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Capítulo 46 - O esconderijo

Author: A escritora
last update publish date: 2026-09-14 05:54:56

No esconderijo, a atmosfera era completamente diferente daquela que Vito costumava apresentar diante das outras pessoas.

Não havia sorrisos.

Não havia cordialidade.

Não havia mais espaço para fingimentos.

Vito caminhava de um lado para o outro, furioso, enquanto Emilyke permanecia diante dele, tentando conter as lágrimas.

— Já chega! — Emilyke explodiu. — Eu não quero mais essa vida.

Vito parou e a encarou.

— Que vida?

— Essa vida de mentiras, de medo, de ficar escondida. Eu tenho a minha loja. Tenho a minha independência. Não preciso continuar vivendo assim. Quero me afastar de tudo isso e seguir a minha vida.

Vito soltou uma risada de desprezo.

— Que independência você acha que tem? Você não é ninguém!

Emilyke o encarou, indignada.

— Não fale assim comigo.

Vito se aproximou e agarrou seu braço com fúria.

— Quer que eu conte para todo mundo que os seus diplomas são falsificados?

Emilyke tentou se soltar.

— Me solta!

— Você acha que vai simplesmente sair dessa e fingir que nada aconteceu?

— Me solta!

Dessa vez, Emilyke conseguiu escapar das mãos dele.

Desequilibrada, caiu de joelhos no chão.

Levou a mão ao braço, onde já começavam a surgir marcas avermelhadas.

As lágrimas vieram de imediato.

Ela abaixou a cabeça e começou a chorar.

Vito olhou para ela com impaciência.

— Ah, para com tanto drama! Você não o amava.

Emilyke ergueu o rosto, confusa e ferida.

— Isso não tem nada a ver com ele...

— Então pare de chorar! — Vito gritou. — Seu choro não está me deixando pensar.

Emilyke levou as mãos ao rosto.

Naquele momento, percebeu que o homem ao seu lado não era aquele que acreditava conhecer.

Talvez nunca tivesse sido.

Durante todo aquele tempo, os dois haviam construído uma mentira.

Uma mentira que parecia perfeita.

Até que Umberto descobriu a verdade.

Agora, tudo estava desmoronando.

— O que nós vamos fazer? — ela perguntou, com a voz trêmula.

Vito não respondeu imediatamente.

Continuou andando pelo pequeno cômodo, tentando encontrar uma saída.

— Eu não vou deixar isso acabar comigo — disse por fim.

Emilyke o observou.

— E o Umberto?

Vito parou.

Um silêncio pesado tomou conta do lugar.

— Ele não perde por esperar.

Emilyke sentiu um arrepio.

— Mas ele já sabe da nossa relação.

— Isso não significa que saiba o resto.

Ela franziu a testa.

— Que resto?

Vito voltou a caminhar.

— Existem coisas que você não sabe, Emilyke.

Ela permaneceu em silêncio.

— O melhor está por vir, Emilyke. — Vito sorriu de maneira inquietante. — O melhor está por vir.

Emilyke o observou, sem entender.

— Do que você está falando?

Ele se aproximou lentamente.

— Você não vai tentar fazer alguma coisa. Não vai tentar impedir os meus planos.

— Vito...

— Porque você me deve tudo. — Sua voz tornou-se mais firme. — Tudo.

Emilyke recuou um passo.

— Eu não te devo nada.

Vito soltou uma risada curta.

— Não deve?

Ele a encarou.

— Você se lembra de onde eu te encontrei?

Emilyke ficou em silêncio.

— Abandonada na rua. — Ele continuou. — Seu próprio pai expulsou você de casa. Você não tinha para onde ir. E quem estava lá para te acolher?

Ela abaixou os olhos.

— Você.

— Exatamente. Eu.

Vito apontou para ela.

— Eu te ajudei quando ninguém mais quis ajudar. Dei um lugar para você ficar. Ajudei você a começar de novo. E agora você quer simplesmente virar as costas para mim?

— Eu construí a minha vida também!

— Com a minha ajuda!

A voz dele ecoou pelo pequeno apartamento.

— Essa loja que você tem? Essa fama que conquistou? Tudo isso aconteceu porque eu te ajudei. Você não teria chegado a lugar nenhum sozinha.

Emilyke ficou em silêncio.

As palavras dele despertavam lembranças que ela preferia esquecer.

Ela havia realmente começado do zero.

E Vito havia aparecido naquele momento.

Mas, aos poucos, aquela ajuda havia se transformado em controle.

Agora ela percebia que tudo tinha um preço.

Emilyke caminhou até a cama e sentou-se.

O colchão velho afundou sob seu peso.

O lugar era pequeno, antigo e insalubre. As paredes apresentavam manchas de umidade, o ar tinha um cheiro desagradável e alguns móveis pareciam estar ali havia décadas.

Ela olhou ao redor, assustada.

— Então por que nós não vamos ficar em um lugar melhor?

Vito virou-se para ela.

— Você está louca?

Emilyke se assustou com o tom de sua voz.

— Por quê?

— Você quer que nos encontrem?

Ele se aproximou.

— Você acha que podemos ficar andando por aí como se nada tivesse acontecido? Se aquele otário der com a língua nos dentes, estamos mais do que enrolados.

Emilyke sentiu o coração acelerar.

— Nós podemos ser acusados de estelionato.

Vito ficou em silêncio por alguns segundos.

Depois, desviou o olhar.

Aquela palavra pareceu pesar no ambiente.

Emilyke abraçou os próprios braços.

— Eu não quero ser presa, Vito.

Ele voltou a encará-la.

— Então faça exatamente o que eu mandar.

Ela sentiu um arrepio.

Naquele momento, Emilyke percebeu que não estava mais diante de um homem que dizia amá-la.

Estava diante de alguém que conhecia seus segredos, suas fraquezas e tudo aquilo que poderia usar contra ela.

E, pela primeira vez, teve a sensação de que sair daquela vida seria muito mais difícil do que havia imaginado.

Vito continuou diante dela, cada vez mais irritado.

— E sabe de quem foi a culpa?

Emilyke levantou os olhos, ainda assustada.

— Vito...

— Da sua incompetência!

Ela permaneceu em silêncio.

— Se não fosse por você, os nossos planos teriam dado certo. — Ele apontou para ela. — A essa altura, nós já estaríamos com o dinheiro daquele otário. Já estaríamos ricos!

Emilyke balançou a cabeça.

— Não foi assim...

— Foi exatamente assim!

Vito começou a andar pelo pequeno apartamento.

— Nós planejamos tudo. Tudo! Cada detalhe.

Ele virou-se para ela.

— Mas você estragou tudo.

— Eu fiz o que você pediu.

— Não fez!

A voz dele aumentou.

— Você nunca se mostrou presente na vida daquele homem. Estava sempre ausente. Sempre inventando alguma desculpa. Nunca conseguiu fazer com que ele acreditasse completamente em você.

Emilyke apertou os braços contra o corpo.

— Eu estava tentando...

— Tentando?

Vito riu, sem humor.

— Você só queria ficar no meu pé. Só queria ficar atrás de mim o tempo inteiro.

Ele se aproximou.

— E foi exatamente por isso que começaram a desconfiar.

Emilyke levantou-se da cama.

— Você está colocando tudo nas minhas costas!

— Porque a culpa também é sua!

Ele apontou para ela.

— Por isso tiraram as fotos. Por isso ele começou a desconfiar. Por isso tudo veio abaixo!

Emilyke ficou imóvel.

As palavras de Vito pareciam atravessá-la.

— Você não entende... — ele continuou. — Se tivesse feito exatamente o que combinamos, Umberto jamais teria percebido.

Ela respirou fundo, tentando conter o choro.

— E agora?

Vito ficou em silêncio.

Por alguns segundos, apenas o som da respiração dos dois preenchia o apartamento.

Então ele respondeu:

— Agora precisamos pensar em outra saída.

Emilyke sentiu um aperto no peito.

— Outra saída?

Vito voltou a olhar para as fotografias que estavam sobre a mesa.

Umberto havia descoberto a traição.

Mas, para Vito, aquele não era o fim.

Era apenas o momento em que precisava mudar de estratégia.

Ele pegou uma das fotografias e a encarou.

— Ele acha que ganhou.

Um sorriso frio apareceu em seu rosto.

— Mas ainda não acabou.

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