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Capítulo 25 — Recomeço.

Author: A escritora
last update Petsa ng paglalathala: 2026-06-25 11:01:16

A manhã havia começado movimentada no açougue.

Constantine já estava se acostumando à rotina.

Atender clientes, organizar pedidos, limpar os balcões, separar as mercadorias.

O trabalho era cansativo, mas começava a se tornar um costume.

Naquele momento, Tião estava ocupado nos fundos do estabelecimento quando uma mulher entrou carregando uma bolsa de trabalho e algumas pastas.

Parecia apressada.

Como alguém que estava resolvendo várias tarefas ao mesmo tempo.

— Bom dia — cumprimentou Constantine.

— Bom dia.

A mulher começou a fazer seu pedido enquanto observava distraidamente a vitrine de carnes.

Mas, em determinado momento, voltou a olhar para Constantine.

Depois disfarçou ao perceber que estava sendo notada.

E mais uma vez a encarou.

Como se algo estivesse incomodando sua memória.

— Desculpe a pergunta...

Constantine ergueu os olhos.

— Sim?

— Nós nos conhecemos?

A jovem sorriu.

— Acho que não.

— Estranho.

A mulher franziu a testa.

— Tenho a impressão de já ter visto você em algum lugar.

Constantine pensou por alguns segundos.

Até que uma lembrança surgiu.

— A senhora trabalha na Zanobi Corporation?

Os olhos da mulher se arregalaram.

— Sim!

Então apontou para ela.

— Agora eu lembrei!

Um sorriso surgiu em seu rosto.

— Você foi até lá há algum tempo.

Constantine não conseguiu evitar uma pequena risada.

— Fui.

— Meu Deus.

A mulher balançou a cabeça.

— Claro que era você.

Por um instante, ambas se lembraram do episódio.

O dia havia sido difícil.

Humilhante para Constantine, constrangedor para todos que estavam presentes no momento.

— Como você está? — perguntou a mulher.

A pergunta havia sido genuinamente sincera.

— Melhor do que naquele dia.

— Ainda bem.

— E você?

— Sobrevivendo.

As duas riram.

— Meu nome é Nay.

— Constantine.

— Eu sei.

A conversa continuou por alguns minutos.

Nay contou que era mãe solo, que criava a filha praticamente sozinha e que morava ali mesmo no bairro.

— Sério?

— Sim.

— Então somos vizinhas.

— Parece que sim.

Aquilo fez ambas sorrirem.

Era curioso.

Quando o pedido ficou pronto, Nay pegou as sacolas.

Mas antes de sair, parou por um instante e se virou novamente para Constantine.

— Ah, quase me esqueci... no próximo sábado vai acontecer um evento aqui na localidade, com todos os moradores participando.

Constantine a olhou com atenção.

— Evento?

— Sim. Vai ter feira de artesanato, festival de bolos, alguns profissionais oferecendo serviços e vários estandes, atendendo diferentes necessidades da população.

Ela sorriu com simpatia.

— Seria bom que você fosse. Assim conhece melhor a comunidade, o pessoal daqui e ainda pode contribuir de alguma forma.

Constantine pareceu interessada.

— Parece ótimo.

— Então vá. Tenho certeza de que vai gostar.

Quando descobriu que os tios da jovem estavam tentando se adaptar à nova vida na cidade, Nay pareceu ter uma ideia.

— Mas nós não temos um negócio.

— Não precisa ter — Disse Nay sorrindo.

— Muita gente começa lá.

Ela então explicou que a feira reunia moradores de diversos segmentos.

Havia artesãos,produtores rurais, costureiras.

Pessoas que vendiam doces, bolos e salgados.

— E os estandes são compartilhados.

— Compartilhados?

— Sim. Às vezes quatro ou cinco pessoas dividem o mesmo espaço. Um ajuda o outro.

Os olhos de Constantine brilharam.

Uma lembrança surgiu imediatamente.

— Minha tia faz tortas.

— Tortas?

— As melhores que eu já provei.

— Então está resolvido.

— Não é tão simples assim.

— Por que não?

— Porque ela vai dizer não vai querer ir.

— Então nós convencemos ela.

Constantine sorriu.

— Nós?

— Claro. Não posso perder a oportunidade de provar essa torta.

Como previsto, Ludovica recusou a ideia assim que ouviu a proposta.

— Eu não vou vender nada em feira nenhuma.

— Vai sim — respondeu Constantine.

— Não vou.

— Vai.

— Não vou.

Nai observava a discussão tentando não rir.

— Dona Ludovica, qual é o pior que pode acontecer?

— Ninguém comprar nada.

— Então voltamos para casa com tortas deliciosas.

Ludovica tentou permanecer séria.

Mas acabou sorrindo, perdendo a batalha.

No dia da feira, o bairro parecia outro.

Barracas coloridas ocupavam a praça principal.

Música tocava ao longe.

Famílias caminhavam entre os corredores.

Crianças corriam de um lado para o outro.

E, para surpresa de Ludovica, sua mesa foi uma das mais movimentadas.

As primeiras tortas venderam rapidamente.

Depois vieram os elogios, os pedidos, e as encomendas.

Muitas encomendas.

Ao final da tarde, Ludovica segurava um pequeno caderno onde havia anotado nomes, endereços e datas de entrega.

Ela olhava para aquelas páginas como se não acreditasse.

— Eu vou precisar fazer tudo isso?

— Vai — respondeu Constantine sorrindo.

— Meu Deus.

— Problema bom.

Ao redor delas, novas amizades também começavam a surgir.

As senhoras que vendiam flores passaram a cumprimentá-las como velhas conhecidas.

O produtor de hortaliças ofereceu ajuda para conseguir ingredientes mais baratos.

Outros expositores compartilharam experiências e conselhos.

Pela primeira vez desde que deixaram a fazenda, os três sentiram que estavam encontrando seu lugar naquele novo mundo.

E enquanto observava a tia sorrindo para mais um cliente, Constantine percebeu que talvez a mudança não tivesse sido apenas uma despedida.

Talvez tivesse sido um recomeço.

Uma semana se passou e numa tarde a conversa na cozinha seguia tranquila.

O aroma das tortas recém-assadas preenchia todos os cômodos da pequena casa.

Ludovica trabalhava concentrada em mais uma encomenda enquanto Constantine ajudava com algumas embalagens.

Foi então que alguém bateu à porta.

— Eu atendo! — anunciou Constantine.

Ludovica sequer ergueu os olhos.

Continuou trabalhando.

Nos últimos dias, era comum a chegada de clientes para buscar encomendas ou fazer novos pedidos.

Poucos minutos depois, ouviu a voz da sobrinha vindo da sala.

— Tia!

— O que foi?

— Venha aqui um instante.

Ludovica limpou as mãos no avental e caminhou até a sala.

Ao chegar, encontrou Constantine acompanhada por um senhor elegante e bem-apresentado.

Apesar das roupas simples para os padrões dele, era impossível esconder a educação refinada e os modos gentis.

— Tia, quero apresentar o doutor Antônio. Lembra dele?

O médico sorriu educadamente.

Ludovica abriu um largo sorriso.

— Ah, que bom rever o senhor.

O homem pareceu surpreso.

— Obrigada 

— Entre, fique a vontade.Constantine já falou muito sobre o senhor.

— Espero que apenas coisas boas.

— Somente as melhores.

Os três riram.

— É um prazer conhecê-la de perto, dona Ludovica.

— O prazer é nosso.

Ela apontou para a mesa.

— Mas ninguém entra nesta casa sem tomar um café.

— Eu não gostaria de incomodar.

— Então já começou errado.

A resposta arrancou mais risadas.

Poucos minutos depois, todos estavam sentados à mesa.

O café havia acabado de ser passado.

O bolo ainda estava morno.

E a conversa fluía com uma naturalidade inesperada.

Falaram sobre a cidade.

Sobre as mudanças recentes.

Sobre as encomendas das tortas.

Sobre a feira do bairro.

Antônio ouvia tudo com atenção.

Sorria ao perceber o entusiasmo de Ludovica e o brilho nos olhos de Constantine ao falar daquela nova fase.

Por alguns instantes, esquecendo-se completamente seus próprios compromissos.

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