홈 / Romance / A Presa Favorita do Alfa / Capítulo 1 - Alice

공유

Capítulo 1 - Alice

작가: Maya B. Voss
last update 게시일: 2026-09-30 08:28:19

Quatro anos.

Às vezes parece muito tempo.

Em outras, parece que foi ontem.

Eu ainda lembro do peso daquele pequeno corpo nos meus braços. Foram poucos minutos, tão poucos que eu deveria ter medo de esquecer.

Não esqueço.

Nem um detalhe.

O cheiro.

Os dedos minúsculos.

A maneira como ele se mexeu quando encostei a mão em sua cabeça.

A sensação de que, pela primeira vez na minha vida, eu tinha encontrado algo que realmente era meu.

Meu filho.

Depois, levaram ele.

E tudo acabou.

Ou foi isso que me disseram.

Eu tento não pensar naquela noite quando estou no hospital.

Minha avó está dormindo no leito ao lado da janela, conectada a aparelhos que fazem pequenos sons regulares. O quarto está silencioso, exceto pelo barulho distante de pessoas passando pelo corredor.

Olho para ela.

Ela parece menor.

Sempre foi uma mulher pequena, mas nunca pareceu frágil.

Minha avó criou a mim e à minha mãe praticamente sozinha. Foi ela quem me ensinou a cozinhar, quem me levou à escola quando eu estava atrasada, quem ficou acordada esperando quando eu saía escondida com minhas amigas.

Ela sempre dizia que mulher precisava aprender a se virar.

Eu nunca imaginei que um dia precisaria colocar tudo o que ela me ensinou em prática.

— Você ainda está acordada?

A voz rouca dela me tira dos pensamentos.

Levanto da cadeira.

— Estou.

Ela abre os olhos devagar.

— Vai para casa, Alice.

— Não.

— Você precisa dormir.

— E você precisa melhorar.

Ela sorri de leve.

— Não funciona assim.

— Então não reclama quando eu ficar aqui.

Minha avó suspira.

— Teimosa.

— Aprendi com você.

Ela fecha os olhos novamente.

Fico observando seu rosto.

O médico havia sido direto naquela tarde.

O tratamento seria longo.

Caro.

E incerto.

Eu não sabia como pagaria. A reserva que tinha juntado ao longo dos últimos meses já estava praticamente acabando, e as contas continuavam chegando.

Aluguel.

Remédios.

Exames.

Alimentação.

Hospital.

Tudo parecia ter escolhido a mesma época para ficar mais caro.

Eu precisava de trabalho.

Não de qualquer trabalho. Precisava de um salário que realmente pudesse mudar alguma coisa.

Foi por isso que aceitei a vaga de babá.

O salário era muito acima da média. A família procurava alguém com experiência, e eu tinha. Cuidar de crianças sempre foi algo natural para mim.

Talvez porque, depois de perder meu filho, eu tenha procurado maneiras de continuar perto de tudo aquilo que me lembrava dele.

Nunca contei isso a ninguém.

Não gosto quando as pessoas sentem pena.

Também não gosto quando olham para mim como se eu fosse quebrar.

Eu não vou quebrar.

Não posso.

Minha avó depende de mim.

E, por mais estranho que pareça, foi pensando nela que aceitei a entrevista.

Não pensei no homem que estaria do outro lado da porta.

Não pensei no passado.

Muito menos em Lucas.

Até descobrir quem era o dono da casa.

* * *

Quando vi o endereço, fiquei parada diante da tela do celular.

Eu conhecia aquele sobrenome.

Voss.

Qualquer pessoa que acompanhasse o mundo dos negócios conhecia. A Voss Group era uma das maiores empresas do país.

E o CEO...

Lucas Voss.

Meu primeiro pensamento foi cancelar.

Meu segundo também.

O terceiro foi lembrar da conta do hospital.

Então fui.

Essa foi a única coisa que repeti para mim mesma enquanto dirigia até a casa dele.

Não importava quem fosse.

Não importava o passado.

Eu precisava trabalhar.

Precisava pagar o tratamento da minha avó.

Precisava reconstruir minha vida.

Foi o que pensei.

Até a porta se abrir.

E Lucas aparecer.

Meu corpo inteiro ficou imóvel.

Eu não o via havia anos. Ainda assim, reconheci imediatamente. Era impossível não reconhecer.

Ele estava diferente.

Mais sério.

Mais velho.

O garoto que eu amava tinha desaparecido. No lugar dele havia um homem vestido impecavelmente, com o olhar de alguém acostumado a ter controle sobre qualquer situação.

Mas os olhos eram os mesmos.

Por um segundo, esqueci por que estava ali. Esqueci da entrevista, do salário, do hospital, da minha avó.

Só conseguia pensar em uma coisa.

Ele está vivo.

Lucas.

A pessoa que eu passei anos tentando esquecer.

O homem que eu amei.

O homem que estava ao meu lado quando eu perdi meu filho.

Ou pelo menos quando achei que perdi.

— Alice.

Ouvir meu nome na voz dele foi pior do que eu imaginava.

Eu queria dizer alguma coisa. Qualquer coisa. Mas minha garganta fechou.

Então ele perguntou:

— O que você está fazendo aqui?

A pergunta quase me fez rir. Eu poderia perguntar a mesma coisa.

Mas respondi:

— Vim para a entrevista.

Ele pareceu desconcertado, como se minha presença ali fosse mais inconveniente do que qualquer problema empresarial que já tivesse enfrentado.

Talvez fosse.

Eu queria ir embora.

De verdade.

Mas então pensei na minha avó.

No hospital.

Na conta que eu ainda não sabia como pagar.

Fiquei.

E foi quando ouvi uma voz pequena atrás dele.

— Papai?

Eu me virei.

Um menino apareceu no corredor. Devia ter uns quatro anos. Talvez um pouco menos. Cabelos escuros, olhos atentos.

Ele olhou para mim com curiosidade.

E eu sorri automaticamente. Crianças sempre fizeram isso comigo.

— Quem é? — ele perguntou.

— Ela veio para uma entrevista — Lucas respondeu.

O menino caminhou até mim.

— Você é a nova babá?

Eu ri baixinho.

— Ainda não sei.

— Eu espero que seja.

Aquela frase simples me fez sorrir.

— Por quê?

Ele deu de ombros.

— Porque eu gostei de você.

Lucas pareceu querer interromper a conversa, mas eu já tinha me agachado diante do menino.

— Como você se chama?

— Theo.

Theo.

Meu peito apertou.

Não pelo nome.

Por ele.

Havia alguma coisa naquele menino que me deixou desconfortável. Não era apenas familiaridade. Era como se meu corpo tivesse reconhecido algo antes da minha cabeça.

Toquei seu rosto.

A pele quente.

Os olhos.

O formato da boca.

Parei.

Não.

Era impossível.

Eu estava cansada. Provavelmente era só impressão.

— Você tem quantos anos, Theo?

— Quatro.

Quatro.

A palavra ficou presa dentro de mim.

Quatro anos.

A mesma idade que meu filho teria.

Afastei a mão.

Respirei fundo.

Eu não podia fazer isso comigo. Não podia transformar qualquer criança em uma lembrança.

Meu filho tinha morrido.

Eu sabia.

Eu tinha ouvido isso. Tinha vivido aquilo. Tinha enterrado aquele sonho dentro de mim, mesmo sem um corpo, mesmo sem uma despedida de verdade.

Eu sabia.

Ou acreditava saber.

— Você está bem? — Lucas perguntou.

Olhei para ele.

— Estou.

Mentira.

Ele pareceu perceber, mas não insistiu.

Theo segurou minha mão.

— Você pode ficar?

Olhei para aquele pequeno garoto.

Depois para Lucas.

— Posso?

Lucas ficou alguns segundos em silêncio.

— Sim.

Foi assim que comecei a trabalhar na casa de Lucas Voss.

Sem imaginar que aquela decisão mudaria tudo.

이 작품을 무료로 읽으실 수 있습니다
QR 코드를 스캔하여 앱을 다운로드하세요

최신 챕터

  • A Presa Favorita do Alfa   Capítulo 12 - Lucas

    Acordei antes do despertador, com o corpo dolorido e uma sensação estranha de que alguma coisa tinha mudado de lugar dentro de mim.O escritório estava cinza. A cortina entreaberta deixava passar uma faixa fina de luz do amanhecer. O paletó escorregara até a cintura de Alice, e ela dormia de lado, com a mão fechada sobre meu peito, o cabelo espalhado pelo braço do sofá.Não me mexi.Fiquei olhando.Eu tinha estado com outras mulheres nos últimos quatro anos. Nenhuma passou a noite. Nenhuma conheceu a casa. Eu tinha regras, e elas me protegiam de qualquer coisa que se parecesse com isso.Agora estava deitado num sofá de couro duro, com o braço dormente, e não queria me mover por nada neste mundo.Aquilo devia me assustar.Assustava.Mas não o suficiente para me fazer sair dali.— Você está me olhando — Alice murmurou, sem abrir os olhos.— Estou.— É estranho.— Você dormiu comigo na faculdade e nunca reclamou.— Eu tinha vinte anos. Não sabia que você olhava.— Eu sempre olhei.Ela ab

  • A Presa Favorita do Alfa   Capítulo 11 - Alice

    Theo dormiu cedo naquela noite, cansado da festa, com o cartaz da família preso na parede por uma fita adesiva torta.— Você vai dormir aqui hoje? — ele perguntou, já de olhos fechados.— Vou.— No quarto de hóspedes?— No quarto de hóspedes.— Tá bom.Fiquei sentada na beira da cama até a respiração dele ficar funda e regular. Depois apaguei o abajur e saí sem fazer barulho.No corredor, parei.A casa estava em silêncio, mas não era um silêncio vazio. Havia uma fresta de luz dourada sob a porta do escritório, no fim do corredor.Eu tinha passado a tarde inteira repetindo a pergunta que Lucas me fez dois dias antes. E quando não tiver ninguém?Agora eu sabia a resposta.Esse era o problema.Caminhei até a porta, bati uma vez e abri sem esperar.Lucas estava de pé diante da janela, sem paletó, o colarinho aberto, um copo de uísque na mão que ele não tinha bebido. Virou quando me ouviu e ficou imóvel.— Theo?— Dormindo.— Aconteceu alguma coisa?— Não tem ninguém — falei.Ele demorou a

  • A Presa Favorita do Alfa   Capítulo 10 - Lucas

    Remarquei a reunião do conselho três vezes para estar naquela escola na sexta-feira.Minha assistente me olhou como se eu tivesse pedido para cancelar o Natal.— O senhor nunca remarcou nada por causa do Theo.— Então está na hora.Não expliquei mais.A escola ficava num bairro arborizado, com um pátio cheio de bandeirinhas coloridas e mesas dobráveis. Pais de terno, mães de salto, babás de uniforme, avós de bolsa grande. Theo nos esperava na entrada, com uma camiseta de dinossauro por cima do uniforme, segurando um cartaz com a palavra FAMÍLIA escrita em letras tortas.— Vocês demoraram!— Cheguei na hora — falei.— Dois minutos atrasado — Alice disse ao meu lado, e sorriu.

  • A Presa Favorita do Alfa   Capítulo 9 - Alice

    Não dormi.Fiquei deitada de olhos abertos até o teto ficar cinza, repassando os mesmos dez segundos. As mãos dele no meu cabelo. O balcão frio nas costas. A voz baixa pedindo que eu mandasse parar.Eu mandei.E ele parou.Era isso que me assustava. Não o que eu tinha sentido, mas a facilidade com que ele obedeceu. Eu passei quatro anos aprendendo a desconfiar de quem toma o que quer. Não sabia o que fazer com um homem que se afasta ao primeiro sinal.Levantei às seis. Tomei banho, prendi o cabelo, vesti a roupa mais sem graça que tinha na bolsa. Uma armadura de algodão cinza.Desci repetindo a mesma frase: você é a babá, você é a babá, você é a babá.Lucas já estava na cozinha.Camisa branca abotoada até o colarinho, paletó, gravata no lugar. O rosto, uma máscara de negócios. Do homem que me beijou contra um balcão restava apenas o perfume.— Bom dia, Alice.— Bom dia.— Há café.— Obrigada.Ele voltou ao tablet. Nem um olhar além do necessário.Era exatamente o que eu tinha pedido.

  • A Presa Favorita do Alfa   Capítulo 8 - Lucas

    O jantar com os investidores durou três horas a mais do que deveria.Sorri nos momentos certos. Apertei mãos. Assinei um memorando que não li até o fim, algo que eu nunca fazia. Quando o último deles me agradeceu pela “visão”, eu já tinha olhado o relógio pela quarta vez.Eu não estava pensando em fusões.Pensava numa melodia sem letra. Numa mulher encostada na cabeceira de uma cama, embalando meu filho. Numa manhã em que fiquei parado na porta da cozinha só para vê-la rir de uma panqueca queimada.— Tudo bem, Voss? — um deles perguntou.— Tudo.Mentira.Eu estava perdendo o controle da única coisa que sempre soube administrar: eu mesmo.Cheguei em casa à meia-noite e quarenta. O motorista abriu a porta do carro e eu entrei no hall sem acender a luz.Subi primeiro até o quarto de Theo. Ele dormia atravessado na cama, com o dinossauro de pelúcia debaixo do queixo. No criado-mudo havia um bilhete em letra de criança, corrigido por uma letra adulta: Papai, a Alice deu boa noite por você.

  • A Presa Favorita do Alfa   Capítulo 8 - Alice

    Acordei com um cobertor que eu não tinha puxado.Foi a primeira coisa que percebi, antes mesmo de abrir os olhos: o peso macio sobre os ombros, a lã contra o queixo. Demorei alguns segundos para lembrar onde estava. O quarto de hóspedes. A chuva, reduzida a um chuvisco preguiçoso na janela. O lado da cama onde Theo tinha dormido, vazio.Eu não me lembrava de ter dormido.Sentei devagar e olhei para o cobertor. Era escuro, de tecido caro, com cheiro de cedro e de uma colônia que eu reconheceria em qualquer lugar.Não precisei de muito para entender quem o tinha trazido.Desci a escada descalça, com o cabelo preso de qualquer jeito. Do hall já dava para ouvir: risadas de criança, o chiado de uma frigideira e a voz de Lucas, baixa e tensa.— Não é para virar ainda.— Mas está grudando!— É assim mesmo.— Papai, está queimando.Parei na porta da cozinha.Lucas Voss, CEO de uma das maiores empresas do país, estava de camisa social amarrotada, mangas dobradas até os cotovelos, brigando com

더보기
좋은 소설을 무료로 찾아 읽어보세요
GoodNovel 앱에서 수많은 인기 소설을 무료로 즐기세요! 마음에 드는 작품을 다운로드하고, 언제 어디서나 편하게 읽을 수 있습니다
앱에서 작품을 무료로 읽어보세요
앱에서 읽으려면 QR 코드를 스캔하세요.
DMCA.com Protection Status