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Capítulo 6

Autor: Chu
Peguei minha mala e fui direto para o apartamento que comprei anos antes, com todas as minhas economias.

Depois que Adrian se tornou o Don da Máfia, aquele lugar ficou abandonado.

Ao ver a decoração acolhedora, senti uma dor amarga se espalhar no peito.

Aquele foi o lugar onde ele prometeu passar a vida comigo.

Agora, virava meu refúgio para fugir dele.

Arrumei minhas coisas, me deitei e deixei que o cansaço, frio até os ossos, me engolisse por completo.

Naquela madrugada, acordei com batidas violentas na porta.

Mal abri, e Adrian invadiu o apartamento.

O cheiro forte de uísque vinha dele. E, junto, havia outro cheiro ainda pior: perfume de mulher.

Ele me puxou para os braços e me apertou contra o peito, forte demais, quase sem me deixar respirar.

— Amor. — A voz dele era doce, sem nenhum vestígio da frieza daquele dia. — Eu sabia que você viria para cá. Não fica brava comigo. Olha o que eu trouxe.

Adrian me empurrou para o sofá e se ajoelhou diante de mim.

Então abriu a mão.

O pingente de estrela.

Consertado.

Meu coração falhou por um segundo.

Logo depois, um frio terrível me atravessou por dentro.

Ele achava que aquilo bastava para reparar tudo.

Achava, com uma ingenuidade cruel, que uma joia barata, remendada às pressas, podia remendar nós dois.

Fiquei olhando para ele.

— Você não devia estar aqui. Vá embora.

O rosto dele desabou. Pareceu ferido.

— Por que você me afasta? Não me ama mais?

Baixei a cabeça.

A impotência do acidente voltou à minha mente, junto com a humilhação daquele dia.

— Adrian. — Minha voz tremeu. — Foi você quem disse que eu era só uma substituta. Uma substituta tem o direito de amar você?

Esperei em silêncio.

Esperei que ele negasse. Que lutasse por mim. Que dissesse ao menos uma frase capaz de provar que aqueles sete anos não foram uma mentira do começo ao fim.

Mas Adrian já dormia profundamente.

De manhã, tomei café sozinha.

Ele entrou na cozinha cambaleando, massageando as têmporas.

— Amor, onde está a sopa para ressaca?

Eu bebia meu leite sem levantar os olhos.

Adrian parou.

Naqueles olhos ainda turvos pela ressaca, alguma coisa pareceu despertar de repente.

Ele foi se arrumar. Tomou banho, fez a barba, seguiu cada gesto com uma precisão impecável.

Quando voltou, trazia na pele o cheiro do sabonete que eu costumava usar. Mas ainda vestia a camisa da noite anterior.

Como sempre, tentou beijar minha testa.

Eu desviei.

O movimento dele travou. Um rastro de inquietação passou por seus olhos.

Adrian se ajoelhou ao meu lado e segurou minha mão.

— Ontem eu só não queria que você ofendesse Bianca. Foi por isso que agi daquele jeito. Me desculpa, amor.

— Me bate. Grita comigo. Desconta em mim do jeito que quiser. Só me perdoa.

Não havia uma única onda no meu olhar.

— Tudo bem.

Ele abriu a boca.

Depois a fechou.

Adrian se preparava para as minhas lágrimas, meus gritos, talvez uma briga inteira que ele venceria no fim com paciência, promessas e carícias.

Só não esperava aquela frase leve demais.

Tudo bem.

Os dedos dele apertaram minhas mãos com mais força.

— Hoje à noite. Vamos ao restaurante giratório. Aquele onde nos conhecemos. Vamos voltar lá. Você lembra como éramos felizes?

Ele achava que, dessa vez, eu não recusaria.

E estava certo.

Eu queria ir.

Mas não para reviver o passado.

Eu precisava buscar aquela foto.

A foto do beijo que tiramos depois de vencer uma promoção de Dia dos Namorados no restaurante.

Nela, nós dois sorríamos feito idiotas. Dois tolos perdidos no próprio amor.

Eu jamais permitiria que, um dia, meu rosto aparecesse nas redes sociais de alguém com o rótulo vergonhoso de amante.

Adrian deixou o pingente sobre a mesa e foi embora.

Não toquei nele.

...

Quando a noite caiu, eu me preparava para sair.

Então a mensagem dele chegou.

[Surgiu uma viagem urgente de negócios. Podemos remarcar nosso encontro? Quando eu voltar, tá bem?]

Outra desculpa ruim.

Abri o perfil de Bianca nas redes sociais com uma familiaridade que já me dava nojo.

Como imaginei, Bianca publicou uma nova atualização um minuto antes.

Era uma foto na ala de obstetrícia do hospital.

Na legenda, escreveu:

[Bem-vindo, meu bebê. Papai e mamãe mal podem esperar para conhecer você.]

O primeiro comentário recente apareceu com a foto de perfil de Adrian.

[Papai e mamãe vão proteger você juntos.]

O celular escorregou dos meus dedos.

Por instinto, consegui segurá-lo.

Mas, no mesmo instante, desejei que não conseguisse.

Três dias antes, meu filho morreu dentro de mim, em silêncio. Ninguém soube.

E Adrian celebrava a chegada de uma criança que não era minha.

As lágrimas romperam sem aviso. Deixei que caíssem.

Engoli o que restava da minha dor e mandei uma mensagem ao meu pai.

[Cancele toda cooperação com a família Moretti. Cada negociação. Cada projeto em parceria. Tudo.]

Adrian desejava poder.

Cobiçava riqueza. Queria subir até o ponto mais alto, onde ninguém pudesse alcançá-lo.

E eu não serviria mais de degrau para a ascensão dele.

Fui sozinha ao restaurante.

Na entrada, a recepcionista me impediu de passar.

— Desculpe, senhorita. Este andar inteiro foi reservado para um evento privado.

Tirei da bolsa o cartão black que Adrian me deu.

— Só preciso pegar uma coisa. Uma foto. A que está pendurada na parede.

Ela concordou sem criar problema.

O restaurante estava vazio.

Só havia duas pessoas à mesa junto à janela.

Adrian.

Bianca.

Sobre a mesa, um bolo com velas acesas. Ela se inclinou e apagou as chamas com um sopro.

À luz trêmula das velas, o rosto dela parecia quase delicado.

Adrian a observava com ternura.

— O que você pediu?

Ela sorriu.

— Que nosso bebê nasça com saúde.

Então, como se algo lhe ocorresse por acaso, perguntou sem pressa:

— E se Selena engravidasse? Você também esperaria pelo filho dela?

Adrian se inclinou e a beijou, lento, firme.

— Por que eu deixaria ela engravidar de mim? Ela é só a sua substituta. — Os lábios dele tocaram o rosto de Bianca. — Por que vamos falar dela logo hoje?

Mordi o lábio com força.

As lágrimas caíram no chão.

Naquele instante, nem vontade de confrontá-lo eu senti.

Caminhei até a parede.

Arranquei nossa foto.

Aquela em que nos beijávamos sorrindo, jovens, idiotas, cheios de mentiras na boca.

Rasguei a imagem em pedaços.

Naquela mesma noite, comprei minha passagem de volta para casa.

Três dias. Eu me dei três dias para virar outra pessoa.

Alguém que não se encolhia ao ouvir o nome dele. Alguém capaz de encarar seu rosto sem sentir o mundo desabar.

E depois?

Eu daria aos dois um presente de casamento que jamais esqueceriam.

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Último capítulo

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 16

    Bianca viu Adrian ser levado embora, e a satisfação em seu rosto congelou.Só então entrou em pânico. Ela se arrastou até os pés de Leonardo e bateu a testa no chão sem parar, até o sangue escorrer.— Sr. Leonardo, por favor, me poupe! Eu errei!— Nunca mais vou fazer isso. Nunca mais vou machucar a Srta. Selena!Leonardo baixou os olhos para ela.Seu olhar era frio até os ossos, sem a menor piedade.— Quando você a machucou, pensou no preço que pagaria?— Nem a sua vida compensa a dor do filho que ela perdeu.Ele ergueu o queixo para os soldados, a voz gelada.— Levem-na.Bianca se apavorou. Debateu-se, chorou, gritou.— Não! Eu não quero ir! Por favor, me soltem!Os soldados não se comoveram.Eles a ergueram à força e a arrastaram dali.Mais tarde, ouvi dizer que, no primeiro dia no campo de punição mais cruel da Máfia, Bianca perdeu o bebê.Ali não existia dignidade. Não existia liberdade. Só uma tortura sem fim.Todo o orgulho dela, todos os seus cálculos, se desfizeram dia após di

  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 15

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  • A Outra Mulher do Don   Capítulo 13

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