ANMELDENOlá. Fiquei alguns dias sem escrever por conta de uma virose que pegou a família de surpresa, mas já estou de volta e pretendo lançar 2 novos capítulos diários até o final do livro. Espero que estejam gostando a história
Vinte anos depois.Não deveria ser possível, mas era. Eu, imortal, inalterada, observando filha tornar-se mulher. Não rainha ainda — Tristan e eu ainda reínos, ainda guiamos — mas herdeira preparada. Treinada. Livre.Libby tinha vinte anos, aparência de vinte e cinco, maturidade de quem carregava consciência expandida desde nascimento. Ela não era apenas Lycan. Era… interface. Ponto de conexão entre espécies, entre formas, entre possibilidades.E ela escolhera. Não rainha, não líder. Exploradora. Embaixadora de nova era, viajando entre territórios de rede e colmeia, humanos e sobrenaturais, antigos e modernos. Construindo pontes que ninguém antes imaginara.Eu estava no estúdio, pintando. Finalmente, obra que tentara toda vida: não memórias, não visões, mas essência de conexão. Tela que mudava conforme observador, mostrando não o que era, mas o que poderia ser.Tristan entrou, silencioso como sempre, mas eu sentia. Conexão que não enfraquecera em duas décadas, em duzentos anos de hist
O primeiro aniversário de Libby coincidiu com data que não deveria existir.Trinta e cinco anos desde meu nascimento como Yara. Em todas as vidas anteriores, não havia trinta e cinco anos. Ciclo sempre fechava antes.Eu estava viva. Imortal. Mãe. Rainha. Artista que pintava novamente, não memórias de vidas passadas, mas presente que finalmente tinha tempo de saborear.A festa era pequena. Intencionalmente. Não display de poder, mas celebração de intimidade. Lupo e alcateia, representados. Adriano, elegante, trazendo presente que não abri ainda. Morgana, ensinando Libby primeiro feitiço — não mágica real, apenas jogos de luz, wonder de criança. Serafina, visitando de território de interface, embaixadora que se tornara amiga.E Tristan, sempre, meu porto, minha paixão, meu parceiro.Libby andava agora, tropeçante, determinada. Falava poucas palavras, mas com intenção que impressionava. Conexão consciente, que Morgana confirmara: não apenas Lycan, não apenas imortal. Algo novo. Evolução
As contrações começaram ao amanhecer.Não emergência — Lycans não trabalhavam como humanos. Processo era longo, controlado, quase… meditativo. Mas intenso. Transformador.Eu estava no quarto que preparamos, luz suave, música que escolhi, presenças que solicitei. Morgana, como conselheira mágica. Healer Lycan de confiança. E Tristan, sempre, ancoragem constante.— Rede está… vibrando — Morgana observou, surpresa. — Não apenas você. Todos os conectados. Sentem. Respondem.Eu fechei os olhos, confirmando. Sim, havia algo. Conexão amplificada, não por magia, por… evento. Nascimento que era mais que físico. Era símbolo, promessa cumprida, futuro declarado.— Ela está conectando — eu disse, entre contrações. — Antes mesmo de nascer. Sentindo rede. Buscando… pertencimento.Tristan segurou minha mão, força que não machucava, apenas sustentava.— Como você — ele disse. — Na primeira vida. Buscando, sempre.Eu ri, apesar de dor crescente.— E encontrando — eu completei. — Sempre encontrando voc
O conselho se reuniu em formato novo.Não bunker, não sala de guerra. Jardim da villa, sob árvores que Tristan plantara com próprias mãos. Cadeiras em círculo desigual, não protocolar. Crianças permitidas — filhos de Lycans, filhotes de bruxas, jovens vampiros aprendendo controle, crianças humanas que cresciam sabendo.Eu estava visivelmente grávida agora, seis meses, barriga que não escondia mais. E não queria esconder. Era declaração, símbolo, promessa.— A colmeia solicitou expansão de território de interface — Adriano relatou, elegância habitual mas relaxada. — Áreas onde espécies podem coexistir, aprender uma com outra. Não conversão, não dominação. Experimentação.— E nós? — Lupo perguntou, filhote ao colo, instintos protetores evidentes.— Concordamos — eu respondi. — Com limites. Com supervisão. Com voluntariedade absoluta.Morgana assentiu, anciã que finalmente parecia… contente.— Serafina negocia bem — ela admitiu. — Melhor do que esperávamos. Eles a respeitam, de certa for
Eu acordei sabendo qual era o dia.Trinta e quatro anos desde meu nascimento como Yara. Sete vidas anteriores, cada uma terminando nesta data exata. Ciclo que Despina criara, maldição que se tornara bênção, finalmente… quebrado.Tristan dormia ao meu lado, respiração profunda, confiança absoluta mesmo em vulnerabilidade. Eu observei-o, mão descansando sobre barriga que crescia — quatro meses agora, nossa primeira filha, primeira herdeira de dois mundos.Eu deveria estar morta.Em vez disso, estava viva. Mais que viva — imortal. Lycan, como ele. Rainha, como ele. Mãe, como nunca antes.Levantei devagar, não acordando-o. Precisava deste momento sozinha. Confrontar fantasmas que apenas eu podia ver.O terraço da nova casa — não mansão imponente, mas villa restaurada nas colinas de Roma, espaço que escolhemos juntos — recebeu-me com luz da manhã. Outono, novamente. Ciclos da natureza continuando, indiferentes aos meus dramas pessoais.Eu toquei pedra fria do parapeito, ancorando-me no pre
Serafina voltou. Não resgatada. Não convertida de volta. Simplesmente... apareceu. No centro de Roma, em praça pública, em pleno dia. Esperando. Eu senti antes de ver. Fio que pensara cortado, pulsando novamente. Diferente. Alterado. Mas genuinamente ela. Tristan não queria que eu fosse. Adriano aconselhava contra. Até Morgana, usualmente pragmática, via armadilha. Eu fui. Sozinha. Sem rede amplificando, sem proteção de lycans ou magia. Apenas eu, caminhando para o que poderia ser minha destruição. Ela estava diferente. Mesmo físicamente. Postura mais ereta, olhos mais... múltiplos. Não literalmente, mas sensação de ver através dela, não apenas para ela. — Você veio — ela disse. Não acusação. Constatação. — Você sabia que viria — eu respondi. Não pergunta. — Sabia. Porque você é quem é. Quem escolheu ser. Confiar, mesmo quando insensato. Eu esperei. Não perguntei o que queria. Não exigi explicação. Apenas... presença. — Eles me mostraram — ela disse finalmente. —







