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Capítulo 37 — A descoberta

Author: A escritora
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-05 05:09:20

Nay acorda 5 minutos atrasada, ela jurava que tinha colocado o celular para despertar.

Ajeitou rapidamente suas coisas sem ter tempo para o café da manhã. Ainda bem que no trabalho tinha algumas opções para não ficar com fome. O dia foi agitado, após a invasão do racker voltar ao normal parecia impossível. E hoje seria o dia da apresentação do novo uniforme, era obrigatório todos funcionários irem até o auditório ouvir Emilyke falar sobre o tecido e como conservá-lo. No almoço ela comeu um lanche.

Ao final da tarde lembrou que em casa tinha algo saudável para jantar, somente um macarrão instantâneo. Mas lhe ocorreu uma ideia de passar em um restaurante e garantir algo que lhe traria um pouco de conforto. Entrou e escolheu a opção de levar o pedido para casa, o lugar era bonito e aconchegante com luzes quentes que te faz desacelerar.

Enquanto aguardava começou a observar a clientela requintada e elegante que chegava àquele espaço, ela se impressionou com o silêncio, ouvia-se vez ou outra, o tilintar dos talheres ao serem manuseados, mas as vozes eram quase imperceptíveis.

Gostando daquela sensação continuou observando o ambiente, de repente, algo lhe chamou a atenção, a mesas a sua frente, no centro do salão, Emilyke jantava com alguém "Isso não faz sentido, ela e Umberto viajariam hoje, mas pode ter acontecido um imprevisto, então vieram jantar, que fofo".

No mesmo instante Emilyke se levanta e vai em direção ao banheiro, revelando que ela não estava na companhia de Umberto, enquanto ela saiu o homem acenou para a recepcionista que foi até ele, o qual lhe confidenciou algo, imediatamente ela saiu e retornou com o gerente que com sorrisos e gestos concordava sinalizando com a cabeça positivamente. Ambos deixaram ele a sós. Quando Emylike retornou foi surpreendida com um buquê de flores e música ao som de um violino, o que a fez abraçá-lo e lhe dar um longo beijo apaixonado.

O beijo pareceu durar uma eternidade. Nay permaneceu imóvel em sua mesa.Por alguns segundos, simplesmente não conseguiu desviar os olhos.

Emilyke estava abraçada ao homem.

Não havia dúvida sobre o que aquele gesto significava.

Nay sentiu o coração apertar. Sua primeira reação foi olhar ao redor, como se alguém pudesse ter percebido o que ela havia acabado de testemunhar.

Mas ninguém parecia interessado naquela mesa. Os

garçons caminhavam entre as mesas tranquilamente.

Tudo permanecia perfeitamente normal.

Somente Nay parecia ter sido arrancada daquela realidade.

“Não"..

A palavra escapou em um sussurro. Ela balançou a cabeça. Talvez estivesse interpretando tudo errado.

Talvez houvesse alguma explicação.

Uma explicação que ainda não conseguia enxergar.

Afinal, Emillyke era a noiva de Umberto. Ela voltou a olhar para a mesa. O homem agora sorria para Emillyke.

Ela também retribuía. Um sorriso diferente. Mais solto e íntimo. Nay sentiu um desconforto ainda maior. Não queria estar vendo aquilo. Não queria saber daquilo.

Muito menos queria ser a pessoa que carregaria aquela informação consigo.

Seu celular vibrou sobre a mesa.

Ela se assustou e olhou rapidamente para a tela.

Era uma mensagem avisando que seu pedido estava pronto. Respirou fundo. Talvez fosse melhor ir embora levantando-se devagar.

Antes de pegar a bolsa, ainda lançou um último olhar para a mesa. Emilyke havia se sentado novamente.

O homem inclinou-se para falar alguma coisa em seu ouvido ela sorriu.

Nay desviou o olhar imediatamente. Pegou a bolsa.

Caminhou até o balcão para buscar o jantar.

— Seu pedido, senhora.

— Obrigada.

Sua voz saiu mais baixa do que pretendia.

Pegou a sacola. E, quando se virou para a porta, parou por um instante. Olhou novamente para trás.

Não queria acreditar no que tinha visto.

Mas também não podia simplesmente apagar aquela cena da memória.

Nay saiu do restaurante. A porta de vidro se fechou atrás dela. Do lado de fora, o ar da noite parecia mais frio. Ela caminhou alguns passos pela calçada. Então parou. Respirou profundamente.

— Meu Deus...

Passou a mão pelo rosto.

Ao chegar em casa, Nay tentou seguir sua rotina, mas não conseguiu. Colocou a sacola do jantar sobre a mesa e permaneceu alguns segundos parada, olhando para ela. Não estava com fome.

A imagem de Emillyke abraçando aquele homem continuava voltando à sua mente.

O beijo.

As flores.

A música.

O sorriso dela.

Tudo.

Abriu a embalagem mesmo assim e sentou-se diante da mesa.vComeu algumas garfadas sem sequer prestar atenção ao sabor.

Então largou o garfo.

— Isso não faz sentido...

Levantou-se. Pegou o computador e levou-o para a pequena mesa da sala. Ligou.

Talvez fosse apenas sua imaginação tentando encontrar respostas onde não existiam.

Talvez houvesse uma explicação perfeitamente inocente.

Mas precisava descobrir.

Abriu um aplicativo de organização e começou a criar pequenos cartões.

No primeiro, escreveu:

EMILYKE.

Logo abaixo:

JANTAR.

Depois:

HOMEM DESCONHECIDO.

Ficou alguns segundos olhando para aquelas palavras.

Então acrescentou:

UMBERTO.

Ligou os cartões com pequenas setas.

— Eles tinham uma viagem marcada...

Criou outro.

VIAGEM.

Ligou-o a Umberto.

Depois a Emillyke.

E, por fim, ao homem desconhecido.

Quanto mais organizava as informações, mais perguntas surgiam.

Por que ela estava ali?

Por que estava com aquele homem?

Por que havia escolhido justamente aquele restaurante?

E por que parecia tão feliz?

Recostou-se na cadeira.

— Eu estou ficando maluca.

Apagou alguns cartões.

Depois os refez.

Criou novas conexões.

Anotou horários.

Lembrou-se de detalhes que, no restaurante, pareciam insignificantes.

O pedido feito pelo homem à recepcionista.

A rapidez com que o gerente apareceu.

As flores.

A música.

O fato de tudo parecer planejado.

Apertou os lábios.

Aquilo não parecia um encontro improvisado.

Havia alguma coisa por trás.

Mas o quê?

Ela continuou pesquisando.

Não procurava apenas informações sobre Emilyke.

Tentava encontrar qualquer coisa que pudesse explicar aquela noite.

Até que o relógio marcou duas horas da manhã.

Olhou para a tela.

Havia tantos cartões espalhados que parecia ter construído um verdadeiro mapa de possibilidades.

Algumas hipóteses pareciam absurdas.

Outras...nem tanto.

Ela ficou olhando para tudo aquilo em silêncio.

— E se eu estiver errada?

A pergunta ecoou pela sala vazia.

Respirou profundamente.

Não queria acusar ninguém.

Abaixo dela, escreveu:

DESCOBRIR A VERDADE PRIMEIRO.

Observou a frase por alguns segundos.

Depois salvou todo o projeto na nuvem.

Fechou o computador.

A tela escureceu.

Ela permaneceu sentada por mais alguns instantes, em silêncio.

Naquela noite, Nay não havia encontrado respostas.

Apenas perguntas.

E talvez tivesse acabado de iniciar uma investigação que jamais imaginara fazer parte de sua vida.

Pegou o computador e o guardou.

Apagou a luz.

Mas, antes de ir para o quarto, olhou uma última vez para a mesa vazia.

— Amanhã eu descubro o que está acontecendo.

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