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Capítulo 50 - Uma nova chance

Author: A escritora
last update publish date: 2026-09-18 04:42:27

Na manhã seguinte, o estado de Umberto apresentou uma melhora significativa.

Depois de algumas horas de observação e dos cuidados da equipe médica, ele finalmente estava consciente e conseguia conversar com mais tranquilidade.

Ainda se sentia fraco, mas já não apresentava o mesmo quadro preocupante da noite anterior.

Quando o médico entrou no quarto para avaliá-lo, Umberto perguntou:

— Doutor, aquelas duas mulheres que vieram me visitar... Ludovica e Constantine. Elas ainda estão aqui?

— Sim. Elas aguardam notícias suas.

Umberto ficou alguns segundos em silêncio.

— Pode deixá-las entrar.

Pouco depois, Ludovica e Constantine entraram no quarto.

— Senhor Umberto... — Ludovica aproximou-se da cama. — O senhor nos deu um susto enorme.

Ele esboçou um pequeno sorriso.

— Desculpe. Não era minha intenção.

Constantine ficou ao lado da tia, observando-o.

— Como está se sentindo?

— Melhor. Ainda um pouco fraco, mas melhor.

Nesse momento, o médico entrou novamente no quarto.

— Aproveitando que todos estão aqui, gostaria de explicar o que aconteceu.

Os três voltaram a atenção para ele.

— Nós fizemos alguns exames e conseguimos entender melhor o que provocou o mal-estar. O senhor apresentou uma reação alérgica a uma proteína presente na bebida que estava consumindo.

Umberto franziu a testa.

— Uma reação alérgica?

— Sim. E havia outro fator importante — continuou o médico. — O senhor relatou que estava passando por um período de estresse intenso.

Umberto desviou o olhar.

— Estava.

— O estresse, por si só, não causa esse tipo de alergia, mas pode influenciar a resposta do organismo e contribuir para que uma reação seja mais intensa em determinadas circunstâncias. No seu caso, seu corpo já estava bastante sobrecarregado.

O médico fez uma pausa.

— Felizmente, conseguimos atendê-lo a tempo. Poderia ter sido muito mais grave.

Ludovica levou a mão ao peito.

— Deus me livre...

Constantine respirou aliviada.

— E ele precisa ficar internado?

— Por mais algum tempo, sim. Precisamos ter certeza de que está recuperado antes da alta. Depois disso, recomendamos acompanhamento médico e que ele evite aquela bebida até que seja identificado exatamente qual componente provocou a reação.

Umberto assentiu.

— Entendi.

O médico então explicou que, depois da recuperação, seria possível providenciar a transferência para um hospital particular, caso ele desejasse continuar o acompanhamento em uma unidade de sua preferência.

Umberto, porém, recusou.

— Não. Assim que eu receber alta, quero ir para casa.

Ludovica imediatamente o interrompeu.

— Para casa sozinho?

Umberto olhou para ela.

— Eu tenho funcionários.

— Funcionários não são família — respondeu Ludovica.

Ele ficou em silêncio.

— O senhor vai ficar conosco.

Umberto ergueu as sobrancelhas.

— Como assim?

— Na minha casa.

— Ludovica, eu agradeço, mas não precisa.

Ela cruzou os braços.

— Precisa, sim.

Constantine sorriu discretamente ao perceber que a tia já havia tomado a decisão.

— Tia...

— Não vou discutir isso — disse Ludovica. — Assim como o senhor cuidou de Constantine quando ela adoeceu e nos tratou tão bem, agora nós vamos cuidar do senhor.

Umberto ficou visivelmente constrangido.

— Mas isso é diferente.

— Não é, não.

— Eu não quero dar trabalho.

Ludovica aproximou-se da cama.

— O senhor não está dando trabalho. Está precisando de cuidados. E nós podemos oferecer isso.

Umberto abaixou os olhos.

Estava acostumado a resolver tudo sozinho.

Era um homem que comandava uma grande empresa, tomava decisões importantes e estava acostumado a ter pessoas prontas para atender às suas necessidades.

Mas aceitar ajuda daquela família simples era diferente.

Aquilo mexia com seu orgulho.

— Eu não sei se...

— Não precisa saber — interrompeu Ludovica. — Apenas aceite.

Constantine sorriu.

— Vai ser bom para o senhor não ficar sozinho por alguns dias.

Umberto olhou para as duas.

Por alguns segundos, permaneceu em silêncio.

Então respirou fundo.

— Está bem.

Ludovica abriu um sorriso.

— Ótimo.

Algum tempo depois, após permanecer em observação e apresentar uma recuperação satisfatória, Umberto recebeu alta.

Ainda precisava descansar e evitar esforços, mas já estava fora de perigo.

Ludovica havia levado algumas roupas e pertences básicos para que ele não precisasse se preocupar com nada.

Ao deixar o hospital, Umberto caminhou lentamente até o carro.

Pensou na sua própria residência, onde sabia que seus funcionários poderiam cuidar de tudo.

Mas, pela primeira vez em muito tempo, decidiu não voltar para lá.

Constantine abriu a porta do carro para Ludovica.

— Vamos?

Umberto assentiu.

— Vamos.

Ao chegar à casa de Ludovica, Umberto foi levado até um pequeno quarto de hóspedes.

Era simples, mas estava perfeitamente arrumado.

A cama tinha lençóis limpos que exalavam um agradável cheiro de amaciante de roupas. Sobre uma pequena mesa, havia um ventilador, e Ludovica havia deixado espaço para que ele pudesse colocar algumas de suas coisas.

Seu computador estava ali.

O celular permanecia carregando próximo à cama.

Não era um quarto luxuoso.

Não havia móveis caros, decoração sofisticada ou qualquer uma das comodidades às quais Umberto estava acostumado.

Mas havia algo diferente.

Cuidado.

— Se precisar de alguma coisa, é só chamar — disse Ludovica.

— Obrigado.

— Agora descanse.

Umberto assentiu.

Depois que ela saiu, ele se acomodou na cama.

Pela primeira vez em muitos dias, não precisava tomar decisões.

Não precisava comandar uma empresa.

Não precisava pensar em Emilyke, em Vito, em seu pai ou nos problemas que pareciam se acumular ao mesmo tempo.

Ali, naquele pequeno quarto, havia apenas silêncio.

Ele fechou os olhos.

E, aos poucos, conseguiu sentir algo que não experimentava havia muito tempo.

Paz.

A tarde passou devagar.

Por volta das três horas, Constantine apareceu à porta.

— Senhor Umberto?

Ele abriu os olhos.

— Sim?

— A tia chamou o senhor para tomar um café.

Umberto se sentou na cama.

— Café?

— Sim. Um café simples.

Ele sorriu discretamente.

— Já estou indo.

Na cozinha, encontrou Ludovica preparando a mesa.

Havia café fresco, pão, bolo e algumas coisas simples que a família costumava comer durante a tarde.

Nada sofisticado.

Nada elaborado.

Mas tudo parecia acolhedor.

— Sente-se — disse Ludovica.

Umberto se acomodou.

Constantine também se sentou ao lado da tia.

Durante alguns minutos, conversaram sobre coisas simples. O movimento da confeitaria, algumas encomendas e até assuntos relacionados ao Projeto Novos Caminhos.

Umberto percebeu que não precisava fingir que estava bem.

Ninguém o pressionava.

Ninguém fazia perguntas que ele não queria responder.

Apenas estavam ali.

E aquilo lhe fazia bem.

---

À noite, Ludovica novamente o chamou para jantar.

— Senhor Umberto, venha comer antes que esfrie.

Ele deixou o computador de lado e foi até a cozinha.

Quando chegou à mesa, seus olhos se detiveram no prato.

Batatas cozidas.

Ele ficou alguns segundos olhando para elas.

— Batatas?

Ludovica sorriu.

— Você gosta, não gosta?

Umberto levantou os olhos.

— Gosto muito.

— Então fiz especialmente para o senhor.

Ele se sentou.

Por algum motivo, aquele gesto simples o tocou mais do que deveria.

Pegou um pedaço da batata e provou.

Era uma comida extremamente simples.

Mas, naquele momento, parecia uma das melhores coisas que havia comido em muito tempo.

Constantine observou o sorriso discreto que apareceu no rosto dele.

— Está bom?

Umberto assentiu.

— Muito.

Ludovica começou a conversar sobre a rotina da casa, enquanto Constantine contava alguma coisa engraçada que havia acontecido na confeitaria.

Umberto ouviu.

E, pouco a pouco, começou a participar da conversa.

Naquela mesa pequena, sem luxo e sem formalidades, ele percebeu algo que havia esquecido.

Nem toda atenção precisava ser comprada.

Nem todo cuidado vinha acompanhado de uma obrigação.

E nem todo carinho precisava ser demonstrado com grandes gestos.

Ali, naquela casa simples, estavam cuidando dele porque realmente queriam que ele ficasse bem.

Umberto abaixou os olhos para o prato.

Havia muito tempo que não recebia aquele tipo de atenção.

Uma atenção que não vinha por causa do seu dinheiro, do seu sobrenome ou do poder que exercia.

Era apenas cuidado.

E, pela primeira vez desde que sua vida havia desmoronado, Umberto sentiu que talvez pudesse respirar novamente.

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