguém sairia realmente machucado. Depois contou sobre Suzany. M.R. ficou em silêncio por muito tempo. — E você acha que ele vai deixar você sair depois de contar isso? — Não. — Então por que você está aqui falando comigo em vez de já estar num carro? Jo
Rose Quando Daniel e eu chegamos à agência, já passava das oito. Jhon nos levou direto para a sala dos fundos, onde havia colocado tudo que Toni trouxera. A mochila estava vazia sobre uma cadeira e a mesa, antes quase sem nada, agora mal aparecia sob documentos, discos, cartões de memória, pequenos gravadores, fotografias e dois envelopes que reconheci imediatamente pelos nomes escritos na frente. Jorge Fonseca. Suzany Rossi. Eu esperava que Jhon começasse por eles, mas ele puxou um caderno preto que estava aberto perto do computador. — Isso estava escondido no fundo da mochila. É do Jorge. Daniel se aproximou. As páginas eram cobertas por uma letra pequena e irregular, com datas, endereços, valores e nomes reduzidos a iniciais. Em algumas havia observações sobre onde uma câmera tinha sido colocada; em outras, o modelo do gravador usado e a duração aproximada da gravação. — Ele gravava as reuniões? — perguntei. — Há muito tempo. Antes mesmo de decidir sair. Jhon pa
Capítulo 30 Na cola Toni A adrenalina da luta ainda estava quente no meu corpo quando atravessei a saída do estacionamento e alcancei a rua. O rosto ardia onde o soco tinha aberto minha boca e a dor nas costelas ficava mais presente a cada respiração, mas eu ainda estava inteiro, dirigindo e com a mochila no banco do passageiro. O sedã surgiu no retrovisor poucos segundos depois. Jhon continuava no telefone. — Não vai para a Max. — Não pretendia. — Nem pra sua casa. — Também não. — Então pelo menos pensamos igual em alguma coisa. Olhei outra vez. O carro tinha aumentado a velocidade. — Está vindo. — Estou mudando para outra câmera. Ouvi teclas do outro lado. Um segundo. Dois. — Peguei vocês. — É confortável saber que tem alguém assistindo. — Hoje é. O sedã ultrapassou um táxi e ficou duas posições atrás. — Tem dois homens dentro. — Consegue reconhecer algum? Olhei rápido. O motorista usava boné. O passageiro estava parcialmente escondi
Rose A mensagem de M.R. chegou pouco depois das duas da tarde, quando Max e eu já tínhamos esgotado qualquer tentativa de fingir normalidade. Eu havia aberto um manuscrito para revisar, mas continuava voltando aos mesmos parágrafos sem absorver quase nada. Max estava sentada no chão, encostada no sofá, mexendo no celular enquanto uma xícara de café esquecida esfriava sobre a mesa. O som da notificação fez nós duas olharmos para o notebook. A sessão temporária apareceu na tela com poucas palavras. 14h50. Café Miro. Mesa dos fundos, ao lado da janela. Toni entra sozinho. Sem celular. Logo abaixo estava o endereço. Max se levantou. — Vou avisar ele. Assenti e peguei meu telefone para encaminhar o endereço a Jhon. Não precisei ligar. Ele respondeu quase imediatamente. Estou verificando o local. Max já estava falando com Toni perto da janela. — Duas e cinquenta. Vou te mandar o endereço agora. O celular fica no carro, a câmera e o gravador você liga antes de ent







