LOGINNay acorda 5 minutos atrasada, ela jurava que tinha colocado o celular para despertar.
Ajeitou rapidamente suas coisas sem ter tempo para o café da manhã. Ainda bem que no trabalho tinha algumas opções para não ficar com fome. O dia foi agitado, após a invasão do racker voltar ao normal parecia impossível. E hoje seria o dia da apresentação do novo uniforme, era obrigatório todos funcionários irem até o auditório ouvir Emilyke falar sobre o tecido e como conservá-lo. No almoço ela comeu um lanche. Ao final da tarde lembrou que em casa tinha algo saudável para jantar, somente um macarrão instantâneo. Mas lhe ocorreu uma ideia de passar em um restaurante e garantir algo que lhe traria um pouco de conforto. Entrou e escolheu a opção de levar o pedido para casa, o lugar era bonito e aconchegante com luzes quentes que te faz desacelerar. Enquanto aguardava começou a observar a clientela requintada e elegante que chegava àquele espaço, ela se impressionou com o silêncio, ouvia-se vez ou outra, o tilintar dos talheres ao serem manuseados, mas as vozes eram quase imperceptíveis. Gostando daquela sensação continuou observando o ambiente, de repente, algo lhe chamou a atenção, a mesas a sua frente, no centro do salão, Emilyke jantava com alguém "Isso não faz sentido, ela e Umberto viajariam hoje, mas pode ter acontecido um imprevisto, então vieram jantar, que fofo". No mesmo instante Emilyke se levanta e vai em direção ao banheiro, revelando que ela não estava na companhia de Umberto, enquanto ela saiu o homem acenou para a recepcionista que foi até ele, o qual lhe confidenciou algo, imediatamente ela saiu e retornou com o gerente que com sorrisos e gestos concordava sinalizando com a cabeça positivamente. Ambos deixaram ele a sós. Quando Emylike retornou foi surpreendida com um buquê de flores e música ao som de um violino, o que a fez abraçá-lo e lhe dar um longo beijo apaixonado. O beijo pareceu durar uma eternidade. Nay permaneceu imóvel em sua mesa.Por alguns segundos, simplesmente não conseguiu desviar os olhos. Emilyke estava abraçada ao homem. Não havia dúvida sobre o que aquele gesto significava. Nay sentiu o coração apertar. Sua primeira reação foi olhar ao redor, como se alguém pudesse ter percebido o que ela havia acabado de testemunhar. Mas ninguém parecia interessado naquela mesa. Os garçons caminhavam entre as mesas tranquilamente. Tudo permanecia perfeitamente normal. Somente Nay parecia ter sido arrancada daquela realidade. “Não".. A palavra escapou em um sussurro. Ela balançou a cabeça. Talvez estivesse interpretando tudo errado. Talvez houvesse alguma explicação. Uma explicação que ainda não conseguia enxergar. Afinal, Emillyke era a noiva de Umberto. Ela voltou a olhar para a mesa. O homem agora sorria para Emillyke. Ela também retribuía. Um sorriso diferente. Mais solto e íntimo. Nay sentiu um desconforto ainda maior. Não queria estar vendo aquilo. Não queria saber daquilo. Muito menos queria ser a pessoa que carregaria aquela informação consigo. Seu celular vibrou sobre a mesa. Ela se assustou e olhou rapidamente para a tela. Era uma mensagem avisando que seu pedido estava pronto. Respirou fundo. Talvez fosse melhor ir embora levantando-se devagar. Antes de pegar a bolsa, ainda lançou um último olhar para a mesa. Emilyke havia se sentado novamente. O homem inclinou-se para falar alguma coisa em seu ouvido ela sorriu. Nay desviou o olhar imediatamente. Pegou a bolsa. Caminhou até o balcão para buscar o jantar. — Seu pedido, senhora. — Obrigada. Sua voz saiu mais baixa do que pretendia. Pegou a sacola. E, quando se virou para a porta, parou por um instante. Olhou novamente para trás. Não queria acreditar no que tinha visto. Mas também não podia simplesmente apagar aquela cena da memória. Nay saiu do restaurante. A porta de vidro se fechou atrás dela. Do lado de fora, o ar da noite parecia mais frio. Ela caminhou alguns passos pela calçada. Então parou. Respirou profundamente. — Meu Deus... Passou a mão pelo rosto. Ao chegar em casa, Nay tentou seguir sua rotina, mas não conseguiu. Colocou a sacola do jantar sobre a mesa e permaneceu alguns segundos parada, olhando para ela. Não estava com fome. A imagem de Emillyke abraçando aquele homem continuava voltando à sua mente. O beijo. As flores. A música. O sorriso dela. Tudo. Abriu a embalagem mesmo assim e sentou-se diante da mesa.vComeu algumas garfadas sem sequer prestar atenção ao sabor. Então largou o garfo. — Isso não faz sentido... Levantou-se. Pegou o computador e levou-o para a pequena mesa da sala. Ligou. Talvez fosse apenas sua imaginação tentando encontrar respostas onde não existiam. Talvez houvesse uma explicação perfeitamente inocente. Mas precisava descobrir. Abriu um aplicativo de organização e começou a criar pequenos cartões. No primeiro, escreveu: EMILYKE. Logo abaixo: JANTAR. Depois: HOMEM DESCONHECIDO. Ficou alguns segundos olhando para aquelas palavras. Então acrescentou: UMBERTO. Ligou os cartões com pequenas setas. — Eles tinham uma viagem marcada... Criou outro. VIAGEM. Ligou-o a Umberto. Depois a Emillyke. E, por fim, ao homem desconhecido. Quanto mais organizava as informações, mais perguntas surgiam. Por que ela estava ali? Por que estava com aquele homem? Por que havia escolhido justamente aquele restaurante? E por que parecia tão feliz? Recostou-se na cadeira. — Eu estou ficando maluca. Apagou alguns cartões. Depois os refez. Criou novas conexões. Anotou horários. Lembrou-se de detalhes que, no restaurante, pareciam insignificantes. O pedido feito pelo homem à recepcionista. A rapidez com que o gerente apareceu. As flores. A música. O fato de tudo parecer planejado. Apertou os lábios. Aquilo não parecia um encontro improvisado. Havia alguma coisa por trás. Mas o quê? Ela continuou pesquisando. Não procurava apenas informações sobre Emilyke. Tentava encontrar qualquer coisa que pudesse explicar aquela noite. Até que o relógio marcou duas horas da manhã. Olhou para a tela. Havia tantos cartões espalhados que parecia ter construído um verdadeiro mapa de possibilidades. Algumas hipóteses pareciam absurdas. Outras...nem tanto. Ela ficou olhando para tudo aquilo em silêncio. — E se eu estiver errada? A pergunta ecoou pela sala vazia. Respirou profundamente. Não queria acusar ninguém. Abaixo dela, escreveu: DESCOBRIR A VERDADE PRIMEIRO. Observou a frase por alguns segundos. Depois salvou todo o projeto na nuvem. Fechou o computador. A tela escureceu. Ela permaneceu sentada por mais alguns instantes, em silêncio. Naquela noite, Nay não havia encontrado respostas. Apenas perguntas. E talvez tivesse acabado de iniciar uma investigação que jamais imaginara fazer parte de sua vida. Pegou o computador e o guardou. Apagou a luz. Mas, antes de ir para o quarto, olhou uma última vez para a mesa vazia. — Amanhã eu descubro o que está acontecendo.Depois da conversa com Vito, Umberto finalmente deixou a empresa.Os últimos dias haviam sido uma verdadeira correria.Três dias na casa de Edvaldo, conversas que preferia esquecer, documentos que ainda precisava analisar e, assim que havia saído da casa do pai, fora diretamente para a empresa.Nem sequer tivera tempo de passar em casa.Agora, enquanto dirigia de volta, sentia o peso daqueles dias sobre os ombros.Precisava descansar.Quando finalmente chegou, entrou em casa e deixou a pasta sobre o móvel da entrada. Tirou o paletó, afrouxou a gravata e soltou um suspiro profundo.— Finalmente...Seguiu diretamente para o quarto.Um banho quente e demorado parecia ser exatamente o que precisava naquele momento.Depois, vestiu uma roupa confortável e pediu algo para comer.Enquanto esperava o delivery, levou os documentos que Edvaldo havia lhe entregado para o escritório.Sentou-se na poltrona e abriu a pasta.Começou a analisar cada página com atenção.Havia informações sobre a comuni
— Umberto, preciso conversar com você — disse Vito, assim que o amigo entrou na empresa.Umberto deixou a pasta sobre a mesa e soltou um suspiro cansado.— Certo, mas não agora. Acabei de chegar. Esses últimos dias foram uma loucura.Vito assentiu.— Tudo bem. Passo aqui mais tarde. Bom te ver, meu amigo.Ele já estava se afastando quando Umberto o chamou:— Ah, já que você está indo na direção da cafeteria, pede para alguém trazer um café caprichado e um pedaço de torta da Ludovica.Vito acenou positivamente.— Deixa comigo.Assim que saiu da sala, encontrou Nay no corredor.— Nay!Ela se virou.— Oi?— O chefe está pedindo café. Se vira e vai levar para ele agora.Nay congelou. Por um instante, sentiu o coração acelerar.— Eu?— Você mesma.Ela olhou para a porta da sala de Umberto. A lembrança daquela noite no restaurante voltou imediatamente. Pegou a bandeja e seguiu pelo corredor. A cada passo, suas mãos ficavam mais trêmulas. A xícara e os talheres balançavam sobre a bandeja, pr
No terceiro dia, Umberto já não conseguia esconder a impaciência. Havia passado tempo demais naquela casa. Três dias. Três dias longe de sua empresa, de seus negócios e de tudo aquilo que havia construído com tanto esforço e dedicação. Mesmo que tivesse conseguido trabalhar remotamente em alguns momentos, sabia que precisava voltar. Naquela manhã, encontrou o pai no escritório. Edvaldo estava sentado atrás da enorme mesa de madeira, analisando alguns documentos. Umberto entrou sem bater. — Pai. Edvaldo ergueu os olhos. — Sente-se. — Não. Dessa vez eu vim avisar que preciso voltar. O homem pousou os documentos sobre a mesa. — Já? — Já estou aqui há três dias, pai. — E isso é muito? — Para mim, é. Edvaldo o observou em silêncio. Umberto continuou: — Preciso voltar para os meus negócios. A empresa de mim. Existem muitas coisas que preciso analisar e revisar pessoalmente. Não posso continuar afastado por tanto tempo. Ele esperava uma discussão. Ou então,
— Eu sempre quis te orientar da forma correta, mas você sempre me desafiou — disse Edvaldo, com a voz carregada de ressentimento. Umberto o encarou. — Eu nunca quis fazer as mesmas coisas que você fazia. O rosto de Edvaldo endureceu. — Porque você é um frouxo! Mole, chorão. A sua mãe te arruinou com aquele jeitinho dela. Deixou você assim. Por alguns segundos, Umberto permaneceu em silêncio. Aquelas palavras atingiram um lugar que ele tentava manter protegido havia anos. Sua mãe. Edvaldo sabia exatamente onde tocar. Mas, daquela vez, Umberto não abaixou os olhos. Deu um passo na direção do pai e respondeu, com a voz baixa e firme: — Não foi minha mãe que me tornou diferente de você, pai. Mas foi justamente ela que me mostrou que eu não precisava me tornar um homem cruel para ser forte. Edvaldo ficou em silêncio. Umberto continuou: — Você chama de fraqueza tudo aquilo que não consegue controlar. Minha escolha, minha consciência, minha liberdade... até o amor que
Após aquele dia cansativo na empresa, Umberto organizou os documentos que levaria na viagem. As malas já estavam prontas e, em poucos minutos, ele precisaria apenas entrar no táxi em direção ao aeroporto. Tudo estava perfeitamente organizado. Conferiu pela última vez os contratos, os relatórios e alguns documentos importantes. Pegou os últimos papéis e os colocou dentro da pasta escura que sempre carregava consigo. Era quase um ritual. Nada podia sair do lugar. Depois de verificar se havia esquecido alguma coisa, desligou o computador, apagou as luzes da sala e saiu. O corredor central estava praticamente vazio. Seus passos ecoavam pelo ambiente silencioso enquanto caminhava em direção às escadas. Antes de descer, pegou o celular e enviou uma mensagem para Emilyke. Ela também viajaria naquela noite, embora para um evento completamente diferente. Mesmo com a rotina corrida dos dois, Umberto fazia questão de saber se ela havia chegado bem ao aeroporto. Guardou o celular
Nay acorda 5 minutos atrasada, ela jurava que tinha colocado o celular para despertar. Ajeitou rapidamente suas coisas sem ter tempo para o café da manhã. Ainda bem que no trabalho tinha algumas opções para não ficar com fome. O dia foi agitado, após a invasão do racker voltar ao normal parecia impossível. E hoje seria o dia da apresentação do novo uniforme, era obrigatório todos funcionários irem até o auditório ouvir Emilyke falar sobre o tecido e como conservá-lo. No almoço ela comeu um lanche. Ao final da tarde lembrou que em casa tinha algo saudável para jantar, somente um macarrão instantâneo. Mas lhe ocorreu uma ideia de passar em um restaurante e garantir algo que lhe traria um pouco de conforto. Entrou e escolheu a opção de levar o pedido para casa, o lugar era bonito e aconchegante com luzes quentes que te faz desacelerar. Enquanto aguardava começou a observar a clientela requintada e elegante que chegava àquele espaço, ela se impressionou com o silêncio, ouvia-se vez o







