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Capítulo 51 -

Autor: A escritora
last update Data de publicação: 2026-09-19 02:55:45

Os primeiros dias na casa de Ludovica foram diferentes de tudo o que Umberto estava acostumado.

No início, ele não sabia muito bem como agir.

Estava acostumado com uma casa grande, funcionários disponíveis, silêncio e uma rotina organizada de acordo com seus horários.

Ali, porém, as coisas funcionavam de outra maneira.

Logo na primeira manhã, Umberto acordou mais cedo do que pretendia.

Ainda estava se recuperando, mas já se sentia melhor.

Ao sair do quarto, ouviu vozes vindas da cozinha.

Constantine estava preparando o café da manhã enquanto Ludovica organizava algumas coisas sobre a mesa.

— Eu faço o pão — disse Ludovica.

— Então eu passo o café — respondeu Constantine.

— E eu vou preparar o suco — disse Tomazzo, aparecendo na cozinha.

Umberto ficou parado por alguns segundos, apenas observando.

Ninguém parecia esperar que alguém fizesse tudo sozinho.

Um ajudava o outro.

Enquanto Ludovica terminava o pão, Constantine colocava as xícaras sobre a mesa.

Tomazzo trouxe o suco.

Depois alguém buscava os pratos, outro pegava os talheres e, em poucos minutos, tudo estava pronto.

Não havia ordens.

Não havia funcionários.

Não havia alguém responsável por cada pequena tarefa.

Havia apenas uma família trabalhando junta.

Umberto observou aquilo em silêncio.

— Bom dia, senhor Umberto — disse Constantine, percebendo sua presença.

— Bom dia.

— Dormiu bem?

— Melhor do que esperava.

Ela sorriu.

— Então venha tomar café.

Umberto se aproximou da mesa.

— Vocês sempre fazem tudo assim?

Constantine franziu a testa.

— Assim como?

— Juntos.

Ela olhou para Ludovica e depois para Tomazzo.

— Acho que sim.

Ludovica colocou o pão sobre a mesa.

— Aqui, quando um pode ajudar o outro, ajuda.

Umberto assentiu lentamente.

Aquilo parecia tão simples.

E, ao mesmo tempo, era algo que ele quase nunca havia experimentado daquela maneira.

Durante o café, percebeu que as conversas eram constantes.

Falavam sobre as encomendas da Doce Sonhos, sobre os clientes, sobre o projeto da comunidade e até sobre coisas pequenas que, em sua casa, provavelmente nem seriam comentadas.

Ele apenas ouvia.

Mas, aos poucos, começou a participar.

Naquele mesmo dia, Constantine estava limpando a sala quando encontrou Umberto observando-a.

— O que foi?

— Nada.

— Está me olhando há um tempo.

— Eu só estava pensando.

— Em quê?

Umberto apontou para o pano que ela segurava.

— Posso ajudar?

Constantine olhou para ele, surpresa.

— Você?

— Eu.

— Tem certeza?

— Por que não teria?

Ela entregou o balde.

— Então pode começar por ali.

Umberto pegou o balde com cuidado.

— O que eu faço?

Constantine segurou o riso.

— Você nunca limpou uma casa?

— Já.

— Quando?

Ele pensou por alguns segundos.

— Não me lembro.

Constantine começou a rir.

— Então provavelmente nunca fez.

— Eu posso aprender.

— Está bem. Passe o pano naquele lado.

Umberto pegou o rodo e começou a empurrar a água pelo chão.

No começo, parecia estar indo bem.

Até que, ao tentar fazer uma curva, bateu o rodo no balde.

A água virou.

Espalhou-se pelo chão.

Umberto ficou imóvel.

Constantine levou a mão à boca para conter a risada.

— Não ria.

— Eu estou tentando!

— Não parece.

Ela não conseguiu mais segurar.

Começou a rir.

Umberto olhou para o chão molhado e depois para ela.

— Eu estava tentando ajudar.

— Eu sei.

— Então pare de rir.

— Desculpa.

Mas ela continuava sorrindo.

Umberto acabou sorrindo também.

— Está bem. Acho que essa tarefa não é para mim.

Constantine pegou outro pano.

— Talvez seja melhor começar com algo mais simples.

— Como o quê?

— Dobrar os panos.

— Isso eu consigo fazer.

— Espero que sim.

Os dois começaram a rir.

E, naquele momento, Umberto percebeu algo que há muito tempo havia esquecido.

Ele estava se divertindo.

Não havia negócios.

Não havia cobranças.

Não havia mentiras.

Apenas uma tarde simples, dentro de uma casa simples, ao lado de pessoas que estavam começando a fazer parte de sua vida.

E, enquanto Constantine recolhia a água espalhada pelo chão, Umberto percebeu que seus olhos permaneciam nela por alguns segundos a mais do que deveriam.

Ela levantou o rosto e os dois se olharam.

Por um instante, nenhum deles disse nada.

Constantine foi a primeira a desviar o olhar.

— Vamos terminar essa limpeza antes que você consiga inundar a casa inteira.

Umberto soltou uma risada.

— Prometo que vou tentar.

Ela voltou a sorrir.

Depois de alguns minutos, a água finalmente foi retirada do chão.

Constantine apoiou o pano sobre o balde e olhou para Umberto, que parecia satisfeito com o próprio esforço.

— Bom... depois de terminarmos a limpeza da casa, que estou percebendo que você está bem empenhado, tenho uma ideia.

Umberto ergueu uma sobrancelha.

— Que ideia?

— Você vai nos ajudar lá na Doce Sonhos.

Ele pareceu surpreso.

— Na confeitaria?

— Exatamente.

— Eu posso ajudar?

— Pode. Você precisa de novos ares, de novas experiências. E já que está aqui conosco, vai passar um tempo com a gente lá.

Umberto abriu um pequeno sorriso.

— Acho que pode ser interessante.

Constantine percebeu a animação em seu rosto.

— Então se prepare.

— Para quê?

— Para descobrir que administrar uma empresa talvez seja mais fácil do que atender clientes em uma confeitaria.

Umberto riu.

— Duvido.

— Vamos descobrir.

Mais tarde, Umberto chegou à Doce Sonhos acompanhado de Constantine.

Assim que entrou, observou o movimento.

O lugar estava cheio.

Havia clientes sentados às mesas, pessoas escolhendo doces no balcão e outras aguardando seus pedidos.

Umberto olhou ao redor.

— E eu faço o quê?

Constantine entregou uma bandeja a ele.

— Comece levando esses pedidos para aquela mesa.

Ele segurou a bandeja com cuidado.

— Só isso?

— Só isso.

Umberto caminhou até a primeira mesa.

Nos primeiros passos, parecia estar indo muito bem.

Até que precisou desviar de uma cadeira.

A bandeja inclinou perigosamente.

— Cuidado! — Constantine gritou.

Umberto conseguiu equilibrá-la no último segundo.

Algumas pessoas olharam.

Ele respirou fundo.

— Está tudo sob controle.

Constantine começou a rir.

— Claro.

Quando chegou à mesa, colocou os pedidos.

— Aqui estão.

Uma cliente olhou para os doces.

— Moço, eu pedi o bolo de chocolate com morango.

Umberto olhou para a bandeja.

Depois para os doces.

Depois novamente para a cliente.

— Este aqui?

— Não, aquele ao lado.

Ele pegou o prato errado.

— Esse?

— Também não.

Constantine, que observava de longe, aproximou-se rapidamente.

— É este aqui.

— Ah.

A cliente sorriu.

— Obrigada.

Quando Constantine voltou para o balcão, Umberto a acompanhou.

— Como vocês conseguem saber tudo isso?

— Experiência.

— Eu nunca imaginei que fosse tão complicado.

— E isso porque você ainda não chegou na parte dos pedidos personalizados.

Umberto arregalou os olhos.

— Existe uma parte pior?

Constantine riu.

— Existe.

Durante as horas seguintes, ele tentou ajudar em tudo.

Levou bandejas, organizou algumas mesas, buscou embalagens e tentou decorar os nomes dos doces.

Mas a desenvoltura que tinha nas reuniões empresariais simplesmente desaparecia dentro da confeitaria.

— Senhor, eu pedi dois cupcakes de chocolate.

Umberto olhou para a vitrine.

— Esses?

— Não, aqueles.

— Ah.

Poucos minutos depois:

— Moço, tem como me trazer uma fatia da torta de morango?

Umberto olhou para Constantine.

— Qual delas?

Constantine apontou.

— Aquela ali.

— Certo.

Ele pegou o prato e caminhou até a mesa.

No caminho, quase esbarrou em Tomazzo.

— Cuidado, rapaz!

— Desculpa.

Constantine não conseguiu conter a risada.

Umberto olhou para ela.

— Você está se divertindo com isso, não está?

— Um pouco.

— Eu percebi.

Mesmo atrapalhado, Umberto continuou tentando.

E, pouco a pouco, percebeu que não estava ali apenas para ajudar.

Estava gostando.

Gostando do movimento.

Das conversas.

Dos clientes sorrindo.

De ver Constantine trabalhando com tanta naturalidade.

Ela conhecia cada canto da confeitaria, sabia o nome dos clientes habituais, lembrava os doces preferidos de algumas pessoas e parecia perceber imediatamente quando alguém precisava de ajuda.

Umberto ficou observando-a por alguns segundos.

Constantine percebeu.

— O que foi?

— Nada.

— Você está me olhando de novo.

Ele sorriu.

— Só estou tentando entender como você consegue fazer tudo isso parecer tão fácil.

Ela deu de ombros.

— Quando a gente gosta do que faz, fica mais fácil.

Umberto ficou em silêncio.

Talvez fosse justamente aquilo que estava começando a aprender.

Nem tudo precisava ser grandioso.

Às vezes, uma tarde simples, uma bandeja mal equilibrada e uma boa companhia podiam fazer muito mais por alguém do que qualquer reunião de negócios.

E, naquele dia, Umberto riu mais do que havia rido em muito tempo.

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