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46. Noção de perigo

Author: Tsuki-Hime
last update Petsa ng paglalathala: 2021-11-09 02:49:13

A visão do que acontecia com aquele espectro era horrível. Seu grito parecia ser a combinação de dezenas, senão centenas, de vozes.

Aos poucos, sombras (ou algo parecido) pareciam deixar a criatura, como se Candra as expulsasse de dentro do corpo do espectro. Nisso, o corpo dele se desmanchava devagar, como se ele estivesse derretendo e se esfarelando ao mesmo tempo.

Liberada a última sombra, e silenciado o que já foi uma das mais terríveis criaturas que se podia encontrar no mundo, o que sobrou do corpo daquele ser dispersou-se como uma pequena névoa de poeira.

– Melhor nos escondermos depressa! Mas o que raios foi tudo isso?! – falava um dos soldados preocupado.

– Temos bastante tempo para nos afastarmos. – explicava Kimbe espalhando com o pé qualquer vestígio que possa ter ficado para trás – Como o grito foi dado aqui dentro, será quase impossível descobrir a origem dele sem já termos nos afastado bastante.

– Mas o quê exatamente a espada fez com ele Kimbe?

– Alteza, você sabe me dizer como, que se nasce um espectro? – Nemuru apenas negou – Pois bem, espectros na verdade são a reunião involuntária de dezenas de almas errantes que, através de um ritual que também serve como maldição, as forçam a se tornarem uma manifestação única: o espectro.

– E o que o nascimento deles tem haver? – perguntava um dos soldados enquanto os místicos com eles prestavam atenção.

– Já chego lá! A invocação/criação de um espectro, consome muuuita energia... Ao menos o suficiente para se invocar uns cem demônios!

– E... ? – Nemuru ainda estava transtornado pelo o que presenciara.

– A única forma de se derrotar verdadeiramente um espectro, é libertando as almas que o compõe. E foi exatamente o que a Candra fez. Ela libertou todas aquelas almas acorrentadas e, julgando a aparência do rosto de cada uma delas que era liberada, também as guiou para que não continuassem perdidas neste mundo.

– Sério que a espada de Bara fez tudo isso?! – falava Nemuru admirando Candra. Kimbe apenas assentiu com a cabeça.

– Você parece entender bastante de magia negra, não é não? – comentava um dos místicos.

– Magia negra pode ser uma arte proibida, mas conhecê-la de cima abaixo é sempre útil para se sobreviver por aqui. Agora é melhor partirmos para algum lugar mais seguro. Posso até mesmo ajuda-los a reduzir ainda mais o número de oponentes presentes aqui.

– Essa é sem dúvida uma excelente ideia, mas o que é que aquele espectro estava guardando afinal?

– Nossa principal fonte de agua. Se estiverem com sede aproveitem agora, mas nada de banhos! Se houver alguma forma de vocês se cobrirem dos restos daqueles que derrotarem, conseguirão passar mais despercebidos pelas bestas e pelos dragões.

Alguns do grupo achou a ideia de Kimbe interessante, já outros, nem tanto. Mas aproveitaram para matar a sede e encherem seus cantis, saindo o mais rápido possível daquela área antes que fossem flagrados.

Dark Yami andava por tudo que era lado das cavernas. De onde raios aquele berro veio?! Será que seus lacaios já haviam dado conta de um grupo de intrusos? Ou teria sido os seus os exterminados? Ele tinha que achar depressa a origem daquilo.

Todos a quem ele questionava sobre o que havia sido aquilo só respondiam que não sabiam, quando respondiam (os demais espectros também desejavam as suas liberdades).

Chegado finalmente ao palco do ocorrido, ele desconfiou da ausência do espectro, mas não identificou nenhuma pista do que teria acontecido ali (sem falar que Kimbe e o grupo de Nemuru já estavam bem longe dali).

– O que aconteces aqui? Sois impossível que um espectro possa ser derrotado sem deixar rastros de batalha! – indignava-se o mago – Melhor eu ir vertes a princesa... – decidia ele.

Bara estava inquieta. Andava de um lado para o outro dentro do aposento. Antes de ser surpreendida por aquele escândalo tenebroso, ela explorava o lugar encontrando tudo que lhe foi tido. Menos o que ela mais precisava: uma janela com vista para fora.

E o fato de Askherone não ter mudado a posição de espera por um ataque desde o momento que aquele grito se calou, não a ajudava a ficar mais tranquila.

Antes do brado, o dragão estava apenas deitado à frente da porta todo tranquilo, como se fosse um... “gatinho” qualquer que observava Bara em seu canto. Agora, ele parecia um soldado que só aguardava pelo abrir da porta e assim poder exterminar o inimigo.

– Mas será possível que você só sabe me deixar mais nervosa Askherone? – reclamava Bara – Quem é que seria louco de abrir essa porta depois daquele barulho? E se quem resolver aparecer for o seu mestre? Conseguirá se deter a tempo?

Askherone acabou parando de rosnar com esses comentários. Ele entendia bem a linguagem humana. Dragões negros estão entre as espécies de dragão mais inteligentes daquele mundo. E tendo sido criado por um humano... Não tinha como ele ignorar a verdade das palavras da princesa. Mas ainda se manteve em alerta!

– O quê que eu faço agora... Não achei nem mesmo um buraquinho com visão para o lado de fora, e estou agoniada sobre o que poderia ser a causa daquele barulho perturbador...

Askherone, preocupado com a donzela, acabou se aproximando dela de forma amistosa. Forçando levemente a princesa a sentar-se no assento mais próximo e apoiou a cabeça no colo dela. “Ronronando” para ela.

De imediato, Bara ficou sem saber como reagir. Ainda receosa, ela começou a fazer carinho naquela cabeça negra, acalmando-se assim, bem aos poucos.

Ao primeiro sinal de barulho na fechadura, Askherone voltou a ficar atento.

– Vejo que estais a se darem bem! – declarava o velho sádico ao se revelar, acalmando Askherone.

– Então é você. Tem como explicar que gritos foram aqueles? Meu coração quase parou com o susto!

– Sim, sim, compreendo. Estois a investigar isto. Mas por garantia resolvi dar-lhes uma olhada. Gostastes da nova estadia?!

– Falta ao menos uma claraboia para chamar este lugar de quarto. – comentou Bara como se falasse por falar.

– Oh... Não preocupeis com isso princesa... Aqui, estais sob boa temperatura e com boa ventilação.

E continuo presa.” – pensava Bara.

– Já que estais bem, retomarei as investigações. Logo lhe enviarei a refeição e... Por conta dos estranhos acontecimentos... Acho que lhe dareis uma folga hoje. Aproveites bem, Filha do Luar! – declarou ele passando pela porta.

Bara só reagiu depois de deixar de ouvir os passos do mago após o trancar da porta. Ela soltou um longo e cansado suspiro que deixou o dragão meio confuso (ela não era uma grande amiga de seu “pai”?), mas ainda tinha muita coisa acontecendo com poucos percebendo.

De acordo o pessoal infiltrava nas cavernas, sem grandes alardes (por exceção daquele espectro), os lacaios de Dark Yami desapareciam bem aos pouquinhos, sempre que um deles passava perto de uma das passagens inexploradas.

Guiados por Kimbe, Nemuru e seu grupo atravessava as legiões sem serem notados. Ao mesmo tempo em que Kimbe lhes explicava o quê era o quê, suas personalidades normais, como cada ser sombrio costuma ser derrotado, e quais funções cada um deles cumpriam até a chegada da hora de lançarem o primeiro ataque.

Enquanto passavam por uma área agitada, ocultos pelos corredores poucos utilizados pelas outras criaturas por serem apertados, Dark Yami acabou aparecendo.

 – Prestem bastante atenção gente. – Nemuru chamava a atenção de todos – Estão vendo aquele velhote vestido de negro que nenhuma dessas criaturas se atrevem a lhe cruzar o caminho?

Todos pararam para encontrar o senhor do qual o príncipe falara.

– É o mestre. – alertava Kimbe – Nunca conheci homem mais cruel que ele. Deve estar investigando a morte do espectro. Preferem aguardar que ele já tenha desaparecido para continuarmos?

Todos preferiram aguardar (pois assim memorizavam bem a aparência do principal inimigo).

Enquanto todos guardavam a fisionomia de Dark Yami, Nemuru observa toda a área e o percurso feito pelo mago, deparando-se com algo que realmente o surpreendeu.

– O que é que fica naquela direção Kimbe? – perguntou Nemuru apontando para a direção inversa do mago – O quê costuma ter de importante por lá?

– Por lá? Deixe-me pensar um pouquinho... Acho... Que o que tem de mais importante naquela direção é a Sala das gemas. Onde os cristais e artefatos utilizados em rituais costumam serem mantidos. Porque?

– Bara teria que passar por aqui se ela fosse levada para lá, não estou certo?...

– Sim, mas onde vossa alt... Espera. Está enxergando o rastro do qual a princesa me contou?! – animava-se Kimbe.

– Tem como nos mostrar um caminho seguro até lá? – pedia Nemuru com um sorriso.

– Mas é claro! Conheço um caminho. Sigam-me! Sigam-se! – chamava Kimbe a todos, com o passo meio apressado – Mas lembrem-se! Askherone ficou responsável de cuidar da princesa! E... Deem uma olhadinha ali.

Kimbe apontava para um grupo de bestas demoníacas que estavam prestes a serem alimentadas. Cada um parou para prestar atenção.

A refeição das 15 ou 20 criaturas seria um alce recém-capturado, que era arrastado por alguns demônios. O animal mal havia sido jogado no buraco em que as bestas eram mantidas, e elas avançaram nele com mais ferocidade que um cardume de piranhas. Em poucos segundos, os ossos do quadrupede já estavam sendo disputados para serem roídos.

Não havia um só membro no grupo que não tenha ficado horrorizado com a visão daquilo.

Um dragão, consegue causar o mesmo estrago que aquelas bestas. Fiquem atentos se a princesa realmente estiver naquela sala. – esclarecia Kimbe já avançando com os demais fazendo o possível para acompanha-lo mesmo transtornados.

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