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48. Caos

Author: Tsuki-Hime
last update publish date: 2021-11-09 03:22:57

Dark Yami estava cada vez mais mal-humorado. Nenhum dos zumbis enviados para a montanha haviam retornado! (Os exércitos haviam se dividido para exterminar os que ainda perambulavam na neve). Continuava irritado por não conseguir encontrar o espectro desaparecido, e tinha a leve impressão de estar encontrando menos lacaios pelos corredores.

– Isso não estais certo. – indignava-se ele – Vou verificar o que aconteces.

O mago foi para o seu gabinete, onde lá havia uma grande placa de obsidiana que lhe servia de espelho que, diante do encantamento correto, lhe mostrava cada servo que ele tinha dentro do vulcão.

Quanta raiva ele sentiu ao confirmar suas suspeitas... Era bem pouco, mas de fato havia menos seres ao seu serviço.

– Impossível! Como que meu exército estais a ser eliminado abaixo de minhas vistas!? Serás... Não, não podes ser... O pirralho conseguistes descobrir este lugar com a princesa? E ainda reunires homens o bastante para me sobrepujar?!

Ele continuou buscando pelos seus através da obsidiana, e quase teve um colapso ao encontrar Kimbe, junto de todos os dragões, envoltos por intrusos (incluindo os A****n), lado-a-lado de Bara.

– Sóis o cúmulo. É absurdo! Que poder fostes usado? Esta placa estais comprometida por acaso?! A princesa sois minha! – declarou ele abandonando a obsidiana e se encaminhando até o “resgatar” de Bara.

Assim que os dragões encerraram sua conversa, todos (com exceção de Askherone) deixaram o lugar. As pedras antes espalhadas já estavam organizadas novamente e Zula as distribuíra entre os soldados de forma que pudessem ser protegidos de ataques místicos.

– Certo, os dragões começaram a agir, mas o que é que nós faremos para expurgar esse lugar? – questionava Jõo.

– Onde está o meu pai? – perguntou Bara.

– Ficou entre aqueles que iriam cuidar dos inimigos do lado de fora. Quando acabarem, ajudarão na infiltração e eliminação dos demônios. – explicou um soldado de Megaroc.

– Eu não sei o quê Askherone e os outros dragões planejam fazer,... – comentava Kimbe – ...mas tenho certeza que é algo que lhes permitira ter o que eles mais desejam: liberdade. Por mais retido que um dragão seja, eles são consideravelmente territoriais, e só vivem em grupos enquanto são uma família. Já perdi a conta de quantas vezes eles já tentaram fugir dessas cavernas.

– Por mim, eles podem se m****r desses montes agora mesmo! – falava um dos guardas que acompanhava Nemuru – Não há nada pior que enfrentar um dragão mal-humorado.

– Temos que chegar na gema usada como reserva de energia para as invocações dos lacaios. – era Kimbe mais uma vez – Sem ela, o mestre não poderá obter reforços, e também temos de manter a distância entre ele e a princesa.

– Aqui eu não fico mais nem um segundo! – declarava Bara – Askherone, você pode tomar conta de mim junto de Nemuru? – pediu ela ao dragão que havia se colocado junto dela outra vez.

Askherone que estava bastante apegado à Bara (especialmente depois dela lhe ter revelado toda a verdade) apenas a rodeou em carinho como resposta, ronronando.

– Nunca vi Askherone tão apegado a alguém como o vejo com você alteza. – observava Kimbe – Acho que ele transferiu toda a lealdade que tinha pelo mestre para você.

– Nos ajudando... – Bara acariciava a cabeça do dragão – É o que importa. Quais são nossos próximos passos?

– Acho... que esse foi o último majestade. – falava um paladino ao exterminar o que parecia ser o zumbi final.

– Até que fim. Tenho pena de todos esses coitados que foram forçados a retornarem a este mundo. Estou louco para ir atrás de minha filha.

– Relaxe Rei-Mago... – era Hilfe – Limpar essas montanhas de todos esses mortos era uma tarefa importante! Agora nós podemos nos juntar aos que estão sob o abrigo de toda essa neve e ajudar a dar um jeito no âmago de todo esse mal.

– É verdade. Nemuru, apoiado pela espada ganha por Bara, e Jõo, apoiada pela aprendiza mais incrível que já tive o prazer de ensinar, eram sem dúvidas alguns dos mais indicados para cortar a fonte de poder do inimigo.

– Sem falar que foram uns 20 grupos os enviados para o interior do vulcão! Me pergunto quando estrago eles já conseguiram causar. Não sabe mesmo o que foi aquele barulho que ouvimos enquanto lidávamos com um dos bandos que derrotamos?

– Não me recordo de nada que forneça tal escândalo. Aos menos nunca vi.

– Majestades, os senhores podem seguir em frente. Meus homens e eu ficaremos para o caso de ainda haver remanescentes e para garantir que nenhuma criatura malévola deixará essas montanhas com vida. – declarava o comandante de um dos grupos de “limpeza”.

– Está certo. Cuidem do que ainda pode estar escondido e nos garantam a saída segura de lá. Vamos indo? Hilfe, meu caro.

– Já estava quase indo sozinho, Mahotsukai. – respondeu o Rei de Oilixua já dando os seus primeiros passos.

Os dois Reis, acompanhados de alguns poucos soldados, se encaminharam até uma das estradas apresentadas por Selena entre risos.

Dark Yami estava realmente sem sorte. Chegou tarde demais no novo “aposento” de Bara. Todos já haviam se dispersado pelos túneis vulcânicos e um poderoso campo de força, sustentado pelas próprias pedras presentes no lugar, impedia o acesso de qualquer um a elas.

– DEVIAS TER COLOCANDO UM ENCANTO DE RASTREIO NAQUELA PIRRALHA! – declarava ele quase soltando fogo pelas narinas de tanta raiva – VOU ESTRAÇALHAR CADA UM DESTES TRATANTES!!

E saiu às pressas até o ponto de reunião de suas tropas para ordenar a caça de todos os invasores. Porém, mais uma desagradável surpresa o aguardava.

Como já foi explicado, os dragões detestam serem mantidos juntos (e presos) contra as suas vontades. E o que Askherone planejou junto de seus semelhantes causaria um belo estrago na milícia do perverso mago.

Dragões e bestas demoníacas são inimigos naturais, por isso eles eram sempre mantidos afastados. Os dragões tinham a liberdade de circularem pelos corredores, enquanto as bestas eram mantidas dentro de grandes covas que os mantinham a uma distância segura de todos os demais seres. Ao todo, haviam onze covas que guardavam entre 20 e 30 bestas, e os dragões decidiram visitar cada uma delas...

Uma das razões das bestas serem mantidas separadas, era para que nenhuma delas viesse a se alimentar de um dos seres corrompidos que trabalhavam para Dark Yami. Pois se o fizessem, perderiam a lucidez e atacariam umas as outras exterminando-se por conta própria. E era essa a estratégia que os dragões iriam usar.

Despreocupadamente, cada dragão derrubou “sem querer” algumas dezenas de demônios e/ou goblins para dentro dessas covas. Onde as bestas não hesitaram em atacar a “comida”, se voltando umas contra as outras ao terminarem de estraçalhar os semi-etérios corrompidos que não tinham conseguido escapar da artimanha dragônica.

Os lacaios que escaparam de serem jogados, agora estavam ou fugindo dos dragões, ou sendo executados por eles se acaso os desafiavam.

O caos estava imposto.

Entre os poucos que tentavam escapar se enviando nos corredores poucos utilizados do esconderijo, ao menos metade deles acabava perecendo nas mãos dos membros que usurpavam discretamente o lugar.

Nessa brincadeira, Dark Yami já perdia metade de sua força bélica.

Quando Dark Yami viu o que acontecia. Ele ficou possesso.

– PÍCAROS! EMBUSTES! SALAFRÁRIOS! – gritava ele – ESPECTROS! EXTERMINEM JÁ ESTES VERMES QUE ESTAIS A RASTEJAR EM MINHA MORADA!! – ordenava ele com a voz ecoando pelo abrigo.

Os espectros, depois de perceberem que um deles já não estava mais obrigado a servir aquele mago, aguardavam ansiosos por aquela ordem. Desejosos por encontrar o “caçador de espectros”, espalharam-se por todos os lugares em busca de uma boa luta que os excarcerariam. Sem se importarem com o quê lhes cruzava o caminho.

Um pouco afastados da confusão, Bara, Nemuru, Kimbe e Askherone, seguiam como podiam em busca de uma saída daquelas galerias.

Sempre que um inimigo aparecia, bastava um toque de Candra na criatura para que o perigo acabasse antes mesmo de começar. Askherone estava apreciando o poder da espada carregada pelo príncipe. Além de lhe permitir poupar as energias, também lhe permitia ficar mais concentrado em manter a única ordem que desejava cumprir de seu “pai”: manter Bara em segurança.

– Se continuarmos encontrado apenas demônios, goblins e ogros, as chances de sairmos sem grandes dificuldades são boas. – comentou Kimbe.

– Verdade. Não estou interessado em encontrar outro espectro. E só conseguimos derrotar aquele sem problemas por causa daquele truque! Não creio que o próximo que encontrarmos nos será tão fácil... – argumentava Nemuru.

– Outro espectro? A Candra já eliminou um deles? Que tipo de truque vocês usaram? – perguntava Bara cheia de preocupação e curiosidade. E após terminar de ouvir toda a explicação, ficou aflita – Espero mesmo não cruzarmos caminhos com nenhum outro ser desses. Aquele grito horroroso me gelou a alma!

– Fique calma Bara. Não importa o que aconteça, não deixarei que mais nada de ruim recaia em você. E ainda temos um dragão negro para reforçar essa promessa! – prometia Nemuru esperançoso, sendo que Askherone se mostrou orgulhoso por ser capaz de ajudar no compromisso.

Foi nesse mesmo exato momento que a ordem de Dark Yami reverberou por todas as passagens. Colocando todos em estado de alerta.

– Agora é que temos de tomar cuidado mesmo! – se arrepiava Kimbe – Askherone é jovem, mas ainda é grande para passar pelos corredores mais estreitos. Nossas chances de acabarmos lidando com o que queremos evitar acabou de aumentar.

– Passaremos por eles. Montamos uma estratégia que combine o fogo do Askherone com o toque de Candra e nos livramos deles. – decidia Nemuru.

– Hum... Dependendo das condições, pode ser que existam alguns artifícios... – refletia Kimbe.

– Vamos continuar logo. Antes que...

Interrompendo a fala de Bara, o que o grupo mais temia apareceu. Um dos espectros havia os encontrado.

De imediato, todos travaram. O espectro os examinou cuidadosamente. Compreendeu logo a “traição” de Askherone que se mantinha como escudo para Bara, e percebeu o imenso poder que emanava de Candra, segurada por Nemuru.

Sorrindo seu sorriso mais sombrio, partiu para cima de Nemuru sem pestanejar, com ambos se desviando por pouco do golpe do outro.

Kimbe havia se jogado no chão para se proteger e examinar o mais rápido possível como que eles poderiam escapar daquela situação de forma segura. Foi o cair de algumas das lágrimas de Askherone que carregava que lhe forneceu a ideia de que tanto precisava.

– Askherone! Queime isso! – gritou Kimbe jogando algumas lágrimas para cima.

No que as chamas azuladas tocaram nas lágrimas, elas explodiram, espalhando uma fumaça atordoante que estava a afetar apenas o espectro. Essa, foi a brecha de que Nemuru precisava para atravessar o peito da criatura que, assim como seu semelhante, esbravejou um estridente grito que forçou Bara a tampar os ouvidos. Indicando para os demais espectros onde estava o que eles tanto desejavam.

– Acha, que isso pode funcionar outra vez, Kimbe? – perguntava Bara quando tudo acabou.

– Pode ser que sim. Pode ser que não. – Kimbe se erguia do chão – Mas de uma coisa pode ter certeza alteza, vamos encontrar mais deles agora que sabem onde estamos mais ou menos.

– Mas que maravilha... – lamentava-se a princesa com Askherone gostando igualmente da ideia (o grito do espectro lhe deixou com dor nos ouvidos).

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