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Capítulo 48 - O retorno

Author: A escritora
last update publish date: 2026-09-16 21:16:41

 

Um mês havia se passado desde a descoberta.

Durante todo aquele tempo, Umberto não havia recebido nenhuma notícia de Emilyke ou de Vito.

Ele seguiu com sua vida e com seu trabalho, tentando colocar as coisas no lugar depois de tudo o que havia acontecido.

Emilyke, por outro lado, começava a perceber que a vida ao lado de Vito não era nada parecida com aquilo que havia imaginado.

Aos poucos, uma espécie de saudade começou a surgir.

Mas não era exatamente saudade de Umberto.

Era saudade da forma como ele a tratava.

Enquanto esteve ao lado dele, Emilyke havia sido constantemente colocada em primeiro lugar.

Umberto fazia questão de incluí-la em seus melhores eventos, apresentá-la às pessoas importantes, apoiar seus projetos e proporcionar uma vida confortável.

Ele sempre a tratara com respeito e consideração.

Vito havia prometido que poderia oferecer algo ainda melhor.

Mas a realidade tinha sido completamente diferente.

Com ele, Emilyke conhecera o medo, a pressão e as ameaças.

Aquela vida não era o que havia imaginado.

Naquela noite, Emilyke estava sozinha no apartamento.

Mais cedo, Vito havia dito que precisaria sair.

— Não precisa me esperar acordada.

Emilyke ficou algum tempo sentada na cama, pensando.

Então tomou uma decisão.

Se queria recuperar ao menos uma parte da vida que tinha perdido, precisava procurar Umberto.

Pegou as chaves do carro.

O veículo ainda estava em sua posse.

Era um dos presentes que Umberto havia lhe dado durante o relacionamento.

Ela entrou no carro e seguiu até a casa dele.

Quando chegou, estacionou próximo ao portão e permaneceu dentro do veículo.

Esperou.

Os minutos passaram lentamente.

Até que os faróis de outro carro surgiram na rua.

Era Umberto.

Emilyke sentiu o coração acelerar.

O carro dele se aproximou e parou diante do portão.

Por alguns segundos, Umberto permaneceu dentro do veículo.

Parecia estar tentando processar o que estava vendo.

Emilyke saiu do próprio carro.

Ficou parada entre os dois veículos.

Umberto finalmente desligou o motor.

Abriu a porta e saiu.

Os dois ficaram se olhando à distância.

Durante alguns segundos, nenhum deles disse uma palavra.

Emilyke deu um passo na direção da janela do carro dele.

Mas, antes que pudesse se aproximar, Umberto fechou a porta e caminhou até ela.

Seu rosto estava sério.

— O que você está fazendo aqui, Emilyke?

Ela respirou fundo.

— Eu precisava falar com você.

Umberto parou a poucos passos dela.

— Depois de um mês?

Emilyke baixou os olhos.

— Eu sei que não deveria ter vindo.

— Então por que veio?

Ela levantou o olhar novamente.

Dessa vez, não havia segurança em sua expressão.

Havia dúvida.

E, talvez, arrependimento.

— Porque eu percebi que cometi um erro.

Umberto permaneceu em silêncio.

Aquela frase não parecia suficiente para explicar por que ela estava ali.

E ele sabia disso.

Emilyke apertou as mãos.

— Eu quero conversar com você.

Umberto a observou por alguns segundos.

Depois respondeu:

— Então fale.

Ela respirou fundo.

Mas as palavras pareciam presas em sua garganta.

Depois de tudo o que havia acontecido, ela finalmente estava diante do homem que havia traído.

E, pela primeira vez, não sabia se ainda existia algum caminho de volta.

Umberto caminhou até o portão sem dar ouvidos às palavras de Emilyke.

Ela continuava falando atrás dele, tentando fazê-lo parar, mas ele manteve os passos firmes até chegar ao painel de segurança.

Digitou o código para abrir o portão de sua residência.

— Umberto, espera...

Ele não respondeu.

Emilyke respirou. Percebeu que, se continuasse tentando explicar o que havia acontecido, talvez ele simplesmente entrasse e a deixasse ali.

Então decidiu dizer aquilo que acreditava que poderia para-lo.

— Eu te amo.

Os dedos de Umberto pararam por um instante sobre o teclado.

Emilyke o observou em silêncio.

Mas, dentro dela, aquelas palavras não carregavam o significado que deveriam.

Ela não o amava.

O que sentia era saudade da vida que tinha ao lado dele.

Saudade do conforto, das regalias, dos restaurantes, das viagens, dos presentes e, principalmente, da tranquilidade que existia quando estava ao lado de Umberto.

E agora ela havia perdido tudo aquilo.

Emilyke queria aquela vida de volta.

Queria recuperar o conforto que tinha antes de Vito transformar sua vida em medo, mentiras e esconderijos.

Umberto finalmente se virou para ela.

Deu uma pequena risada, mas não havia humor algum naquele gesto.

Era uma risada cética, carregada de decepção.

— Você espera mesmo que eu acredite nisso?

Emilyke ficou sem resposta.

— Eu não estou mentindo.

— Não? — Umberto perguntou, encarando-a. — Porque, durante todo o tempo em que estivemos juntos, eu achei que estávamos construindo alguma coisa verdadeira.

Ele fez uma pausa.

— E agora descobri que tudo era uma mentira.

Emilyke baixou os olhos.

— Umberto...

— Eu não acredito mais em você, Emilyke.

Ele voltou para o carro.

Abriu a porta, entrou e fechou-a sem olhar para trás.

Emilyke correu alguns passos até ficar próxima ao veículo.

— Por favor, me escuta!

Umberto colocou o cinto de segurança e deu partida.

O motor começou a funcionar.

Foi então que Emilyke disse, quase desesperada:

— É pelo nosso filho.

Umberto congelou.

Sua mão permaneceu sobre o volante.

Por alguns segundos, ele não se moveu.

Aquelas quatro palavras foram suficientes para fazer todo o seu corpo ficar tenso.

Ele lentamente virou o rosto na direção de Emilyke.

Dessa vez, não havia ceticismo em seu olhar.

Havia apenas uma pergunta.

— O quê?

Umberto congelou.

Sua mão permaneceu sobre o volante, enquanto as palavras de Emilyke ecoavam em sua mente.

— É pelo nosso filho.

Ele lentamente virou o rosto na direção dela.

Por alguns segundos, apenas a encarou.

Então soltou uma risada curta, completamente desacreditada.

— Como você pode inventar uma mentira dessas?

Emilyke ficou pálida.

— Não é mentira...

— É, sim! — Umberto a interrompeu. — Porque você sabe que eu não vou acreditar que está grávida.

— Umberto, eu...

— E, mesmo que esteja... — Ele respirou fundo, tentando controlar a raiva. — Esse filho não é meu.

Emilyke levou a mão ao ventre, assustada.

— Como pode dizer isso?

— Como você quer que eu pense diferente? — perguntou ele, olhando-a fixamente. — Passou um mês desde que eu descobri tudo. Um mês. E agora você aparece aqui dizendo que está grávida de mim?

Ela ficou em silêncio.

Umberto balançou a cabeça, incrédulo.

— Você estava vivendo com o homem que me traía. O homem que estava envolvido com você enquanto nós estávamos juntos. E agora quer que eu acredite que esse filho é meu?

— Eu não estou tentando...

— Está, sim!

A voz dele ecoou dentro do carro.

Emilyke recuou alguns passos.

Umberto apertou o volante.

Aquela situação ultrapassava todos os limites que ele imaginava que Emilyke ainda poderia ultrapassar.

— Eu não vou acreditar nisso — disse ele, agora mais baixo, porém firme. — Não depois de tudo o que aconteceu.

— Mas é verdade...

Ele desviou o olhar por um instante.

— Eu não sei o que você está tentando fazer, Emilyke. Não sei se isso é mais uma mentira, se é uma tentativa de me prender ou se você simplesmente acha que eu vou esquecer tudo porque apareceu aqui dizendo que está grávida.

Ele voltou a encará-la.

— Mas acabou.

Emilyke sentiu os olhos se encherem de lágrimas.

— Umberto...

— Eu quero que você vá embora daqui.

Ela permaneceu parada.

— E não volte mais.

Umberto fechou a porta do carro.

Dessa vez, não esperou que ela dissesse mais nada.

O portão começou a se abrir lentamente.

Emilyke ficou do lado de fora, imóvel, enquanto o carro avançava para dentro da propriedade.

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