INICIAR SESIÓNCapítulo 30 – Novos Horizontes
As manhãs na pequena casa haviam adquirido um novo significado. O aroma de bolos recém-saídos do forno misturava-se ao perfume do café passado na hora, enquanto risadas preenchiam os cômodos que, há poucos meses, pareciam silenciosos e vazios. Ludovica preparava mais uma fornada com o mesmo carinho de sempre, enquanto Constantine organizava as encomendas que seriam entregues naquela tarde. Tomáso, sentado próximo à janela, conferia cuidadosamente uma lista de pedidos. — Se continuar assim, vamos precisar de uma mesa maior só para anotar as encomendas — comentou, sorrindo. As três gargalharam. Naquele instante, ouviram algumas batidas animadas na porta. Antes mesmo que alguém pudesse se levantar, a porta foi aberta e Nay entrou praticamente sem conseguir esconder a empolgação. — Eu tenho uma notícia maravilhosa! Constantine sorriu. — Pela sua cara, aconteceu alguma coisa muito boa. — Muito boa mesmo! Vocês lembram da reunião da Zanobi Corporation? As três fizeram que sim. — Pois outras empresas que participaram daquele encontro perguntaram quem havia preparado aqueles bolos e aquelas tortas. Algumas delas já pediram o contato de vocês. E o melhor... duas empresas querem fazer encomendas para eventos corporativos nas próximas semanas! Por alguns segundos, ninguém disse absolutamente nada. Ludovica levou a mão ao peito, emocionada. — Meu Deus... Tomáso retirou os óculos e sorriu discretamente, tentando esconder os olhos marejados. Constantine olhou para a tia e sentiu o coração aquecer. Ver aquele brilho em seus olhos fazia cada dificuldade enfrentada valer a pena. — Está vendo, tia? — disse com a voz embargada. — A senhora sempre teve esse dom. Só precisava que mais pessoas conhecessem o seu trabalho. Ludovica segurou as mãos da sobrinha. — Não, minha filha... nós só chegamos até aqui porque você teve coragem de nos tirar da fazenda. Se você não tivesse insistido naquele dia, talvez estivéssemos vivendo da mesma maneira até hoje. Constantine abaixou a cabeça por um instante. Lembrou-se de todas as noites em que se perguntou se havia tomado a decisão certa. Agora, mais uma primeira vez, tinha a resposta diante dos seus olhos. O entusiasmo daquela manhã era contagiante. As primeiras encomendas destinadas às empresas estavam sendo preparadas com todo o cuidado. Ludovica revisava cada receita, Constantine organizava as formas e separava os ingredientes, enquanto Tommaso embalava os produtos que já estavam prontos. Entretanto, o crescimento trouxe consigo um problema que ninguém havia previsto. A pequena cozinha, que até então atendia perfeitamente às encomendas do bairro, já não comportava a nova demanda. Faltavam formas. O espaço sobre as bancadas não era suficiente. Os ingredientes ocupavam todos os cantos da casa. E o velho forno, companheiro de tantos anos, já demonstrava sinais de cansaço. — Vamos conseguir... — disse Ludovica, tentando tranquilizar a todos. — Só precisamos terminar esta primeira remessa. Constantine sorriu. — Depois pensamos em como ampliar tudo isso. Mal terminou a frase. BOOOM! Um estrondo ecoou pela cozinha. O velho forno tremeu violentamente, seguido por uma pequena explosão. Uma espessa fumaça cinzenta tomou conta do ambiente. — Meu Deus! — gritou Ludovica. Tommaso correu imediatamente para desligar o registro de gás, enquanto Constantine abria portas e janelas na tentativa de dissipar a fumaça. No meio da correria, ouviram outro estalo. Uma das mangueiras do equipamento se rompeu. O óleo quente escorreu rapidamente sobre a bancada, alcançando as formas onde estavam os bolos recém-preparados. Em poucos segundos, todo o trabalho daquela manhã estava perdido. Constantine ainda tentou salvar algumas formas. Tommaso retirou o que pôde do forno. Mas era tarde demais. Os bolos haviam sido completamente comprometidos. Ludovica permaneceu imóvel por alguns instantes. Então seus olhos se encheram de lágrimas. Ela levou as mãos ao rosto e começou a chorar. — Não... não pode ser... Sua voz saiu embargada. — Era a nossa primeira grande encomenda... Constantine aproximou-se rapidamente e segurou sua tia pelos ombros. Apesar do próprio coração apertado, esforçou-se para permanecer firme. — Tia... nós vamos dar um jeito. — Mas como? — respondeu Ludovica entre lágrimas. — Como vamos entregar tudo isso? Eles confiaram em nós... e agora... O silêncio tomou conta da cozinha. A fumaça ainda pairava no ar. O cheiro de bolo queimado misturava-se ao da esperança que, por alguns instantes, parecia querer desaparecer. Mas, no fundo do coração de Constantine, havia uma certeza. Aquele contratempo não seria forte o bastante para destruir o sonho que eles haviam acabado de construir. Em meio ao clima caótico da fumaça e do cheiro forte de óleo vindo do forno, tudo parecia perder os sentidos. O sonho que havia começado a tomar forma diante dos olhos delas parecia desmoronar em poucos segundos. Os bolos que representavam horas de dedicação, noites sem dormir e a esperança de um novo começo estavam perdidos. O silêncio entre elas era pesado, quebrado apenas pelo som das tentativas de limpar a bagunça e pelo choro contido de Ludovica. Até que a porta se abriu. Antônio entrou apressado, assustando-se ao ver a fumaça tomando conta do lugar. — O que aconteceu aqui? — perguntou, olhando ao redor com preocupação. Por alguns segundos, nenhuma delas conseguiu responder. A tristeza era visível em cada olhar. Então, com a voz baixa e cheia de frustração, começaram a explicar tudo. Contaram sobre o forno, o barulho repentino, a fumaça e como toda a produção da primeira grande remessa havia sido perdida. — Nós tentamos salvar o que conseguimos... — Ludovica disse, segurando as lágrimas. — Mas não deu tempo. Antônio olhou para os bolos destruídos, para o chão sujo e para aquelas mulheres que tinham colocado tanto esforço naquele projeto. Ele sabia o quanto aquilo significava para elas. E naquele momento, mais do que o prejuízo, ele enxergou a dor de quem acreditou em um sonho e viu tudo quase desaparecer diante dos próprios olhos. Mas talvez aquele não fosse o fim. Talvez fosse apenas a primeira prova de que grandes conquistas também nascem depois dos momentos mais difíceis. Antônio permaneceu em silêncio por alguns instantes, observando o cenário diante dele. As expressões abatidas, o medo estampado nos rostos delas e a sensação de que tudo havia dado errado naquela noite. Então ele respirou fundo e disse: — Vocês já pensaram em colocar uma confeitaria? As três olharam para ele, surpresas. — Uma confeitaria de verdade — continuou Antônio. — Com um espaço amplo, uma cozinha preparada, vitrines bonitas, mesas, cadeiras... tudo novo. Um lugar onde as pessoas possam conhecer o trabalho de vocês. Ludovica abaixou o olhar, ainda tentando processar aquela ideia. — Não... — respondeu ela, com um pequeno sorriso triste. — Isso é muito para nós. Não temos condições de fazer algo assim. Antônio se aproximou, olhando para elas com firmeza. — E quem disse que vocês precisam fazer tudo sozinhas? Ludovica levantou os olhos para ele. — Antônio... Ele sorriu de maneira tranquila. — Eu posso ajudar vocês nessa etapa. O silêncio tomou conta do ambiente. Por um momento, ninguém soube o que dizer. Aquele lugar que minutos antes parecia representar o fim de um sonho, agora começava a carregar uma nova possibilidade. Porque às vezes, quando uma porta parece se fechar, alguém aparece para mostrar que existe um caminho diferente esperando para ser construído.Depois da conversa com Vito, Umberto finalmente deixou a empresa.Os últimos dias haviam sido uma verdadeira correria.Três dias na casa de Edvaldo, conversas que preferia esquecer, documentos que ainda precisava analisar e, assim que havia saído da casa do pai, fora diretamente para a empresa.Nem sequer tivera tempo de passar em casa.Agora, enquanto dirigia de volta, sentia o peso daqueles dias sobre os ombros.Precisava descansar.Quando finalmente chegou, entrou em casa e deixou a pasta sobre o móvel da entrada. Tirou o paletó, afrouxou a gravata e soltou um suspiro profundo.— Finalmente...Seguiu diretamente para o quarto.Um banho quente e demorado parecia ser exatamente o que precisava naquele momento.Depois, vestiu uma roupa confortável e pediu algo para comer.Enquanto esperava o delivery, levou os documentos que Edvaldo havia lhe entregado para o escritório.Sentou-se na poltrona e abriu a pasta.Começou a analisar cada página com atenção.Havia informações sobre a comuni
— Umberto, preciso conversar com você — disse Vito, assim que o amigo entrou na empresa.Umberto deixou a pasta sobre a mesa e soltou um suspiro cansado.— Certo, mas não agora. Acabei de chegar. Esses últimos dias foram uma loucura.Vito assentiu.— Tudo bem. Passo aqui mais tarde. Bom te ver, meu amigo.Ele já estava se afastando quando Umberto o chamou:— Ah, já que você está indo na direção da cafeteria, pede para alguém trazer um café caprichado e um pedaço de torta da Ludovica.Vito acenou positivamente.— Deixa comigo.Assim que saiu da sala, encontrou Nay no corredor.— Nay!Ela se virou.— Oi?— O chefe está pedindo café. Se vira e vai levar para ele agora.Nay congelou. Por um instante, sentiu o coração acelerar.— Eu?— Você mesma.Ela olhou para a porta da sala de Umberto. A lembrança daquela noite no restaurante voltou imediatamente. Pegou a bandeja e seguiu pelo corredor. A cada passo, suas mãos ficavam mais trêmulas. A xícara e os talheres balançavam sobre a bandeja, pr
No terceiro dia, Umberto já não conseguia esconder a impaciência. Havia passado tempo demais naquela casa. Três dias. Três dias longe de sua empresa, de seus negócios e de tudo aquilo que havia construído com tanto esforço e dedicação. Mesmo que tivesse conseguido trabalhar remotamente em alguns momentos, sabia que precisava voltar. Naquela manhã, encontrou o pai no escritório. Edvaldo estava sentado atrás da enorme mesa de madeira, analisando alguns documentos. Umberto entrou sem bater. — Pai. Edvaldo ergueu os olhos. — Sente-se. — Não. Dessa vez eu vim avisar que preciso voltar. O homem pousou os documentos sobre a mesa. — Já? — Já estou aqui há três dias, pai. — E isso é muito? — Para mim, é. Edvaldo o observou em silêncio. Umberto continuou: — Preciso voltar para os meus negócios. A empresa de mim. Existem muitas coisas que preciso analisar e revisar pessoalmente. Não posso continuar afastado por tanto tempo. Ele esperava uma discussão. Ou então,
— Eu sempre quis te orientar da forma correta, mas você sempre me desafiou — disse Edvaldo, com a voz carregada de ressentimento. Umberto o encarou. — Eu nunca quis fazer as mesmas coisas que você fazia. O rosto de Edvaldo endureceu. — Porque você é um frouxo! Mole, chorão. A sua mãe te arruinou com aquele jeitinho dela. Deixou você assim. Por alguns segundos, Umberto permaneceu em silêncio. Aquelas palavras atingiram um lugar que ele tentava manter protegido havia anos. Sua mãe. Edvaldo sabia exatamente onde tocar. Mas, daquela vez, Umberto não abaixou os olhos. Deu um passo na direção do pai e respondeu, com a voz baixa e firme: — Não foi minha mãe que me tornou diferente de você, pai. Mas foi justamente ela que me mostrou que eu não precisava me tornar um homem cruel para ser forte. Edvaldo ficou em silêncio. Umberto continuou: — Você chama de fraqueza tudo aquilo que não consegue controlar. Minha escolha, minha consciência, minha liberdade... até o amor que
Após aquele dia cansativo na empresa, Umberto organizou os documentos que levaria na viagem. As malas já estavam prontas e, em poucos minutos, ele precisaria apenas entrar no táxi em direção ao aeroporto. Tudo estava perfeitamente organizado. Conferiu pela última vez os contratos, os relatórios e alguns documentos importantes. Pegou os últimos papéis e os colocou dentro da pasta escura que sempre carregava consigo. Era quase um ritual. Nada podia sair do lugar. Depois de verificar se havia esquecido alguma coisa, desligou o computador, apagou as luzes da sala e saiu. O corredor central estava praticamente vazio. Seus passos ecoavam pelo ambiente silencioso enquanto caminhava em direção às escadas. Antes de descer, pegou o celular e enviou uma mensagem para Emilyke. Ela também viajaria naquela noite, embora para um evento completamente diferente. Mesmo com a rotina corrida dos dois, Umberto fazia questão de saber se ela havia chegado bem ao aeroporto. Guardou o celular
Nay acorda 5 minutos atrasada, ela jurava que tinha colocado o celular para despertar. Ajeitou rapidamente suas coisas sem ter tempo para o café da manhã. Ainda bem que no trabalho tinha algumas opções para não ficar com fome. O dia foi agitado, após a invasão do racker voltar ao normal parecia impossível. E hoje seria o dia da apresentação do novo uniforme, era obrigatório todos funcionários irem até o auditório ouvir Emilyke falar sobre o tecido e como conservá-lo. No almoço ela comeu um lanche. Ao final da tarde lembrou que em casa tinha algo saudável para jantar, somente um macarrão instantâneo. Mas lhe ocorreu uma ideia de passar em um restaurante e garantir algo que lhe traria um pouco de conforto. Entrou e escolheu a opção de levar o pedido para casa, o lugar era bonito e aconchegante com luzes quentes que te faz desacelerar. Enquanto aguardava começou a observar a clientela requintada e elegante que chegava àquele espaço, ela se impressionou com o silêncio, ouvia-se vez o







