Teilen

Capítulo 7

Chu
Durante aqueles três dias, Bianca anunciou sua felicidade ao mundo inteiro.

No primeiro dia, publicou um vídeo nas redes sociais.

Adrian aparecia na cozinha, atrapalhado, preparando uma sopa para ela.

Bianca se encostava nele, com um sorriso doce a ponto de dar enjoo.

Na legenda, escreveu:

[Ele está aprendendo a cozinhar. Por mim. Por nós.]

No segundo dia, foi ainda mais longe.

Passeio por lojas de bebê. Massagem nos pés dele tarde da noite. Uma gravação de Adrian lendo uma história antes de dormir.

Oito milhões de seguidores suspiraram de inveja.

Os comentários vieram como uma enchente.

[Foram feitos um para o outro.]

[Ela é tão sortuda.]

[Isso sim é amor de verdade!]

No terceiro dia, veio um beijo ao pôr do sol.

As silhuetas dos dois ardiam sob o céu alaranjado, como uma cena ensaiada para fazer o mundo acreditar em conto de fadas.

Bianca anunciou a transmissão ao vivo do aniversário no dia seguinte.

[Venham comemorar comigo. Quero dividir essa felicidade com todos vocês.]

Assisti a tudo pela tela.

Foi nesse momento que meu celular tocou.

— Minha filha. — A voz grave do meu pai veio do outro lado. — Amanhã é seu aniversário. Vou dar uma festa para você. Uma festa de verdade. Quero que todos vejam, com os próprios olhos, quem é a verdadeira herdeira da família Conti. Você está pronta?

Minha garganta se fechou.

As lágrimas que eu segurava havia dias enfim subiram aos olhos.

— Sim, pai. Estou pronta.

O dia seguinte era meu aniversário.

E, por ironia, também era o aniversário de Bianca.

Ela nem imaginava o que a esperava.

...

O salão de festas parecia um palácio erguido com dinheiro.

Lustres de cristal cintilavam no alto. Torres de champanhe se erguiam em camadas. Os vestidos sob medida dos convidados custavam mais do que o casamento inteiro de muita gente.

Bianca circulava entre eles com naturalidade, impecável, dona de um sorriso sem rachaduras.

Ao lado dela, Adrian parecia distante.

Inquieto. Os dedos não paravam sobre a tela do celular.

Meu telefone vibrou no bolso.

Depois vibrou outra vez.

Não abaixei os olhos.

Eu já sabia exatamente o que aquelas mensagens diziam.

Nos últimos dias, Adrian não parou de mandar mensagens assim:

[Onde você está?]

[Volte para casa.]

[Pare com essa birra.]

Só naquela manhã ele percebeu, de repente, que eu bloqueei seu número de vez.

Então as mensagens cessaram.

E o pânico, junto com uma inquietação cada vez mais feroz, começou a crescer dentro dele.

Observei quando Adrian tirou o celular de novo e ligou para alguém.

— Mordomo, Selena entrou em contato com você?

A voz dele saiu baixa, tensa. Depois de um breve silêncio, continuou:

— Não. Ela não pode ter fugido de casa de verdade. Todas as coisas pessoais dela ainda estão na mansão. As joias, os relógios caros, todos os presentes que eu lhe dei continuam lá.

— Ela só quer provar alguma coisa com isso. Se queria me irritar, conseguiu.

Um amigo dele se aproximou com um sorriso debochado no rosto.

— Don Adrian, hoje é aniversário de Bianca. Por que se preocupar tanto com Selena, aquela órfã?

Adrian encerrou a ligação com brutalidade e soltou um riso frio.

— Você está imaginando coisas. A única pessoa com quem eu me importo sempre foi Bianca. Ela é minha única companheira.

Aquela declaração apaixonada caiu exatamente diante da câmera da live que Bianca acabava de abrir.

A transmissão explodiu na mesma hora.

[Ele é completamente louco por ela!]

[Esse é o marido dos sonhos!]

[Que casal perfeito! Estou surtando!]

O sorriso no canto da boca de Bianca ficou ainda mais orgulhoso, quase insolente.

Mas aquela satisfação não durou muito.

Por hábito, Bianca tocou o próprio peito.

No instante seguinte, seus olhos se arregalaram, tomados por espanto e pânico.

— O broche... — Murmurou.

Então sua voz subiu de repente.

— Meu broche! Sumiu!

Aquele broche era o símbolo da herdeira da família Conti.

Se o perdesse, Bianca não só enfrentaria a fúria do meu pai como também podia perder o posto de herdeira da família Conti.

O rosto de Adrian ficou sombrio no mesmo instante.

— Ninguém sai deste hotel. Encontrem o broche. Agora!

Os convidados começaram a cochichar, e a live entrou em combustão.

Bianca segurou uma amiga pelo braço e correu para o camarim.

No mesmo instante, saí do salão lateral.

Nossos olhares se cruzaram. Demos de cara uma com a outra.

As amigas de Bianca prenderam a respiração.

— Selena? O que você está fazendo aqui? Entrou escondida? Foi você...

Uma delas apontou para mim, os olhos estreitos.

— Foi você quem roubou o broche?

As câmeras se voltaram para mim. Celulares se ergueram no ar.

Todos os olhares daquele corredor caíram sobre mim de uma só vez.

Bianca segurou a amiga com falsa delicadeza e falou baixinho para a câmera:

— Gente, não entendam mal. Ela é empregada da casa de Adrian... Talvez entrou escondida, mas está tudo bem.

A amiga dela torceu a boca, cheia de desprezo.

— Uma empregada vestida desse jeito? Olhem essa roupa. Olhem o relógio no pulso dela. Isso jamais se compra com salário de empregada!

A voz dela subiu, cada vez mais estridente.

— Foi ela! Ela não roubou só o broche. Roubou também tudo que está usando. Essa mulher quer tomar o seu lugar!

Lies dieses Buch weiterhin kostenlos
Code scannen, um die App herunterzuladen

Aktuellstes Kapitel

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 16

    Bianca viu Adrian ser levado embora, e a satisfação em seu rosto congelou.Só então entrou em pânico. Ela se arrastou até os pés de Leonardo e bateu a testa no chão sem parar, até o sangue escorrer.— Sr. Leonardo, por favor, me poupe! Eu errei!— Nunca mais vou fazer isso. Nunca mais vou machucar a Srta. Selena!Leonardo baixou os olhos para ela.Seu olhar era frio até os ossos, sem a menor piedade.— Quando você a machucou, pensou no preço que pagaria?— Nem a sua vida compensa a dor do filho que ela perdeu.Ele ergueu o queixo para os soldados, a voz gelada.— Levem-na.Bianca se apavorou. Debateu-se, chorou, gritou.— Não! Eu não quero ir! Por favor, me soltem!Os soldados não se comoveram.Eles a ergueram à força e a arrastaram dali.Mais tarde, ouvi dizer que, no primeiro dia no campo de punição mais cruel da Máfia, Bianca perdeu o bebê.Ali não existia dignidade. Não existia liberdade. Só uma tortura sem fim.Todo o orgulho dela, todos os seus cálculos, se desfizeram dia após di

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 15

    Bianca fez uma pausa. Então sorriu, triunfante.— Porque você também matou o filho dela.— Filho?Adrian estremeceu. Suas pupilas se contraíram.Ele virou o rosto para mim de repente, os olhos tomados por choque e incredulidade.— Nós... tivemos um filho?Ao ouvir aquela palavra, meus olhos arderam.Mas não respondi. Apenas o encarei com frieza. O silêncio era a resposta mais cruel.Adrian entendeu, no mesmo instante, que Bianca dizia a verdade.Seu corpo começou a tremer. O rosto ficou branco como o de um morto.Ele recuou vários passos, a voz trêmula, agarrada ao último fio de negação.— Você está mentindo, não está?Bianca caiu na gargalhada. O som era agudo, cortante, horrível no silêncio da noite.Ela ergueu a cabeça e cravou os olhos em mim como uma cobra.— Você esqueceu?— Ela sofreu um acidente de carro. Foi esse acidente que tirou o filho dela.— Naquele dia, ela carregava seu filho no ventre. Menos de três meses.— Ela ligou para você tantas vezes, pedindo socorro. Mas você

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 14

    Baixei os olhos e observei aquelas pessoas tremendo no chão.Minha voz saiu calma.— Vocês não desprezam tanto os empregados?— Então vão descobrir, na própria pele, como é servir aos outros.Para aquele bando de herdeiros mimados, aquilo era uma humilhação.Mesmo assim, ninguém ousou resistir.Assim que terminei, Leonardo sorriu em aprovação. Havia carinho em seus olhos, e sua voz veio baixa, suave.— Como você quiser.Os soldados os arrastaram para fora do salão. Adrian, ainda inconsciente, também foi levado.A confusão no salão pouco a pouco se dissipou.As luzes se acenderam de novo. A música delicada do piano voltou a preencher o ambiente. Os convidados se aproximaram para me felicitar, como se nada acabasse de acontecer.Aquela era a minha festa de aniversário.Meus pais, que me amavam, celebravam minha volta.Meu noivo ficava ao meu lado, me sustentando diante de todos.Sorri e recebi uma bênção após a outra.Foi o aniversário mais feliz que vivi desde que nasci.Quando a festa

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 13

    Quando terminei de falar, o rosto de Adrian perdeu toda a cor.Suas pupilas se contraíram. O ombro ferido tremeu de leve, e o sangue começou a escorrer com mais força.A culpa transbordava em seus olhos, misturada a uma dor incrédula, quase ofendida.— Amor, não faz isso. — A voz dele tremeu.Era como se aquele tratamento distante fosse mais insuportável do que o tiro.Um de seus homens avançou às pressas, a testa franzida, o tom urgente.— Don, chega. Esse ferimento no ombro não pode esperar. Precisa ser tratado agora.Adrian o afastou com um gesto brusco, com uma força surpreendente.Cambaleou um passo, mas manteve os olhos presos em mim. A voz saiu rouca.— Então você já sabia quem era de verdade e mesmo assim escondeu de mim?— Você desconfiava tanto assim de mim?Antes que o eco da pergunta morresse, minha mãe deu um passo à frente. O olhar dela era gelo puro, e a voz veio afiada.— Adrian, você ainda se acha no direito de questionar minha filha?— Eu já descobri tudo o que você f

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 12

    O tiro explodiu de repente. O som agudo rasgou o caos do salão.Ninguém esperava aquilo.Meu corpo inteiro endureceu. Minha mente ficou branca.Então vi uma sombra se colocar diante de mim.Era Adrian.O disparo acertou seu ombro, e o sangue encharcou sua camisa num instante.Ele soltou um gemido baixo. O corpo oscilou, mas Adrian permaneceu ali, me protegendo com o próprio corpo.Ao mesmo tempo, uma figura alta surgiu das sombras e me puxou para seus braços.O abraço era amplo, quente, envolto por um leve aroma de cedro. Aquela presença afastou o pânico que se espalhava dentro de mim.Levantei os olhos e encontrei um rosto bonito demais para passar despercebido.Era um homem de charme perigoso.Não sei havia quanto tempo me observava em silêncio.Mas, quando me viu em perigo, não hesitou.Meu pai e minha mãe ficaram pálidos de susto. Vieram até mim às pressas e seguraram minha mão com força.— Minha filha, você se machucou? — Minha mãe perguntou, a voz trêmula.Meu pai também franziu

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 11

    O salão explodiu em murmúrios.O número de espectadores na live disparou. Ninguém queria perder aquele espetáculo.[Afinal, ela era uma impostora. Por isso tentou incriminar a senhorita Selena. Devia estar com medo de ser desmascarada.][Que nojo. Bancava a frágil inocente e, por trás, fazia uma coisa dessas.][Antes achei que Selena era ingrata. Agora ficou claro: Bianca armou tudo.]Cada comentário caía sobre Bianca como uma agulha.Ela se levantou num salto, os olhos vermelhos, e gritou:— Calem a boca! Calem todos a boca! Selena deve ter enganado meus pais. Como eu poderia ser uma impostora?Sua voz saiu aguda, estridente, mas não conseguiu abafar os murmúrios.Meu pai franziu a testa, o rosto frio, e ergueu o queixo para os soldados atrás dele.— Tragam a mulher.Pouco depois, dois soldados entraram conduzindo uma mulher simples, marcada pelo tempo.Os cabelos dela já grisalhavam. A roupa era velha. O olhar carregava constrangimento e medo.Meu pai apontou para ela e falou com dur

Weitere Kapitel
Entdecke und lies gute Romane kostenlos
Kostenloser Zugriff auf zahlreiche Romane in der GoodNovel-App. Lade deine Lieblingsbücher herunter und lies jederzeit und überall.
Bücher in der App kostenlos lesen
CODE SCANNEN, UM IN DER APP ZU LESEN
DMCA.com Protection Status