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Capítulo 4

Author: Anonymous
Sete dias antes do casamento, fui ao apartamento novo buscar alguns documentos.

A fechadura eletrônica rejeitou minha senha repetidas vezes. Depois da terceira tentativa, Vivian abriu a porta pelo lado de dentro.

Ela usava meu pijama e segurava um copo de água.

— O que você está fazendo aqui, mana?

Os sapatos dela estavam enfileirados no hall de entrada. Havia um cavalete na sala, e suas roupas secavam penduradas na varanda.

"Aquele lugar não parecia meu futuro lar. Parecia a casa de Vivian."

— Por que você está morando aqui?

— Meu contrato de aluguel venceu. Mamãe mandou que eu ficasse aqui por enquanto.

— Quem permitiu isso?

Um barulho veio da cozinha.

Julian apareceu carregando uma tigela de mingau de aveia e usando o avental que comprei.

— Fui eu.

— Por que você não me contou?

— Você anda muito nervosa ultimamente. Não queria que começasse a pensar demais nisso.

Uma onda de exaustão tomou conta de mim enquanto eu encarava Julian.

— Por quanto tempo ela vai ficar?

— Até encontrar outro lugar.

Vivian acrescentou em voz baixa:

— Mamãe disse que eu podia continuar aqui mesmo depois do casamento. A galeria fica perto, então vou usar apenas o segundo quarto. Não vou atrapalhar vocês.

Entrei no segundo quarto.

As cortinas que escolhi foram trocadas por outras cor-de-rosa. O espaço que reservei para uma estante agora estava ocupado por uma fileira de cavaletes.

Sobre o criado-mudo, havia uma foto.

Nela, Julian e Vivian apareciam um de cada lado de mamãe. No verso, alguém escreveu:

[Nossa pequena família de três. Feliz casa nova!]

Era a letra de mamãe.

Fiquei olhando para a fotografia.

— Quem é a família de três?

O rosto de Vivian perdeu toda a cor, e ela estendeu a mão para arrancar a foto de mim.

O copo que segurava escapou de seus dedos e se estilhaçou no chão. Um dos cacos cortou o dorso da minha mão, fazendo gotas de sangue brotarem imediatamente.

O primeiro impulso de Julian foi puxar Vivian para trás dele.

— Você se machucou?

Ela negou com a cabeça.

— Por que você pegou a foto dela?

Ergui minha mão ensanguentada.

— Julian, quem se machucou fui eu.

Um lampejo de pânico atravessou o rosto dele. Julian se virou para pegar o kit de primeiros socorros, mas o spray antisséptico estava vazio.

— Vivian usou o resto há alguns dias, quando se cortou. Vou comprar mais.

— Não precisa.

Pressionei um lenço de papel contra o ferimento e peguei a fotografia novamente.

— A entrada deste apartamento custou oitocentos mil dólares. Eu contribuí com duzentos e setenta mil. A reforma custou cem mil, e eu paguei setenta mil. Agora, sem meu conhecimento ou consentimento, você deixou Vivian se mudar para cá, trocar toda a decoração e alterar a senha da porta. Todos vocês simplesmente presumiram que eu nunca iria embora?

Julian franziu a testa.

— Ninguém está tentando expulsar você. Vivian só está aqui temporariamente. Por que precisa ficar fazendo essas contas?

— E se eu quiser que ela saia hoje?

As lágrimas de Vivian começaram a cair no mesmo instante.

— Eu vou embora. Você nunca gostou de mim, mana. Não quero ser um peso para ninguém.

Ela se virou para arrumar suas coisas.

Julian permaneceu parado na porta, com os olhos cheios de decepção.

— Está feliz agora?

O celular dele tocou quase imediatamente.

Mamãe me repreendeu por eu não ser capaz de tolerar a própria irmã. Papai disse que o apartamento estava vazio de qualquer maneira e que deixar Vivian morar ali por algum tempo não desgastaria as paredes.

Até meus amigos enviaram mensagens, dizendo que eu não deveria criar confusão tão perto do casamento.

Todos se manifestaram em defesa de Vivian, mas ninguém perguntou se minha mão doía.

Fui ao quarto principal buscar meus documentos. Sobre o criado-mudo, encontrei um caderno com os votos de casamento.

Julian escreveu apenas metade.

A primeira frase dizia:

"Quero agradecer à Vivian por me ensinar a cuidar de uma garota."

A folha tremeu de leve entre meus dedos.

Até as palavras que ele pretendia dizer para mim no nosso casamento começavam com ela.

Devolvi o caderno ao mesmo lugar.

— Julian, você tem razão. Eu não deveria ficar fazendo essas contas.

Ele interpretou minhas palavras como uma mudança de ideia, e sua expressão se suavizou.

— Eu também errei nessa questão. Depois do casamento, vou consertar tudo.

— Não será necessário.

Tirei o anel do dedo e o coloquei sobre o aparador ao lado da porta.

— Meu advogado vai entrar em contato com você sobre minha parte no apartamento e os valores que investi na reforma. Também vou arcar com a minha parte das taxas de cancelamento do casamento.

O rosto dele perdeu toda a cor.

— O que você está dizendo?

— Estou dizendo que não vou mais ser a noiva.
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