INICIAR SESIÓN– Ainda estamos muito longe, Zunol? Já estou ficando cansada de encarar esses “peixes pequenos”.
– Não majestade. – respondia Zunol – Sei que a senhora queria um pouco mais de desafio, mas todos concordamos em manter a discrição pelo maior tempo possível.
– Discrição... Continuo tentando entender que alvoroço foi aquele que, aparentemente, não pareceu incomodar todos esses monstros. – incomodava-se Jõo.
O grupo de Jõo era formado por seus discípulos e alguns guardas de Megaroc. O alvo deles? O mesmo lugar em que Bara estava agora.
– Me explica de novo Zula, quais serão as consequências para o inimigo se tomarmos o controle dessa sala?
– Será como tomarmos deles metade de suas armas. – Zula respondeu apenas.
O grupo de Jõo continuou avançando. Por rotas analisadas com os mapas de Selena e neutralizando goblins e demônios sem que estes tivessem tempo de perceber o que lhes havia acontecido. Adversários mais complicados (como espectros por exemplo) eram evitados para o desgosto da Rainha, que não via a hora de ficar frente-a-frente de Dark Yami e retribuir à ele tudo o quê Jõo A****n foi obrigada a vivenciar por culpa dele.
Segundo os caminhos que eles efetuavam, eles entrariam na sala por um dos acesos que servia para a ventilação, ou seja, o túnel em que eles seguiam era bem estreito. E apenas uma pessoa de cada poderia rastejar até lá.
Zunol era o guia, óbvio, já que tinha o caminho muito bem guardado na cabeça. Zula verificava a possibilidade de armadilhas místicas enquanto seguiam. Jõo era a terceira, e Zul e Zuline eram os últimos, com os de Megaroc ficando no meio de todos eles.
Quando eles finalmente alcançaram o lugar, Zunol travou todos na hora.
– Tem gente aqui dentro. – sussurrou ele.
– Quem? Consegue ver? – questionava Zula baixinho.
– Não daqui. É melhor agirmos com cuidado.
– Cheguem para o lado vocês dois. – exigia a Rainha – Cansei de me arrastar por aí. Eu mesma darei um jeito no quê estiver aí dentro. – declarou Jõo já passando pelos dois.
– Tente tomar cuidado senhora. – pediu Zunol ao ser ultrapassado sem perceber direito como.
– Esperem por aqui um pouco. Chamarei se precisar de ajuda ou se a área já estiver segura. – ordenou ela instantes antes de colocar a cabeça para fora.
Jõo, de imediato, não enxergou nenhuma ameaça. Com a ajuda de uma corda que era segurada pelos que ficavam no túnel, ela começou a descer o mais silenciosamente que conseguia.
Alcançado o chão, ela caminhou com cautela pela sala até acabar se deparando com quem menos esperava.
– Bara?? O que faz aqui?!
– Rainha Jõo?!? – surpreendia-se Bara – CUIDADO!!
Por instinto, Jõo esquivou-se para o lado, escapando por um tris de perder um dos braços para Askherone, que só não utilizou o seu fogo para eliminar a intrusa, por medo de acabar ferindo aquela quem ele devia proteger.
– Mas o quê que é isso!? – Jõo sacava suas espadas para enfrentar o escamoso – Não era para você estar do outro lado desse covil?!
– Era! – Askherone mantinha Bara afastada de Jõo – Mas o Dark Yami decidiu me trocar de aposentos e me deixou ele como guardião!
– Mas que agradável... – falava Jõo sarcástica e se defendendo mais uma vez – Porém, pode nos ser útil! Estou com a sua bolsa!
– Minha bolsa? Fala da Shiruku?! – Bara se animava.
– Essa mesma. Tem como me ajudar a fazer esse bicho me deixar entrega-la? – pedia a Rainha se desviando mais uma vez e ainda derrubando uma pilha de cristais arredondados que deixou o chão pouco seguro para ela.
– Se ele me deixasse, o impediria até mesmo de continuar atacando! – declarou a princesa que era mantida atrás do dragão por meio de sua cauda.
– Algo me diz que é melhor você pegar logo essa bolsa. Mas se eu não puder ficar com ao menos uma mão livre não, vai ser difícil. – comentou Jõo atacando o réptil que, acabou por assustar de leve a Rainha com a incrível resistência que suas escamas apresentaram, fazendo a espada de Jõo vibrar com o choque – Isso sim é que eu chamo de desafio!
Askherone não era tolo, só pela conversa entre as duas ele sabia bem que a intrusa era conhecida de Bara. Mas a ordem explicita que recebera, “não deixar ninguém além dele e de Dark Yami, seu criador, aproximar-se de sua protegida”, era incontestável. Acontecesse o que acontecesse, o dragão não permitiria a aproximação daquela guerreira.
A luta entre Jõo e Askherone não era fácil. Bara fazia de tudo para tentar ficar entre ele e a Rainha, ao mesmo tempo em que Jõo tentava achar uma brecha para conseguir pegar a Shiruku e joga-la para Bara. Ainda bem que a criatura estava contento suas chamas por causa de Bara! Ou do contrário...
Apesar do barulho que aquela luta causava, não havia ninguém próximo o bastante do lado de fora para perceber a confusão. E no duto de ventilação, Zunol observava tudo tentando montar uma estratégia de ajuda e repassando para os demais o que acontecia.
Levou alguns minutos, mas Jõo conseguiu finalmente romper a atenção de Askherone sobre ela tempo o suficiente de conseguir pegar a shiruku.
– Pegue Bara! – jogou ela a bolsa para Bara, que só a princesa enxergou correndo pelo ar.
Com sua bolsa na mão, Bara se afastou às pressas e foi logo enviando a mão dentro. Pegando o apito logo de cara.
– Por favor, que isso funcione! – rezava ela soprando o apito quase se atropelando com o recitar do encanto.
No que o apito reverberou, Askherone travou. Ele paralisou instantes antes de golpear gravemente Jõo A****n que havia escorregado ao se defender do último golpe da criatura.
Askherone virou de leve a cabeça em direção de Bara que o encarava preocupada, largando a adversária deitada no chão e se aproximando da princesa.
– Askherone... – Bara segurava receosamente a cabeça do dragão após ele se colocar diante dela – Preciso que me ouça com muita atenção. – ela respirou fundo – Sei que você acha que, ao me trazer até essas cavernas, estava me ajudando, mas isso é mentira! Você não me resgatou, você me sequestrou! O seu... “pai”, nunca foi meu amigo. Eu nunca gostei dele, e ele apenas me fere mais e mais enquanto sou mantida aqui. Eu não tenho ideia de quantas mentiras aquele homem já lhe contou em sua vida, mas ele nunca foi o que lhe disse ser. Eu sei! Foi ele mesmo que me confessou... Só para começo de história, você foi roubado de sua mãe!
Askherone ouvia tudo em silêncio, mas o poder do apito Ohcib ainda estava em andamento. O poder do apito faz muito mais que invocar feras capazes de socorrer as Filhas do Luar, eles completam a inteligência dos seres invocados e/ou fornecem a eles a verdade dos fatos. Caso do Askherone.
Enquanto Bara falava, o apito enviava para o dragão as imagens do passado que confirmavam cada palavra da princesa!
Geralmente, quando os casais de dragões se formam diante do sucesso na geração dos ovos, eles só se separam em duas situações: quando os filhotes alcançam idade para se virarem sozinhos na natureza; ou quando algo acontece ao macho, pois é ele que fica responsável de cuidar da fêmea para que ela não tenha que deixar os ovos desamparados. E no caso de Askherone, ele havia perdido o pai antes de chocar.
Ele assistiu, por meio do apito, sua mãe ser obrigada a abandonar o ninho para encontrar comida. Viu o seu “pai” o arrancar do ninho antes que sua mãe pudesse retornar. E quando ela retornou, viu-a chorar pesarosamente pela perda dele e incapaz de voltar a deixar seus irmãos sozinhos novamente.
Essa cena em especial, fez Askherone chorar até a alma. É extremamente difícil ver um dragão chorar, pois eles só o fazem diante de uma profunda e devastadora tristeza. E Dark Yami, sempre havia dito ao coitado que ele era o único ovo que havia encontrado inteiro quando encontrou sua mãe “morta” por um grande grupo de bestas demoníacas. A mais cruel das mentiras que o dragão acreditara já ter ouvido e acreditado. Uma das razões dos dragões negros serem tão raros, é que eles colocavam mais ou menos metade dos ovos se comparado a todas as outras espécies, e ser separado de sua família assim, foi realmente cruel na opinião de Askherone.
Ele que o tempo todo acreditava ter sido salvo, na verdade foi sempre uma vítima das crueldades de seu mestre. E sua decepção só aumentava a cada visão que tinha sobre todas as mentiras que lhe haviam sido contadas e que o apito agora desmentia.
Quando Bara parou de falar, com Jõo de pé ajudando o seu grupo a adentrar naquela sala, o chão onde Bara e Askherone estavam se encontrava repleto de pequenos cristais negros azulados arredondados (as lágrimas de Askherone).
– Askherone, sinto muito por tudo que lhe aconteceu desde quando ainda era um ovo, mas eu necessito que você ajude a mim no lugar de Dark Yami. Ajude-me a retornar para a minha família, para junto dos que amo. Não vou pedir-lhe que enfrente o homem que lhe criou até hoje, mas peço que me ajude a parar com todas as atrocidades que ele planeja fazer... – terminava Bara de conversar com o dragão.
Askherone se afastou só um pouquinho de Bara. Recuperou-se da mágoa que lhe havia tomado, e foi para junto da porta. Na porta, ele controlou suas chamas para destruir com a fechadura do lado de dentro e assim poder abri-la. “Resmungou” um estranho som para os corredores e voltou a fechar a porta.
– O quê ele fez? – perguntava um dos soldados que havia assistido a cena imprevista.
– Eu não sei, mas logo descobriremos. – respondeu Zula que examinava e recolhia as lágrimas do dragão – A briga entre ele e sua majestade causou uma baderna aqui dentro. Temos que reunir tudo para que, caso o inimigo entre aqui, eles não consigam se apossar de nada.
– E estamos esperando o quê?! Mãos à obra todo mundo! – ordenava Jõo já trabalhando também.
Todos trabalharam juntos. Nem Askherone deixou de auxiliar no que podia. Logo após alguns minutos, a porta se abria novamente com outros dragões entrando na sala.
Claro, todos se preocuparam no início, mas tinha sido Askherone quem os havia chamado, e os seis dragões se reuniram em um canto da sala (que se mostrava cada vez mais apertada). Os dragões ainda conferenciavam entre si quando o grupo de Nemuru conseguiu finalmente alcançar aquela sala.
– Devo estar sonhando... – espantava-se Kimbe com a visão que tinha – Estamos presenciando um milagre por acaso? – entrava ele com os outros que o seguia logo atrás.
– Bara! – Nemuru corria até ela, já a abraçando – Não sabe a alegria que sinto por poder toca-la novamente...
– Já me dou satisfeita por vê-lo são e salvo. – respondia Bara retribuindo o abraço. Jõo cortou o clima ao pigarrear.
– Ok vocês dois, ainda não é hora para isso. – falava a Rainha – Como foi que vocês conseguiram chegar até aqui? E esse que é o Kimbe? É menor do que eu imaginava.
– Lamento se a decepciono senhora... – era Kimbe – Mas a nossa chegada até aqui foi mais fácil do que eu esperava e... O que foi que vocês fizeram para que todos os dragões que vivem aqui se reunissem e Askherone não tenha matado a nenhum de vocês?
– Parece que a princesa conseguiu convencer o dragão negro a nos ajudar. – explicava Zula, deixando Kimbe boquiaberto – Só não entendemos ainda o que eles planejam juntos.
– Dragões respeitam os mais fortes, sendo que a força entre eles é reconhecida pela cor de suas chamas e, mesmo não sendo selvagem como os outros, nenhum dragão ouça confrontar Askherone, e isso o fez líder de todos.
– Então, este é que o dragão que sem querer acabou ajudando um pouquinho à mim e à Bara? – questionava Nemuru o observando – Seja lá o quê for que estiverem planejando agora, espero poder continuar confiando nele!
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.