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Capítulo 13

last update Data de publicação: 2021-09-08 03:03:59

- Eu entreguei meu bebê a uma mulher do reino de Machia. – falou Terry.

- Como assim? – perguntou Mark.

- Era um garoto forte e saudável... Mas eu não tinha como ficar com ele. O quer seria de mim com um bebê nesta mata fechada? Eu nem sabia se sobreviveria aqui sozinha... Como o abrigaria do frio, das tempestades, como o protegeria dos animais selvagens?

- Para quem você o entregou, Guerreira do Sol? – perguntou Mark.

- Faz tantos anos... Eu duvido que ela ainda esteja viva, Príncipe Mark.

- Como você encontrou uma mulher do reino aqui?

- Ela costumava vir à mata buscar ervas para beber e para curar feridas... Eu entreguei meu menino à ela e pedi que cuidasse dele e esquecesse que algum dia me viu. Depois me afastei pra sempre daquele local... Nunca mais voltei até lá.

- Como ela se chamava? – perguntou Daily esperançosa.

- Eu não sei... Não perguntei o nome dela. E isso já não importa mais, Daily.

- Podemos tentar achá-la, Guerreira do Sol... É possível fazermos isso. – disse Mark.

- Ela não deve estar viva...

- Você quer seu filho, Terry? – perguntou Mark.

- Sim... Eu gostaria muito de vê-lo. – confessou Terry.

- Então nós iremos encontrá-lo. – prometeu Mark.

- Mark, eu nem sei como lhe agradecer por isso. – disse Terry. – Tudo que fez por mim durante todos estes anos, me acolhendo sem nunca perguntar nada, sem julgar... Agora me trás Daily, que me remete à todo meu passado. – ela olhou no fundo dos olhos de Daily e continuou: - Mas este filho é muito mais importante para os Kasenkinos do que para mim... Entendem? Se vocês o encontrarem, ele pode mudar todo destino entre os dois povos... E ser a salvação do amor entre vocês.

Daily olhou para Mark sabendo que Terry tinha razão. O herdeiro de Ahau era a única chance de paz entre os povos. Principalmente se este filho estava no reino. Desta forma ele saberia que não havia motivos para tanto ódio, pois ambos os povos tinham suas bondades e suas maldades e precisavam se unir em prol do bem de todos e para acabar com a mortandade entre inocentes de todos os lados.

- Terry, você precisa ver Moa. – disse Daily.

- Eu não posso...

- Ele não tem muito tempo, Terry... Está sozinho, banido no morro. Vocês precisam se encontrar antes de os espíritos virem buscá-lo.

- Eu preciso pensar no que posso fazer, Daily...

- E eu preciso dizer a Moa que a encontrei.

- Eu posso fazer isso, Daily. – ofereceu-se Mark.

- Obrigada, Mark, mas eu quero lhe dar esta notícia pessoalmente. Eu prometi que acharia Terry, mesmo achando que era quase impossível.

- Acho que ele gostaria muito de receber a notícia de você. – falou Mark.

- Obrigada por tentar me ajudar. – disse ela. – Desculpe se fui rude com você em algum momento.

Mark pegou a mão dela e Daily sentiu a pele quente sobre a sua. As mãos dele eram macias e ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo àquele toque.

- Será que poderemos ser felizes juntos algum dia? – perguntou Mark.

Terry colocou a mão sobre as mãos dos dois e disse:

- Não tenham medo de lutar. Não desistam do sentimento que une vocês... E conseguirão.

- Eu... Não sei o que fazer... Estou muito confusa com relação aos meus sentimentos e tudo isso que está acontecendo. – disse ela retirando sua mão delicadamente.

- Então pense sobre o que sente para ter certeza, Daily. – disse Mark.

- De que adianta eu pensar sobre uma coisa que nunca poderá acontecer? De que adianta nos enganarmos, Mark?

- Daily... Não é tudo tão impossível como você pensa. – disse ele.

- Eu preciso ir... – disse Daily.

Mark a fitou procurando uma resposta, mas não obteve. Ela não queria discutir sobre seus sentimentos ali, pois estava confusa. Naquele momento só queria pensar na felicidade de ter encontrado Terry.

- Muito bem, vamos voltar. – disse ele.

Daily voltou-se para Terry:

- Eu vou procurar Moa o mais rápido possível para lhe contar que eu encontrei você. Deve ser horrível viver sozinha neste lugar.

- Não se preocupe comigo aqui, Daily. Este lugar é meu lar... Eu gosto daqui. A solidão é minha maior companheira.

- Mark, podemos ir agora? – pediu ela.

- Sim, vamos.

Daily despediu-se de Terry. Quando saiu percebeu que havia anoitecido e eles nem haviam se dado em conta. Precisa voltar rapidamente para o povoado. A água desta vez estava muito gelada e ela não se preocupou muito com a presença de Mark com ela.

- Está gelada. – observou ela enquanto adentrava no rio.

- Quer ficar por aqui? – propôs Mark.

- Não pode estar falando sério. – disse ela.

- Estou falando sério, Daily.

- Mark, por favor... Sem brincadeiras.

- Seu povo também a proíbe de rir ou sorrir?

- Não...

- Então esta é você como deseja ser? Séria, triste, pessimista...

Daily não gostou do que ele disse. Ela não se via desta forma. Mas também não entendia porque quando estava ao lado dele não conseguia ser ela mesma. Ela jogou-se na água fria e começou a nadar para o outro lado do rio. Enquanto dava braçadas, só conseguia pensar no homem que estava próximo a ela. Mark não era só um homem bonito... Ele era um homem bom e sincero. Se não fosse por ele, ela jamais teria encontrado Terry. Ela parou um pouco de nadar, procurando por Mark, mas não o viu. Como a correnteza estava forte devido ao vento e estava muito escuro, ela nadou rapidamente para margem. Continuou procurando por ele, mas nem sinal. O vento frio deixava sua pele arrepiada. Ela nem sabia quanto tempo havia se passado e ainda estava ali, esperando por ele. Ela passou os braços pelo corpo, para tentar amenizar o frio. Sentiu uma lágrima rolando por seu rosto molhado. Era uma lágrima de angústia pela possibilidade de nunca mais ver Mark em sua vida.

- Mark... – gritou ela em desespero, sentindo uma dor inexplicável em seu coração. Naquele momento percebeu que o sentimento que tinha por ele era muito grande... E que certamente era amor. O que faria se nunca mais o visse? – Mark, apareça.

Ela começou a gritar sem parar, só ouvindo sua própria voz ecoando na floresta e o som do rio. Ela virou assustada ao ouvir um estalo no chão atrás de si. Era Mark.

- Não pensei que ficasse tão preocupada comigo, minha futura rainha. – falou ele reverenciando-a.

Daily limpou as lágrimas. Não acreditava que ele estava ali o tempo todo, observando todo o sofrimento dela. Ela não pensou duas vezes e saiu correndo dali.

- Daily, espere... Eu não queria magoar você.

Ela não se importou com as desculpas dele. Continuou correndo sem parar até avistar o povoado Kasenkino. Lá estava seu lugar, seu povo. Não queria sofrer novamente pelo Príncipe Mark. Não queria ser enganada de uma forma tão irônica. Precisava acabar de vez com aquilo. Logo iria se casar com Burt e não procuraria mais Mark. Iria esquecê-lo para sempre.

Quando ela entrou em sua casa Erone a estava esperando.

- Onde esteve, Daily?

- Papai? – perguntou ela surpresa pensando no que dizer.

- Quero respostas.

- É uma longa história...

- Eu estava esperando justo para saber tudo sobre esta história de onde você estava tanto tempo longe daqui.

Daily odiava mentir, mas nos últimos tempos fazia isso frequentemente, em especial com o pai.

- Eu... Fui andar na floresta e... Acabei me perdendo.

- Você perdida na floresta? Isso jamais aconteceria, Daily. Ninguém conhece esta floresta melhor do que você.

- Acha que estou mentindo, meu pai?

- Você foi ver Moa.

- Papai, sabe que eu não teria tempo de chegar e voltar...

- Então fale a verdade.

- Eu fui... Procurar a cachoeira que dizem que há depois do rio...

- E por que demorou tanto a voltar?

- Não encontrei a cachoeira... Acabei perdendo a noção do tempo e quando vi já estava escuro. Vim por outro caminho e demorei mais que o previsto.

- Para encontrar a cachoeira basta seguir o rio sempre.

- Eu fiz isso... Mas não encontrei.

- Realmente fica bem longe daqui.

- Percebi. Sempre foi meu sonho conhecê-la, mas pelo visto vou ter que desistir.

- Se amanhã formos liberados antes de o sol se pôr, eu levo você até lá.

- Está falando sério, meu pai? – perguntou ela feliz.

- Sim...

Apesar de toda mentira que inventou a contragosto, Daily estava muito feliz. Além de passear com o pai, o que não fazia há muito tempo, ainda conheceria a cachoeira, que era realmente seu sonho.

- Vou convidar Burt para nos acompanhar. – disse Erone.

- Ele adoraria. – falou ela fingindo estar feliz, mas um pouco decepcionada.

- Agora precisamos dormir... Amanhã será um longo dia de trabalho novamente.

Daily deitou-se na cama, mas sabia que não conseguiria dormir. Quando seus olhos fechavam ela só conseguia pensar em Terry e principalmente em Mark. Por que ela fugiu sem ter sequer se despedido? Nem sequer agradeceu por ele ter levado ela até Terry. Desde que havia conhecido Mark seu sono ficou mais difícil, pois as noites pertenciam somente a pensamentos sobre com ele.

Quando amanheceu ela percebeu que estava chovendo bastante. Ela desceu e fez um chá.

- Dormiu bem, filha? – perguntou Erone.

- Sim, papai, obrigada.

- Acho que não poderemos ir à cachoeira hoje. – observou ele olhando pela porta a chuva que caía.

- Não tem problema, papai. Podemos ir outro dia. Eu só quero ir até lá com o senhor, não importa quando.

- Eu levarei você até lá, como prometi.

- Será que trabalharemos na construção da muralha hoje?

- Não sei... É o primeiro dia de chuva desde o início da construção. Mas de Ahau decidir que precisamos trabalhar não há o que fazer.

- Vai demorar muito tempo até que este muro esteja pronto. – observou ela.

- Sim... Mais tempo do que prevíamos... Eu já estou um pouco cansado... E mal começamos.

- Eu também. – disse ela.

- Mas acho bom que você ainda consegue tempo para fazer o que gosta, Daily.

- O que gosto? – perguntou ela confusa.

- Passear pela floresta, entre a mata.

- Realmente, eu amo fazer isso. Adoro este lugar, o mata ao redor, o nosso rio de águas por vezes turvas e outras transparentes. Adoro olhar o céu nesta clareira dentro da floresta...

- Sua mãe também amava a floresta. – observou ele.

Daily percebeu amor nas palavras do pai ao lembrar-se de Darla e lamentou o dia em que o culpou pela morte dela somente para magoá-lo.

- Papai, eu queria muito que ela estivesse aqui conosco ainda.

- Eu também... Ela sempre quis que o bebê fosse uma menina... E ela sequer viu a filha crescer. Darla amava tanto viver... – Erone falava pouco de Darla e ela sabia que para ele dizer aquelas palavras não era muito fácil.

- Só não quero que culpe, Moa, papai... Ele não é o responsável pela morte dela.

- Não há culpados, Daily... Os espíritos antigos queriam ela junto deles.

- Mas há um culpado sim, papai. E não é o senhor, nem Moa.

- Quem você acha que é culpado, Daily?

- Ahau.

- Ahau só percebeu a grande beleza de sua mãe... E Darla realmente era a mulher mais linda entre as Kasenkinas.

- Papai, você precisa entender que...

Daily olhou a serenidade no rosto de Erone e percebeu que de nada adiantava aquela conversa. Erone jamais admitiria a culpa de Ahau. Para ele sempre seria mais fácil culpar Moa quando precisasse.

- A chuva está cada vez mais forte. – disse ela mudando completamente de assunto.

- Vou perguntar se iremos trabalhar hoje. – disse Erone.

- Vou aguardar então.

Erone saiu e ela decidiu que se não fosse trabalhar naquele dia iria ao rio novamente. Precisava ver Mark. Provavelmente ele estaria lá. Ela precisava pedir desculpas pela forma como o tratou, agradecê-lo pela ajuda em encontrar Terry e confessar seu amor por ele. Não havia como enganar mais a si mesma... Estava completamente apaixonada pelo Príncipe de Machia. E precisava lutar por aquele amor, em nome de Terry e Moa, Erone e Darla, separados sem terem lutado para ficar juntos.

Erone não demorou a retornar com a resposta de que não trabalhariam naquele dia de chuva forte.

- Falei com Burt. – disse Erone.

Erone sentou-se perto ao fogo e Daily decidiu lhe perguntar algo que a atormentava:

- Papai, eu preciso muito lhe falar.

- Pode dizer.

- Eu... Gostaria de saber... O que o senhor sentiu quando matou o Rei Pollo?

- Daily, esta história de novo? – falou ele visivelmente irritado.

- É muito importante para mim saber isso, papai.

- Não há o que sentir, Daily. Na hora eu estava com muita raiva. Eram nossos inimigos. No campo de batalha não há trégua ou piedade. Era preciso fazer aquilo.

- O Senhor sabe se ele tinha filhos?

- Não sei ao certo, Daily...

- O senhor disse que eles não incomodariam tão cedo os Kasenkinos... O que quis dizer com isso?

- Somos mais fortes que eles... Matamos o líder de Machia. Por isso minha certeza.

Daily teve vontade de dizer que sabia que eles haviam matado até mesmo crianças, mas preferiu ficar quieta, pois estava conseguindo ter uma conversa tranquila com Erone sobre aquele assunto.  Além do mais se dissesse que sabia sobre isso, levantaria a suspeita de ter falado com alguém do reino e teria que se explicar.

- Papai, o senhor acha que nunca haverá uma trégua entre os Kasenkinos e o reino de Machia?

- Trégua, paz, amizade, amor... Enfim, nada é possível entre os dois povos. Não é nem bom que pense sobre esta gente, Daily.

- Então se um dia houvesse uma história de amor entre um Kasenkino e uma pessoa do reino isso jamais poderia se concretizar, não é mesmo?

- Você está louca me perguntando isso? Claro que não. Isso jamais aconteceria, Daily. Nem o amor entre estas duas pessoas, muito menos a aceitação de qualquer um dos povos. Isso é a coisa mais impossível do mundo... Mas por que está me perguntando isso? – perguntou ele desconfiado.

- Só me passou pela cabeça mesmo... O senhor sabe que gosto de ter minhas perguntas respondidas... Muitas coisas passam pela minha mente o tempo todo. E tenho curiosidades sobre o reino de Machia... Sempre tive.

- Não alimente esta ideia de um dia conhecer alguém do reino, pois isso jamais acontecerá.

- Eu sei disto, meu pai. – falou ela.

- Vou aproveitar o dia chuvoso e descansar um pouco, Daily. Irei deitar pois minhas costas doem.

- E eu vou andar por aí. – disse ela.

- Irá para floresta com toda esta chuva?

- Sim... Mesmo com chuva vou aproveitar a floresta. Amanhã provavelmente será um lindo dia e teremos que trabalhar. Me resta aproveitar os dias chuvosos para fazer o que gosto.

- Cuide para não ficar doente.

Daily saiu correndo pela porta antes que Erone começasse a implicar com a saída dela. Correu rapidamente pela floresta, nem se importando com o barro ou as fortes rajadas de vento que empurravam a chuva contra seu corpo. Logo ela estava no rio, no lugar onde havia conhecido Mark. Precisava vê-lo, ouvir sua voz e dizer o que sentia por ele.

Mas Daily ficou muito tempo ali, sob a chuva e Mark não apareceu. Ela olhou a volta, na esperança que ele estivesse escondido como da outra vez, mas ele não estava. Não adiantava ter esperanças, ele não iria. Talvez estivesse magoado com ela e sua atitude quando saíra correndo sem se despedir. Queria muito se desculpar por aquilo e pelo modo grosseiro como o tratava algumas vezes. Nem ela mesma sabia por que fazia aquilo. Nunca fora ela mesma com ele. Talvez não quisesse que ele percebesse suas fragilidades e a conhecesse bem, afinal, ele era o herdeiro do reino de Machia. A euforia de conhecer alguém do reino, em especial o príncipe, mais o medo da rivalidade entre os dois povos a deixava insegura. Mas agora tinha certeza de que o seu sentimento de amor pelo príncipe Mark não deixaria de existir dentro de si de uma hora para outra. Mas quanto mais tinha certeza do sentimento que nutria por ele, mais medo tinha de ser magoada por aquele homem que nem conhecia, que havia visto por duas vezes em toda sua vida e que era o maior rival de seu povo. Por isso a necessidade de não afirmar seu amor e não demonstrar fraqueza ou compaixão. O amor entre eles era impossível e ela sabia que o correto seria desistir. Além do mais ele era noivo de outra mulher, um casamento esperado por seu pai e por todo reino. Teria ela o direito de interferir desta forma na vida de Mark e todo seu povo? O fato de ele não estar ali talvez fosse um sinal de que ela deveria voltar para casa, para seu povo, e desistir daquele homem. Não tentaria encontrar Mark novamente. Seria o melhor que poderia fazer por ele e por ela mesma. A chuva ficou ainda mais forte e alguns trovões começaram a ecoar no céu.

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Último capítulo

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 34

    Daily conseguia sentir as mãos de Erone junto das dela. Não sabia o que sentia naquele momento com relação a ele. Uma vida inteira de mentiras... Sentimentos que ela não sabia mais identificar. Sentia afeto por ele. Fora bom com ela tantas vezes... Mas ainda assim a oferecera em casamento ao próprio pai. Quem conseguia fazer isso e depois viver normalmente? Ele, o homem que trouxera a cabeça do rei Pollo para ser queimada entre os Kasenkinos. O homem que matou mais pessoas que todos os Kasenkinos juntos. Como Darla pudera amar aquele homem? Quem era Darla na verdade? Nem sequer Moa sabia daquele segredo que os dois esconderam. Sentimentos bons e ruins se misturavam a dor horrível que ela sentia. Um líquido quente escorreu por suas pernas e ela sabia que o bebê iria nasce

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 33

    - Mas... Por que fizeram isto, Burt?- Ahau lhes prometeu ouro, muito ouro, se eles ajudassem na construção da muralha. E assim eles fizeram...- E de onde Ahau tiraria ouro para lhes dar?- Não havia ouro algum... Ahua mentiu para eles. E agora eles vão matar todos. Será o fim dos Kasenkinos. – disse ele rindo nervosamente, com os olhos não parando de mexer nunca.Percebia-se que ele estava visivelmente abalado com tudo e não parecia estar pensando bem. Falava rápido, olhava para todos os lados, com muito medo.- Burt... Você tem certeza de que eram os Naiguãs?- Sim... Muitos deles... Nunca vi tantos... Todos montados nos cavalos, seres místicos dos deuses.- E Ahua?- Mataram Ademoore... E muita gente.Daily o abraçou. Ela tinha tanto medo, mas Burt parecia estar mais amedrontado do que ela.- Burt, meu amigo, o que fizeram

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 32

    Daily percebeu que Ika estava falando devagar, parecendo ter dificuldade em pronunciar as palavras.- Ika, você está bem? – perguntou ela preocupada.- Não me sinto muito bem...Daily podia ver o suor escorrendo pelo rosto dela e parecia estar sem ar. Daily gritou em desespero por socorro. Logo os empregados vieram em seu auxílio. O nervosismo tomava conta de Daily. Percebeu em sua boca uma espuma esbranquiçada. Quando o doutor chegou, ela ainda segurava na mão de Ika.Não demorou até que fosse dado o motivo da morte:- Envenenamento. – disse o doutor.- Como? – perguntou Daily chocada.- Um veneno forte, com certeza. Mas nada mais pode ser feito por ela, infelizmente. Era uma boa mulher. Fiel criada do rei Pollo e depois do rei Mark.Daily olhou para a xícara de chá próxima da cama e gritou em lágrimas:- Não pode

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 31

    Mark entrou no quarto rapidamente, muito preocupado.- Daily, o que houve? Eu soube que o médico veio vê-la. Você está doente? Passou mal?- Está tudo bem, Mark. – disse ela deitada confortavelmente na cama.- Eu sabia que Sherylin não a deixaria em paz... Foi por isso que eu a proibi de entrar no castelo.- Ela não teve culpa... Inclusive me pediu desculpas. Disse que irá embora de Machia.- Sherylin lhe pediu desculpas? Sinceramente eu não acredito nas desculpas sinceras dela.- Ela pode ter percebido que nosso amor é real, Mark. Talvez tenha decidido não mais acabar com nossa felicidade. Que de nada adiantaria nos fazer mal...- Daily, não se iluda com Sherylin. Se tem uma coisa que ela sabe muito bem é como manipular as pessoas.- Eu não me importo com Sherylin, Mark. Tenho coisas mais importantes a tratar com você.

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 30

    Daily despertou com os raios de sol batendo em seu rosto. Ika estava abrindo a janela para o sol entrar no quarto. Ela olhou para o lado e percebeu que Mark não estava mais ali. Ela levantou a cabeça e sentiu-se muito bem. Nem parecia que havia estado péssima nos últimos dias.- Parece bem melhor, senhora. – disse Ika sorrindo.- Realmente Ika, pareço uma nova pessoa.- Gostaria de banhar-se?- Eu adoraria.- Então me acompanhe, por favor.Ika levou Daily até um enorme quarto de banho. Jamais ela imaginou tomar um banho com água quente e perfumada. Os Kasenkinos não acreditariam que aquilo era possível. Mais uma vez ela fez comparativos e ficou chocada de quantos costumes diferentes entre os dois povos que viviam tão próximos.- Você vai ficar me olhando? – perguntou Daily para Ika.- Sim... Caso a senhora queira que eu a esfre

  • A Saga dos Kasenkinos   Capítulo 29

    Daily estranhava um pouco ter Ika o tempo inteiro com ela, perguntando se queria algo, anunciando quem chegava, o que acontecia. Servia-lhe o tempo todo. Talvez com o tempo acostumasse com aquilo, mas por enquanto sentia-se um pouco presa. Talvez sentisse falta de sua liberdade, seus vestidos folgados, seus cabelos soltos e seus pés descalços pela floresta. Era acostumada a fazer as coisas pelos outros e não o contrário. As mulheres Kasenkinas nasciam para servir e não pra serem servidas. Primeiro serviam os pais e as mães até se casarem e servirem ao marido e aos filhos.Ela olhou para o enorme travesseiro ao lado do seu. Passou a mão com carinho depois sentiu o cheiro de Mark. Nem acreditava que ele havia passado a noite com ela, lhe dando tanto carinho que ela jamais imaginou receber. Tudo parecia um sonho. E naquele momento ela teve certeza que entre a liberdade, os pés descalços e a floresta, ela escol

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