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Capítulo 3

Author: Mandala
Qualquer presente vindo de Noelle — a garota de quem ela tanto gostava — era motivo mais do que suficiente para arrancar um sorriso do rosto de Bridget.

Mas isso pertencia ao passado.

Fechei a tampa da caixa e devolvi-a para ela.

— Você mesma deve entregar isso à minha mãe, quando tiver oportunidade.

Noelle franziu a testa, confusa.

Eu costumava agir sempre conforme ela esperava de mim. No entanto, aquele meu comportamento, distante embora educado, parecia-lhe algo completamente estranho.

Sentindo uma inquietação crescente, ela agarrou as minhas mãos.

— A saúde da Bridget...

Nesse momento, Charles apareceu e passou o braço por cima dos ombros dela.

— Vou ficar nesse quarto, Noelle — disse ele, apontando diretamente para o meu quarto. — Este espaço já está ocupado.

Noelle virou-se para mim e explicou:

— Ele é um amigo meu. Precisa de um lugar para ficar por causa do trabalho.

Ela olhou para mim com intensidade, como se esperasse que eu me opusesse e dissesse que não.

Para a sua surpresa, apenas balancei a cabeça e concordei sem a menor hesitação.

— Pode ficar com o quarto. Eu vou para a casa da minha mãe.

Noelle ficou completamente atônita. Sem me dar tempo de mudar de ideia, Charles entrou logo no cômodo.

Foi só então que ela reparou nas malas que eu segurava.

Apertou os lábios e segurou as minhas mãos com firmeza, sem querer me soltar. Uma sombra de culpa pesava claramente em seu olhar.

Como Charles continuava a pressionar, ela acabou dizendo:

— Amanhã eu passo por lá para ver como está a Bridget.

...

Com as malas, fui até a residência da minha mãe. A intenção era apenas recolher os seus últimos pertences. Mas, ao olhar ao redor, não consegui conter as lágrimas.

A casa tinha espaço suficiente para muita coisa. E, ainda assim, tudo o que ali cabia eram pequenos fragmentos da minha vida ao lado de Noelle.

Fotos nossas pendiam por todas as paredes. Sobre a mesa, estavam os bichos de pelúcia baratos em forma de pato que eu e Noelle havíamos dado a ela. Num canto, havia uma pilha de caixas de leite, intocadas — Bridget guardava tudo aquilo para nós dois, nunca consumindo nada para si mesma.

Ela também mantinha guardada numa caixa a pulseira que havia recebido de Noelle, polida com tanto cuidado que ainda brilhava como nova.

Além disso, havia inúmeras peças de artesanato, bordados que nunca chegaram a terminar e uma pilha enorme de bolsas feitas de couro. Tudo o que ela fazia tinha um único objetivo: ajudar a pagar as dívidas que Noelle dizia ter e garantir que eu pudesse construir um futuro feliz.

Rasguei todas as fotos e quebrei os brinquedos de pelúcia. A única imagem que poupei foi a que mostrava eu e Noelle, de mãos dadas, ao lado da minha mãe. Simplesmente não tive coragem de destruí-la. Guardei-a dentro de um baú e limpei todo o espaço.

Depois, voltei ao escritório para encerrar os meus últimos compromissos. Ao entrar, vi Charles sentado na minha mesa. Os meus colegas olhavam para nós em silêncio — provavelmente imaginavam que se tratava de um confronto entre o amigo de infância e o namorado. Qualquer um que se envolvesse naquela história acabaria saindo ferido.

Quando me aproximei, Charles cruzou as pernas e jogou-me um cheque.

— Dez milhões de dólares por esse lugar — disse ele.

Diante da sua atitude arrogante, peguei o documento com toda a calma.

— Está bem. Vou arrumar as minhas coisas.

Todos no escritório acharam que eu tinha vendido a minha dignidade em troca daquele dinheiro. Mas as suas opiniões já não me afetavam mais. Apenas recolhi os meus pertences e saí.

Noelle chegou logo em seguida e reparou na caixa que eu segurava. Os seus maxilares se contraíram, visivelmente tensa.

— Para onde você vai?

— Eu...

Antes que eu pudesse responder, Charles se adiantou.

— Paguei a ele por esse lugar.

Noelle olhou para mim, franzindo a testa, e eu levantei o cheque na altura dos olhos.

— Aceitei o dinheiro. São dez milhões de dólares.

Noelle ficou completamente paralisada. Recuou a cabeça e observou o ar de satisfação de Charles, que parecia muito orgulhoso da sua atitude. O rosto dela ficou duro e sério, gerando uma tensão que se espalhou por todo o ambiente. Não disse nada, como se estivesse aceitando aquela situação.

Assim que saí do escritório, Noelle puxou o braço de Charles de cima dos seus ombros. Diante de todos os presentes, deu-lhe um tapa forte no rosto e disse, numa voz fria e cortante:

— Nunca mais o humilhe, está ouvindo?

Fora do prédio da empresa, recebi uma mensagem de Noelle:

“Os médicos especialistas que contratei já chegaram. Estou mandando-os até o quarto da Bridget no hospital. Hoje à noite devemos ir visitá-la. Estou com saudade da sua comida.”

Soltei um sorriso amargo.

“Adeus, Noelle”, pensei comigo mesmo.

Segui direto para o aeroporto com as minhas malas.

No momento em que embarcava no avião, o meu celular começou a receber mensagens sem parar:

“Os médicos não conseguiram encontrar o quarto da Bridget no hospital, Gab.”

“Onde ela está, Gab?”

“O que aconteceu com a Bridget?”

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