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Capítulo 47 - A conversa

Author: A escritora
last update publish date: 2026-09-15 21:28:43

Capítulo 47 — A Conversa

Alguns dias se passaram após o jantar.

Desde aquela noite, Umberto havia mantido sua rotina praticamente intacta.

Continuava trabalhando, participando das reuniões e cuidando dos assuntos da empresa.

Mas havia uma diferença.

Agora, ele observava tudo com muito mais atenção.

Naquela manhã, decidiu que era hora de conversar com Nay.

Pediu que ela fosse até sua sala.

Poucos minutos depois, ela bateu à porta.

— Entre.

Nay abriu a porta e entrou.

— O senhor queria falar comigo?

Umberto fez um gesto em direção à poltrona diante de sua mesa.

— Sente-se, Nay.

Ela obedeceu.

— Boa tarde, senhor Zanobi.

Umberto fechou a pasta que estava em suas mãos.

Abriu o botão do paletó e se endireitou no assento.

Por alguns segundos, permaneceu em silêncio.

Então abriu uma das gavetas da mesa e retirou alguns papéis.

Eram as fotografias.

Colocou o material sobre a mesa, virado para baixo.

Nay acompanhou o movimento com os olhos.

Umberto apoiou as costas na poltrona.

— Nay, acredito que você saiba o motivo pelo qual pedi que viesse até aqui.

Ela franziu a testa.

Tentou lembrar se havia algum compromisso ou alguma tarefa que ele tivesse mencionado naquela manhã.

Nada lhe veio à mente.

— Não... — respondeu, depois de alguns segundos. — Eu não me lembro.

Umberto não respondeu.

Colocou a mão direita sobre os papéis.

Nay olhou para eles.

Seu coração começou a bater um pouco mais rápido, embora ainda não soubesse o motivo.

— Você tem feito um excelente trabalho na empresa — disse ele.

— Obrigada, senhor.

— Tenho acompanhado seu desempenho e sei que é uma funcionária dedicada.

Nay assentiu.

— Eu procuro fazer o meu melhor.

Umberto permaneceu olhando para ela.

— Eu sei.

Houve uma breve pausa.

Então ele deslizou lentamente os dedos sobre os papéis.

— Mas existe uma coisa que eu preciso entender.

Nay ficou atenta.

— O que aconteceu naquele dia?

Ela franziu ainda mais a testa.

— Naquele dia?

Umberto levantou os olhos.

— O dia em que você me enviou aqueles arquivos.

Nay ficou completamente imóvel.

Por alguns segundos, pareceu não entender.

Então seu rosto perdeu a cor.

O coração disparou.

— Eu...

Umberto virou os papéis.

As fotografias ficaram expostas sobre a mesa.

Nay reconheceu imediatamente cada uma delas.

Seu olhar passou de uma imagem para outra.

Emilyke.

Vito.

Os registros que ela havia reunido em segredo.

Nay levou a mão à boca.

— Meu Deus...

Agora ela compreendia.

O erro.

O arquivo errado.

Ela havia enviado a investigação inteira para Umberto.

— Senhor Zanobi, eu posso explicar...

Umberto permaneceu em silêncio.

Nay respirou fundo.

— Eu não queria que o senhor descobrisse dessa maneira.

Ele continuou olhando para ela.

— Então você sabia?

Nay baixou os olhos.

— Eu sabia que alguma coisa estava acontecendo.

— Há quanto tempo?

Ela hesitou.

— Há algum tempo.

Umberto pegou uma das fotografias.

— E você estava investigando Emilyke?

Nay assentiu lentamente.

— Sim.

— Por quê?

Nay levantou os olhos.

— Porque eu descobri uma coisa que o senhor precisava saber.

A voz dela estava baixa.

— Eu só não sabia como contar.

Umberto ficou alguns segundos em silêncio.

A dor ainda estava ali, mas agora havia outra coisa em seu olhar.

Era a necessidade de compreender tudo.

— Então me conte, Nay.

Ela respirou fundo.

— Tudo.

Capítulo 47 — A Conversa

Umberto ouviu tudo o que Nay tinha para dizer.

Não a interrompeu uma única vez.

Permaneceu sentado, atento a cada palavra, enquanto ela explicava como havia descoberto o envolvimento de Emilyke, como começou a investigar e porque decidiu reunir as provas.

Nay ficou calada ao terminar.

Não tinha mais o que dizer.

Umberto respirou profundamente e olhou para as fotografias espalhadas sobre a mesa.

— Eu não vou demitir você por conta disso.

Nay levantou os olhos, surpresa.

— Mesmo sabendo que o seu comportamento poderia ter me exposto de maneira devastadora. Se você tivesse enviado esses arquivos para um endereço de e-mail errado, eu teria tido sérios problemas.

Nay permaneceu calada.

— Felizmente, o arquivo veio justamente para mim. — Ele fez uma breve pausa. — De certa forma, eu agradeço a você por ter descoberto tudo isso. Mas talvez outra pessoa não tivesse essa visão.

Ela assentiu lentamente.

— Eu entendo, senhor Zanobi.

Umberto recostou-se na poltrona.

— No entanto, vou precisar transferi-la para outro lugar.

Nay franziu a testa.

— Para onde, senhor?

— Nós estamos precisando de alguém para ficar na comunidade, fazendo o trabalho de secretária. Vamos abrir um escritório lá agora, e você ficará responsável pelo setor.

Nay pareceu surpresa.

— Na comunidade?

— Sim. A procura pelo Projeto Novos Caminhos aumentou bastante. Precisamos de alguém para receber as pessoas, organizar documentos, acompanhar os atendimentos e manter o escritório funcionando.

Ela respirou fundo.

— Eu farei o meu melhor.

Umberto a encarou com seriedade.

— Eu espero que sim. No entanto, qualquer deslize ou qualquer falha que você tiver, eu não vou mais perdoá-la. Certo?

Nay assentiu imediatamente.

— Certo, senhor.

Umberto permaneceu olhando para ela por alguns segundos.

— Então, Nay...

Ela aguardou.

— Considere isso uma segunda chance.

Os olhos dela se suavizaram.

— Obrigada.

— Não me agradeça ainda. Mostre-me que eu fiz a escolha certa.

Nay levantou-se.

— Eu vou mostrar.

Ela caminhou até a porta, mas antes de sair, Umberto acrescentou:

— E mais uma coisa.

Nay se virou.

— Sim?

— Na comunidade, você vai precisar aprender a ouvir as pessoas antes de tentar resolver os problemas delas.

Nay assentiu.

— Entendi.

— Ótimo. Pode começar amanhã.

— Sim, senhor Zanobi.

Ela saiu da sala e fechou a porta.

Umberto ficou sozinho.

Olhou novamente para os envelopes e para as fotografias sobre a mesa.

Apesar de tudo o que havia acontecido, uma coisa começava a tomar forma em sua mente.

O escritório na comunidade não seria apenas uma extensão do projeto.

Poderia se tornar uma nova oportunidade.

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