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A Estreia em Londres

Author: Vilenir Reed
last update publish date: 2026-08-22 02:55:48

O salão de festas da Duquesa de Devonshire resplandecia sob a luz de centenas de velas em lustres de cristal reluzentes. O murmúrio das fofocas da aristocracia e a música suave da orquestra preenchiam o ambiente decorado com guirlandas de flores e cortinas de veludo carmesim. No entanto, o assunto principal da noite tinha apenas um nome: o regresso do misterioso Conde de Blackwood.

Quando as portas duplas do salão principal se abriram, o arauto anunciou em tom solene:

— Lorde Edmund Thorne, o Conde de Blackwood, e Lady Anne Thorne, a Condessa de Blackwood!

Um silêncio súbito se espalhou pelo salão. Dezenas de olhares curiosos e leques entreabertos viraram-se para a entrada.

Anne avançou com a cabeça erguida e os ombros alinhados. Vestia um magnífico vestido no estilo regencial em cetim verde-esmeralda com bordados sutis em fios de ouro no corpete, acentuando a cor de seus olhos e a firmeza de sua postura. Ao seu lado, Edmund trajava um casaco de caimento impecável em tom negro absoluto, a figura imponente contrastando com a elegância de sua esposa.

— Todos estão olhando — sussurrou Anne sem desmanchar o sorriso cortês direcionado à multidão.

— Deixe que olhem — respondeu Edmund, a voz grave ressoando baixinho junto ao ouvido dela enquanto oferecia o braço. — Você está deslumbrante, Anne. E não há uma só mulher neste salão que chegue aos seus pés.

O toque do braço dele sustentando o seu trouxe uma onda súbita de calor ao peito de Anne. Pela primeira vez desde que assinaram o contrato de casamento, a proximidade física entre os dois não parecia apenas uma encenação social, mas sim uma aliança genuína.

Do outro lado do salão, junto às mesas de champanhe, Lorde Thomas ergueu sua taça em um gesto zombeteiro ao notar a presença do casal. Seu olhar estreitado fixou-se em Anne com uma promessa silenciosa de perigo.

— Ele pensa que estamos indefesos — murmurou Anne, mantendo o queixo erguido.

— Thomas descobrirá muito em breve que cometeu o pior erro da sua vida ao tentar nos intimidar — declarou Edmund, conduzindo-a até o centro do salão de baile.

A orquestra iniciou os primeiros acordes de uma valsa lenta e envolvente. Edmund girou o corpo e estendeu a mão para Anne, convidando-a para a pista de dança.

— Aceita esta dança, Condessa?

— Com todo o prazer, meu Conde — respondeu ela, selando o toque das mãos.

Assim que a mão grande e quente de Edmund se posicionou firmemente na cintura de Anne, o resto do salão pareceu desaparecer. O ritmo da valsa os conduziu em giros precisos e harmoniosos, e a tensão entre eles deu lugar a uma eletricidade inegável. Quando os olhos cinzentos de Edmund encontraram os dela na penumbra do salão, Anne sentiu o coração acelerar — não por medo do perigo que os cercava, mas pela atração incontrolável que começava a consumir as barreiras de ambos.

Porém, ao final do último giro da dança, uma jovem criada aproximou-se discretamente de Anne e entregou-lhe um pequeno bilhete dobrado antes de sumir entre os convidados.

Anne desdobrou o papel às escondidas e leu as poucas palavras escritas em uma caligrafia apressada:

"Cuidado com o que bebe esta noite. O mesmo veneno de Blackwood está nas taças de Londres."

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