Acordei com um cobertor que eu não tinha puxado.Foi a primeira coisa que percebi, antes mesmo de abrir os olhos: o peso macio sobre os ombros, a lã contra o queixo. Demorei alguns segundos para lembrar onde estava. O quarto de hóspedes. A chuva, reduzida a um chuvisco preguiçoso na janela. O lado da cama onde Theo tinha dormido, vazio.Eu não me lembrava de ter dormido.Sentei devagar e olhei para o cobertor. Era escuro, de tecido caro, com cheiro de cedro e de uma colônia que eu reconheceria em qualquer lugar.Não precisei de muito para entender quem o tinha trazido.Desci a escada descalça, com o cabelo preso de qualquer jeito. Do hall já dava para ouvir: risadas de criança, o chiado de uma frigideira e a voz de Lucas, baixa e tensa.— Não é para virar ainda.— Mas está grudando!— É assim mesmo.— Papai, está queimando.Parei na porta da cozinha.Lucas Voss, CEO de uma das maiores empresas do país, estava de camisa social amarrotada, mangas dobradas até os cotovelos, brigando com
Zuletzt aktualisiert : 2026-10-11 Mehr lesen