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Capítulo 114°— Indiferença

Author: Ieda Lemos
last update publish date: 2026-09-20 21:33:28

Pouco depois ele voltou e eu fui para o closet me trocar. Quando voltei, apenas a luz fraca do abajur iluminava o quarto.

Suspirei entristecida e pensei em insistir, em conversar com Alejandro a respeito da mãe, contar das ameaças, era tão importante para mim que ele me ouvisse, mas desisti. Eu sabia que chegando em São Paulo, tudo voltaria a ser como antes. Aqui debaixo do mesmo teto que os pais, ele seria outra pessoa, inalcançável para mim.

No dia seguinte, acordei dec
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    Pouco depois ele voltou e eu fui para o closet me trocar. Quando voltei, apenas a luz fraca do abajur iluminava o quarto. Suspirei entristecida e pensei em insistir, em conversar com Alejandro a respeito da mãe, contar das ameaças, era tão importante para mim que ele me ouvisse, mas desisti. Eu sabia que chegando em São Paulo, tudo voltaria a ser como antes. Aqui debaixo do mesmo teto que os pais, ele seria outra pessoa, inalcançável para mim. No dia seguinte, acordei decidida. Quando ele me estendesse a mão, como sempre o fazia, eu me recusaria e enfim colocaria para fora a angústia que sentia e não desceria para o desjejum sem fazê-lo. E assim aconteceu. — Antes precisamos conversar, Alejandro. — Não vai dar, tenho que chegar mais cedo no gabinete, há muita coisa para fazer por lá. Vamos, se apresse, estou faminto! — Não, você vai ter que me ouvir! — Recusei a mão estendida pela segunda vez. — Não temos mais o que conversar. Fizemos um acordo, e

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    Thomaz era tão asqueroso que achava que existia razão para os seus atos covardes! — Filho, eu fiz isso para te proteger! Se a Eva também tivesse me falado que estava grávida, antes de contar para você, eu teria feito o mesmo acordo com ela! A maldita escondeu por muito tempo a gravidez e quando soubemos, já era muito tarde! Inconformado, Alejandro meneava a cabeça impaciente. — Pai, quantas barbaridades o senhor está me falando! Isso é monstruoso! Thomaz não se importava com as críticas do filho, seu foco estava em mim, que inocente, conversava com a bruxa má sem conseguir escutar nem entender, que eles falavam a meu respeito. — Meu filho, o que importa agora é que essa moça não esteja grávida! Tem certeza de que o chá causou mesmo alguma reação? Eu não acredito nessas crendices da Paulina! Alejandro lembrou-se de que eu havia passado mal e tido um sangramento. — Sim, ela passou muito mal com o chá, eu cheguei a proibir a Paulina de dar-lhe para be

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    Vera respondeu rápido, para dar veracidade ao que acabara de falar. — Claro! Tudo o que o meu filho faz, no que diz respeito a você, é milimetricamente planejado! Meneei a cabeça indignada, sem conseguir interromper a megera. — Minha querida, entenda uma coisa, você foi comprada, aceitou o preço! — Eu já tenho a minha fazenda — falei quase chorando. — Mas assinou o acordo pré-nupcial. Tem dinheiro para pagar a multa? E as promissórias que a sua mãe assinou, tem dinheiro para cobrir tudo isso? Nem se vendesse a sua fazenda conseguiria! Fiquei olhando para aquela mulher má, irônica, rindo discretamente da minha desgraça, que ódio! Fiquei olhando para o chão, pensativa, angustiada, os pés inquietos, uma vontade enorme de chorar! — Querida, seja obediente ao seu marido, e lembre-se: “eu não quero ouvir queixas!” O meu filho sabe que precisa respirar outros ares fora de casa, e não quero nem sonhar que você está fazendo algum tipo de questionamento com

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    Enfim chegamos. O dia já estava escurecendo. Quando o grande portão de ferro se abriu, eu senti uma angústia, como se soubesse o que me esperava ali. De uma coisa eu tinha certeza, não teria a atenção de Alejandro como tive na chácara. Ali eu teria que dividi-lo com tanta gente! Os pais, o Óscar, a vida pública, e teria também os meus aliados querendo nos ver separados. Mas meu coração se alegrou com a recepção que me fizeram. Logo na porta, quando saí do carro, já avistei as criadas em fileira, junto com o motorista e Felipe estava de frente, me olhando carente. Corri para abraçá-lo. Que saudade do meu menino, tava tão cheiroso, bem penteado, nem parecia um garoto rebelde! — Cris, senti sua falta— ele disse, com o seu jeito sério, de príncipe. — E do seu pai, não sentiu saudades? — Alejandro brincou, cumprimentando o filho. Todos estranharam como o patrão estava simpático. Ele passou cumprimentando todos eles, um por um. Fiquei de f

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