INICIAR SESIÓNKimbe estava certo. O grupo não conseguia avançar nem 20m sem acabar encontrando um novo espectro. A única sorte deles é que espectros são orgulhosos demais para lutarem em conjunto! Nemuru podia enfrentar apenas um de cada vez (se bem que ele mal tinha dois segundos de descanso até o próximo adversário, quando havia mais de um).
Bara queria muito ajudar seu amado, mas... Além de Askherone a impedir de se aproximar da luta, ela não tinha nada que pudesse usar ou fazer para prestar auxílio. Tudo o que Bara conseguia fazer naqueles momentos era observar, rezar e confiar na espada que entregara a Nemuru.
Kimbe fazia o que podia para retirar o casal em segurança daquelas passagens, mas a Candra parecia atrair os espectros até eles. E ele já estava ficando com dor de cabeça por causa dos escândalos causados por eles quando derrotados.
– Kimbe, me diz de novo, quantos espectros que habitam aqui mesmo? Com este último, Nemuru já encarou 8! – inquiria Bara.
– Graças à energia que o mestre roubou de você, princesa, tínhamos 13 espectros. Mas agora... Graças à Candra, só nos resta mais cinco. E espero sinceramente que eles nos deem uma folga! Está tudo bem com o senhor, jovem príncipe? – Kimbe se preocupava com a exaustão de Nemuru.
– Estou. – respondia Nemuru ofegante – Preciso apenas de uma pausa nas batalhas... Até parece o treinamento de minha mãe! – declarava ele sentando um pouco no chão.
– Não podemos parar ainda. – coçava Kimbe a cabeça – Apesar da algazarra que os dragões parecem terem feito, ainda é muito arriscado continuarmos por aqui. Espero que tua mãe esteja com mais sorte que nós.
– Também espero. – responderam Bara e Nemuru juntos.
Jõo deixou a Sala de tesouros acompanhada apenas dos irmãos Soamri, na intenção de acelerar as baixas no inimigo com grupos mais espalhados. Mas o alvo da Rainha era o cristal que Kimbe havia mencionado. Destruí-lo, seria quase o mesmo que livrar Bara daquele monstro. Mais um belo estrago para o Dark Yami ter de lidar.
Mas o holocausto provocado pelos dragões estava dificultando o caminho deles, sem mencionar o susto sofrido a cada queda dos espectros.
– Tem certeza que estamos no caminho certo Zunol? Quero logo ver o fim de toda essa baderna! – reclamava Jõo já executando mais um lacaio das trevas.
– Pelo o quê o tal do Kimbe explicou, não devemos estar muito longe.
– Concordo com Zunol, posso não ser muito experiente ainda, mas consigo sentir uma presença energética cada vez mais forte. – confirmava Zula.
– Ainda tenho dificuldades em aceita-la fazendo parte desse mundo “místico” Zula, mas continuarei confiando em você como sempre fiz até hoje.
– Eu realmente agradeço majestade. – declarou Zula comovida – Não vou negar que sempre tive um certo interesse pelo misticismo, mas eu nunca ousaria desafiar minha mestra.
– Sua lealdade é apenas mais um motivo para continuar confiando em você. Agora... Por onde íamos mesmo?
– Por aqui senhora. – Zunol retomava a dianteira.
Eles avançaram como podiam de modo a evitar lutas desnecessárias, uma vez que não era esse o objetivo central. Esgueirando pelos corredores, não era incomum que alguns grupos acabassem se esbarrando dentro da montanha de fogo. Mas Jõo esperava demorar um pouco mais para se chocar com aquele grupo em especial.
– Mahotsukai? Hilfe? Já terminaram lá fora?
– Também estamos felizes em reencontra-la Sábia Amazona... – era Mahotsukai – Mas há como nos explicar o que raios é essa confusão? E... – o grito de outro espectro ecoava por todo o lugar, fazendo todos cobrirem os ouvidos – De onde ou do quê está vindo isto?!
– Para a primeira pergunta: acreditamos que isso seja obra dos dragões que habitam aqui contra a vontade. Bara, sua preciosa filha, conseguiu domar de alguma forma o dragão que a sequestrou e está a protegendo agora. – os Reis ficaram boquiabertos – Para a segunda pergunta, desejo tanto quanto você descobrir o que é isso, mas agora estamos ocupados caçando uma pedra que parece valer tanto ou mais que a sua filha. Pretende nos acompanhar ou prefere caçar monstros por aí?
– Como Bara está?! Onde ela está?!
– Ela está sendo guiada para fora deste covil por Kimbe, junto de Nemuru e do dragão Askherone que se afeiçoou a ela, mestre. – esclarecia Zula.
– E acredite! Ela está muito melhor do que qualquer um de nós! – exaltava Jõo.
– Entendo... – Mahotsukai se mostrava mais aliviado – De que pedra vocês estão atrás?
– De uma musgravite. – respondeu Zuline quase sussurrando.
– Uma musgravite?! Essa sim é uma gema difícil de encontrar! Espero que nosso caro mago perverso não se importe se ficarmos com alguns pedaços...
– Primeiro temos que encontra-la Rei-Mago! Depois você busca por despojos. – reclamava Jõo – Agora vamos logo encontrar esse bendito recinto em que ela está localizada.
E seguiram em frente.
Dark Yami estava tendo O pior dia de sua vida. Desfazer os estragos criados pelos dragões era impossível! E os répteis, que não eram nada burros, fugiam dos locais em que se encontravam assim que sentiam a presença do “mestre”.
Sempre que alguns grupos de soldados comuns tinham o azar de se encontrarem com o mago, eram imediatamente atingidos por maldições mortais lançadas pelo Dark Yami. Nisso, pelo menos 30 valentes guerreiros tiveram suas vidas interrompidas dolorosamente.
Dark Yami não se cabia de tanta raiva. Tentava dentro do possível acabar com as confusões espalhadas pelas várias áreas de sua casa, de modo a preservar ao menos uma pequena parte de sua força de combate e ainda encontrar a “sua” Filha do Luar antes que ela conseguisse de fato escapar-lhe.
Dava broncas em seus lacaios; cobrava a ordem e controle da situação; batia naqueles que não lhe obedeciam na hora; e organizava como podia aquele bando de desorientados para recuperar o controle do vulcão.
Visitava pessoalmente cada área de valor do covil. Já havia perdido quase todas as gemas usadas como armas; perdera a princesa de Heiwa de vista; todas as suas bestas demoníacas haviam se autodestruído após provarem da carne de seus servos; havia conseguido impedir que metade do arsenal de armas fosse jogada na lava, onde seus homens não pareceram ter a menor chance contra os membros de elite (e que apenas três, místicos, conseguiram escapar com vida do perverso pelas aberturas escavadas); os dragões haviam sumido; e ele encontrava cada vez menos espectros por onde ia.
Era o inferno para o mago.
O último lugar importante que lhe faltava visitar, era o Recinto das Invocações. Local em que sua pedra de musgravite ficava. Ao menos essa área ele acreditava estar segura, já que era ocupada com as mais fortes criaturas que tinha ao seu serviço. Mas quando ele começou a se aproximar desta área... Os sons de uma intensa batalha reanimou sua ira como nunca! E quando ele viu quem que enfrentava seus guardas...
– Finalmente achamos este lugar! – exaltava Jõo em voz baixa – Mas eu esperava que estivesse melhor guardado, considerando toda a confusão à nossa volta.
– Está de brincadeira Jõo?? – indignava-se Hilfe – Olhe bem para o tamanho daqueles seres! Até os goblins que estão aqui parecem guerreiros humanos de estatura normal!
– E eles são justamente o quê ela procurava, Hilfe. Há menos que você tenha mudado muito mais do que eu imaginei Jõo.
– Eu mudei um pouco sim Mahotsukai, mas não tanto. Sou uma guerreira e também uma mulher da alquimia. Posso até ter começado a aceitar um pouco sobre o misticismo, mas ainda aspiro por um bom desafio de batalha.
– Então é melhor começarmos logo. Aquela musgravite é enorme! E não acho que seus guardiões permitirão nossa aproximação com facilidade. – comentava Zula.
– A moça tem razão. Mahotsukai e ela podem dar um jeito naquela rocha enorme e o resto de nós limpa os inimigos deste lugar. Alguém contra? – sugeria Hilfe.
– Não. – respondeu quase todos.
– Então... Damas primeiro! – convidava Hilfe a Rainha a começar o ataque. Coisa que ela fez com um grande sorriso.
– Olá rapazes! – cumprimentava ela após pular para próximo deles – Se importam de brincarem um pouco comigo? – declarava ela já com as espadas em mão.
Imediatamente os soldados se organizaram para enfrentar a Rainha. Jõo não teve de enfrentar todos ao mesmo tempo porque os guardas que a acompanhavam e seus discípulos se somaram a batalha quase no mesmo instante. Dispersando em parte a atenção do inimigo sobre o cristal que vigiavam.
– É realmente um belo exemplar... – comentava Mahotsukai após conseguir se aproximar da musgravite – Lamentável que ela esteja sendo usada com más intenções.
– Concordo com o senhor. – assentia Zula – Pelo o que consegui estudar sobre os cristais, a maior musgravite encontrada até hoje não tinha nem 5% do tamanho dessa.
A rocha, roxa-azulada, tinha o tamanho semelhante a uma melancia média. Ela ocupava o centro do local, ilhada por um charco de lava cuja ponte até a pedra só tinha espaço suficiente para uma pessoa. Não foi fácil para Zula e o Rei pegarem na pedra de forma consideravelmente segura em relação ao magma. Principalmente com os inimigos tentando os impedir e os Soamri lhes dando cobertura.
Eles ainda mexiam na base do cristal quando o Dark Yami adentrou na sala.
– Mas se não sois os Reis que tanto deprecio... – exclamava ele em alta voz, chamando parte da atenção dos que lutavam – Ireis já me livrares de vós! TUAS PRAGAS! – berrou ele já atacando Mahotsukai que conseguiu se defender sem grandes problemas.
– Finalmente resolveu aparecer! – era Jõo já se livrando de mais um inimigo que derrubava dentro da lava – Tenho uma “pequena” pendência a resolver com o senhorio.
– Todos nós temos Rainha Jõo. Todos nós temos. – declarou Hilfe assumindo uma expressão lúgubre.
– Pois venham! Assim serás mais fácil tomar-lhes as terras se eu os executares aqui. – convidou o mago pronto para encarar Jõo, Mahotsukai e Hilfe – Os Reis são meus! Cuidem da escoria! – foi sua última ordem.
Atendendo à provocação, os nobres se juntaram para encarar Dark Yami. Zul e Zuline passaram a ajudar Zula no lugar de Mahotsukai. Dark Yami estava obcecado nos Reis naquele momento, por isso não se importou com o fato de que sua reserva de energia mística estava lhe sendo destituída. Sua vontade de destruição dos governantes era tão grande, que ele nem percebia quando acabava atingindo os seus próprios servos ao errar os seus golpes (claro, que os que combatiam o exército das trevas tiravam proveito disso).
Mas, mais gente iria participar dessa batalha.
O casal observava o crepúsculo da janela da torre.– O tempo voou, não é mesmo?... – Bara se recostava no marido.– Realmente. – ele a recolhia – Nem acredito que já faz um mês que você assumiu o lugar de seu pai. E nem no tanto que ele conseguiu viver! Não são muitos os que alcançam os 70 anos atualmente.– Isso só foi possível por minha causa e de Tsuki. Se minha mãe não tivesse sido impedida de me criar, meu pai teria vivido muito mais...– Teria gostado de conhecer minha sogra. A mulher que gerou o mais precioso tesouro de minha vida. – ele lhe roubava um selinho.– Você é sempre um doce. Acha que nossos filhos já superaram a perda do avô? Meu pai foi muito coruja com eles...– Os gêmeos já fizeram 15 anos, a Reinheit está quase fazendo 13 e o Ad
A resposta de Bara foi agraciada com uma imensa e calorosa salva de palmas (se bem que os seus ex-pretendentes pareciam que perderiam os braços de tão sem vontade que aplaudiam), e o sorriso de Nemuru pela resposta de sua amada ia de orelha a orelha.Askherone criou com suas chamas azuladas a figura de um grande coração para cima. Um dos muitos truques que ele desenvolvera com a ajuda de Kimbe, do qual ficara mais amigo, para deslumbrar as tantas crianças que apareciam para brincar com a princesa no castelo. Impressionando os nobres e deixando o ambiente ainda mais formidável.– Senhores! – Mahotsukai tomava a atenção – Vocês não imaginam a alegria que sinto nesse momento. Há entre vocês alguns jovens que me procuraram para fazer esse mesmo pedido à minha filha, mas... Eu pude testemunhar por mim mesmo, tudo o que lhes faltava para que eu lhe cons
As semanas correram, e Dark Yami já se tornou um sonho ruim do passado. Os Montes Korionenshõ se tornaram muito mais brandos com suas nevascas, permitindo a travessia semi-segura deles, pois ainda possuíam seus riscos naturais. E todos os reinos receberam o convite de uma grande festa em Kyuden que pretendia pronunciar uma grande noticia especial.Não foram poucos os curiosos para a tal revelação.Bara partiu com o pai, Acnarepse, Kimbe e Askherone uma semana antes para ajudarem na preparação da noticia, pois o plano era de apresentar Nemuru (acompanhado de Bara) a todos os presentes somente depois da revelação da verdade.– Ainda acho que iria ser mais interessante se eu me revelasse saindo do meio de todos eles do que de um “esconderijo”. – reclamava Nemuru em seu novo quarto.– Do jeito que você fala, até parece que aguardar do meu lado &eac
Passou-se alguns dias. Kimbe ajudou a limpar as cavernas vulcânicas de todos os seres sombrios e também a esvazia-los de tudo. Gemas, mantimentos, equipamentos, tudo foi divido por igual entre os quatro Reis.Esvaziada e limpas as montanhas de Korionenshõ, Mahotsukai convidou Kimbe a viver em Heiwa como um de seus servos, pois, apesar dele ter servido ao seu pior inimigo, reconheceu nele uma preciosa fonte de conhecimento de defesa contra as artes das trevas.De início, Kimbe se sentiu receoso em aceitar tão maravilhosa oferta (pois já se imaginava voltando a mendigar pelos becos sombrios), mas Bara e Nemuru o convenceu a aceitar. Até Askherone se mostrou mais amigável com ele!Sobre Askherone, muitos foram os que se assustaram com o dragão ao vê-lo de imediato. Acnarepse quase desmaiou ao ver o lagarto gigante caminhando lado-a-lado de sua menina! Mas aos poucos, não só Askherone
Assim que Nemuru percebeu que a razão de Askherone ter criado barreiras de chamas em todas as saídas era para impedir que Dark Yami fugisse, saltou do lugar em que estava, com Candra na mão.“De jeito nenhum que esse demônio escapará outra vez!” – pensava ele enquanto se recordava da maneira que o mago costumava abandonar o seu mundo de sonhos, sempre que aparecia.Enquanto aqueles que não estavam responsáveis pelo vórtice se desnorteavam com as chamas de Askherone, Nemuru correu em direção ao mago que citava alguma coisa que o príncipe sabia que ele não podia terminar em hipótese alguma.Seja o que fosse que Dark Yami fazia, de olhos fechados, uma espécie de névoa negra se formava ao seu redor. E essa névoa que o cercava, era facilmente repelida pela Candra.Nemuru, usando cada gota de força que conseguira recup
A situação de Nemuru era complicada. Dark Yami se mostrava um adversário tão implacável quanto a sua mãe! E ainda tinha o extra que ele suportara com os espectros antes de encarar aquela batalha.– Pirralho desprezível, inconveniente, tolo e inútil! Fareis com que te arrependas de colocastes os pés nestas passagens! – ameaçava o mago enquanto o atacava.– Acredite peste, se não tivesse colocado as patas em Bara, nem em pesadelo que eu me aproximava daqui! – declarou Nemuru se defendendo e atacando como podia.– Ínfimo! Lhe dareis a lição de tua vida! Vou acorrentardes e o torturares pelo resto de tua miserável vida! E tudo bem diante dos olhos de tua querida princesinha...– Não permitirei isso nem mesmo sob o meu cadáver. – declarou o príncipe ganhando um novo estimulo com a ameaça.