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Capítulo 5

Chu
Tentei tirar o anel. Ele não se moveu.

O metal se enterrava na minha pele. Pequeno demais, apertado demais, como um aro de fogo preso ao osso do meu dedo.

A cada tentativa, uma nova onda de dor subia pelo meu braço.

Mas não era a dor física que fazia meus olhos arderem.

Era o que aquele anel significava.

Aquele anel existia desde sete anos atrás.

Sete anos atrás, antes de eu dividir a cama com Adrian. Antes de eu costurar com as próprias mãos o primeiro ferimento dele. Antes de eu lhe entregar cada pedaço da minha alma.

Ele já escolhia outra mulher.

Cada eu te amo sussurrado no escuro.

Cada promessa.

Cada vez que ele dizia que eu era a única.

Tudo mentira.

Mesmo sabendo a verdade, ainda doía como se eu a descobrisse de novo.

Bianca continuava sentada no chão, chorando baixinho, a voz cheia de mágoa.

— Eu não estou fingindo... Se você gostou tanto desse anel, posso lhe dar outro. Mas este você não pode levar...

Eu nem precisava olhar para trás para sentir o olhar gelado de Adrian sobre mim.

Os passos dele vieram pesados, urgentes, cortando a distância até mim.

— Selena, você já passou de todos os limites!

A mão dele prendeu meu pulso num golpe brusco. Os dedos se fecharam com tanta força que parecia querer esmagar meus ossos.

— Bianca tratou você com tanta gentileza, e você ainda teve coragem de agredi-la?

Cerrei os dentes.

— Eu não fiz isso!

Não soube em que momento os seguranças e empregados se juntaram à entrada da mansão.

Os sussurros deles feriam meus ouvidos como agulhas.

— O Don e Bianca já estão noivos. E daí que ela ficou sete anos com ele? Não venceu a volta de Bianca. Roubar até anel de noivado... Que mulher baixa.

Sem hesitar, Adrian me soltou com violência.

Cambaleei para trás, tropecei na minha própria mala e caí com força sobre o cascalho.

As pedras afiadas rasgaram minha palma.

E rasgaram também o pouco de dignidade que ainda me restava.

O zíper da mala se abriu com o impacto, e um pingente de prata em forma de estrela deslizou para fora.

Pequeno. Barato. Foi o primeiro presente que ele me deu.

— Seus olhos me lembram estrelas. — Ele disse um dia.

Durante sete anos, guardei aquele pingente como se fosse algo sagrado. Escondido no fundo do closet, protegido com a devoção silenciosa de uma prece.

O olhar de Adrian caiu por acaso sobre a pequena estrela, e seus passos vacilaram por um instante.

Mas logo aquele lampejo de ausência foi engolido pela frieza.

Ele avançou.

Ergueu o pé.

E pisou com força sobre a estrela.

Crac.

O pingente de prata se deformou na hora. Rachaduras finas se abriram pela superfície como uma teia.

Igual ao coração que eu protegi com tanto cuidado durante sete anos.

Despedaçado.

Minha respiração falhou.

Bianca se aconchegou nos braços dele, com um sorriso vitorioso no canto da boca.

Então puxou de leve a manga de Adrian, a voz frágil, generosa, ensaiada.

— Adrian, deixa pra lá. Não fica bravo. Eu não culpo ela.

A raiva nos olhos dele ficou ainda mais funda.

Adrian me encarou de cima, a voz tão fria que não carregava um único traço de calor.

— Selena, tire o anel e peça desculpas a Bianca. Assim isso acaba aqui.

Cravei as unhas na palma da mão e falei entre os dentes:

— Eu não roubei nada. E não vou pedir desculpas.

No instante em que terminei, o ar pareceu endurecer.

Adrian se inclinou de repente e agarrou minha mão, a mesma em que o anel estava preso. A força ainda era brutal.

Mas, ao tocar o sangue que escorria entre meus dedos, ele afrouxou o aperto sem perceber.

— Por que você insiste em me desafiar desse jeito? Você antes era tão obediente. Eu não gosto dessa sua versão.

Essa minha versão?

Eu continuava sendo a mulher que o amou por sete anos.

A diferença era que ele nunca se deu ao trabalho de me enxergar de verdade.

— Eu não peguei esse anel. — Forcei de novo, tentando arrancá-lo do dedo. — Foi ela quem colocou na minha mão. Eu não roubei.

O sangue pingava sobre o cascalho.

Por um segundo, algo parecido com pena passou pelo rosto de Adrian.

— Eu não quero humilhar você, Selena. Mas, se continuar com esse escândalo, só vai fazer todo mundo rir de você.

Mesmo assim, não abaixei a cabeça.

Então Adrian se endireitou. O rosto perdeu qualquer expressão.

E a ordem veio seca:

— Tire o anel e o devolva a Bianca.

Não consegui mais conter o que sentia. Meus olhos arderam.

Eu podia suportar as armações de Bianca. Podia aguentar os sussurros dos empregados.

O que eu não suportava era a desconfiança dele.

— Se você não acredita em mim, veja as câmeras da mansão. — Minha voz saiu rouca. — Basta olhar uma vez, e vai saber quem está mentindo.

A resposta veio sem a menor hesitação:

— Não precisa.

— Como princesa da família Conti, ela não tem motivo nenhum para armar contra você.

Ela tinha todos os motivos do mundo.

Mas Adrian fingia não ver.

Porque, no fundo, não queria ver.

A voz de Bianca ficou ainda mais magoada.

— Querido... talvez ela só tenha perdido a cabeça por um instante. Eu estou bem. De verdade.

O rosto de Adrian escureceu.

No segundo seguinte, ele arrancou o anel do meu dedo.

O metal saiu à força, rasgando minha pele. A ponta do meu dedo se abriu em sangue. Mordi o lábio com tanta força para não gritar que senti o gosto de ferro se espalhar pela boca.

Um lampejo de piedade passou pelos olhos dele.

Mas sumiu rápido demais.

Então Adrian se virou e, diante de todos, colocou o anel na mão de Bianca.

— Este anel, do começo ao fim, sempre pertenceu só a você.

Depois, olhou para mim outra vez. O olhar distante. Frio.

— Selena, vá para a casa da sua amiga e descanse lá.

Fiquei parada, atordoada, enquanto a escuridão avançava pelas bordas da minha visão.

Sete anos ao lado dele não valeram mais do que uma lágrima falsa de Bianca.

Com as mãos tremendo, peguei o pingente de estrela esmagado no chão. Um sorriso triste tocou meus lábios.

Então, diante de todos, joguei a pequena estrela no lixo.

— Como quiser. — Minha voz saiu leve, vazia, sem vida.

Virei as costas, peguei a mala e caminhei até o portão.

Adrian olhou para as minhas costas.

Por um instante, hesitou.

Parecia prestes a dizer alguma coisa, mas Bianca se apressou em gemer de dor.

Ele se virou para ela.

Claro que se virou.

Eu continuei andando.

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