LOGINPOV/CHRISTIANDemorei mais do que pretendia para deixar a propriedade. Depois da conversa com Otávio, pedi que a equipe responsável pelos cuidados dele avaliasse a possibilidade de retirar o microdispositivo naquele mesmo dia. Precisávamos recuperar a chave criptográfica, mas eu não queria colocar sua saúde em risco nem comprometer o material por pressa.Enquanto os profissionais se organizavam, permaneci com ele. Otávio estava cansado, apoiado na poltrona, e acompanhava meus movimentos com os olhos.— Você vai levar? — perguntou.— Se a equipe conseguir retirar com segurança, sim. Depois vamos precisar de ajuda para acessar o servidor.Ele olhou para a própria mão.— Guardei isso por dez anos.Aproximei minha cadeira.— Eu sei.— Não deixe que desapareça, Christian.— Vou cuidar disso.Esperei durante a avaliação e a retirada. O procedimento ficou a cargo dos profissionais, que também documentaram o que fizeram e acondicionaram o dispositivo antes de entregá-lo a mim. Conferi as orie
POV/ CHRISTIANOtávio levou a mão ao peito.— Eu ouvi quando mexeu no equipamento. Depois comecei a sentir falta de ar.— O senhor tentou pedir ajuda?— Tentei. Meu corpo inteiro parecia estar lutando, mas eu não conseguia levantar um braço.Sua voz enfraqueceu.— Foi desesperador. Eu sabia que estava morrendo e não conseguia chamar ninguém.Esperei enquanto recuperava o fôlego.— Depois perdi a consciência — concluiu.— E quando acordou?— Estava em outro hospital.— Foi quando os médicos começaram a mudar o tratamento?— Sim. Fizeram novas avaliações, modificaram os cuidados e começaram a trabalhar na minha recuperação.— O senhor sabe por que ficou tanto tempo naquele estado?— Ainda estão investigando. Houve lesões graves e muitos anos de tratamento. Também precisam avaliar os medicamentos que recebi.Assenti.— Vamos pedir uma análise dos prontuários.— Eu quero saber quem sabia que eu estava consciente.Olhei para ele.— Vamos procurar respostas.Otávio observou as próprias mãos
POV/ CHRISTIANEle levou a mão ao peito.— A força me lançou contra o interior do carro. Não sei exatamente em que bati. Lembro de uma dor muito forte e de não conseguir entender o que estava acontecendo.— O senhor viu alguém sair do veículo?— Não consigo afirmar. Tudo aconteceu em segundos.— E Estela?Otávio começou a chorar.— Ela estava do lado de fora.Fiquei em silêncio.— Eu tinha pedido que esperasse ali — continuou. — Ela estava fazendo o que eu pedi.Uma lágrima escorreu por seu rosto.— Minha mulher morreu porque estava esperando comigo.— Otávio...— Eu devia ter ficado com ela.Aproximei minha cadeira.— O senhor não tinha como saber que aquilo aconteceria.Ele balançou a cabeça.— Durante dez anos, pensei naquele momento. Na última coisa que falei para ela. No fato de ter entrado no carro enquanto ela ficou lá fora.Sua voz falhou.— Eu não consegui nem me despedir.Esperei que chorasse.Não havia nada que eu pudesse dizer para diminuir aquela dor.Depois de algum temp
POV/ CHRISTIANOtávio fechou os olhos.— Graças a Deus.Esperei que se recompusesse.— Você viu... minhas meninas?— Vi. Convivo com elas.Ele abriu os olhos imediatamente.— Como elas estão? Sky está bem? E Moon? Elas... elas estão felizes?Havia tantas perguntas em sua expressão que não sabia por qual começar.— Sky se tornou uma excelente arquiteta. Está participando de um concurso importante hoje. Trabalhou muito para apresentar o projeto.Otávio sorriu, emocionado.— Arquiteta...— Sim.— Ela sempre gostou de desenhar. Quando era pequena, vivia fazendo plantas de casas. Dizia que ia construir uma enorme para nós.Sorri.— Continua muito dedicada.— E Moon?— Inteligente, determinada e bastante teimosa.Ele soltou uma risada fraca.— Igual à mãe.A lembrança de Estela pareceu entristecê-lo.— Elas... falam de mim?Respirei fundo.— Falam.Otávio abaixou a cabeça.— Eu queria tanto vê-las.— Vai chegar esse momento.Ele segurou meu braço.— Paulo disse que ia machucá-las.Fiquei sé
POV/ ROCCOProcurei Ravi, que estava próximo à lateral do palco. Meu irmão também parecia surpreso.Voltei a atenção para Lorenzo.Talvez Sky tivesse ficado em terceiro. Não era o resultado que eu esperava, mas ainda poderia ser reconhecida pelo trabalho.Meu tio ergueu novamente a folha.— Antes de encerrarmos, precisamos comunicar uma decisão da comissão avaliadora referente a uma das equipes participantes.Senti uma inquietação imediata.— Após a análise de uma denúncia formal, a equipe Bittencourt foi desclassificada por descumprimento das regras de originalidade do concurso, em razão de indícios de plágio identificados durante a avaliação.O salão ficou tomado por murmúrios.Olhei para Lorenzo.— O quê?Ele continuou falando sobre a decisão da comissão, mas deixei de prestar atenção.Plágio?Sky?Aquilo não fazia sentido.Eu conhecia o trabalho dela. Sabia quanto tempo tinha dedicado ao projeto, quantas alterações fizera e como defendia cada escolha técnica.Aproximei-me do meu t
POV/RoccoFiquei olhando para ele.— Cris, tem alguma coisa muito errada acontecendo.— Eu sei. E estou tentando descobrir até onde isso vai.Christian olhou para o relógio.— Preciso ir. Ravi vai acompanhar você na cerimônia.— Vou sobreviver.— Espero que sim. E, Rocco, por favor, se comporte.Ergui uma sobrancelha.— Está pedindo muito.— Estou falando sério. Nada de discutir com Helena na frente dos convidados, nada de arrumar confusão com Lorenzo e, principalmente, nada de fazer esforço desnecessário.— Você está parecendo minha mãe.Ele sorriu discretamente.— Alguém precisa fazer esse trabalho.Aproximei-me e apertei seu ombro.— Resolve o que precisa resolver. Mas volta com alguma resposta, Cris. Estou cansado de não saber o que está acontecendo.— É o que pretendo fazer.Christian caminhou até a porta, mas parou antes de sair.— E, primo?— O quê?— Se encontrar a Sky, não pressione ela. Deixe que aproveite a noite. Ela trabalhou muito por esse projeto.Olhei para ele.— Eu s







