Início / Romance / A Obsessão do Senhor Sterling / Capítulo 1: O preço do controle

Compartilhar

A Obsessão do Senhor Sterling
A Obsessão do Senhor Sterling
Autor: melodi

Capítulo 1: O preço do controle

Autor: melodi
last update Data de publicação: 2026-10-15 05:15:31

 

O relógio da recepção marcava sete e cinquenta e oito da manhã quando o elevador privativo da torre Sterling International emitiu um sinal sonoro metálico, seco e sem nuances.

Eu não levantei os olhos de imediato. Tinha os dedos apertados contra o caderno de capa gasta que levava na bolsa; um hábito bobo, mas era a única coisa que me lembrava de onde eu vinha e para onde não pretendia voltar.

Tinha passado os últimos dois meses acumulando cobranças na mesa da cozinha, vendo minha mãe disfarçar a dor nas costas enquanto tentava sorrir para não me preocupar.

Após uma demissão injusta no meu emprego anterior — onde me usaram como bode expiatório para encobrir o desfalque de um superior —, estar de pé no quadragésimo andar deste arranha-céu não parecia um triunfo, mas sim a última trincheira.

Precisava deste emprego de assistente executiva para pagar os remédios da mamãe e renegociar as dívidas médicas antes que nos tirassem a casa. Não podia me dar ao luxo de falhar.

— Bom dia. Sou Valeria Cruz — disse, dirigindo-me à recepcionista, mantendo a voz firme apesar do nó que apertava minha garganta.

A mulher mal piscou. Com um gesto autômato de cabeça, apontou para as portas duplas de vidro translúcido que davam para o escritório principal.

— Entre. Ele não gosta de esperar.

Ajustei meu blazer cinza — a única apresentação impecável que me restava no armário — e dei um passo à frente.

O escritório de Dante Sterling não parecia um local de trabalho; parecia um mausoléu projetado com vidro, aço polido e uma vista panorâmica da cidade que causava mais vertigem do que admiração.

E lá estava ele, de costas, observando a neblina matinal que ainda envolvia os arranha-céus.

Mesmo em silêncio, sua presença impunha uma pressão quase física no ambiente. Vestia um terno sob medida de corte impecável, a postura ereta e a mão direita apoiada no bolso da calça. Não se virou ao ouvir meus passos.

— Três minutos atrasada, senhorita Cruz — disse ele. Sua voz era grave, pausada, desprovida de qualquer calor de boas-vindas.

— O elevador principal estava fora de serviço para manutenção, senhor Sterling. Usei as escadas até o décimo andar para pegar o alternativo — respondi de imediato, recusando-me a soar apologética por algo que estava fora do meu controle.

Pela primeira vez, ele se virou lentamente. Seus olhos cinzentos, frios como o aço da mesa de reuniões, me percorreram em um segundo que parecia ter congelado o ar.

Não havia curiosidade em seu olhar; apenas uma avaliação técnica, como se medisse o coeficiente de resistência de um material antes de submetê-lo à pressão.

— Nesta empresa não gerenciamos desculpas, gerenciamos resultados — replicou, caminhando em direção à sua mesa com passos medidos. — Se a logística de um elevador altera sua capacidade de pontualidade, significa que você não contemplou as variáveis.

Senti uma faísca de calor subindo pelo meu pescoço. Estava acostumada ao trabalho duro, a chefes exigentes e a jornadas intermináveis, mas não a que tratassem minha dignidade como uma falha de cálculo.

No entanto, antes de responder, lembrei-me do rosto da minha mãe na noite anterior, contando os comprimidos que restavam no frasco. Engoli em seco, mantive o queixo erguido e sustentei o olhar dele.

— Compreendido. Não voltará a acontecer.

Dante parou atrás da mole de mogno e vidro que servia de mesa. Apoiou a ponta dos dedos na madeira e arqueou uma sobrancelha, visivelmente surpreso — ou talvez incomodado — por eu não ter abaixado a cabeça.

— Revisei seu histórico — continuou, segurando uma pasta preta. — Excelente média acadêmica, boas recomendações técnicas, mas uma demissão recente em seu cargo anterior por supostas irregularidades na entrega de relatórios financeiros. Por que eu deveria contratar alguém com uma sombra de dúvida sobre sua honestidade?

O golpe foi direto, calculado para me desestabilizar. Ele soube exatamente onde pressionar.

— Porque nós dois sabemos que essa acusação foi o caminho mais rápido para cobrir o erro do diretor do departamento — respondi sem hesitar, deixando que a verdade sustentasse cada palavra. — Se eu fosse culpada, estaríamos conversando em um tribunal, não no seu escritório. Vim para a Sterling International porque preciso do trabalho e porque sou a pessoa mais capacitada para organizar este caos. Se procurava alguém para intimidar e fazer assinar papéis sem ler, errou de candidata.

O silêncio que se seguiu à minha resposta foi pesado. Pude ver o momento exato em que suas pupilas se dilataram levemente.

Durante dois segundos inteiros, o homem indomável que fazia os executivos da cidade tremerem me observou não como mais uma subordinada, mas como uma anomalia em seu perfeito sistema de controle.

Dante caminhou em minha direção. A cada passo que dava, a diferença de altura e a firmeza de sua postura buscavam diminuir meu espaço, mas me forcei a não dar um único passo para trás.

Ele parou a menos de um metro. Pude perceber o aroma sutil de sândalo e café preto que o envolvia, um perfume que não escondia a tensão contida em seus ombros.

— Você tem personalidade, senhorita Cruz — murmurou, em um tom baixo que soou quase como uma advertência. — Mas personalidade sem obediência neste escritório é apenas um estorvo.

— A obediência cega não previne erros, senhor Sterling — sustentei o olhar dele, sentindo a pulsação acelerada no meu pulso, mas mantendo o rosto inexpressivo. — A eficiência, sim.

No fundo de seus olhos cinzentos cruzou um lampejo fugaz, algo parecido com uma racha em um muro de contenção.

Atrás de toda aquela arrogância e daquele domínio absoluto, percebi algo que eu conhecia muito bem porque via todas as manhãs no meu próprio espelho: uma solidão profunda, um isolamento autoimposto para evitar que qualquer um se aproximasse o suficiente para ver as cicatrizes.

Ele controlava tudo ao seu redor não por grandeza, mas porque era a única forma que conhecia de não se quebrar novamente.

Dante deu meia-volta e ficou novamente de costas para a janela, quebrando a tensão do momento.

— Seu período de experiência começa agora mesmo — disse, pegando uma pilha de relatórios sobre a mesa. — Em dez minutos quero o resumo da situação financeira da filial em Madri e a lista de participantes da reunião com o conselho. Se cometer um único erro hoje, a porta por onde entrou continua aberta.

— Terá os relatórios em oito minutos — respondi com serenidade.

As horas seguintes se transformaram em uma espiral incansável de exigências.

Dante Sterling não trabalhava como um ser humano comum; devorava dados, corrigia contratos com uma caneta fina e delegava chamadas sem me conceder um segundo para respirar. No entanto, não deixei que ele me visse hesitar.

Organizei seus arquivos criptografados, reorganizei sua agenda atolada e filtrei três ligações de investidores agressivos com uma firmeza que fez Dante levantar os olhos do monitor mais de uma vez.

Às duas da tarde, enquanto ele revisava um balanço na mesa de reuniões, aproximei-me para deixar uma pasta com a correspondência prioritária.

Ao me inclinar levemente, toquei sem querer as costas da mão dele com meus dedos.

Foi apenas um contato de um segundo, mas a descarga elétrica que percorreu minha pele me fez dar um leve sobressalto. Dante congelou instantaneamente.

Seus olhos cinzentos se cravaram no meu rosto com uma intensidade devoradora e, por um microssegundo, a máscara de frieza desmoronou por completo, deixando à mostra uma fome feroz e desconcertante.

Puxei a mão rapidamente, disfarçando o tremor dos meus dedos ao arrumar uma mecha de cabelo atrás da orelha.

— O relatório da junta de auditores está pronto, senhor Sterling.

Ele limpou a garganta, endurecendo as feições de imediato.

— Certo. Pode tirar vinte minutos para almoçar, senhorita Cruz.

— Não estou com fome. Prefiro adiantar a revisão do projeto de expansão imobiliária.

— Eu não estava pedindo permissão, era uma ordem — sentenciou com frieza. — Não preciso de uma assistente fraca no meio da tarde. Saia.

Saí do escritório pressionando os lábios para não responder. A arrogância daquele homem testava cada um dos meus nervos, mas a forma como ele me olhava... a forma como o ar parecia faltar cada vez que ele entrava no meu campo de visão me perturbava mais do que eu queria admitir.

Às seis da tarde, a luz do sol começou a se apagar sobre os vidros da torre. Os corredores do quadragésimo andar ficaram em penumbra e o murmúrio habitual dos funcionários desapareceu por completo.

Eu estava na minha mesa terminando de digitalizar as últimas anotações quando ouvi um barulho abafado dentro do escritório de Dante. Um golpe seco, seguido pelo som de vidro se quebrando.

Fiquei de pé imediatamente. Esquecendo os protocolos, empurrei a porta dupla e entrei sem bater.

A cena que encontrei me gelou o sangue.

O abajur de design que ornava a mesa de apoio estava despedaçado no chão.

Dante estava curvado sobre a mesa, com as duas mãos apoiadas com força sobre a madeira, respirando de maneira agitada e descontrolada.

Estava com a gravata entreaberta e o paletó jogado sobre o sofá. Mas o que me congelou foi ver como sua mão direita apertava com os nós dos dedos brancos um pequeno porta-retratos antigo que acabara de tirar da gaveta inferior.

— Senhor Sterling... o senhor está bem? — perguntei, dando um passo cauteloso em sua direção.

— Eu disse para você ir embora! — rugiu, levantando a cabeça.

Seu rosto estava pálido e, em seus olhos cinzentos, já não havia arrogância nem poder; havia um pânico contido, a sombra devastadora de uma dor antiga que parecia sufocá-lo por dentro. Um ataque de ansiedade com todas as letras.

Não dei um passo para trás. Em vez de fugir como qualquer pessoa sensata faria, meu instinto me impulsionou a me aproximar.

— Respire — disse com suavidade, baixando o tom de voz enquanto caminhava em direção à mesa. — Solte o ar devagar. O senhor não está se sufocando, senhor Sterling. Olhe para mim.

Ele me olhou, e pela primeira vez vi o homem atrás do monstro corporativo. Um homem quebrado, enterrado sob o peso de suas próprias correntes. Seus lábios tremeram levemente, incapazes de formular uma ordem ou uma ameaça.

— Não... não me toque — sussurrou, com a voz embargada.

— Não vou tocar no senhor. Apenas respire comigo — sustentei o olhar dele com firmeza e ternura, inspirando profundamente para que ele me imitasse.

Aos poucos, após vários segundos de um silêncio sufocante, o peito de Dante começou a subir e descer a um ritmo mais normal. A rigidez de seus ombros cedeu ligeiramente.

Ele desviou o olhar para o objeto em sua mão e, com um movimento quase instintivo, tentou guardar a fotografia na gaveta antes que eu pudesse vê-la. Mas foi tarde demais.

A moldura de madeira estava gasta. Dentro, a imagem em preto e branco mostrava um menino pequeno segurando a mão de uma mulher jovem de sorriso doce.

Mas o que fez meu coração dar um pulo não foi a foto em si, mas o verso da imagem, que ao deslizar pela racha do vidro deixou à mostra um bilhete escrito à mão com tinta desbotada:

"Para o meu pequeno Dante. Perdoe-me por não ser forte o suficiente para ficar. A família Cruz cuidará de você quando eu não estiver mais aqui."

O ar da sala tornou-se mortalmente gélido.

Meus olhos se arregalaram ao ler o sobrenome. O meu próprio sobrenome. Minha mente começou a ligar os pontos a uma velocidade vertiginosa: as dívidas inexplicáveis da minha família, o segredo da minha mãe sobre o passado e o ódio visceral que os Sterling tinham das pequenas empresas do nosso setor.

Dante percebeu imediatamente que eu tinha lido o bilhete. A fragilidade em seu rosto desapareceu em um piscar de olhos, substituída por uma fúria sombria e perigosa. Ele se levantou de golpe, rodeou a mesa com passos raivosos e me encurralou contra a parede de vidro antes que eu pudesse reagir.

Seu hálito quente roçou minha bochecha. Estava tão perto que eu podia sentir a batida descontrolada de seu coração contra o meu peito. Sua mão se apoiou no vidro, bem ao lado da minha cabeça, bloqueando qualquer via de fuga.

— Você não deveria ter visto isso — sibilou com uma voz tão baixa e ameaçadora que me arrepiou a pele.

— O que significa esse bilhete, Dante? — perguntei, esquecendo por completo as formalidades, sentindo a adrenalina correr pelas minhas veias. — Por que o sobrenome da minha família está em uma foto do seu passado?

Os olhos cinzentos de Dante se cravaram nos meus com uma mistura ardente de ódio, suspeita e uma atração selvagem impossível de esconder. Ele aproximou o rosto do meu, até que nossas bocas ficassem a milímetros de distância.

— Significa, senhorita Cruz — murmurou com um sorriso amargo e perigoso —, que você não veio para esta empresa por acaso... E que, a partir de hoje, não vou deixar você sair do meu lado até descobrir que tipo de jogo sua família está jogando comigo.

Continue a ler este livro gratuitamente
Escaneie o código para baixar o App

Último capítulo

  • A Obsessão do Senhor Sterling   Capítulo 6: O peso da verdade

    O relógio de parede da sala de reuniões da torre Sterling International marcava três e cinquenta e cinco da tarde. Faltavam cinco minutos para que a tempestade estourasse oficialmente.Apertei a pasta de couro contra o meu peito enquanto caminhava ao lado de Dante pelo corredor do quadragésimo andar.Ao contrário do que tinha acontecido naquela manhã, minha pulsação não tremia por medo nem por incerteza; batia descontrolada pela adrenalina e pela lembrança indelével do beijo que tínhamos compartilhado horas antes na biblioteca.Aquele contato tinha mudado as regras do jogo. Eu já não era apenas sua assistente em período de experiência nem a filha de uma família encurralada: era a única pessoa que segurava a prova capaz de salvar o império dele e limpar o nome da minha mãe.— ¿Está pronta, Valeria? — perguntou-me Dante sem desacelerar o passo, abotoando o terno impecável. Sua voz era séria, mas em seus olhos cinzentos já não havia aquela frieza distante, e sim uma cumplicidade que me

  • A Obsessão do Senhor Sterling   Capítulo 5: A aliança das sombras

    O impacto das palavras de Julián ficou pairando no ar da biblioteca como fumaça densa. Olhei para Dante, esperando ver uma rachadura de pânico ou dúvida em seu rosto, mas o homem apenas endureceu os traços até transformá-los em uma máscara intransponível.— O Andrés está se precipitando — disse Dante, com uma serenidade que me pareceu aterradora. — Ele acha que, por usar a Camila e mover um par de acionistas assustados, pode me encurralar no meu próprio conselho.— Não é um par de acionistas, Dante — interrompeu-o Julián, dando dois passos em nossa direção e baixando a voz. — Ele chamou os três membros principais do conselho. Está vendendo a eles a ideia de que você comprou uma dívida de alto risco vinculada a uma família que esteve em falência fraudulenta há vinte anos. Diz que você usou informação privilegiada da empresa para benefício pessoal.— Isso é uma difamação absurda! — exclamei, dando um passo à frente sem conseguir conter a indignação. — A falência do meu pai não foi fraud

  • A Obsessão do Senhor Sterling   Capítulo 4: As portas da gaiola

    O portão de ferro forjado da mansão Sterling abriu-se para dentro sem emitir um único rangido. A propriedade, encravada no alto de uma colina com vista para a baía da cidade, era uma fortaleza de linhas minimalistas, paredes de concreto polido e enormes painéis de vidro escurecido. O carro blindado de Dante avançou pelo caminho ladeado por ciprestes até parar em frente à entrada principal.Eram seis e cinquenta e oito da manhã.Apoiei a palma da mão sobre o meu caderno dentro da bolsa, sentindo o coração disparar contra as minhas costelas. Mal tinha conseguido dormir duas horas na poltrona da suíte da clínica. Minha mãe continuava estável, monitorada pelos melhores especialistas da cidade, mas o preço de sua tranquilidade era o quarto que se abria diante de mim. Eu tinha assinado uma trégua invisível com o demônio em troca da vida de Sofía, e agora era hora de entrar em sua toca.O motorista abriu a porta para mim. Ao descer, o vento fresco da baía desgrenhou meu cabelo, mas me forcei

  • A Obsessão do Senhor Sterling    Capítulo 3: Xeque à liberdade

    O motor do helicóptero médico estrondava sobre nossas cabeças enquanto a equipe de especialistas transferia a maca da minha mãe.Ver Sofía cercada por monitores de última geração e enfermeiros atentos a cada um de seus sinais vitais deveria ter me trazido alívio, mas a única coisa que eu sentia era uma corda invisível se apertando ao redor do meu pescoço.Dante Sterling permanecia de pé a alguns metros da ambulância particular, com a luz das sirenes piscando sobre a linha polida de seu maxilar.Ele tinha resolvido em dez minutos o que teria me custado anos de sofrimento, despejos e humilhações. Mas não tinha feito isso por compaixão. Tinha comprado a liberdade da minha família para me manter presa à sua vontade.— A transferência para a Clínica Sterling Center será concluída em quinze minutos, senhor — informou o médico-chefe, inclinando levemente a cabeça diante de Dante antes de subir no veículo.Dante assentiu com frieza e virou-se para mim. Meu amigo Mateo tentou se interpor mais

  • A Obsessão do Senhor Sterling    Capítulo 2: Sombras de arame farpado

    O calor do corpo de Dante Sterling em frente ao meu era uma ameaça tangível. Seus olhos cinzentos, fixos nos meus a escassos milímetros, queimavam com uma mistura amarga de desconfiança e uma fome repentina que congelava a pulsação. Ele mantinha o braço bloqueando minha saída contra o vidro frio da janela e, por um segundo, o silêncio do quadragésimo andar pesou mais do que todo o edifício.— Jogo? — repeti, forçando minha voz a não tremer. — Acha que estou jogando com o senhor, senhor Sterling?— Não me chame assim quando acaba de pisotear o único segredo que mantive trancado a sete chaves durante vinte anos — sibilou ele, encurtando ainda mais a distância. Seu hálito de café e sândalo me envolveu por completo. — A família Cruz. O que você procura exatamente? Chantagem? Uma indenização? Ou veio terminar o trabalho que a mulher daquela foto começou?A humilhação me atingiu no peito antes da raiva. Pensei na minha mãe em casa, com as costas curvadas de dor sobre a mesa, tentando estica

  • A Obsessão do Senhor Sterling    Capítulo 1: O preço do controle

    O relógio da recepção marcava sete e cinquenta e oito da manhã quando o elevador privativo da torre Sterling International emitiu um sinal sonoro metálico, seco e sem nuances.Eu não levantei os olhos de imediato. Tinha os dedos apertados contra o caderno de capa gasta que levava na bolsa; um hábito bobo, mas era a única coisa que me lembrava de onde eu vinha e para onde não pretendia voltar.Tinha passado os últimos dois meses acumulando cobranças na mesa da cozinha, vendo minha mãe disfarçar a dor nas costas enquanto tentava sorrir para não me preocupar.Após uma demissão injusta no meu emprego anterior — onde me usaram como bode expiatório para encobrir o desfalque de um superior —, estar de pé no quadragésimo andar deste arranha-céu não parecia um triunfo, mas sim a última trincheira.Precisava deste emprego de assistente executiva para pagar os remédios da mamãe e renegociar as dívidas médicas antes que nos tirassem a casa. Não podia me dar ao luxo de falhar.— Bom dia. Sou Valer

Mais capítulos
Explore e leia bons romances gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de bons romances no app GoodNovel. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no app
ESCANEIE O CÓDIGO PARA LER NO APP
DMCA.com Protection Status