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Capítulo 3: Xeque à liberdade

Auteur: melodi
last update Date de publication: 2026-10-15 05:21:23

O motor do helicóptero médico estrondava sobre nossas cabeças enquanto a equipe de especialistas transferia a maca da minha mãe.

Ver Sofía cercada por monitores de última geração e enfermeiros atentos a cada um de seus sinais vitais deveria ter me trazido alívio, mas a única coisa que eu sentia era uma corda invisível se apertando ao redor do meu pescoço.

Dante Sterling permanecia de pé a alguns metros da ambulância particular, com a luz das sirenes piscando sobre a linha polida de seu maxilar.

Ele tinha resolvido em dez minutos o que teria me custado anos de sofrimento, despejos e humilhações. Mas não tinha feito isso por compaixão. Tinha comprado a liberdade da minha família para me manter presa à sua vontade.

— A transferência para a Clínica Sterling Center será concluída em quinze minutos, senhor — informou o médico-chefe, inclinando levemente a cabeça diante de Dante antes de subir no veículo.

Dante assentiu com frieza e virou-se para mim. Meu amigo Mateo tentou se interpor mais uma vez, segurando meu braço com firmeza.

— Valeria, isso não é legal. Você não pode aceitar que este homem tome o controle das dívidas da sua mãe desta maneira. Deixe-me revisar os termos da cessão de crédito, posso impetrar uma medida cautelar...

— Mateo, chega — disse minha mãe de dentro da ambulância, com a voz fraca, mas de cortar o coração, enquanto a máscara de oxigênio embaçava com sua respiração. — Por favor... deixe que eles cuidem disso. Eu não aguento mais...

A dor da minha mãe atravessou meu coração. Olhei para Mateo e apertei sua mão com gratidão, tentando disfarçar o tremor dos meus dedos.

— Ela tem razão, Mateo. Minha prioridade é que ela sobreviva. Obrigada por estar aqui, mas preciso resolver isso do meu jeito — sussurrei para ele, afastando-me com suavidade.

Mateo lançou um olhar cheio de raiva e desconfiança para Dante, mas não teve escolha a não ser dar um passo para trás.

Dante nem sequer piscou; ignorou Mateo como se ele fosse uma sombra insignificante e abriu a porta traseira do seu sedã preto blindado para mim.

— Entre, senhorita Cruz. Sua nova vida começa esta noite — disse com aquela voz grave que parecia ecoar no meu peito.

O trajeto até a clínica particular transcorreu em um silêncio sufocante. Dante revisava documentos em seu tablet enquanto o carro cruzava a cidade iluminada.

De vez em quando, sentia seu olhar fixo no meu perfil, medindo minha resistência. Não lhe dei o gosto de me ver chorar. Mantive os olhos fixos na janela, apertando o caderno de metas contra o colo.

A Clínica Sterling Center não parecia um centro médico; era um palácio de mármore branco, vidro blindado e tecnologia de ponta na zona mais exclusiva da cidade.

Assim que a ambulância entrou pela área de emergência VIP, um grupo de médicos de elite assumiu os cuidados de Sofía, instalando-a em uma suíte privativa que parecia um quarto de hotel cinco estrelas.

Enquanto os médicos realizavam os exames preliminares e minha mãe finalmente caía em um sono profundo graças aos sedativos, saí para o corredor do andar executivo da clínica para tomar um ar.

O cheiro de limpeza e o brilho imperturbável do piso de mármore me faziam sentir completamente fora de lugar.

— Ora, ora... Então esta é a causa de tanta mobilização desnecessária.

Uma voz feminina, modulada, elegante e carregada de um veneno sutil, quebrou o silêncio do corredor.

Virei-me lentamente. Caminhando em minha direção com passos firmes sobre saltos altos de estilista, vinha uma mulher espetacular.

Vestia um vestido de corte impecável em tom verde-esmeralda que destacava sua silhueta estilizada, seu cabelo castanho caía em ondas perfeitas sobre os ombros e seus olhos avelã me examinavam com um desprezo absoluto.

Atrás dela caminhava Andrés Molina, o sócio financeiro de Dante, com um sorriso calculista desenhado nos lábios.

Era Camila Rojas. A diretora de relações públicas da Sterling International e ex-noiva de Dante.

— Boa noite — respondi, erguendo a postura instintivamente para não me deixar intimidar por sua presença impecável.

Camila parou a um metro de mim, cruzando os braços enquanto me percorria de cima a baixo com o olhar, detendo-se nas minhas roupas simples e nos meus sapatos gastos pela caminhada da manhã.

— Então você é Valeria Cruz. A nova "assistente" que conseguiu paralisar a agenda do CEO no seu primeiro dia — disse Camila com uma risadinha gelada. — O Andrés me contou que o Dante interrompeu uma reunião decisiva com o conselho de administração para vir a um hospital público resgatar uma morta de fome.

O insulto foi direto, mas não me abalei. Eu tinha lidado com pessoas arrogantes a vida toda, e Camila não passava de uma versão vestida com alta-costura.

— A saúde da minha mãe não é um assunto que lhe diga respeito, senhorita Rojas — respondi com voz firme e serena. — E se o senhor Sterling decidiu estar aqui, sugiro que peça explicações diretamente a ele.

Os olhos de Camila se estreitaram, surpresa pela falta de submissão na minha resposta. Andrés Molina deu um passo à frente, intervindo com uma falsa gentileza que resultava ainda mais repulsiva.

— Cuidado com o tom, senhorita Cruz — interveio Molina. — A senhorita Rojas não é apenas a chefe de imagem da corporação; é a pessoa que zela pela reputação desta empresa. O fato de o CEO usar os fundos da firma para cobrir dívidas de famílias insolventes é um escândalo que o conselho não vai ignorar.

— Se não me engano, o senhor Sterling usou seu patrimônio pessoal para a compra da carteira de crédito — rebati para Molina, lembrando-me dos selos do documento que Mateo tinha me mostrado. — A menos que o senhor esteja sugerindo que o dono da empresa não tem autoridade sobre seus próprios ativos.

Molina desfez o sorriso imediatamente, incomodado ao ver que eu conhecia os detalhes legais. Camila deu mais um passo em minha direção, reduzindo a distância até que eu pudesse sentir seu perfume caro.

— Escute bem, garota — sibilou Camila, baixando a voz para um tom baixo e perigoso. — Não sei que tipo de truque você usou para encontrar a fraqueza do Dante, mas não pense nem por um segundo que vai jogar nesta liga. Conheço o Dante há anos. Já compartilhei a cama dele, conheço seus demônios e sei exatamente até onde ele é capaz de ir quando fica obcecado por algo. Para ele, você não passa de um capricho, um enigma que ele quer resolver para esmagar o seu orgulho. Assim que ele se cansar de você, vai jogá-la de volta na lama de onde a tirou.

— Não preciso que me lembre do meu lugar, senhorita Rojas — respondi sustentando o olhar dela sem piscar. — Mas se conhece tanto o Dante, deveria saber que ele não é o tipo de homem que aceita que os outros falem por ele. Se tem algum problema com a minha presença aqui, resolva com o seu ex-noivo.

Camila ergueu a mão com raiva, como se estivesse prestes a perder a compostura, mas uma presença imponente surgiu às nossas costas, congelando o ar no corredor.

— Há algum problema aqui?

Dante caminhava em nossa direção vindo da suíte médica, com o paletó do terno aberto e as mãos nos bolsos. Seu olhar de aço cravou-se primeiro em Molina e depois em Camila, com um peso que fez ambos os executivos recuarem um passo.

— Dante, querido... — Camila mudou imediatamente o tom, adotando um sorriso encantador e melodioso. — Eu só vim verificar como você estava. O Andrés me disse que a reunião do conselho foi cancelada por causa deste incidente e eu estava preocupada com você. Você não pode permitir que qualquer arrivista ponha em risco a estabilidade do projeto de expansão.

Dante parou ao meu lado. Por um instante, a proximidade de seu ombro contra o meu me transmitiu um calor firme e inesperado.

— A estabilidade do projeto não está em risco, Camila — disse Dante com uma voz gelada que não admitia réplica. — O que está em risco é o seu cargo, se continuar abandonando suas funções no departamento de relações públicas para se intrometer nas minhas decisões pessoais.

Camila empalideceu, apertando os punhos com fúria contida ao ser repreendida na minha frente.

— Dante, eu só estou tentando te proteger...

— Não preciso que me proteja — cortou ele sem piedade. — Andrés, quero o relatório da filial de Madri na minha mesa logo pela manhã. E Camila, volte para a torre. A conversa acabou.

Molina assentiu com rigidez e pegou Camila pelo braço. Ela me lançou um último olhar cheio de ódio puro antes de se virar sobre os saltos e se afastar pelo corredor.

Quando ficamos sozinhos, o silêncio entre Dante e mim voltou a ficar espesso. Olhei de relance para o homem que acabara de defender seu território com a precisão de um predador.

— Não precisava ter me defendido dela — murmurei, ajeitando meu casaco.

— Não defendi você, senhorita Cruz — respondeu Dante, olhando-me de frente com aquela intensidade cinzenta que acelerava minha pulsação. — Marquei meus limites. Ninguém nesta empresa questiona minhas ordens, nem mesmo a Camila.

— Ela tem razão em uma coisa — disse, dando um passo em direção a ele. — Para o senhor, isso é apenas um jogo de poder. Trouxe-me a esta clínica e pagou as dívidas da minha mãe para me manter encurralada.

Dante deu um passo à frente, encurtando a distância entre nós até que sua figura eclipsasse a luz do corredor. Inclinou-se levemente em minha direção, roçando quase meu ouvido com os lábios.

— Eu a encurralei porque você é a única pessoa que tem as respostas que estou procurando há vinte anos, Valeria — sussurrou com uma voz carregada de uma paixão sombria e perigosa. — Sua mãe vai se recuperar aqui, sob os cuidados dos melhores médicos. Mas você vai viver sob as minhas regras. Amanhã, às sete da manhã, quero você na minha residência executiva. Não no escritório. Na minha casa.

Meu coração deu um pulo selvagem.

— Na sua casa? Por quê?

— Porque se vai quitar sua dívida comigo — disse Dante, voltando a olhar nos meus olhos com um sorriso dominante —, vai começar me ajudando a desenterrar os segredos que sua família escondeu da minha. E não pretendo perdê-la de vista nem por um único segundo.

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